Contos, historias, textos pessoais... Short-stories, poems, personal texts....
Princesa Shamanarta
A reencarnação de uma antiga deusa Bellante da Sabeodria, sou eu... ;) LoL ...estou a brincar
The reencarnation of a ancient bellanian wisdom goddess....it's me...! ;) LoL I'm Jokking..
Many stories to tell! Now In bilingue....
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
O convite de gigantes...
O problema é que, enquanto estávamos a tomar o almoço, como fazemos todos os dias na cantina, veio um gang de bruxos para aí com dezoito e dezanove anos para a nossa mesa, e é engraçado, pois estes rufias com os cabelos espetados com gel até às orelhas e sem maneiras – ao contrário dos bruxos mais velhos – não costumam ir almoçar a sítios tão “insignificantes e sem categoria nenhuma” como eles o classificam, não senhor! Suas Senhorias preferem ir “Ao Cavalheiro” ou ao Anel da Serpente para tomarem as suas sagradas refeições. Eram um grupo de seis ou sete musculados e altos como sei lá o quê, fumando sem ligarem às regras de que era proíbido fumar no Palácio das Reuniões.
Com as correntes de metal, girando, pondo os chicotes de pele preta na mesa, tirando as gabardinas de cabedal, e sorrindo para mim, para a Junnifer, para a Sara, para a Patrícia, e para a Maria, sorrindo sadicamente.
- Eis que chegámos ao lugar das damas, rapazes. – Disse um pondo o braço sobre Maria, que logo lhe deu a mão a torcer. – E são fortes, pelo que vejo. Elas não precisam de Maybelline pois já são rainhas da festa!
Que inoportunos! Embora estivessem impressionados pela nossa beleza, também estavam igualmente com más intenções.
Não há nada mais irritante que um melga magricela louro burro que não sabe quando desistir, valha-nos Deus!
- Pronto, eu fico com a chinesinha e vós podeis escolher a que mais vos convém, meus caros rapazes. – Disse outro aproximando os seus lábios e fechando os olhos para molestamente beijar a pobre coitada da Junnifer, que já andava a suar, estremeçendo por todos os lados.
Ora bem, a festa já estava a começar a aquecer, se não fosse o Pedro e os amigos dele, a defenderem-nos daqueles estúpidos bruxos tarados. É claro que eu e a Sara já íamos dizer das poucas e boas aos bruxos, mas deixámos isso para os peritos.
Ao verem-nos em apuros, mal acabaram de tirar a comida, eles correrram para junto de nós, empunhando as armas, com um olhar de desprrezo para os bruxos.
O Pedro, que é muito ciumento, foi o primeiro a chegar em nosso auxílio, empunhando o seu canudo letal de metal, olhando os seus adversários com valentia.
- Não têm lata, seus estúpidos bruxos de uma merda? Pirem-se, toca a bazar daqui!
Os bruxos, em vez de se irem embora, ficaram ali parados durante para aí quinze minutos, falando connosco, embora não os estivéssemos a ligar nenhuma. E, discretamente puseram, sem ninguém ver, com as suas mãos ambiciosas, bilhetes quaisquer nas nossas saias enquanto tentavam pôr as mãos nas nossas pernas. Julgam o quê, aqueles convencidos idiotas?
Bom, sabia lá o que eles tinham posto nos nossos bolsos, mas, fosse o que fosse, não era coisa boa, disso tinha a certeza.
Sei muito bem que nós – Bruxos – não somos de fiar, e, embora sermos aqueles que mantêm os Demónios numa certa distância segura, na Fronteira, onde aqueles pobres desgraçados e condenados devem ficar, também somos de uma terrível reputação.
Mas, que faria se ao menos ouvíssemos à vergonhosa e hipócrita que é a nossa classe, portanto, na minha cabeça, vinham à tona imagens de convites expensivos, salões de gala iluminados com candelabros excêntricos à luz azul-escura, e pessoas vestidas de preto, a beberem champanhe, e praticarem actos de orgia abomináveis e bizarros, a divertirem-se como nunca, como dirgidos por um transe de um único feiticeiro, um demónio – e desta vez não me refiro à classe dos demónios – possesso de loucura perversa, tocando em acordes infernais um violino, e observando com um sorriso cínico as acrobacias mortais que artistas faziam perante o senhor daquela casa.
Seria que estaria enganada, ou aqueles seis queríam-nos levar para o covil de um bruxo ainda mais velho e poderoso do que eles…?
As minhas suspeitas eram essas, e poderia muito bem estar certa, afinal, quando fechavam as portas rotativas da cantina atrás de si, eles estavam com um ar de triunfo e malvadez nos seus rostos disformes.
Haveria algum departamento chanfrado nas SPV em especial que gostaria de me ver espetada numa parede de caça de algum implacável Assassino do Amor…?
Se calhar seria isso mesmo que eles tencionavam fazer à minha mãe…Nem acredito que existam pessoas tão más…! É por isso que eu tenho de pôr esta carapaça de sarcasmo para não chorar, porque à noite, tenho pesadelos terríveis, e só me apatece chorar, mas sei que não posso, quem me dera ter uma alma para partilhar estes pensamentos tão tristes, e é por essa mesma razão que escrevo, é por essa mesma razão, que nunca pertencerei a nenhum homem, é por isso que nunca confiarei realmente em alguém. Mesmo na minha família, não sei se estou segura, portanto, tenho que esquecer essa desgraça toda da Guerra Civil, e tenho um medo de pelar se por acaso os boatos acerca da minha mãe ter sido uma prostituta ao serviço do meu padrasto serem verdadeiros.
Todas as noites rezo que não. Todas as noites, vejo-me ao espelho, e, ou vejo uma óptima rapariga com um espírito fogoso que teve demonstrações de coragem comparáveis a muitas das heroínas que conseguiram resistir aos avanços dos homens, ou vejo uma escanzelada de parva, sem passado – sem pais – e sem futuro.
Por falar nos homens, esses são todos iguais, tanto um bruxo como um cyborg, e a tentação faz-nos, como uma vez fez Eva, a ser enganada pela terrível serpente e a sua língua viperina. Onde é que eu errei…? É a pergunta que dirijo a Deus sempre que me encontro a meio da noite, e quando sinto quão pequena e fraca a minha fé tem sido, agradeço que pelo menos me tenha salvo de todos os erros e diabruras que cometo.
Será que alguma vez terei juízo suficiente para não ser assim tão sincera e atiradiça, mas o problema é este, minha amiga: não consigo confiar em nenhum homem, e a morte da minha mãe causada por um homem malvado deverá ser a razão. Terei a pontaria para acertar no homem bom, naquele que será o meu companheiro para toda a minha vida na cama, e, sempre que penso em encontrar pelo menos um tipo fixe, lembro-me sempre da linda ópera de Carmen, onde o Don José faz tudo pela sua amada cigana infiel, mas no fim, ele torna-se num ignóbil e louco assassino ao matar um dos amantes da rapariga, e de seguida, matando-a de seguida, apenas por amor…Isso põe-me mesmo triste, quando vi pela primeira vez essa ópera, chorei tanto no final quando o título trágico era tocado, e via a pobre insensata a ser-lhe espetada a adaga no peito feminino, e o ex-soldado a agarrá-la nos braços, já desfalecida, clamando com lágrimas no rosto “Carmen, minha Carmen adorada!” Valha-me Deus, o que os homens fazem por nós, e qualquer classe que ele seja, é sempre um tolo no que se refere ao amor…E nós, mulheres, caímos na esparrela de enganá-lo ou sermos enganadas. No caso de Madame Butterfly, os meus olhos quase que ficaram vermelhos de raiva depois de ter visto a Cio Cio San a ser trocada por uma americana qualquer que o malvado encontrara enquanto partira de barco. Tão ingénua, a pobrezinha, com um bebé e tudo! E aquele malandro deixara-a quase sem nada! Se ao menos houvesse um homem que me salvasse de mim própria.
Depois há aquela lenda que se uma mulher passar uma noite na cama de um bruxo vai tornar-se tão fria e sarcástica como ele, mas uma vez que eu já sou sarcástica e um pouco fria, achei que não fazia mal nenhum ir ver o que é que aqueles admiradores nos tinham dado de “presente”. Mas isso só seria depois das aulas, quando tudo estivesse mais calmo, sem fazer nenhum escândalo ou coisa parecida.
Seria assim tão mau para a mim uma única noite rodeada de homens, e entre eles encontrar aquele que a minha alma, solitária entre tantos sarilhos e desventuras por que passei, se deleitava a imaginar e a pintar com cores ocultas, ele, o meu padrasto, tão discreto e tão zeloso, aproximou-se da pobre bruxa deprimida, e acendeu-me, despertando-me para um secreto amor…Será isto tudo obra dele…? O que é que estou eu a pensar, que rapariga tola e idiota és tu, Jessica! Não podes ceder à escuridão nem aos profundos abismos da volúpia. Tu és uma mulher forte! Sim, tens razão, pareces mais uma velha a queixar-te quando devias aproveitar a noite…!
sábado, 26 de maio de 2007
22-09-05 O Fumo Sinistro
De manhã, acordei mais cedo do que os outros, pus os chinelos, e desci as escadas meio triste, com aquele dia tão maravilhoso e solarengo, atrás das grandes cortinas do salão de jantar, e vendo a longa sexta-feira que tinha pela frente, pensei se por acaso aquele bruxo ainda estaria cá dentro. Escrevendo num papel o queria para a Spectinha mandar fazer para a cozinha, o meu nariz detectou hortelã-pimenta queimada misturada com tabaco, produzida por um fumo azul-escuro muito suave e fresco, no entanto asfixiante.
Vi que era o estranho bruxo, com uma cigarrilha de metal, pendido nos seus lábios perigosos e enganadores, fumando a uma hora daquelas, quer dizer, pelas seis horas da manhã!
Por amor de Deus, eu nem aguentava tomar o meu pequeno-almoço com aquela fumarada à volta, o tabaco do primo lá se cheira, mas agora aquela porcaria toda que ele deitava para o ar…O obscuro homem continuou a fumar pacientemente o seu tabaco de hortelã-pimenta, enquanto eu olhava discretamente para ele algumas vezes e comia com a colher os já servidos cereais "Clusters" com chocolate e leite.
Bom, porque não perguntar-lhe a razão de atirar para o meu nariz aquela nicotina, monóxido de carbono, e esses gases todos para o meu nariz…? Pensei eu nessa altura, ao comer e mastigar os cereais. Então, sorrindo forçosamente, dirigi-me ao estranho bruxo com um olhar curioso.
- Desculpe, por que raio o senhor tem de fumar essa…Essa…
Olhou para mim com um sorriso presunçoso, e, cuspindo com desdenho as folhas de hortelã queimadas para a minha camisola cor-de-rosa da Steele, levantou-se de nariz empinado, indo em direcção das portas.
