terça-feira, 19 de junho de 2007

O Fim do Pesadelo REAL


Era muito bom da parte delas saber se eu ainda sobrevivia ao feitiço que o malvado me tinha posto. É claro que o meu avô agarrou-me com as suas mãos, e alto homem de olhos azuis continuava a puxar pelos meus pés, desesperadamente. A luta feroz entre o Diabo e o anjo do meu avô foi tão renhida. Ao sacar de uma arma prateada, e disparar contra o coração do meu querido protector vindo dos Céus, o homem alto tentou desaparecer o mais depressa possível nas sombras, o seu corpo materializou-se: derreteu suavemente na escuridão do corredor imaginário e espiritual para apenas se tornar numa terrível serpente negra escorregadia e nojenta, com um espantoso comprimento de nove metros, que tentava morder o meu calcanhar ao atacar com movimentos falsos e hipnotizadores para os meus olhos.
Ora, com a ajuda milagrosa do meu avô, os feitiços e encantamentos que o diabo me lançava não resultavam, e, muito feliz por ter ajuda, abraçei-me com mais força aos braços do meu querido avô, e este, satisfeito por ver que eu não tinha medo daquele homem, pousou-me no chão com um sorriso carinhoso nos olhos, e feito isso, apontou a mão para o jovem e astuto réptil. Ao reparar que o meu avô tinha feito aquele simples gesto, o Diabo tomou a sua forma humana, e, recuando lentamente para o sítio onde pertencia, fez irónicamente uma vénia profunda, o manto negro mudou para um tom de fogo e o horrível quadro queimou-se com um fogo divino, e o meu avô beijou-me no rosto, com as suas mãos calorosas e boas.
- Acorda, Jessica. – Disse ele na sua voz tão boa e quente. – Estão todos à espera, mostra que não és fraca à tentação.
Enquanto a luta pela minha alma tinha acabado, na realidade física, as pessoas tentavam reanimar-me durante no que parecía ter demorado menos de cinco minutos!
E abraçaram-me, cheias de medo, gritando:
- Jessica! JESSICA! Estás aí?
Foi aí que o calor tão divino desapareceu, e os meus olhos abriram, acordando muito bem-disposta, como se tivesse tido a indigna e demasiada honra de ter realmente estado com Deus, mas logo mudei para o meu estado normal, e ri-me, por ter vencido com a ajuda do Majestoso Pai as Forças do Mal.
Não é algo que aconteça todos os dias, e isso significava que alguém lá em cima olhava por mim, e cuidava de mim como o seu bem mais precioso…Nem sabes a alegria que me deu por dentro ao ver que o meu avô tinha-me salvado das garras do meu padrasto e das suas magias obscuras e heréticas. Mas ia ser forte, tal como o meu avô tinha-me dito, e não iria chorar, iria mostrar àquele bruxo que eu era uma mulher forte, e que ninguém me prende, pois eu estou com um anjo-da-guarda que me protege: o meu avô!
Estava nos braços de Nälden, no colo dele, e ficou tão aliviado por me ver de boa saúde que até suspirou muito alto num tom agudo, no entanto, com um sorriso de desconforto ao ver que ele estava a segurar uma rapariga, e rapidamente me largou brutamente, com um ar muito enojado nos seus olhos amaricados arregalados. Eu caí no chão duro de mármore, ficando um pouco coxa durante algum tempo.
O alemão pãozinho sem sal cobarde pôs as mãos de pianista na cabeça, a suar de terror de uma simples mulher, soltou outra vez aquele grito agudo irritante. Eu detesto quando os homens são…Bem, quando eles…São para os dois lados…Mais para gostarem de outros homens. Mas, como o Nälden tem inclinação para a arte e para os livros complicados – ele toca piano, fala Latim, Atlante e estudou para ser advogado, mas preferiu arredar pela carreira militar – é um caso que pode ser ignorado. Na verdade, geralmente os Bruxos estão muito longe de serem perpendiculares. Parece que a segurança das “Crianças von Tifon”, como somos chamadas por aqui, é vital para o emprego de cada um dos que trabalham para o General von Tifon.
- O que fazia eu com aquela rapariga agarrada a mim?! – Exclamou ele na sua voz um pouco aguda e feminina. Mas logo ao ver que era eu, abraçou-me, o palerma idiota alemão com os miolos estragados – Ah! Senhora Jessica! Graças aos Céus! ELA ESTÁ VIVA!
Eu empurrei-o, abafada com o seu calor germânico, e muito chateada, afastei-me apressada para não apanhar mais com as suas pieguices pelo menos cinco metros de distãncia dele, e olhei-o com desdém, pondo as minhas mãos com unhas perfeitamente envernizadas
nas minhas ancas. Francamente, é preciso paciência para certas pessoas! Não há remédio, tinha de fazer qualquer coisa quanto à tendência para a homossexualidade do empregado do meu primo, e era já. Eu quando faço um trabalho, acabo-o, e ponto final! Seria agora ou nunca que eu ia contar-lhe o quanto imbecil e incompetente ele me tinha saído.
Pensei para os meus botões se não estaria a ser um pouco mazinha, mas logo tirei a essa ideia estapafúrdia da cabeça e comecei a atirar todo o meu veneno.
- Só agora é que reparaste, idiota? – Perguntei sarcasticamente. – E nem te atrevas a chorar, senão…