- O que é que tem a menina contra eu deva ou não fumar? – perguntou indignado com a cigarrilha na boca. – A maior parte dos bruxos que tive a honra de conhecer fumam, e que eu saiba, nenhum deles morreu de um cancro de pulmão, asma ou outra doença respiratória parecida. Nós, bruxos, somos imunes a esse tipo de coisas, não ficamos a tossir só porque estamos numa sala coberta de monóxido de carbono. Aliás, o seu padrasto conhecía umas boas maneiras para calar uma menina tão malandra e engraçadinha como você…!
Apontou-me a cigarrilha mesmo para o centro dos meus seios, como se os desejasse perversamente, e continuou a falar.
Eu fiquei totalmente envergonhada, não sabia que os bruxos controlavam a sua respiração e conseguiam inalar substâncias tóxicas sem ficarem com graves problemas no organismo. Deve ser por isso que os bruxos têm aqueles narizes aquilinos e compridos como se fossem bicos de aves de rapina.
Estou cada vez a gostar mais de ser uma bruxa, e é claro que as bruxas não têm os narizes à falcão e compridos e afinalados como dizem nos livros e contos de fadas, mas os nossos lindos narizinhos assemelham-se aos narizes perfeitos de modelos, actrizes, bem, somos mais bonitas que os homens da nossa classe, diga-se de passagem.
Somos assim tão diferentes dos homens bruxos: histéricas, um discurso muito convencido, mas nada convincente, atraentes, confiantes, boazinhas, elegantes, verdadeiras damas…Bom, afinal não há assim tanta diferença.
Espantada com isso, deixei que o senhor sabichão falasse o tempo que quisesse. E, abanando a cigarrilha para todo o lado, espalhando o fumo para mim, com um sorriso que não inspirava confiança, continuou a sua história longa:
- Para ser franco, o seu padrasto era realmente um bruxo poderoso. Sabia usar a magia negra como ninguém, inteligente, manipulador, mestre na arte fatal da sedução tanto de mulheres como em inspirar simpatia e gentileza, eloquente, era conhecido na nossa respeitada classe como o derradeiro cavalheiro negro das sombras. Ora, aconteceu que ele foi longe demais há coisa de dois anos atrás, um dos seus subordinados ou servos violou os direitos de uma nobre atlante qualquer, uma flor de beleza latina lindíssima, posso-lhe garantir que toda a Berlim nem tinha visto tal criatura tão formosa e bela como aquela inocente e frágil menina. Então essa jovem baniu-o para o Limbo dos Espelhos, perdeu os poderes, já ninguém deve reconhecê-lo, está feito em pedaços. Mas, pelo menos, dizem que até Dezembro já deve estar cá fora na Atlântida.
O seu padrasto não tarda a encontrar-vos…
Agarrando-o pelo braço, olhei-o com desconfiança, e, com a minha chama muito quente a pesar-lhe no corpo, forçei-lhe os movimentos.
- Espere aí! O senhor é amigo do meu padrasto?
Antes de saír e ir-se embora da casa antes que o sol começasse a despontar no horizonte, ele caminhou lentamente, até que, ao chegar às portas, fitou-me com aqueles olhos frios aterradores, e, subitamente, não me conseguia mover, estava ali presa ao chão feita estátua, e, voltando atrás, tocou no meu queixo ternamente, como se quissesse transmitir algo muito obscuro.
- Digamos apenas que eu sou o porta-voz da desgraça, minha querida. – Disse ele num tom assustador, estalando os dedos, e, assim que o fez, as portas abriram-se de par em par, e, satisfeito, lançou-me um beijo. – Espero que aproveite os dias de liberdade que ainda lhe restam, Menina Jessica.
Dizendo isto, saiu e as portas fecharam abruptamente com o vento do Norte, levando consigo o cheiro da hortelã-pimenta dos cigarros do enigmático bruxo…
Que quereriam aquelas últimas frases dele dizer…? Seja como for, ele não pode chamar “minha querida” a mim! Nunca ninguém me tratou por diminutivos ou nomes carinhosos, por que razão isso mudaria agora…? Não tenho intenções nenhumas de ser chamada por nomes patéticos como “amorzinho” ou “paixão”, como o Pedro me trata, e isso põe-me bastante chateada, porque afinal, um homem não pode ser um homem? Não poderá tratar a sua amada pelo primeiro nome e já basta? Cá para mim acho que ele só está a brincar, mas não devia ver tantas telenovelas brasileiras como “América” ou “O beijo do Vampiro”! São completamente disparatadas, é claro que têm a sua piada e humor, mas quer dizer: essa coisa dos nomes carinhosos põe-me logo a vomitar.
Por falar em aspectos, os cyborgs são tão giros…Se não fossem leprosos, tenho a certeza que os Bruxos os detestariam na mesma. Os nossos anjos negros são cá uns ciumentos e vaidosos que nem te digo! É porque os Cyborgs têm aquele ar latino super mexido e simpático, e não têm cara de maus como a maior parte dos Bruxos, mas pronto, vou dizer-te quais são os melhores lugares que eu costumo frequentar quando não estou a estudar ou nas aulas ou no Château.
Para os Bruxos, é só preciso dar uma volta na vizinhança, na Cidade Perdida vivem muitos bruxos que adoram-me! No Anel da Serpente? Não, esse é o local de caça da bruxa da Serpente de Fogo. Em Cyborg Town, o único restaurante que – talvez ainda – permita bruxos é “O Cavalheiro”. De resto, os feiticeiros brancos atlantes não gostam nada dos Bruxos porque estes espantam a clientela cyborg. E isto tudo começou porque nós, a nossa classe aristocráctica e poderosa não podia ver uma saia de uma princesa da classe dos nobres atlantes e logo começavam com as íris a saírem das órbitas, com língua de fora, dando corda às botas pretas, para tentar sugar a energia mágica da pobrezinha e a dizerem “Nós não somos nenhuns monstros, venha connosco, minha bela criança, venha, siga-nos, o meu carro está à espera…” ou qualquer coisa parecida, e davam doces às suas vítimas mais novas para elas os seguirem até às limusinas pretas lustrosas e enormes. Bom, o que aconteceu é que os Cyborgs, a guarda pessoal dos Nobres, não gostou nada dos Bruxos estarem-se a atirar à força toda às belas mulheres, adolescentes e meninas atlantes, e, a luta pelo poder começou, com o Almirante Euncätzio, o mais jovem, malvado e poderoso bruxo de todos os bruxos do lado – obviamente – dos Bruxos, que afirmavam que tinham sido os Cyborgs e não eles a violarem as pobres raparigas; com o Pasteleiro e Chocolateiro James Dark Sword, a qual os Bruxos tinham retirado o título de conde e de general máximo da Polícia de Inteligência de Cyborgs, ou, vulgarmente chamada de Gapi, diminuitivo de Guarda atlante policial inteligente. Os doces adocicam a vida deste homem sério e misterioso, de oito mil anos, com o aspecto de quarenta anos, olhos verdes esmeralda generosos, corpo robusto, cabelo de fogo espetado, sempre escondido no chapéu a cobrir o rosto já mantido em segredo pela bizarra máscara de porcelana colada à sua pele rosada, com o alto relevo de um florete e de uma rosa atravessando a referida arma. Ao contrário do perverso e ezquizofrénico Almirante Rewbertan Euncätzio, que morreu, morto por um dos seus próprios superiores na terrível Guerra de Poriavostin. Toda a gente, quando o vê, ou pelo menos o seu busto na cara dos euros da Atlântida diz que ele é parecido com o imperador romano Júlio César, bem, só entre nós, ele nas moedas não se parece nada com o Júlio César, valha-me Deus! Como é que as pessoas podem gostar daquele louco! O homem tinha as ideias um pouco mal colocadas na cabecinha! Percebes o que quero dizer? Tinha uma voz muito estranha e apelativa para um jovem de trinta anos, algumas vezes era gentil e simpático para com as crianças, outras era frio e adorava vestir-se de mulher nas suas psicóticas orgias enquanto ria-se muito alto, com um geito partircular, como se estivesse a balir como uma cabra! Não sei se hoje isso é sinal do Diabo, mas tanto como não sei se o Goldtheeth tem uma língua de cobra, mas uma coisa tenho a certeza, todos os que arrastaram a Atlântida para a guerra em que está vêm todos do Inferno!
Todos eles! Mas, “quando os Bruxos nos fazem a vida negra, vêm os Cyborgs para limpar de uma vez a treta!” É um ditado popular atlante, e isso significa que não podemos sempre deixar-nos abater pelas pessoas más, e olhar para as coisas boas que as pessoas boas têm. E mais tarde ou mais cedo, irás encontrar o fim do arco-íris, e amarás verdadeiramente, pelo menos é que o Dark Sword diz. Tem muita razão, e sabes que mais, as bruxas deviam ouvir mais estes sábios e divertidos amigos, pois são eles que condimentam o lado doce e divertido da vida, dando vida aos bombons e sobremesas, os bolos , enquanto os Bruxos põem a pimenta, o caril, o vinho do Porto e o champanhe na mesa, nós, Bruxas, preparamos o prato da carne, eh, eh, eh…Os Nobres e as Fadas limam os peixes; os Demónios adoram pôr uma azeitona ou outra na salada; os Deuses fazem a sopa, e os Feiticeiros Brancos preparam as entradas. E aqui está a maravilhosa ceia de classes da Dimensão Mágica. Está giro não está esta metáfora da sociedade atlante? Fui eu que a inventei.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Um bom exemplo de um bruxo quase no nível de Assassino do Amor!
Estou tão ocupada com os exames que nem tenho tempo de te escrever. Mesmo primeiro de estudar e de me arranjar e de maquilhar...Preparar as anotações....Bom, uma vida de jovem bruxa é assim....Eh, eh, eh...!
Não consegui adivinhar o que o sonho significava, pois este tinha sido interrompido pelo chiar de uma limusina a travar, derrapando sobre a gravilha do cimento novo, acabado de secar há dois dias atrás e parar junto aos grandiosos portões de bronze do Château von Tifon. Buzinou seis vezes, passados dois minutos buzinou mais 3 vezes, e após o mesmo período de pausa, repetiu o mesmo gesto mais uma vez só, uma espécie de código indecifrável. Parecia uma mensagem em morse, e levantando-me, reparei que à excepção do quarto da Tsuna e da Sol, toda a casa tinha acendido automaticamente as luzes e arranjado as decorações para hóspedes e convidados, tudo num brinquinho: em sítios onde havia pó há meia-hora – a duração do meu sono – havia verniz reluzente e lustroso, o chão de mármore tinha sido substituído por soalho de madeira verde-escura e carpetes escarlate e vermelhas apelativas com a frase “Seja Bem-vindo ao humilde Château von Tifon!” Havia correrria por todos os corredores para ver quem seria o primeiro a chegar lá em baixo no átrio para receber o ilustre hóspede, principalmente o General von Tifon e Nälden, que desciam à pressa os corrimões, falando um com o outro meio nervosos, mas com um sorriso de orgulho nos seus rostos. Decidi segui-los, abrindo a minha porta e vi também as minhas irmãs, já sabendo do que tratava, rindo-se baixinho, um pouco histéricas do que se iria passar.
Porque estariam tão felizes…? É este o resultado de chegar tarde, nunca se sabe o que se poderá esperar do resto da noite, isso é coisa garantida aqui em casa. Já saberia que tipo de homem buzinava a altas horas da noite para ser recebido pela nossa família, já o iria saber…
Bocejando continuamente, desci melancólicamente as escadas, espantada com o reboliço que havia só por causa de uma Rolls Royce preta comprida como sei lá o quê tinha parado junto ao nosso Château. Que mistério haveria por detrás daquele carro tão negro…? Pensando nisso, apertei o nó do meu roupão chinês, e, ao guiar-me pelas luzes ainda foscas do corrimão por causa de estar habituada á escuridão durante algum tempo, julguei se a minha vida não fosse mesmo assim, aliás, se a vida de todos os atlantes, quer bruxos ou cyborgs, fosse assim: andar na escuridão, com luzes foscas cómicas a guiar-nos num corrimão estreito numa escada em caracol, até encontrarmos o nosso outro eu, um gémeo diferente, uma alma que se parece connosco…Uma…Uma…Um gémeo diferente mas com uma alma siamesa!
E como nós, bruxos e cyborgs conseguimos isso…? Guerras. Exactamente, guerras.
As guerras têm desenvolvido as nossas tecnologias, cultura, turismo, economia, comunicações, etc… E, como estas guerras começaram, deves estar a perguntar. Vou-te responder: não sei. Mas, há uma coisa que sei acerca de visitas a meio da noite. Pode ser o Assassino do Amor. Cá entre nós, von Tifon, não me preocupamos lá muito com ele.
É ele que sabe qual será o melhor bruxo para nós, as mulheres e senhoras da família, o nosso marido, afinal, é ou não é ele o pai e Rei de todos os bruxos e bruxas? É por isso, que decidi não descer mais as escadas, mas mal tinha parado de descer as escadas, vi que estava no átrio. No fundo, estava um senhor, com um chapéu preto de feltro para não se ver a cara sedenta de energia mágica de mulheres, botas pretas de cabedal que ressoavam no solo de madeira, e uma capa muito grossa preta lustrosa de couro sinistra, alto, para aí com um metro e setenta oito, a falar animadamente com o Tio Set e com o Primo Coutinho, já vestidos adequadamente para a honrosa ocasião. Não é todos os dias que recebemos a feliz e maravilhosa visita de um mestre da magia negra antiga proíbida.
Consegui apanhar um murmúrio, mal me viram, logo se calaram, e, ao se virar para mim, consegui ter uma perspectiva arrepiante muito perto dos seus olhos frios. Logo vi que não era o Assassino do Amor, apesar do bruxo ter aquelas vestimentas tão arrepiantes e esquisitas, o ar que respirava ainda se podia dizer que era um bruxo normal., Dizem que é costume os bruxos terem olhos azuis muito assustadores, porém, eu tinha a ligeira impressão que aqueles olhos não seriam lá muito vulgares entre a nossa classe.
Estremeci um pouco ao ver que ele me beijava a mão cavalheiramente, retirando docemente os seus lábios das costas do meu palmo delicado.
- Encantado, Menina Jessica. – Comentou ele sorrindo para mim, suspirando provocadoramente e fitando-me com um ar galanteador. – A sua energia é tão forte, um pobre e velho coração como o meu já não aguenta tamanha beleza. Felicitarei de imediato o sortudo que tiver o privilégio de a ter como só dele!
O meu primo rapidamente conduziu o nosso convidado até a Solaris e a Tsuna, que logo fizeram uma vénia profunda com as saias, e, estenderam as mãos direitas solenemente, com um olhar inocente, pensando se o estranho não lhes daria também um beijo nas mãos, e assim fez. Ajoelhando-se ao depositar os joelhos no chão da carpete, pondo as mãos direitas de ambas junto do seu rosto duro, e esmagando os seus lábios primeiro na mais nova das irmãs, depois na do meio, levantou-se rapidamente, e esfregou as mãos cobertas por luvas escuras de contente, sorrindo para o primo. Não há nada mais perigoso que um homem charmoso com cem anos acima, com um discurso tão doce como gomas de um quiosque e lábios mais suaves e escorregadios quanto açúcar de cana com chupa-chupa de framboesa, já me estou a derreter!
- Que pérolas mais adoráveis. – Comentou ele. – Hão-de ser abençoadas com três anjos da guarda perfeitos e jovens. Agora, será que podíamos discutir acerca da ovelha negra…
Ao entender do que o misterioso bruxo falava, os outros dois apontaram os seus indicadores para as portas da biblioteca, que se abriram pela magia do primo e do tio, e, andando para a divisão erudita do Château, olhando os três ternamente e com uma expressão de preocupação nos rostos bondosos, e, ao se despedir, reparei que o bruxo lançou-me um beijo cortês como se dissesse “Lamento imenso a sua perda, Jessica.”
Quem quer que fosse aquele homem, era muito bom e gentil da parte dele ter pena de nós, e os seus olhos…Parecíam-se tanto com o de um pai, será que ele também teria sido um pai quando era novo…?
Estou com tantas saudades da mamã e do papá...
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Para ser sincera, nunca pensei que pudesse vir a ter problemas cada vez mais bizarros, mas agora não me admiro nada se por acaso a Serpente de Fogo decidir que todos devemo-nos andar de pernas para o ar. Também já o fazemos todos os dias…! E, para te aguçar o apetite, fica aqui uma fotografia do meu primo antes de ele ter trocado as SS – aquela organização nazi terrível que exterminava os Judeus! Como é que eles podem ter existido na Dimensão Mágica…?! Nem acredito que o primo foi um deles! – pela Força Aérea, em 1935.
Boing decidiu brincar comigo, e pondo-se atrás de mim, depositando as suas mãos fortes sobre os meus fracos e feminino, sorrindo galantemente, com os olhos a brilhar, fumou o seu cigarro pelo nariz, segurando com o anelar e mindinho, formando um enorme anel sobre o meu pescoço, o que me fez sorrir um pouco.
- Oh, mas que diabo! Será verdade…? Uma rapariga bonita, inteligente e alegre…
Eu ri-me sarcasticamente, afastei-me dele, e ao fechar as portas, sorri cinicamente com as mãos nas ancas. Eu não me diverto nada com os velhos do meu tio e do meu primo. Estou sempre a ser vigiada pelos meus tiranos, o Fritz e o Skánvasse, da madrugada até ao anoitecer, não posso fazer nada sem o dizer aonde é que vou, que intenções tenho, e a que horas chego.
- Ah, ah, que piada! – Comentei eu, chateada. – Para que é que serve o espírito, a que agrada a beleza, as minhas notas altas no liceu são ninharias, comparadas com a chatice que passo todos os dias livres, fechada entre as quatro paredes do Château, que mais parece uma sepultura horrível e silenciosa…
Ele admirado, agarrando-se às grades, debruçado, parecendo entregar-me uma coisa, e exclamou num tom exagerado e sarcástico, rindo-se:
- Uma sepultura?! Ai, ai! Oiça menina: eu quero…
Sem avisar, vimos o meu primo a abrir as portas lá ao longe no fundo do carreirinho, com raiva no olho que via bem, pegando com a arma em punho, e segurando a toalha, saido do banho, meio nú, só vendo o tronco e as pernas peludas a andarem num passo nervoso e acelerado.
Eu, com medo do que o primo estaria a pensar acerca de mim, ao ouvir com as minhas orelhas e olhos a minha perdição, com um ar nervoso, afastei-o com as minhas mãos, fazendo um stop, pois Boing não estava a distinguir o velho bruxo, e queria mesmo salvá-lo do grande sarilho que eu estava prestes a ter com o meu primo alemão, segundo porque era muito incoveniente eu estar com um cyborg. É verdade, nem podemos conversar à vontade, somos inimigos de morte e ponto final.
- Aqui está o senhor desta mansão! Consigo ouvir os seus passos, é mesmo ele! – Avisei num tom sério e preocupado com o jovem de bom coração. – Vá-se embora, não lhe quero prejudiciá-lo, muito menos à sua nobre causa.
O gentil cyborg aceitou o meu conselho, e recuando discretamente para mais longe no nosso pinhal, escondeu-se por detrás do primeiro pinheiro que viu, sorriu e lançou um cortês beijo para mim, feliz por me ter conhecido, e com os fusíveis um pouco perversos e a imaginar coisas muito românticas.
- Como a menina é bondosa. Tinha uma coisa urgente para lhe dizer, mas uma vez que o velho avarento está de olho, mandarei alguém fazê-lo por mim. Em breve terá notícias minhas. – Disse ele num sussuro passageiro como a velocidade do vento, e, dito isto, desapareceu como um fantasma pelo pinhal. Tenho cá a impressão que tenho mais um novo admirador para juntar à minha colecção, mas não posso ser assim tão atiradiça, senão, para o fim do ano lectivo, os Bruxos e os Cyborgs só vão ter olhos para mim, mas que há de se fazer…? Nasce-se perfeita, não se torna! E a perfeição sou eu, eh, eh, eh… Portanto, da próxima vez que encontrar um bruxo de jeito, vou ser eu própria, pois eu tenho a certeza que vou conquistar muitos corações no baile de natal, Ai, ai….
Ao me ver sozinha, e chegando com a pistola carregada, a tremer de frio com a leve brisa do Este que saía do pinhal, lançou-me um olhar de desdenho e, pontapeou o carreiro, segurando na toalha com dificuldade.
- Mas isto são horras de se chegarr ao Château, Jessica Magnetite von Tifon?! São horas de se chegar a algum lado!? – Vocifrou ele, de olhos arregalados e com a cara muito vermelha. – Für Haus, für Haus. Wir gehen, innerhalb! Noch bist du dort? Für Haus schnell![1]
Era melhor obedecer ao meu primo, pois quando ele fala em Alemão, normalmente começa a gritar palavrões como se estivéssemos no Bolhão. Está sempre aos gritos, como se a gente fosse toda surda, com o seu vozeirão de tenor de ópera com sotaque alemão, mas ele só faz isto porque é muito velho e um pouco resmungão. Segundo porque só pensa no nosso bem.
Então, dei corda aos meus ténis All Stars, e comecei a andar em direcção às portas principais da mansão com uma velocidade, que ele nem reparou que eu já estava às portas do Château, vigiando o pinhal, para ver se Boing já estaria a salvo, olhei em volta, e não via ninguém escondido por detrás das altas árvores no escuro, fechei um pouco os olhos para certificar-me se não estaria mesmo ninguém, e pelos vistos, o meu pequeno segredo com os Cyborgs também estava igualmente seguro.