Ele juntou os chinelos, deixando-os sem querer cair pelas escadas abaixo e magoando os seus preciosos joelhos, tentando conter as lágrimas, com um beiço patético entre os olhos quase vermelhos, fez a saudação nazi com o braço direito trémulo.
Que estúpido, já não há homens como dantes…Aonde é que vamos parar?
- Sim senhora! – Gaguejou ele numa voz fininha. – Posso me retirar, menina? Ou deseja mais alguma coisa do seu agrado?
Os meus olhos birlharam de maliciosidade e esboçei um sorriso amarelo ao ouvir aquelas palavras das quais Nälden tinha dito. Seria verdade, poderia dar uma lição por todas aquelas «…Não faça isso, menina?» e aquelas «Mas…Ò criatura, sabe ao menos o que está a fazer?!» Sabes, é que ele está sempre tão preocupado comigo, que nem me deixa dar sequer um passo sem me perguntar, com a sua voz gay, com um ar sério e importante, mantendo sempre «A menina tem permissão do seu honrado primo para sair e ver o pequeno cavalheiro cyborg que está no instituto da escola?»
Não há quem ature tanta bronquice e mariquice num só homem. Por Amor de Deus!
Ele é um militar alemão, devia portar-se como tal, não como se fosse o cabeleireiro chefe brasileiro da esquina ao lado da nossa casa. Por isso, decidi não ser tão má como iria ser, e pensei apenas dar-lhe só uma pequena lição.
Então, com um olhar muito sexy para ele, aproximei-me do tenente em sentido, dei uns passos elegantes, e, uma vez ao pé dele, arranjei-lhe provocadoramente o roupão, tocando propositadamente no seu pescoço, beijando-lhe o rosto quente e muito vermelho, cheio de medo. Adoro troçar com piegas, broncos e maricas. É só a minha personalidade, mais nada. Além disso, tenho de manter a minha personagem de bruxa malvada perante os olhares ingénuos das pequenas demónios. Toquei-lhe discretamente na perna nua e melosa com a minha mão, actuando como uma profissional, sem ele se aperceber que eu estava a odiar o facto de ele depilar as pernas.
- Nälden, amor? – Disse-lhe no ouvido num tom sedutor. – Gostaria muito que me fosses buscar à escola no teu fabuloso tanquezinho. Ou se possível pedisses o Mercedes descapotável do meu primo emprestado.
Ele engoliu em seco, gemendo um pouco de cinco em cinco minutos quando eu lhe acariciava as orelhas com as minhas unhas grandes.
- Receio que o que a linda e amável menina pede será impossível de se concretizar, minha senhora. – Respondeu ele a medo. – Estou…Estou…Muito ocupado.
Desta vez, os meus olhos brilharam de uma energia negativa, e, agarrando com uma força flamejante o pescoço vermelho do pobre coitado aterrorrizado com a minha grande força e conhecimento da magia negra, as minhas garras exerceram uma pressão tal na pele que quasre perdia metade da sua energia mágica. Os meus lábios pintados subitamente de vermelho rasgaram um pouco a carne do desgraçado numa forma de ameaça e ele tossia gravemente. Ninguém me ousa recusar um pedido, quando eu quero uma coisa, é para fazê-la, não se fica para aí a chorar como um palerma. Nem tenho mais vocabulário para descrevê-lo.
Ele estava na situação em que eu me encontrava há minutos, e se continuasse daquela forma, não só não o iria poupar á morte certa, como também assustaria de morte aquelas pirralhas de uma vez por todas! Estava muito irritada com a incompetência do estúpido do Nälden. Como se pode ser tão
- É uma ordem, bruxo inútil! – Avisei num tom terrível. – Sou realmente tola ao pensar que podias fazer um favor a uma amiga. Queria falar contigo tive tantos pesadelos, mas parece que é escusado! Vai, vai, meu rapaz! Volta para a tua caserna na Suíça ou seja lá onde moras.
O pobre homem saiu, retirou-se sem disciplina, desta vez, a chorar copiosamente a descer a correr pelas escadas abaixo, e deixou-me a mim e aos pequenos demónios, sozinhas, sem nada que fazer, rejeitando a luz e alegria que emanava do pobre tenente.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Um Pesadelo bem REAL!

De todos as cartas arrepiantes que te mandei, não se sei se esta estará no Topo das dez mais assustadoras e fatalistas de sempre, mas aqui vai!