Ao dirigir-me para a porta, reparei nos olhos grandes azuis do primo, arregalados como se seu fosse a própria Anne Frank, e, ainda furioso, continuou a falar batendo com as botas no mármore:
- Innerhalb gehen wir, sofort![2] A parrtirr de hoje os porrtões serrão vigiados pelo Fritz e pelo Skánvasse porr turrnos, assim seja feito e assim serrá!
Uau! Nunca tinha visto o Primo Coutinho assim tão zangado como naquele dia! Só queria ter uma câmera para te mostrar as cores que a sua careca ficou ao ver o Boing, é claro que sempre que o nosso general preferido está com um mau humor terrível, assobia repetidamente “As Valquírias” de Richard Wagner, andando de um lado para o outro, muito nervoso, bebendo geralmente uma jarra enorme de cerveja para acalmar, e isso dá um medo de pelar ao Nälden, ao Fritz e ao Skánvasse e ao Hans. Ficam com as cabeças a espreitar pela fechadura das portas da biblioteca, mais pálidos do que o costume, e, por probabilidades, o General Willhem von Tifon fica a dar um discurso acerca da disciplina, tradição e ordem alemãs durante três fastidiosas e intermináveis horas!
Quando abriu a porta que dá acesso ao átrio, o meu primo andou de um lado para o outro, e deu-se a sequência “fatal”, como lhe chamam os outros alemães de cá da casa.
E, ao beber um jarro de cerveja, limpou a boca, já mais descansado, mais ainda com a cara rosada, um pouco tonto, atirando-se a um sofá, pondo os braços sobre os botões de couro, e brincando com eles.
Estava-se mesmo a ver que ele conseguia aguentar qualquer bebida, e com o álcool a subir ao cérebro, indicou um lugar no sofá.
- Agorra, minha querrida, de uma vez porr todas poderrei saberr da minha Jessica o que aqui veio aquele cyborg da Resistência fazerr esta noite? – Perguntou ele com um ar desconfiado, no entanto bondoso. – Soube porventura duma das nossas estratégias…
Eu, sem ter por onde escapar, sentei-me no sofá, olhando para o ar de bom do meu primo, é verdade, ele não parece assim tão mau como quando está zangado. Quando o conhecemos, vemos que ele é boa pessoa, e, podes ficar admirada, mas ele é muito alegre, e não dispensa uma festa ou reunião familiar quando é preciso.
Se calhar só queria saber onde é que eu me tinha metido, além disso, não faria mal ao contar-lhe que ando a pesquisar o passado da nossa família, e encontrar o meu padrasto, portanto, decidi conversar com ele.
Arranjando a mini-saia, respondi inocentemente ao encolher os ombros:
- O Major Boing? Não sei.
Ele pôs um olhar interrogatório, envolvendo-me nos seus braços e beijando o meu ombro discretamente, perguntou:
- Falou-te, minha filha?
E, afastando-me, levantei-me, sem aguentar o mimo e protecção do velho, e olhei-o friamente, sem interesse nenhum por ele. Virei-lhe as costas silenciosamente, pondo as mãos lindas cruzadas sobre o peito. Não iria dizer-lhe tudo, só um pouco, e se me quisesse torturar, aguentaria tudo para proteger a minha amizade com Pedro, não tenho medo de Bruxos velhos e atiradiços!
- Falou-me. – Respondi seriamente.
- O que te disse?
Eu, ainda virada para não ver o meu primo, curioso com a minha atitude muito ousada, encolhi novamente os ombros, e, virei-me para ele, sorri sinceramente, e com os olhos a brilhar, sentei-me numa cadeira ao lado do sofá do primo.
- Oh, foi só uma conversa de mexericos. Do estado em que Portugal está, da terrível varicela que assolou a pobre Patrícia, filha do Tenente Capa Preta da Resistência.
O meu primo olhou de lado com uma expressão de sarcasmo, sorrindo falsamente, rindo-se. Ele não acreditava que entre o caminho um cyborg e uma bruxa estivessem a falar de mexericos.
- De verrdade! …E eu aposto…que te trrouxe parra aqui como amigo daquele tal rapazolas morreno com ar latino que passa as tarrdes nas sextas-feiras a girrandarr atrravés das grrades vê se tu estás porr cá. – Comentou ele num ar triunfal.
Eu olhei para ele com uma expressão vazia, fingindo não conhecer tal história e com olhos querido de menina boazinha, fazendo beiço com os lábios finos e sensuais, pois confesso-te que o Pedro passa todas as sexta-feira a ver se cá estou para irmos com os amigos para o cinema. Mas não é nada demais! E ele já estava a pensar outras coisas, é típico dos bruxos: tão desconfiados e ciumentos!
- Qual rapaz? – Perguntei baixando a cabeça.
Ele aproximou-se intencionalmente, sorrindo com uma expressão de que já tinha descoberto tudo no rosto louro, penteando com os dedos o seu bigode farfalhudo.
- Aquele rapaz, aquele janota mulherrengo infantil de que o Nälden tanto me fala ao passearr pelo Palácio das Reuniões, chama-se Pedrro, senão me engano. Não é assim, liebkind ? – Perguntou ele satisfeito. – Tens um melhor amigo, é?
Aí, comecei a ficar tão vermelha como um tomate nas maçãs do rosto, é verdade que posso dizer-te que não consigo chorar, e por isso digo todos os meus males a Pedro, falar com ele é muito melhor do que dizer tudo aos bruxos, pois eles ficam logo com ciúmes, segundo, ele é tão perspicaz que percebe todos os meus problemas, e consigo entender-me com ele. Por isso é que sou amiga dele!
Não quero que se descubra a nossa amizade, por um lado, sou corajosa, e não tenho medo dos outros Bruxos e das Bruxas dizerem mal de mim, por outro, o meu primo teria um ataque ao saber que sou a melhor amiga de Pedro. É por isso que fiquei assim tão envergonhada pelo primo saber até o nome do meu rapaz…do meu amigo.
Se souberem que sou amiga de um cyborg, a minha reputação vai pelo cano abaixo! Não permitirei que isso aconteça! O meu primo, adivinhando os meus pensamentos, acariciando o meu rosto com o seu dedo gordo e cheio de pústulas com ternura, sorrindo com os seus lábios secos e escondidos atrás do bigode dourado branco.
- Estás com medo de confessarr os teus sentimentos? – Disse, julgando que não era um cyborg, mas sim um bruxo e que eu estaria apaixonada por o tal “rapazolas”. Estava mesmo enganado. O Pedro é só meu amigo. – Será que adivinhei! Olha, minha querrida prrima, se quiserres, posso trratarr disso pessoalmente. E de que classe é o felizarrdo?
Não quis dizer mais nada durante o resto do sermão, que durou aproximadamente quatro horas, adicionando a quantidade de loiça que tive de lavar como castigo para me livrar de ficar em casa, ir à escola, não ter net, mp4, livros, cd’s, playstation durante um mês inteiro! Sim, mas como já sabia o que me iria acontecer se não falasse de todo, decidi ir conversando e dando aos poucos o quanto chateada estava pela Serpente de Fogo pôr em prática todas aquelas leis ridículas, e à medida que dissimulava a conversa entre chefe de família e nova bruxa na família, ele ficou convencido que estava a escutar uma culta, bem comportada e bonita menina. Graças a Deus que consegui manipulá-lo, e não foi nada fácil fazê-lo compreender as minhas razões e provas que aquilo era um governo muito injusto e nada bom para uma filha de Eva crescer e tornar-se numa bela e magnifíca donzela que reinaria com imparcialidade, e seria boa para com tudo e todos.
Isto nas palavras do meu primo, e fazendo uma vénia à senhora, retirei-me para o meu quarto como uma verdadeira dama, subindo elegantemente, abanando subtilmente as ancas para que ele reparasse no meu perfeito rabinho…Mal fechei as portas, fartei-me de me rir – admito que a minha risada sinistra nessa altura, e ao ouvir a minha voz fininha, perguntei se a minha mãe tivesse sido assim tão mázinha…Oh! Tinha o feito o melhor para toda a gente não era? – com a minha própria eloquência, e olhando-me no espelho, cantando triunfalmente, passando a escova sobre o meu longo cabelo ruivo, sorri sadicamente.
Realmente aquela tinha sido uma boa vitória, e se aquela velha tola e patética cheia de plásticas falsa pensasse que aquilo era o fim, estava muito enganada. Ainda mal cheguei cá, e já estou a coleccionar inimigos…Ups! Fiz outra vez os “olhos gelados de malvada”, uma alcunha idiota que os colegas mais invejosos me puseram, mas quero lá saber, afinal, sou uma von Tifon, e não é um rumor eastúpido vindo de cyborgs do fundo que vai afectar a minha dignidade. Principalmente quando eu sou radiosa, linda e perfeita como o sol, e pondo creme para as borbulhas, ao limar as unhas, olhei ao meu reflexo, lançando-lhe um olhar provocador.
- Espelhinho meu. Fiel e querido espelhinho meu! Existe alguém mais mauzinho e venenoso do que eu? – Perguntei numa voz de convencida. – “Ninguém, Vossa Majestade Divina e Bela como a mais brilhante de todas as estrelas!”
Depois de tratar da toillete, pôr sobre a minha delicada pele a camisola de noite quentinha, atirei-me ao puff, abrindo os cobertores, cansada, e refastelada no meu luxo bem merecido, com as mãos bem cuidadas de pianista – É verdade, toco piano, e por acaso muito bem! - estendidas sobre a longa cama, soltando o cabelo lavado de caracóis ruivos ondulados que chegava até à cintura, e ao esboçar um sorriso de orelha em orelha, fechei as pestanas tratadas com máscara de maybeline.
Tinha contribuído para o bem-estar dos jovens atlantes e nem fora preciso quebrar o verniz das minhas lindas e longas unhas verdadeiras.
Dormindo o meu sono de beleza, estava tudo escuro, as luzes dos corredores e de todo o Château tinham-se subitamente apagado com uma rajada de vento do Norte, mas não fiquei arrepiada, e ouvi doze badaladas num acorde estranho tocado por um violino dissimulado, acompanhado por um órgão calmo numa melodia atraente e estrambólica, parecida com a música de uma parada ou de um circo, ou feira-popular. Era o anúncio da meia-noite para toda a Atlântida, na capital de Cyborg Town, o dia mal tinha começado, pois era a altas horas que a elite da polícia secreta e de bruxos vinha para a “cidade da noite” divertir-se. O enorme relógio da Cidade dos Deuses apenas batia a estas horas, e proclamava-se o perigo que poderia haver se oncontrássemos demónios, bruxos, cyborgs, em Guerra Civil…Aquilo era um pouco assustador, mas é normal, já me habituei a ouvir a gargalhada sinistra do Assassino do Amor a anunciar a meia-noite. Como se as ruas de asfalto fossem feitas de fendas onde se podia facilmente cair; onde cada sombra e casa fossem um ouvido do exército de informadores da SPV; como se cada rosto pintado de um fantasma japonês fosse os olhos penetrantes azuis de um bruxo; como se as mãos magras metálicas de um cyborg fossem como a temida espada de um Assassino do Amor; ou como se os meus lábios ou a lígua alemã fosse um veneno tóxico que as bruxas produzem para torturar os prisioneiros que são inimigos do Regime. E é verdade o que digo, pois à noite, a nossa querida capital não é assim tão apelativa e atraente como no dia. Tem aquele aspecto estrambólico e assombroso de uma cidade fantasma típica de um filme de terror.
Nos meus sonhos, terríveis criaturas ameaçavam apanhar-me nas suas horríveis garras, demónios com brilhantes olhos ambiciosos e sedentos de carne feminina, a observar-me na calada das ruas obscuras e sombrias, eu flutuava através dos edifícios e arranha-céus, não sabendo em que direcção estava para ir, mas tinha de confiar no meu instinto, entrentanto, homens predatórios aguardavam pacientemente para que as minhas fantásticas qualidades fossem perdidas para que assim me pudessem agarrar com os seus braços maléficos. Durante cinco minutos, pensei que estivesse a enlouquecer, e, aonde quer que fosse, não seria um sítio simpático. Suava com o calor da noite, e, com as pernas a tremer qual uma gelatina de framboesa, por fim, cheguei ao Anel da Serpente, o palácio da mais bruxa de todas as bruxas da Atlântida, mas porque razão o meu sonho me trouxera para aquele lugar…? Que propósitos negros o meu subsconsciente queria dar por terminados e profetizados…?
[1] para casa, para casa. Vamos, dentro! Ainda estás aí? Para casa, depressa!
[2] Dentro, vamos, imediatamente!
sábado, 12 de maio de 2007
As leis da Injustiça e do Amor
Tentei ler o que estava escrito na ementa, uma coisa super estranha que dizia:
Segundo a nova lei 456, parágrafo 14, alínhea c), aprovada por Sua Senhoria Suprema, a Grande Serpente, “Qualquer estabelecimento de nutrimentos e entretinemento público que tenha recebido a aprovação do Capitão Goldtheeth em cinco estrelas de classificação gastronómica, irá ser comprado pelo Estado apenas para fins do mesmo, e jamais cidadão algum deverá entrar em referido restaurante, discoteca, café, cinema ou galeria comercial sem uma permissão assinada por um “Fuinha” oficial da S.P.V.”
Pedimos as mais sinceras desculpas se lhe causámos algum incómodo.
Zelando pela sua segurança… ∫φф – Serpenteio da Polícia de Vigilância
.
Comprada era o termo exacto para tal barbaridade! Ora que esta! Primeiro fazem todas as raparigas irem para a guerra para serem prostitutas dos homens da SPV, agora também querem fechar todos os lugares onde o povo arranja a comida e onde podem se divertir…?! Não compreendo mesmo o cérebro daquela mulher, a sério, se pudesse examinar a estrutura dos seus neurónios, existiriam uns parafusos que não estavam a funcionar lá muito bem. Ainda quero saber que raio o meu primo estará a pensar quando deixa algumas vezes a Madame ir dormir cá ao Château. Detesto-a, é claro que pode ter algum estilo, gosta de aranhas, adora sapatos de salto alto de cabedal altos vermelhos, tem quase os mesmos hobbies que eu, mas todos na Atlântida e na Família von Tifon concordam que ela é uma grande vaca oferecida e drogada, se o primo vê alguma coisa nela, que diga de uma vez por todas, não fique com ideias a olhar parado para ela como se fosse um gelado Magnum! Há uns dias vi um cartoon semi-pornográfico num jornal cyborg da Resistência com ela no papel de bruxa, semi-nua, com um soutien erótico e dançar a dança do ventre, com correntes presas puxadas por um nazi; um político americano; um mafioso italiano; um terrorista iraquiano; um ditador sul-americano; um militar comunista asíatico; muito exagerados nos seus traços típicos a darem-lhe dinheiro, jóias, armas, perfumes, e roupas caras por uma enormes tigela como se ela fosse uma cadelinha – na verdade, a Serpente de Fogo estava na forma de um poodle francês convencida, portanto, o seu voluptuoso e sensual corpo estava cobertos de pêlos de cadelinha horrorosa para não serem censurados (coisa que já estariam sujeitos ao publicar o jornal), e um balão a dizer: “Sou vossa escrava, dou-vos amor e a minha tecnologia, vós, meu Senhor, dai-me poder!”
Simplesmente escandaloso! É claro que ela não é assim tão provocadora, o tão mal dizente News Zone – O nome do jornal cyborg – exagera muito nas suas publicações, e para dizer a verdade, não sei se o misterioso editor e oficial da Resistência do Movimento das Forças Cyborgs também não será um pouco larilas ou xéxé…
Conclusão tiradas desta informação: se a nossa família não fizer nada
Também gostava de saber que tipo de homem lhe pôs a cabeça feita em papas, porque ela é simplesmente maluca: tem um feitio horrível e, tal como eu, arranha que se farta com aquelas unhas longas, grita como sei lá o quê, isto é, quando os homens da SPV não estão a fazer-lhe as vontades e não estão todos babados como marionetas sobre os seus fios. Mal me custa a pensar que aquela é a irmã gémea da boazinha e ingénua Sara…
Felizmente, eu conheço um certo “Fuinha” desprezível, que não me avisou desta bonita partida, suponho que seja para me proteger, não? Como é que gozarei a vida, se os palermas da SPV e os homens do primo estão sempre a dizer o que fazer?
Podem obrigar-me a estudar para ser uma conceituada espia na Guerra Civil, que jamais é apanhada, podem dizer que eu sou maluca, podem dizer que eu sou marota e oferecida, mas jamais tirararem-me as minhas discotecas, restaurantes e tardes no shopping, nem pensar!
E, lançando um olhar de desprezo sarcástico para o Chacal Amarelo, empurrei-o para o menu intencionalmente, esboçando um sorriso cínico.
- Diga-me mais, conte-me mais, meu caro Tenente Chacal Amarelo! – Exclamei num tom sádico a rir-me. – Foi obra sua, ou talvez gostaria de me ver a fazer figura de parva, apanhada na sua armadilha tão engraçada, teve tanta piada, a sério!
No chão, de cabisbaixo, tentou não olhar para mim, levantou-se, limpando a poeira, muito espantado e assustado pelos meus olhos azuis, ele pôs-se em sentido, e sorriu resignado com a sua séria situação.
- Não fui eu que promovi qual folia, Donna Jessica. – Respondeu ele inocentemente, com um sorriso frio. – Mas talvez fosse a La Traviata di la Grossa Serpente. É impossível, ela jamais aceitaria qualquer exigência dele…
Curiosa como sou, queria saber quem foi o desgraçado, achando-se vil o suficiente para forçar a sua amada a vender metade dos bens para conseguir dinheiro para comprar todos os locais públicos de Cyborg Town!
Se eu o apanhar, farei com que se arrependa seriamente de todas as infâmias que cometeu contra uma possível amiga.
Tinha de ser feita alguma coisa contra tal ignóbil ofensor de mulheres, expulsá-lo da vista de todos os feiticeiros bons. Mandá-lo para o “Limbo dos Espelhos”, uma espécie de Inferno e castigo para todos os bruxos malvados e horríveis, que só Deus sabe onde é. Ouvi dizer que é uma prisão de espelhos horrível, onde, ao longo dos séculos, um bruxo se vai decompondo, pedaço de carne por carne, osso por osso, órgão por órgão, poder por poder, até que este se torna nos vidros de mais um espelho, que servem para atormentar a fealdade atroz de mais um condenado à morte.
Sorrindo, simpaticamente, dei a mão ao Chacal Amarelo, e beijei-o amavelmente no rosto, com uns olhos que já não pareciam aqueles olhos crueis e frios que tinha. Uns olhos compreensíveis e bons.
- Iremos encontrá-lo, asseguro-lhe que este crime horrível não ficará na minha memória em vão. – Disse eu, indignada e com as mãos retorcidas, triste por haver tais vilões à solta nas ruas de Cyborg Town. – Agora é este o meu país, e vou defendê-lo custe o que custar de todos aqueles que quiserem violar os seus direitos, como aquele homem que violou os direitos da minha mãe, …
Contendo as lágrimas frias de ódio, imaginando o pior destino possível para aqueles bruxos malvados, sorri forçosamente, e não reparei que o Chacal Amarelo me perguntava alguma coisa:
- Então, donde está La Mamma Catarina? Tinha um ar sóbrio e sensível…
Não queria falar nisso, era um assunto demasiado triste para ser levado de ânimo leve, não, não naquela noite. Aquela noite era de alegria, não de reflexão, por isso não disse nem uma única palavra acerca disso.
Com um brilho de esperança nos olhos, virei as costas ao passado, e acelarei o passo, sem ligar o que deixava para trás. No entanto, porque snetia uma certa compaixão por aquele bruxo, porquê…? Tenho mesmo de esquecer aquele homem, eu e a Sara, eu, a Sara e a Serpente de Fogo temos de esquecer os males que nos atormentaram durante vários anos, sim…Esquecê-los para todo o sempre!
- Isso agora não interessa. – Respondi numa voz triste a soluçar, tentando esconder em vão os sentimentos. – Então…onde é o “Anel da Serpente”? Tenho a certeza que…
Compreendendo que eu começava a ficar com sono, o Chacal Amarelo ia abraçar-me e levando-me para casa. Primeiro porque estava a fazer-se tarde, segundo porque os italianos são muito sensíveis, e compreendem quando uma senhora sofre, ao contrário de certos bruxos idiotas e congelado!
Mal íamos voltar para a estação de metro, quando vimos o Pedro, passeando com os amigos na noite a ouvir uma música no leitor de mp3. Que bom, ele pode ser chato, mas ao menos poderia-me ajudar a animar-me, e talvez irmos todos juntos ao hotel, e curtimos música a séria, e não falar de estúpidos bruxos fantasmas, que sentem prazer ao torturar sete pobres raparigas, quebrar o seu coração sensível aos pedacinhos! Até elas já não terem mais nada na vida…Mais nada!
Reparando que estava a chorar, o Pedro correu logo em meu socorro, pensando que poderia ganhar a minha confiança se fingisse interessado no meu sofrimento.
E, pondo a sua cara mais inocente e preocupado de ursinho de peluche, abraçou-me descaradamente, como se eu fosse sua!