Mudando de assunto, os bruxos mais malvados adoram quando os bruxos mais poderosos saem de casa e deixam as suas pobres filhas, sozinhas e indefesas à mercê dos mestres das trevas.
Mas que estou eu a falar? É muito melhor pensar em coisas boas do que esrtar rodeada de pensamentos negros, não é verdade? Ora! Não consigo pensar em coisas boas para dizer? Mesmo com o humor e amizade que Nälden me tem proporcionado, a depressão invade-me a alma, um terrível vazio tortura-me, e não consigo evitá-lo, é como se uma parte de mim faltasse, …Nessas alturas, é muito fácil o pecado nos seduzir e nos tentar manipular-nos.
Rapidamente, apercebi-me que as minhas piadas não eram assim tão boas, que o meu sorriso era tão superficial quanto uma modelo de um cartoon de um News Zone, que… …que…que forças tenebrosas esvoaçavam na minha mente, energia negativa tentava conquistar-me, não consiguia suportar mais esta dor! Então, para não desesperar, e parecer triste, lembrei-me, dos lindos olhos castanhos de Pedro, do seu corpo bonito, da sua voz tão doce, das suas palavras consoladoras ao ver-me que eu estava triste ou muito cínica nestes últimos dias, mas nem isso me deu prazer…Que se passava comigo naquela noite?! Os meus olhos claros quase se enchiam de lágrimas, mas evitei-o com uma desenvultura espantosa.
As minhas mãos trémulas quase que não se aguentavam o obscuro peso carregado sobre a minha pobre alma e corpo, alguém me queria ver nas suas garras. Certamente seria o querido do meu padrasto, estava a fazer isto de propósito! Como é que Deus pode permitir azares desta magnitude? «Será que o Céu me abandonou…?» O meu nariz ficou pálido como a cal, as minhas pernas pareciam imóveis como se fossem raízes de uma árvore murcha e queimada.
Ao pensar nisso, um calafrio funesto percorreu a minha espinha, já arrepiada com tais pensamentos na minha cabeça a penetrarem nela quais raios retumbantes numa noite escura quanto o fundo do oceano! Comecei a tossir secamente, como se uns lábios, mais gelados do que um iceberg me soprassem para o pescoço e, depois, com a garganta inflamada, senti uma terrível expectoração a vir dos meus pulmões, respirando pequenas nuvens aterradoras azuis-escuras de hortelâ-pimenta. Não sabia o que se passava comigo, mas de certeza que tinah a ver com aquele bruxo maldito!
Estranhado com o meu comportamento, o meu amigo olhou-me com um ar vazio, e preocupado por me ver tão perturbada, passou a sua mão quente e pela minha testa. Se seu fosse morrer, ele perderia não só a licença, mas também a cabeça. Para além disso, ele era o meu amigo, e não queria me perder. E, encostando o seu ouvido ao meu pulso, afastou-se apressadamente uns bons cinco metros, completamente atónito, com a mão na boca, horrorizado. Aquilo era mesmo uma coisa muito grave!
- Frau Jessica! – Esganiçou ele um pouco assustado. – A menina está a arder em febre!
Estava a sentir-me tonta, as coisas começaram a andar à volta de mim, como se estivesse num infernal carrocel, sempre tossindo, com algo na garganta que mal me deixava respirar, e, ao olhar para o manto que cobria o negro quadro, consegui visualizar por apenas uns segundos – a minha consciência não me deixou ter mais tempo para observar, mas tive uma boa ideia de como era este delírio meu – vi um estranho, esbelto e negro homem, alto, com uma moldura familiar, um losango diabólico vermelho, que já tinha visto há anos, não. Há uns meses atrás, na exposição do museu do meu querido avô, que ele até suspirou dedescontentamento ao ver o maldito retracto pregado à parede do seu museu. Os olhos azuis penetrantes olharam para o meu pobre corpo, quase a desfalecer, do quão doente estava, e, satisfeito, lançou-me um beijo, como já me conhecesse!
De resto, caí no chão redonda, fechando os olhos forçasamente, suando tanto na cara, com imenso medo, a espernear de terror, e gritei:
- Ai de mim, Meu Deus! Ajudem-me, Mamã! PAPÁ! Papá…, meu Pai, ajudai-me, Vovô…
Ao ter dito as últimas palavras, vi o meu avô, muito preocupado comigo, segurando-me ao colo, protegendo-me do homem, e nem sei como é que os olhos castanhos e quase divinais me aguentavam, as suas mãos grandes e quentes de cicatrizes de guerra, e a sua simpática barba irradiava uma luz quase sagrada e ternas, quase como se fosse Deus, que cuidasse ternamente de mim. Acho que o meu padrasto não era um anjo, mas sim um demónio! Enquanto que o monstro negro e magro, tentava puxar-me com as suas garras gélidas e magras, um frio mortal atravessou-me a pele quando ele me tocou. Pensei que me iria levar para o Inferno quando chegaram várias pessoas; as meninas demónios, as minhas irmãs, e Spectinha para ver como eu estava no mundo real. Tenho de dizer que o mundo espiritual é outra realidade onde as nossas almas e os nossos sonhos se dão lugar aqui na Dimensão Mágica. Tenho de te dizer que existem três realidades aqui: a espiritual, o Limbo dos Espelhos, e a real. Já conhecias as últimas duas, mas posso dizer-te que a primeira é um completo mistério para os feiticeiros e seres mágicos.

sábado, 9 de junho de 2007

O acendedor de candeeiros sorridente (Parte II)