- Bebé, que se passa? – Perguntou ele numa voz curiosa.
Dei-lhe uma estalada na cara tão forte que ele até assobiou com uma marca vermelha muito forte no rosto lindo de tarado criançolas. Com um olhar frio respondi:
- Que te parece, grande estúpido? Um fascista nojento interesseiro qualquer obrigou a Serpente de Fogo a fechar todos os sítios mais porreiros de Cyborg Town! O único que está aberto é o piroso e feio edifício d’O Anel da Serpente!
Pobre Pedro, não sabe o quanto nós, mulheres e feiticeiras sofremos por causa dos bruxos, mas mesmo assim, era um raio de wesperança para me rir de vez em quando.
E, com a sua beleza humilde de latino moreno, olhou-me com os seus olhos castanhos, e vi que apesar de ser um pouco infantil, compreendia os nossos problemas então, deu uma segunda opurtinadade para eu falar com ele.
- Sabes, Jessica, tu és tu tão bonita, não devias desperdiçar esse corpo de deusa com bruxos velhos malvados e com os pénis enrugados e feios. – Disse ele num tom franco e sincero, mesmo preocupado comigo.
Dito isto, virou-me as costas, e, mesmo antes de se dirigir para outra rua, sorriu nesse jeito cómico e engraçado que ele só conseguia fazer.
- Vai para casa. Este não é um lugar para ti, aqui só haverá homens que te vão querer fazer mal, eu não quero que morras… - Disse ele num tom romântico, mas muito corado, envergonhado. À medida que falava, a sua voz tornava-se mais fraca, e apercebi-me que estava embraçado em dizer o que sentia. – Porque eu…Eu…É melhor eu ir andando. Tenente Chacal, com todo o respeito, conduza essa senhora à casa dela.
Acenou-me, muito vermelho, timidamente, e sorri resignada, esperando sempre pelo meu novo amigo.
Bom, também gosto de um amor jovem e tímido, na verdade, acho que é muito melhor do que um amor repentino e sensual, ou tão quente quanto o Sol.
Sim, agora me lembro, tive um amor assim: verdadeiro; secreto; ingénuo; sério; etéreo; é o amor mais bonito, deleite para o coração. Mas que acaba mais facilmente e que deixa feridas mais fatais, que nos acaba por matar, matando suavemente com o seu veneno, cada minuto sem o nosso amor parece um ano desperdiçado, sem ele não sabemos o que iremos fazer. Ai, o amor verdadeiro…!
O meu novo melhor amigo, que brinca com o amor, mas que sofre com ele, pobre e coitado jovem cyborg…
Cinco minutos depois, ele correu a dirigir-se para mim, encurralou-me num beco escuro, e beijou-me repentinamente, depositando os seus lábios firmes pequenos e secos metálicos nos meus molhados e sensuais grandes, e…Senti o prazer, o amor indiscreto, pois ele pôs a sua língua no interior da minha boca…! Decidi pôr-me os meus braços sobre o seu pescoço, e beijei-o com igual ou superior competência, afagando-lhe os cabelos pretos espetados, despenteando-o, nos melhores e espectaculares dez minutos da minha vida. Não sei…Será ele o homem da minha vida…? Ou apenas será o criançolas que parece, embora já tenha barba, e isso notou-se, no nosso beijo espantoso…!
Depois daquela cena, saímos do beco, e descobri que o Chacal Amarelo e os outros tinham ido embora! Bolas, como iríamos encontrar o caminho para casa…?
E era tudo culpa do estúpido do Pedro, com as suas saídas românticas! Ai, valha-me Deus, se ao menos conseguisse estrangular aquela garganta doentia de cyborg mexicano talvez ele ganhasse juízo…! Não, a violência não resolve nada, portanto, tentei falar com o senhor sabichão para ver se pelo menos sabia o caminho de volta ao Château! Como iria explicar isto ao meu primo…? Além disso já eram dez horas e meia! Já devia estar pronta para dormir, no meu quarto, a ler um livro! Com certeza não me livraria de sarilhos e um longo e comprido sermão nessa noite!
Olhei para ele com ares de “por favor, arranja uma forma de eu voltar à minha casinha, senão, pagarás por isso” misturado com uma fúria incontrolável.
Ele, percebendo o que se estava a passar, virou-se como se não fosse nada com ele.
- O que é, bruxa vendida? – Perguntou ele, apontando para as minhas unhas. – Não sabes o caminho para o teu castelo com fosso e dragão incluído?
Que estúpido, eu sei no fundo, que apesar de ter duas personalidades, ser um criançolas incurável, brincalhão excelente, o Pedro é um querido e está sempre preocupado com a minha saúde e a minha vida. No entanto, é uma maçada termos de estar separados, pois os Cyborgs e os Bruxos Alemães são inimigos mortais declarados. Vou-te contar como é que nós, os Bruxos, e os Cyborgs começaram a brigar.
Há mais de vinte mil anos, chegou cá à Atlântida um chefe de uma tribo goda – original da Alemanha – julgando-se o chefe de toda a nossa pátria, bom, o tal chefe era o Duque von Tifon (Desculpa por me ter confundido os títulos), e decidiu declarar guerra, dizendo que esta pertencia ao povo godo supremo porque este o descobrira primeiro. Como vês, a mania da grandeza de os Alemães e dos povos do Norte – confesso humildemente que a Inglaterra também está nessa vergonhosa lista, quando toda a gente sabe que os europeus do mediterrrâneo, os latinos e os gregos é que são os mais espertos, que humilhação! – está já no nosso sangue há muito, muito, muito, muito, muito, muito tempo. Neptuno decidiu conversar diplomáticamente com o Duque, e, depois de sete dias de longas trocas de presentes e negociações, ambos concordaram enquanto Neptuno fosse vivo, os Alemães e todos os povos da Dimensão Mágica poderiam ser acolhidos com as melhores esperanças de uma vida melhor no continente mais avançado de toda Dimensão Mágica quanto a feitiçaria. Ora bem, os bruxos do norte, vendo a incrível magia que estava ao seu alcance, foram ambiciosos demais para compreender o Bem e Luz que emanava deste lindo país, e, assim nasceram os temidos e terríveis Assassinos do Amor, bruxos com poderes fora do normal, sedentos do sangue e carne das jovens raparigas atlantes. Ora bem, os Assassinos do Amor, cá para mim, não passam de uma lenda, e se calhar, gostarias de saber mais deles, mas lá chegaremos a seu tempo, tem paciência, está bem?
A princípio, esta lenda foi tomada de ânimo leve e ninguém quis saber do novo “protótipo de atlantes”, misturados com bruxos e mulheres atlantes, com energia virgem muito poderosa. Mas, dentro de um curto espaço de cem anos, surgiram coisas muito estranhas na Atlântida: o novo e misterioso, jovem e perverso Almirante Rewbertan Euncätzio, a Guerra de Poriavostin, a morte da Princesa Arco-íris e da Princesa de Fogo. Foi tudo tão rápido que os males tentadores desapareceram tão súbitos como vieram, e na verdade, durante pelo menos, dezanove novecentos mil anos, vivemos todos em paz e em harmonia, até ao dia em que a Serpente de Fogo regressar dos mortos e reclamar o trono. O resto, já sabes, não é verdade?
E por isso mesmo, nós e os Cyborgs não nos damos bem, mas, voltando à minha história, que isto da Cyborg Town tem muito que se lhe diga.
Subitamente, reparei nas horas, eram nove horas e ainda não tínhamos ceado em castelo meu, Ceús, que bênção! Vi que alguém andava a cantar nas ruas escuras mais baixas de toda a cidade com uma guitarra muito indiscreto! Nem sequer parecia uma pessoa que se chamaria de um senhor de guerra. Seria melhor que nos escondéssemos, pois, se fosse da polícia, certamente arranjaria desculpas para deter o meu pobre e inofensivo amigo. Poderia arranjar, a ambos, grandes sarilhos, dos quais, só daí uma eternidade nos salvaríamos!
Se ao menos houvesse onde não nos pudéssem ver, mas onde, com tantas escolhas…? Aquela cidade tinha tanto de indiscreta como de barulhenta, e, em qualquer lugar haveria um sítio onde ao menos uma boa alma tivesse pena de nós e nos acolhesse em sua casa…Se ao menos encontrássemos tal lugar, … Olhámos para a esquerda e para a direita, de cima em baixo e não vimos nem uma porta ou janela aberta. Mas já era de esperar, o black-out era às dez e meia, e, para não serem reprimidos pela SPV, os atlantes estavam habituaddos a apagar e a fechar as janelas uma hora e trinta minutos antes, e o cenário não só se passava em Cyborg Town, mas sim em todo o país!
Deste modo, acabaríamos no Anel da Serpente, numa cela especial, com toda a cortesia especial da polícia secreta, com inalação forçada de ópio e com camas rijas de correntes de ferro incluídas!
Foi aí, que, encontrámos a sombra de umas escadas onde ninguém nos encontraria!
Alegria das alegrias, finalmente conseguiriamos arranjar tempo para conversar e cimentar esta amizade, para que assim, não ficasse presa sob as garras de velhos bruxos afogados em licor e tiranos. Enjaulada sob as grades douradas de luxo e melancolia, e, se não me engano, a minha lista de pretendentes na classe de bruxos aumenta às dúzias, imagina a minha desgraça quando chegarem os Alemães, já não terei aquele amor
verdadeiro; secreto; ingénuo; sério; etéreo; é o amor mais bonito, deleite para o coração. Mas que acaba mais facilmente e que deixa feridas mais fatais, que nos acaba por matar, matando suavemente com o seu veneno, cada minuto sem o nosso amor parece um ano desperdiçado, sem ele não sabemos o que iremos fazer. Já não terei o amor verdadeiro….Serei forçada a deixar-me abraçar por braços estranhos, deixar-me beijar por lábios estranhos, porventura do meu padrasto…Que estranho, que estranho! Arrepia-me todo o ser cada vez que a repito, esta maldita palava, cada vez que a escrevo, parece que até o próprio Diabo me inspira! Que trágico destino, ai Deus queira que não seja verdade, estar condenada a apenas ser beijada por cavalheiros raquíticos, por anjos negros…! Ai Deus, protegei-me! Protegei a mim e ao meu amigo.
Guiai-nos até ao bom caminho, Senhor. Será que falo-vos apenas quando abro meu coração e a máscara de fria bruxa está tirada…? Dai-me humildade e agradeço por ainda estar viva, e… E… Por fim, peço-vos que mandai-me alguém em quem confiar, um pai, por favor, para acabar este pesadelo, para parar de ter maus pensamentos, ai, ajudai-me, senhor…Mandai-me um homem, um bruxo bom, que possa realmente compreender-me, ai senhor…[1]
Ao chorar, não reparei que Pedro aceitou o meu corpo e abraçou-me, sorrindo ternamente, ele riu-se, e beijou-me na testa. Afinal havia alguém que sabia o que eu sofria, o quão forte eu tinha de me fingir, e acarretar com a dor da guerra.
- Não te preocupes, Jessica. – Disse-me ele. – Nunca te deixarei que te façam mal. Nunca, porque és minha amiga, não és? A única amiga que não se interessou na minha beleza, classe da pirâmide social, ou outra banalidade terrena, porque a amizade não é uma cena daqui da Dimensão Mágica, mas sim do Reino dos Céus!
Fria como sou, não dei a conhecer os meus sentimentos, e apenas o empurrei para ficar o mais discreta possível de qualquer demónio, bruxo ou cyborg que me visse. E lancei um olhar incriminatório, rindo-me, depois de ter limpado as lágrimas e retocando a maquilhagem.
- Pronto, não vamos tornar-nos emotivos ou coisa parecida. – Disse mais calma, arrumando o meu cabelo e fechando com delicadeza o estojo de sombras e baton na pequena carteira de cabedal preta. – Agora, se conseguíssemos voltar para casa…
O melhor dia deste Outono, sem dúvida alguma, o prazer e a amizade reuniram-se em apenas dois corpos, agarrados um ao outro, entrelaçados e destinados um ao outro pela fabulosa e potestade Providência Divina…
Subitamente, o oficial da Resistência apareceu sobre nós, a fumar pela cigarrilha, um vulto saltando de telhado em telhado, esvoaçando de prédio a arranha-céus, cantarolando uma alegre e cómica melodia atlante.
Sobre um cavalo alado, montado, indo ao sabor do vento, tão ocupado e numa correria aventurada, alheio ao som longíquo das metralhadoras e explosões de feitiços e encantamentos que acontecíam na Avenida Principal.
Era uma perseguição, estavam a tentar apanhar o cyborg, e, segundo estava a perceber pelo apregoamento em atlante, alemão, italiano e inglês, não era coisa boa.
Finalmente uma luz ao fundo do túnel, um oficial a quem poderíamos perguntar o caminho e conseguirmos chegar a minha casa.
Só tinha de falar a sua língua, e rapidamente estaria na minha querida caminha.
Então assobiei alto, chamando-lhe ao acenar com a minha mão cuidada e bonita, com uns olhos esperançosos e muito inocentes.
Horas mais tarde, estava com o tal cyborg, de vinte e sete anos, com o cabelo encaracolado curto castanho, mais castanho do que avelâs, olhos da mesma cor de chocolate escondidos sobre o capucho cinzento para cobrir a impureza do seu tronco descoberto de metal, com botas castanhas-escuras de couro gasto com os anos, e na cintura, em cada lado, uma letal adaga afiada em cada ponta pendia uma gota de um veneno azul-celeste tóxico. Caminhávamos na desertificada terra da Cidade Perdida, cujo único edifício nesta região que ainda alberga pessoas vulgares e ricas é o Château von Tifon na L’Amour de La Rue, no centro da cidade fantasma, com as vilas, as praças lindíssimas e mansões abandonadas por causa da Guerra de Poriavostin há mais de vinte mil anos, a nossa freguesia mais parece uma cidade após os bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial, ou os arredores de um campo de extermínio nazi abandonado. É verdade, a Cidade Perdida costumava ser o centro empresarial muito movimentado e muito animado, agora, mais parece um cemitério. Cheira a morte por todo o lado, não há vivalma que ande por esta zona amaldiçoada da Atlântida, e é uma pena, porque um jeitonho aqui e outro para acolá e isto tornava-se num bonito país para se viver, mas enfim, como a Atlântida está toda ela amaldiçoada, não me admira que digam que as almas das pobres vítimas dos bruxos e dos Assassinos do Amor venham descansar em paz neste lugar trágico e horrível para os olhos duma pessoa sensível. Também estão afixados por todos os candeeiros em cada cem em cem metros, cartazes mais ou menos assim como está no topo da minha carta.
Da primeira que vi uma coisa sinistra e arrepiante como aquela à minha frente tive em consideração se os da SPV não seriam doidos varridos para espetarem uma coisa daquelas mesmo em frente de uma pessoa para ela ter um ataque cardíaco…!
Não devem regular bem da cabeça, devem ser meio-malucos, meio-malucos! Só pode ser, se calhar devem pensar que isso espanta os cyborgs de fazerem a guerra nessa zona.
Mesmo assim, Boing – era assim o nome do oficial cyborg da Reistência que me acompanhava até a casa – não ficou nem um pouco assustado com os repetitivos avisos que estavam presos com cola super forte.
E, no seu jeito meio cómico, andava com as pesadas botas sobre o cascalho de granito que, apesar de parecem um pouco difíceis de andar, eram mais macios que uma pena, e poderia andar-se sobre ele facilmente, mesmo assim, para mim era uma tarefa com uma dificuldade deveras elevada acompanhar o Boing e a sua energia espantosa na sua idade de oitenta anos, embora não o parecesse, ele tinha toda essa idade, e mostrava ser um homem muito apressado e valente.
No seu ritmo acelerado, em breve chegámos a L’Amour de la Rue, a rua em linha recta que tinha vista para o Château e dava mesmo para ver os portões de perto da minha linda casa.
Espantado com tal luxo e com a minha bondade, juntou rápidamente os punhos em forma de respeito e fez uma vénia profunda, deslumbrado com tal beleza.
- Menina, boas noites, despeço-me.– Disse ele a devorar-me com os olhos admirado e cheio de cobiça, esfregando as mãos em concha. – Que se faz por aqui?
Bati com os braços nas ancas cobertas com a mini-saia de ganga, com um ar carrancudo nos meus lábios, e olhei um pouco desiludida por não ter nada que fazer.
- Morre-se de tédio. – Respondi com um tom exagerado a abrir os portões com as chaves, vendo que já eram dez horas e meia.
Tinha de me despachar, senão, ouviria um raspanete de meu primo que jamais acabaria, e embora Boing fosse simpático; agradar-me; muito bonito e por fim o seu aspecto jovial conquistar qualquer rapariga, eu tinha de voltar para os bruxos, aqueles velhos endemoninhados e antiquados. É uma pena e uma ironia terrível: os bruxos terem aquela cara de maus e nórdicos, convencidos e com trinta acima, enquanto que os cyborgs terem aquele ar latino sedutor, alegre e amistoso. E digamos que quase nenhum Cyborg só deixa crescer a barba até se notarem uns engraçados e finos pontinhos pontiagudos de pêlo facial no queixo que nos deixa caidinhas, terem um estilo moderno e super cool. Sim, os Cyborgs têm esse karma espantoso; então, porquê pô-los da sociedade…? Será que os Bruxos não terão dor-de-cotovelo ou estarão com o monstro dos olhos verdes com os Cyborgs pelos segundos serem tão bondosos, amigáveis, lindos de morrer, e principalmente, não precisarem de magia poderosa e riquezas para terem as Bruxas e as princesas más e mimadas – os Alvos preferidos dos Assassinos do Amor e dos Bruxos, geralmente eles armam-se em galantes connosco. – aos seus pés…? É possível.
Afinal, não consegui conhecer bruxos nenhuns, mas pelo menos consegui ver o outro lado da guerra, e pelo que observei, os Cyborgs até não são maus tipos. Na verdade, até reparei que, se calhar esse conceito de os Bruxos serem velhos está fora de moda.
Talvez os mais novos sejam como rufias de rua com chapéus de feltro – Na Atlântida, esta mania dos chapéus de feltro pelos Bruxos nunca irá passar à história! -, botas rockeiras pretas de cabedal, com chicotes de pele na cinto de caveira de morte, cheios de anéis no anelar e no mindinho, luvas brancas de cetim para não magoar as senhoras, muito menos as suas vítimas, casacos de couro pretos, e no pescoço um colar largo de couro pendendo uma cruz dos templários de metal, mascando uma pastilha com as pernas cruzadas de calças de jeans da Lee, atirando uma moeda ao ar, ou talvez fumando um cigarro com a ponta dos lábios com um sorriso cínico e uns olhos que dão um ar muito sádico. Sim, deve ser o aspecto do bruxo moderno atlante, se este não for um agente da SPV, é claro.
Costumam andar por zonas da Atlântida obscuras como a Cidade Perdida, à calada da noite, com os leitores de mp4 a alto som, a abanar a cabeça de uma forma como se quisessem convidar uma dama inocente para juntar ao grupo de altos homens de entre os vinte e cinco até os quarenta e cinco anos, de braços caídos ao chão, com olhares frios, a fazer estalar os chicotes no solo apenas pelo sádico prazer de aterrorizar todas as criaturas do sexo feminino que se atreverem a dar a mão a um destes mulherengos da noite, normalmente, estão caídos de bêbados ou os cigarros que fumam são de hortelâ pimenta, e esta folha como tabaco é produzida na Alemanha da Dimensão Mágica com o tabaco de tal maneira, que o efeito é semelhante a de uma droga, que tanto Cyborgs como os Bruxos atlantes adoram fumar. Falam grosseiramente, com um vocabulário pouco variado e quando querem dizer a uma mulher que é bonita, gritam «Ò boa! Vem fazer companhia à gente!» Mas existe uma pequena diferença com os Bruxos e os Assassinos do Amor, e essa diferença está na sua etiqueta. Os Assassinos do Amor quando querem seduzir uma bruxa são mais ou menos assim, sibilando discretamente, na janela do seu Rolls Royce preto luxuoso e acenando com o indicador «Que senhorita tão bonita! Venha cá, minha bela criança, e farei com que esta noite seja inesquecível para si, minha adorável pérola.» E pronto, os bruxos são algumas vezes – raras são as vezes em que são pobres, isso jamais! – da classe média alta, ou mesmo podres de ricos, mas com aqueles modos que são um brinquinho de rapazes, que anjinhos, com auréola e asinhas incluídas!
Quanto aos Cyborgs, vestem-se normalmente, mas são na mesma grosseiros, e embora possam ser os dois grupos, alguns bruxos lindos, misteriosos e sedutores, e outros cyborgs de bom humor, gentil coração, e amigos de qualquer rapariga, ambos são homens, que se poderá fazer…? LoL
Bom, aproveita esta pequena carta, porque na próxima semana há mais de "Almas Siamesas, Gémeos Diferentes"!
[1] Isto foi escrito quando a tristeza da rapariga ainda estava num nível alto
sábado, 5 de maio de 2007
Lista dos Melhores Sítios de Cyborg Town
2. “Revolta” – O café ideal para se fazer uma pausa depois do jantar, e se não experimentar as sobremesas de Cyborg Town ou da Cidade de Deuses, pode-se comer aqui por um preço muito mais barato do que n’O Cavalheiro”, pois fazem no bar uns almoços que custam uma pechincha, apenas quatro euros cada menu. Apesar disso, e da qualidade superar a apresentação neste caso, este café é pouco apreciado ou visitado pelos Bruxos ou pela alta sociedade atlante, ou seja, os Fascistas, que somos nós, como é óbvio. Mas mesmo assim, queria ver o aspecto deste bonito sitiozinho, na Strafagds Rue, quase perto da estação da Cidade Perdida.