Não percebendo nada do que ele estava para aí a falar, soltei uma risada divertida, abanei a cabeça, julgando que ele estivesse a brincar comigo, perguntei num tom baixo, contendo o riso:
- Então, qual criado? Não vejo ninguém a não ser tu!
Encolheu os ombros, a descer do escadote, baixando a cabeça cuidosamente, com o quadro na mãos, não só para não deixar-me vê-lo, com um sorriso entre dentes, tentando cobrir com as suas mãos o valioso quadro tapado com um manto preto. Sem saber o que fazer, pousando a valiosa obra de arte no chão cuidadosamente enquanto ponha um pé de cada vez nas plataformas metálicas do escadote, com o seu rosto a corar um pouco.
Que estaria a esconder de mim? Sabia muito bem que eu era curiosa, portanto, de quem quer que fosse o retracto, este tinha de o pôr num lugar mais seguro do que ali, perto da minha vista. Ele pensou durante uns minutos, parado no meio do escadote, a gaguejar entre si, e, após cinco minutos, juntou as mãos e suspirou “Ah!”, e, se não fosse os seus reflexos, já estaria com a cabeça ou outra zona do corpo desajeitado estragada, apoiando-se entre os armários de madeira decorados castanho-escuros, suspirou de alívio ainda a recuperar do grande susto. Devo dizer-te que a pior coisa que Nälden teme mais do que o regresso dos Nazis são as alturas.
- Pois… foi o prego! – Disse numa voz meio apressada e fina. – Como é que lhe posso explicar-me, menina? O maldito objecto de ferro não deveria segurar o seu amo? Assim, fê-lo cair! Não foi uma desgraça?
Ri-me baixinho, ajudando-o a descer, abanando a cabeça da comédia que o suburdinado do meu primo estava ali a fazer a altas horas da noite, estendendo as minhas unhas longas e pegando-o entre a sua cintura cuidadosamente, como que se fosse um bebé gigante, e a sua cabeça ficou pousada entre o meu peito voluptuoso, rindo-me da figura que estávamos a fazer. Com o amaricado Tenente Otto Nälden é impossível ficarmos melancólicos e trombudos! Há sempre cada situação!
Quando as minhas mãos o pousaram no chão, ele estava mais vermelho do que um tomate, ainda colado às minhas mamas apetitosas para qualquer homem, mas não para o um dos suburdinados mais maricas do Primo Coutinho, a tremer chiando agudamente por dentro qual rato assustado no meu soutien. Eu quase que ia desatar às gargalhadas, se ele não fosse tão meu amigo, acredita que já estaria a fazer chichi de tanto rir, deitada no chão, mas a dignidade está sempre primeiro. É claro, como ele é tão estúpido e burro, aproveitei para gozar com ele, e ao afastar delicadamente a sua cabeça dos meus seios, desapertei o cinto dele, e “trinquei-o” sensualmente, tirando-o suavemente da sua cintura vermelha, por eu espertar-lhe as garras, e, cobrindo provocadoramente a cara com o cinturão de veludo macio, abanei as ancas qual odalisca que dança o “ventre”, sorrindo com um olhar misterioso.
- Sim, o prego foi de facto, um menino muito, muito, muito maroto! – Comentei numa voz aliviada, e com um tom de bebé atiradiça. – Não se esqueça dos quadros dos outros bruxos, meu tenente.
Deixei Nälden completamente de queixo caído, com imenso medo de mim, encolhido durante dez minutos. Era divertido vê-lo tão aterrorizado com o meu comportamento.
Digo-te que não sou nenhuma betinha, ai não senhor! Se pensaste que eu sou qualquer uma que tem um maravilhoso gosto para roupa á toa, estás muito enganada. Para esquecer o facto de nunca ter tido uma verdadeira família e ter medo de homens mais velhos – excepto aqueles em quem confio realmente – escondi esse receio ao conseguir adquirir uma terrível fama de só curtir com rapazes durante uma canção de dança na discoteca e namorar num prazo de três semanas, com resultados espantosos.
Cresci em Londres, e posso ter sido educada por um curador de um museu, goste de História, mas nunca dispensei a beleza, a lata, e o estilo de vida urbano da noite.
De dia, ajudava o meu avô no museu e era a santa das santas, de noite, era a rapariga mais bonita e deliciosa da pista de dança! Não sei aonde herdei esta malícia toda.
Da minha mãe nem do meu pai é que não deve ter sido! LoL
As jovens bruxas por aqui não são praticamente umas tímidas e coitadinhas meninas de escola: saias demasiado apertadas de cores quentes e escuras, ajustando-se às curvas, aneis no anelar estilo góticos, lábios malvados e enganadores pintados de batons ou glosses de todas as cores mais provocadoras o possível, ancas que até se podia pôr a placa “Vem apanhar-me, Assassino do Amor”. Nós, as bruxas, quer sejamos morenas, louras ou ruivas – como é o meu caso, sou ruiva – somos más como as cobras!
Mas o que é que pensas? Que são os bruxos os ricaços? Não senhor! Os homens da nossa classe são todos uns pobretanas artísticos quando são jovens, sem pataque nenhum, a não ser que tenham sangue negro – que é como nós, Bruxos, chamamos de dinheiro, ou energia mágica muito poderosa – na família, eles não têm onde cair mortos e velhos. Nessa altura, aos vinte até aos acima de cem anos, estão em Cyborg Town, a vender pipocas ou castanhas. Agora, ao arranjarem mulher rica, uma bruxa ou uma nobre, o caso muda completamente de figura: já têm dinheirinho para “acolher” os demónios que quiserem como seus servos na Fronteira; fumar os cigarrinhos de hortelâ-pimenta mais caros de toda a Atlântida; as lustrosas limusinas pretas; as mansões e castelos assombrados na Cidade Perdida; receber as visitas das inocentes e sonsas raparigas de quinze até vinte anos; expulsar ou matar mesmo a sua mulher com um açúcarzinho qualquer no chá das cinco; ou abusar do fumo do cigarro e atirá-lo todo para os pulmões da pobre coitada da mulher…Bem! Aí, é que nós dizemos que aquele homem já não é um bruxo, mas sim um Assassino do Amor! Pomos-lhe essa alcunha por causa dos crimes que ele faz. Mas verdadeiro e único Asassino do Amor, só o Euncätzio.
Eu, vendo que já estava a exagerar com a brincadeira sem vergonha nenhuma, esboçei um sorriso amarelo, pondo o cinto no pescoço dele, e fazendo um nó de gravata com ele, a rir-me num tom simpático:
- Vá lá, não fiques assim. Estava só a brincar. Mas…Será que haverá outro bruxo mais alegre e engraçado do que tu? Oh, como o meu coração é diferente do teu, Nälden.
Achei que era bom eu e ele termos uma boa conversa, já que como não estava com sono, e que ele igualmente não lhe apetecia dormir.
Afinal é para isso que servem os amigos: para falar a meio da noite, eh, eh, eh. Quando os males estão a sobrevoar o céu celeste, e quando o Asassino do Amor tem mais poder.
Uma vez, o meu avô disse que se alguma vez o papão me viesse assustar, bastava pedir ajuda ao amigo mais amigo: Jesus. Dizer o seu nome aqui é sinónimo de espanto dos maus espíritos fora. O meu avô também me deu um amuleto antigo para me proteger contra as ameaças dos fantasmas escoseses nos castelos ao chegarmos, quando tinha cinco anos, à Escócia, e só tinha de pronunciar o nome dele, Thomas Magnetite, para me livrar das tentações do Diabo.Tu sabes, é sempre bom ter alguém para nos amparar nas noites dos bombardeamentos ou quando o Assassino do Amor anda por estas zonas à procura de meninas que andem perdidas na rua à noite. Um braço onde nos pudermos agarrar-nos para termos coragem para enfrentarmos os monstros da escuridão. E nessa altura, o maricas, porém valente Nälden era uma luz ao fundo do túnel.
Ainda por cima, com o Primo Coutinho fora, a passar a noite no Anel da Serpente com a sua namorada nova. Não sei quem é ela, mas deve ser uma bruxa muito bonita e com os elevados padrões que o primo tem…

quarta-feira, 6 de junho de 2007

O acendedor de candeeiros sorridente (Parte I)

Acontece que de meia em meia-hora, as lâmpadas têm de ser substituídas à noite, para que não se apaguem, caso contrário, os espíritos e fantasmas demoníacos puderiam fazer o que quisessem da nossa casa. Esta complicada tarefa é multiplicada por trezentas aborrecidas e temidas vezes, já que existem ao todo trezentos candeeiros aqui no Château e uma vez que os tectos dos corredores são muito altos, e as lâmpadas encontram-se aproximadamente a dois metros e dez centímetros acima do chão, é preciso ser-se muito alto para rodar a lâmpada, retirá-la do suporte e trocá-la por uma nova. Finda a tarefa de vigiar o calmo sono num andar, e entre outros trabalhos fastidiosos e perigosos, o de trocar lâmpadas no Château é um dos mais imporantes do vigilante da noite, por outras palavras, o Nälden é o único que tem a (infeliz) sorte de trocar cem lâmpadas num andar antes que os demónios venham, o que acontece pontualmente às 24:00 no primeiro andar, às 24:30 no segundo, à uma no terceiro, à uma e meia no quarto, e, por fim, às duas da manhã no quinto; – Sem falar no rés-do-chão às onze e meia, e no sótão às duas e meia da madrugada – num certo andar, antes da hora indicada, correr o mais depressa possível até à escadaria em caracol no canto inferior direito do corredor, e, depois de ter subido cem escadas até ao quinto andar, ele tem de andar com a maior cautela para não acordar o Primo Coutinho que como já te disse, dorme no quinto andar, chegar ao enorme quarto do general alemão, encontrar o quadro-eléctrico de toda a casa às escuras que se encontra precisamente por detrás da cama do primo, mesmo em cima da cabeça do general a ressonar, sonhando profundamente com a improvável vitória da Alemanha na Grande Guerra, e aí, o pobre do tenente tenta apalpar desajeitadamente com os olhos fechados a parede para ligar os candeeiros da casa toda, o que já levou a vários acidentes em relação da privacidade do nosso querido primo.
Não conseguia dormir, com pesadelos terríveis acerca do meu padrasto, com sonhos em que o meu padrasto era um bruxo terrível e impiedoso, que me fazia a vida negra, ao me forçar a beijá-lo, e a não resistir aos seus avanços maníacos. Foi a suar de medo, que, com os joelhos delicados descobertos, e a segurar na lanterna com a mão trémula que andei de pés descalços na mármore fria, em bicos de pés, para não acordar ninguém, e ir buscar lá em baixo à cozinha um copo de leite quente.
Precisava mesmo de algo para me fazer adormecer, uma vez que ler nem sequer me fez pregar olho, portanto, tive a ideia de beber qualquer coisa quentinha, e assim continuar o meu sono de beleza em paz.
Queria esquecer aquele bruxo de uma vez por todas, e não seria uma insónia que me iria impedir de fazê-lo. E ao abrir as portas com cuidado para não ter o azar de ver algum demónio, reparei que era só Nälden com uma lanterna na boca mesmo à beira da parede, empoleirado num escadote, pregando com toda a sua força num martelo na mão esquerda, muito irritado, segurando com a mão direita um fio prateado um quadro muito grande em tamanho real de possivelmente um antepassado meu.
Com as sobrancelhas levantadas de mau-humor, os olhos azuis claros arregalados de ira, e despenteado com o roupão cor-de-rosa com cinturão azul-celeste vestido, e, fumando um cigarro, juntamente com a lanterna na boca, martelava como se quisesse que toda a casa soubesse que ele estava a pregar bem o quadro.
- Velhaco e porco insensível! – Ralhou ele entre dentes. – Mantém-te firme. Eu te ensinarei maneiras de não pregares truques machistas a mim. Não queremos fantasmas neste velho ninho de corujas e venenosas falsas.
Porquê tanta fúria? Não percebia porque é que estava com tanta pressa, as luzes já tinham sido trocadas e ligadas, não havia necessidade de fazer cenas, afinal, eram três e meia, e as pessoas estavam a dormir!
Ajeitando o meu roupão normal japonês, andei em direcção do outro lado do corredor, e com um olhar vazio, sem perceber nada, para quem é que ele estava a dar o sermão, pus as minhas mãos nas ancas, curiosa, e ordenei num tom sério:
- Deixa em paz o quadro do honrado antepassado!
Ele, deixando cair a lanterna, fez desaparecer com uma magia o cigarro, e, sorrindo ironicamente, olhou para mim um pouco chateado, mas com uma vontade de se rir da sua própria situação, com um sorriso de orelha em orelha, virando a cabeça oval para mim, com os olhos de ursinho de peluche grandes e pondo num armário o martelo, mas ainda com o quadro num dos braços, respondeu num tom solene, no entanto divertido:
- Eh, ao velho cavalheiro alemão ofereço toda a minha devoção; mas ensinar boas maneiras ao seu criado não significa faltar ao respeito a um superior.