3. E por fim, “O Anel da Serpente” – O mais luxuoso e caro hotel da cidade inteira, que se localiza no centro da cidade, mesmo no núcleo na avenida principal, um arranha-céus monstruoso envidraçado cilíndrico, de cento e trinta metros de altura, rodeado por uma serpente de mármore enorme, que forma a sua cabeça no topo do edifício uma espécie de salão ou andar privado, ou qualquer coisa do género. É na cabeça da serpente onde vive aquela bruxa da Serpente de Fogo, com um quarto pessoal onde tem uma mesa para convidados especiais, excepções, VIP’s, percebes, se por acaso, o Presidente do Palácio das Reuniões fosse fazer-lhe uma visita para jantar com ela; o Assassino do Amor; a Rosa Azul; o Conde von Tifon; o pai dela, o Neptuno;…Bom, uma infinita lista. Jamais algum oficial da SPV esteve com ela naquela divisão do arranha-céus, e sabe Deus as coisas que ela trama lá em cima…! Estou ansiosa para bombar com os top dos top Bruxos na enorme discoteca que o “Anel da Serpente” tem. E depois, há suites vagas para qualquer bruxo ou bruxa disponível, um jacuzzi no -1, etc.
Resumindo e concluindo: tem tudo!
sábado, 28 de abril de 2007
E sabes para aonde é que o egoísta presunçoso me levou? Para o metro, na linha que ia ter à Cyborg Town. A minha primeira viagem ao sítio mais perigoso e com mais focos da guerra civil, a minha nova amada capital, sim, ia ser muito interessante, ai se ia!
Por um lado não só ia desmascarar aquele piolhento que tinha deixado o capacete em forma de penico no seu castelo tenebroso com fosso que habitava um enorme dragão e tudo, como também gostaria muito de saber a que tipo de guerrinhas eles costumavam brincar lá naquela lixeira latina.
Por outro, estaria-me a meter na boca do lobo, e já tinha ouvido falar de que os Bruxos da capital não eram ossos fáceis de roer quanto à feitiçaria e ao estilo de combate. As bruxas de lá também não deveriam ter uma língua honesta ao falarem, por isso, decidi reconsiderar a minha futura viagem. Afinal, seria sempre bom pensarmos um pouco antes de fazermos uma jornada misteriosa, não achas? Tretas, era agora ou nunca que eu iria desvendar o mistério, e não iriam ser uns minúsculos detalhes que iriam deter-me!
Engoli em seco, e, a borrifar-me para o perigo, decidi entrar no metro, mas quando me apercebi, este já tinha partido há imenso tempo. Que azar, se não tivesse sido o meu sentido pragmático e calculista, talvez ainda conseguisse apanhá-lo, mas àquela hora, era um pouco difícil arranjar um metro que parasse na atribulada e excitante cidade, não senhor, não haveria forma de conseguir seguir aquele boche que tinha mania que era bom demais para uma inglesa de calibre como eu. Se conseguisse falar diante dele, iria dizer-lhe das poucas e boas! Era o fim da linha, mas para um von Tifon, não há fim da linha, pois nós no Château nunca desistimos de algo, aliás, a palavra “nunca” não consta do nosso vocabulário. Teria de levar alguém comigo, em princípio, o Chacal Amarelo mais uma rapariga da minha família para ele não se armar em esperto. Não é que meta o nariz onde não sou chamada, mas sempre me senti fascinada pela espionagem, e desde pequenina que sonhava com aventuras tão perigosas, com vilões sinistros e refinados, anti-heróis bonitos, frios e de poucas palavras, mas que eram super mulherengos.
E eu poderia ser a mulher fatal: rica, linda, poderosa, e má como as cobras! Estou a brincar, mas a sério que era uma boa ideia…
Enquanto pensava nisso, e retocava a minha maquilhagem no espelho, reparei que as minhas irmãs e o Chacal Amarelo também estavam na fila para os bilhetes, e tinham conseguido passar à frente de todos. Que sorte, bom, esta era a minha opurtinidade, e não a iria deixá-la escapar tão facilmente como da última vez.
Iria apanhar o bruxo alemão, custe o que custasse, iria revelar a sua identidade de uma vez por todas!
Se ele quer brincar comigo, então vamos jogar um jogo muito engraçado.
Ao entrar no metro, vi as casas da Estação Manuelina turvas a desaparecer, para darem lugar a campos, e pensei se por acaso era o meu orgulho próprio a actuar sobre mim e pensei, se…Se…Se ele aparecesse e me acolhesse nos seus tentáculos venenosos, se eu aceitasse…Se ele tivesse mudado…Se a minha mãe ainda vivesse, se todas as guerras não existissem…Se o Rei Artur não tivesse tirado a Excalibur da Pedra…Se os Nazis estivessem quitetinhos na sua jaula que é a Alemanha…Nesse momento ri-me.
Afinal o mundo não girava em torno do Sol, como a Tsuna estava a dar naquela altura, o mundo girava em torno dos “Ses…”, e se o Tio Set não queixasse por causa dos seus inúmeros problemas na coluna…Era, o mundo girava em torno dos “Ses…”; porque se não fossem os “Ses…”, nem a Dimensão Mágica, nem o Mundo dos Mortais – O Universo ou Terra – existiriam! A água turva da chuva fazia-me imaginar mil e coisas engraçadas, assim, não teria de pensar na minha Mamã Kathy, ou no Papá Thommy, nem aquele horrorroso do nosso padrasto. Enquanto estava a pensar nos “Ses…”, vi o Chacal Amarelo, sentado ao pé de mim, a falar com alguém ao telemóvel, no fundo da carruagem, muito interessado, com o bluethooth encostado à orelha.
Parece que estava aliviado, e, pondo as mãos com o telemóvel na direita, suspirou satisfeito, com um brilho de esperança nos olhos castanhos.
- Então perdoa-me, Sua Excelência?
Uma voz distorcida do lado do auscultador respondeu:
- Certamente que sim, Tenente. O mal entendido no Palácio das Reuniões já está enterrado no passado. Agora, falaremos de outros assuntos, como…A minha menina está aí consigo?
Eu quase que ia levantar-me, de olhos arregalados, deixando o baton rosa-choque a secar, sem palavras para explicar como raio o bruxo me tinha descobrido, se eu tinha sido tão discreta, se calhar deve ter
Como é que aquele homem me descobriu, deve ser mesmo bruxo para ter conseguido, e é por isso mesmo que estava ansiosa por ver os seres masculinos mais fixes dos Bruxos e das Bruxas, dizem que são uma espécie de homens perfeitos, mas para os Cyborgs não devem ser tão “porreiros”, estás a perceber o que digo?
Nem para a Sara, mas aposto que a maioria das raparigas do terceiro ciclo e do liceu do Palácio das Reuniões gostaria de ter um destes rufias bonitos e musculados como namorados, é claro que despedaçam corações, mas às vezes uma bruxa, uma nobre, ou uma demónio tem a sorte de dar de caras com os gatos mais mauzinhos e mais lindos de morrer de toda a Dimensão Mágica, deverá desmaiar decerto por ver tal visão…Ai, ai…
Também ouvi dizer que há para todos os gostos, e é por isso que não iria perder a opurtinidade de os conhecer, eh, eh, eh…São poderosos, ricos, lindos, e maus como as cobras, adivinha lá…? Os Bruxos que andam por aí a caçar à noite em Cyborg Town!
Pois é…Se o meu padrasto for um bruxo, também deve ser podre de bom, ai…Mal vejo o dia em que o conheça…Para lhe dar um murro na cara, é claro!
E reparava nisso mal nos aproximávamos, de Cyborg Town, tentei ajeitar as meias de malha vermelhas sexys, por debaixo da mini-saia de ganga, que condizia com o meu blusão de de ganga, com uns ténis 4 Stars, e trazia o cabelo alisado escadeado até ao peito solto. Foi por isso que ao me ver, o Chacal Amarelo assobiou provocadoramente, e, com o queixo caído com o meu fabuloso aspecto, engoliu em seco, e virando-se para a parede abanando de um lado para o outro a mão direita coberta por uma luva de cetim branco, e com a outra preta de cabedal a segurar no 3g.
- Não, lamento imenso, se se refere à Menina Jessica, não. – Respondeu ele, desligando o telemóvel na cara do bruxo, muito satisfeito.
Feito isto, aproximou-se de mim, andando cautelosamente, qual tigre prepara-se para apanhar a sua presa, com os ténis da nike branco, meio a deslizarem no chão, como se estivesse a dançar – e muito bem – numa discoteca, sentou-se no mesmo banco ao meu lado, e, pondo as pernas esticadas até ao poste de apoio, sorriu para mim.
- Então? É a primeira vez que La Donna tão bella vai à Cittat de ilos Cyborgs? Como é que conseguiu essa bonita nesse retracto tão giro? Quero saber tudo acerca di la pequena Princepessa… - Disse-me ele num tom galante e mostrando os seus dentes brancos e fortes duma forma convencida. E assim sorriu durante o tempo suficiente até que os seus músculos ficassem um pouco torcidos.
Eu apenas ri-me sarcasticamente, os Bruxos eram assim tão convencidos…? É que se forem assim, estou-me a borrirfar para que sejam bonitos, no entanto, como adoro pessoas orgulhosas e vaidosas, decidi dar-lhe uma opurtinidade.
- Está bem, não estrague as mandíbulas, bonitão. – Comentei a rir-me de novo. – Já que é da cidade de Cyborg Town, e já vive há tanto tempo lá, podia-me mostrar as vistas à noite, que tal? E a propósito, onde estão as minhas irmãs, idiota, mas que é uma brasa, nota-se a milhas?
Ele sorriu, satisfeito, e, ao chegarmos a Cyborg Town, com uma expressão de vitória na cara, deu-me a mão, para poder descer o pequeno degrau e abriu a porta por mim.
Que cavalheiro, até me beijou no rosto, a dizer que nunca tinha visto dama tão bonita em toda a sua vida, que não, que as minhas irmãs tinham deixado o metro ao termos chegado a uma mudança de linha, mas que isso não interessava, que agora a única que realmente era importante era a noite, um sítio onde pudéssemos jantar, e um clube onde pudéssemos ficar malucos e divertirmo-nos à brava.
Bom, com isso não eu ficava preocupada, há tantos lugares fixes para ver e para bebermos nesta maravilhosa cidade, que é melhor mostrar-te a lista que fiz enquanto estava no metro. Se calhar é melhor mostrá-la para outra altura, por enquanto, fica bem!