O Nälden, mesmo que não tendo dormido toda a noite, continuava o mesmo rapaz de vinte e cinco anos: sempre alegre e vivaz, e alegre, sempre banindo as dores e desgostos, troçando e chasqueando de cada catástrofe que acontecia, e o mais interessante é que ele consegue sempre ver o lado positivo das coisas. É a personificação do copo meio-cheio. Depois a sua mariquice faz com que qualquer um desate às gargalhadas. Ele é mesmo porreiro.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Uma noite um pouco perturbadora (Parte II)

Por outro lado, ontem à noite reparei que não devo confiar nos homens cá da casa, ainda por cima com aquelas manias…Nem te conto! Está bem, vou-te contar como é que foi. Isto aconteceu a altas horas, quando o pobre e maricas do Nälden andava a fazer turnos e a verificar se os fantasmas estavam a portar-se bem.
Não me admirei nada ao ouvir os seus passos cuidadosos e pequenos, pois aqui os demónios são piores que as melgas, os percevejos e as ratazanas juntos, e não é invulgar apanharmos um susto por causa duma malandrice feita por uma das filhas do chefe dos demónios de cá do Château.
Muitas foram as vezes em que as apanhei a mexerem nos quadros dos nossos antepassados alemães e a virarem-nos ao contrário, soltando risadinhas irritantes com os seus dentes caninos horríveis, e as suas caras distorcidas de crianças amaldiçoadas minúsculas, com trinta centímetros de altura, usando robes pequenos e arrepiantes, com os olhos em bico a brilhar com tamanha maldade que provocam, por isso, tento espantá-las com uma lanterna e um terço nas mãos. Mas geralmente, uma lanterna e a minha estatura chegam para afastar e dar uma surra em ambas as duas pestes. Não é que não goste de crianças nem seja misójena, mas estas aqui já não têm alma, e vagueiam pelas masmorras da mansão, à procura do bruxo aquém elas juraram eterna servidão, vendendo as suas almas em troca da liberdade e diversão para toda a eternidade. Ora, acontece que as duas insensatas raparigas de oito anos não sabiam que estavam a vender as almas ao pior bruxo de todos…Exacto, (como é que adivinhaste?), nada mais nada menos do que o Almirante Rewbertan Euncätzio, ou, como elas chamavam tão carinhosamente, o Mestre Samuel. Mais um crime que aquele Diabo cometeu! Irrita-me mesmo que ele tenha feito tanta coisa e ninguém mexeu uma palha para o deter!
Felizmente que aquelas pobrezinhas são um caso à parte e foram amavelmente acolhidas no nosso seio de demónios, e segundo o chefe dos demónios, elas logo se habituaram à ideia de nunca sair ou passear pela casa de dia. Qualquer dia, escrevo-te qual é o nome do simpático e brincalhão chefe dos demónios, mas não hoje, já que estou muito ocupada a contar o quão cómica foi a noite de ontem.
É como eu digo: os caprichos e os luxos ou o ócio são para as forças do Mal o que o mel é para um urso esfomeado acabado de sair de da hibernação. Cada um tem que se prevenir de ser tentado e virar-se para os lados obscuros do Assassino do Amor ou mesmo do… (Até me custa a escrever!)Do…Do…Tsesustan! Sabes, é mau agoiro e traz má sorte prenunciar ou enunciar em qualquer escrita o nome do Maligno ou o nome do meio de Euncätzio, e, por essa mesma razão, jamais falamos ou dos Bruxos Nazis, ou do Assasssino do Amor, ou do Mal Supremo. Até a Serpente de Fogo sabe isso, mas não liga importâncoa nenhuma. Pronuncia e escreve nos seus malucos poemas o Santo Nome de Deus em vão, e faz muito pior: diz o nome do Mal Supremo sem ter um único tremor ou arrepio, e asseguro-te que quando escrevo até o subsituto do nome da referida entidade infernal representativa do Mal, as minhas mãos ficam mais geladas do que cubos de gelo que rapidamente derretem. É por essa mesma razão que te vou dizer o que aconteceu naquela noite, onde pelo menos por uma vez a alegria do Bem triunfou!
Além disso, nunca fui para o outro lado obscuro do meu quarto, para além das portas transparentes. Portanto, nunca vou conhecer o derradeiro aspecto do fantasma malvado do namorado da minha falecida mãe – que Deus a tenha a em descanso – com um par estridentes grilhetas a passar pelos largos e compridos corredores do Château soltando gritos agudos, qual alma penada – e, tal como te disse, conheço vários demónios que são almas penadas – com uma cigarrilha nos dedos magros e pálidos como cal da mão gelada esquerda, dando passos de gigante, porém suaves nas carpetas cobertas de nevoeiro, iluminadas apenas pelas fracas luzes dos candeeiros expostos nas paredes de cinco em cinco metros, com forma triangular, lâmpadas vermelhas, para melhor espantar os pequenos espíritos dos demónios japoneses.

domingo, 3 de junho de 2007

27-09-2005 Uma noite um pouco perturbadora...

Bom, por aqui as coisas vão bem, apesar de ter a sensação que alguém me está a vigiar, não me importo nada com isso.
Aquele bruxo pode assombrar as vezes que quiser, por mais assustador que seja, nunca hei-de me preocupar com isso, ele está preso no inpenetrável e com apertada segurança no Limbo dos Espelhos e dali jamais sairá! Afinal não vale a pena fazer uma cena só por causa de um lindo mentiroso. Cão que ladra, não morde, e o meu padrasto é mesmo assim, e mesmo que não o tenha visto, tenho a certeza que ele não vai chegar a este peito lindo. Eh, eh, eh…Pois é. Nos filmes, nos livros, na BD, na Manga, e na televisão, as “lindas e maliciosas meninas” ficam sempre com os rufiões e com os maus da fita. E acredita que eu e as minhas irmãs somos muito bonitas!
No entanto, não posso fingir que estou um pouco assustada com isto tudo, além disso, não houve sinal de alarme da loucura da Serpente de Fogo, porque já passaram cinco dias e nem uma outra lei estapafúrdia, nem um telefonema do “admirador negro” da nossa querida amiga Sara, o que a fez voltar ao normal e sentir-se com a mesma genica de sempre, e isso é uma coisa boa…Penso eu. As notas dela estão a subir, como reflexo de estar livre de qualquer rapaz, e por falar em notas e escola, os professores dizem que se continuar assim tão aplicada, não tarda nada e sou uma dama respeitada da família von Tifon! Não é maravilhoso? Ainda por cima aquele tarado daquele bruxo não me está a chatear, muito menos a família, por isso, decidi esquecer o assunto de uma vez por todas, e tentar pensar em outras coisas. Nenhuma das princesas está preocupada com aquele bruxo, porque haveria eu de o fazer? Só por uma coisa bastante estranha, e que eu não deixei de matutar todo o dia ontem. Logo que me vêem por perto, subitamente as pessoas mudam da expressão taciturna e melancólica que estavam e dizem-me, com as mãos escondidas atrás das costas, e um sorriso de orelha em orelha, e com um tom muito feliz:
- Bom dia, Jessica!
Pode ser que esteja enganada, mas acho que estão sempre a falar atrás das minhas costas, e isso é uma coisa que simplesmente não suporto. E de que estarão a falar? Será assim tão urgente e perigoso para me dizer na cara? Não terão vergonha do que estão a fazer, estou a ficar cada vez mais curiosa!
Essas conversas começam a apontar para o meu padrasto, quem quer que ele seja, tem vários informadores e espiões espalhados em todos os sítios. Até parece que tem cem olhos e ouvidos! LoL Que estupidez, ora! Que estou eu a pensar?! O meu padrasto seria incapaz de fazer tal, muito menos preso no limbo dos Espelhos. Ele não consegue contactar absoultamente ninguém. Portanto, daqui para diante, devo ser optimista quanto a estas paranóias de estar a ser seguida.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

"Quando há Incanto, há Cidade dos Deuses"


À tarde, decidimos encontrarmo-nos na Cidade dos Deuses para abrir em conjunto os envelopezinhos, para se caso algum deles estivesse envenenado, logo saberíamos que aqueles bruxos estariam a planear um rapto!
Só quero acrescentar uma pequena coisa: podes achar estranho uma inglesa da minha idade, que vivia em Londres, uma cidade em que 80% da população é fumadora, é só que acho que já está fora de moda fumar cigarros, para além disso é prejudicial e pode mesmo matar.
Certamente que os certos e bons Cybrorgs fumam menos maços que os rebeldes, no entanto elegantes Bruxos, pois o Nälden e o Primo Coutinho estão sempre com um cigarro na ponta dos lábios. Mas o pior é que na Cidade dos Deuses existe um sinistro edifício, menos alto que o Anel da Serpente, ligado à indústria dos cigarritos misturados com hortelâ-pimenta queimada. Passa-se por ele logo que entramos na cidade pela estação de metro, e ao vermos, faz lembrar uma gigante fábrica de morte, se é que me estás a compreender. O seu nome? “Incanto Inc. Building.”
Uma enorme fábrica, de dez andares – chegando a atingir os cinquenta metros de altura na pirâmide do escritório do director e chefão de toda a indústria, mesmo no meio do monstro de metal negro de aço puro, misturado com outros materiais – perpendicular, Simples na publicidade, no entanto, sedutora na banda sonora machista da propaganda, tanto na rádio como na televisão ou na cyber-teia global mágica , a “maravilhosa” marca Incanto é a nº 1 de toda a Dimensão Mágica em tabaco com hortelâ-pimenta, e isto porque o seu slogan (“Incanto Perpentranto”, que em Atlante significa Encanto Penentrante, que cinicamente significa que o tabaco penetra como que um feitiço pelas narinas e nunca nos livramos dele, é mais ou menos a versão atlante do famoso “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, da Coca-Cola, mas em vez de ser escrita pelo genial Fernando Pessoa, foi inventada pelo misterioso fundador e inventor anónimo dos cigarritos hortelâ-pimenta Incanto) é tão atraente para os clientes, como para novatos como fumadores habituais, que jamais os pobres coitados deixam de fumar aquela porcaria. A sério irrita-me tanto não sabermos quem foi o espertalhão piolhento que arranjou forma de ganhar dinheiro à custa dos pulmões dos outros. Primeiro porque o Menswuer Incanto, ou o Sr. Encanto, em Português – como lhe chamavam os seus empregados – nunca era visto absolutamente por ninguém, jamais se mostrava em público, não se conhecía a sua classe, e como único amigo e leal confidente que tinha era o Almirante Euncätzio, diz-se que os dois eram a mesma pessoa, e que Euncätzio, conhecido pelos Cyborgs como “O Diabo das Máscaras” devido à sua estranha e bizarra dupla personalidade, tinha criado o cigarro com hortelâ-pimenta pelo infernal prazer de observar os seus clientes cyborgs a morrerem sem oxigénio algum por não conseguirem sequer inalar mais do que um maço do perigoso tabaco, através da janela do seu “castelo negro”, na “Pirâmide do Mal”, sorrindo maldosamente enquanto fumava a sua forma dolorosa e longa de morrer. E pensar que este edifício era a antiga fábrica de doces e pastelaria do Homem dos Doces, ou seja, o doce Conde Dark Sword! Eh, eh, eh…
A sério, antes de se ter tornado num cyborg e ser banido, o Dark Sword era um autêntico homem, melhor dizendo, um mulherengo, nessa altura, …É melhor contar a história da Cidade dos Deuses:


Desde nova, a Eris, a deusa grega do Caos, de vinte e sete anos, uma feiticeira branca nada inocente, fazia-se a todos os homens que via. Cabelos longos pretos que ondulavam á medida, aspecto exótico, uma rockeira muito rebelde – sim, e pensavas tu que o Rock era do século vinte! – Ora, acontece que nessa altura, não existiam nada de Bruxos, ou Cyborgs, ou Demónios, sim, isto foi há vinte e cinco mil anos atrás. Só anjinhos…O problema é que o jovem conde e o jovem aprendiz a bruxo estavam de olhos postos na insensata rapariga. Euncäztio era o godo mais belo de toda Atlântida, um anjo caído do céu, que as mulheres idolatravam e caíam aos seus pés, talentoso com a harpa, uma voz linda que cantava os Salmos de cor, o visigodo era o “homem perfeito” para qualquer mulher, encantador. O rapaz godo de vinte e cinco anos tornou-se tão perverso que decidiu preparar um encontro e acendeu velas no seu escritório, bom, resumindo e concluindo, fez o que podia para a conquistar, completamente apaixonado, mas de verdade. No entanto, Eris só tinha olhos para um único homem: o conde Dark Sword, e desde miúdos que brincavam juntos; para além disso, o diabólico fascínio de Euncätzio pela Música Negra e pelos gases tóxicos e pelas drogas, levaram-na a recusá-lo, dando-lhe uma “estalada” tão forte no rosto do arrogante bruxo que este nunca mais pensasse em casamento com a deusa. Partindo o coração do seu odiado admirador, e fechando o coração do dito-cujo numa caixa de ferro, e pondo-o de volta no seu dono, esta transformou-o num monstro como castigo pela maldade e pecados do homem: rejeitado pelo seu amor, aumentou o nível de monóxido de carbono no seu sangue de tal maneira com um encantamento tão poderoso e inprevisível, que, segundo conta a lenda, a partir de aí, o bem colocado bruxo decidiu vingar-se de todas as mulheres, tornando-se repugnante, o homem godo mais feio à face de toda a Dimensão Mágica, com um nariz de falcão longo e magro que chegava-lhe aos lábios grossos, olhos penetrantes como a cobra que tentou a pura Eva, uma voz falsette horrível e vinda do mais profundo canto dos Infernos, e cabelo louro fino que lhe chegava aos pés, o homem mais bonito tornou-se na versão atlante de Satanás! Um castigo terrível, no qual este tinha de matar todas as malvadas e impuros que não seguiam o caminho do bem, Euncätzio era o Diabo atlante, mas não era nada comparado com o Mal Supremo, ou seja, o flagelo de todos os flagelos, o Tsesustan. Tsesustan, o Mal Supremo, acolheu o inexperiente bruxo nos seus braços e levou-o para a A Escuridão Infinita – mais ou menos a Fronteira actual – onde este desapareceu até hoje, e dizem que morreu…Ou será que não?
Enquanto isso, Eris e Dark Sword fundaram uma cidade onde todos os males fossem esquecidos através do entretenimento para as mulheres com o consumismo, os doces e guloseimas para as crianças, e o amor verdadeiro para os homens. Esta linda e feliz cidade foi chamada por Cidade dos Deuses, e que a única coisa má que havia eram as ruínas da já destruída Incanto Building após a Guerra Civil. Duvidosos com que haviam de fazer com aquela horrorosa recordação de dias tão negros, deixaram ficar a apodrecer o edifício até que este ficasse cheio de bolor e finalmente fosse demolido. Infelizmente, não foi isso que aconteceu, e, precisamente quando aconteceu o Crash da respeitada Bolsa de New York, a nefasta fábrica reconstrui-se a ela própria, como se esperasse por imenso tempo o seu querido dono e accionista. Mas Menswer Incanto não voltou para o seu gabinete, e agora a empresa só funciona apenas pelo investimento e publicidade da Serpente de Fogo. Aqui tens como a Incanto influenciou a Cidade dos Deuses, aliás, custa-me a dizer que sem aquele estúpido tabaco, apenas haveria praia e a costa da Atlântida, porque isto é a zona costeira da Atlântida.
E aqui tens a forma como a Cidade dos Deuses foi construída. É maravilhoso aprender acerca dos sítios da nossa pátria, não achas?





Essa enorme superfície comercial, com um cinema perto chamado “Cristal Visual”, com as melhores salas e pipocas de toda a Atlântida, uns gelados do outro mundo, com um ambiente espectacular, e que é um sítio perfeito para se fazer marmelada.
Fica na Hullivert Plitz, uma simpática praça no centro da região da Cidade dos Deuses, que é a zona de compras onde se gasta o dinheiro em roupas; calçado; perfumes; maquilhagem; productos para beleza; ora bem, de tudo o que seja para mulheres, portanto, não há nem um único bruxo ou cyborg por perto. A não ser que queira comprar um presentinho para a sua querida. A referida praça tem, para além do cinema, uns restaurantes e uns cafés muito baratinhos, que não passam dos trinta euros na conta.
O que é fantástico para uma certa pessoa que ficou com a mesada cortada e as notas altíssima a valerem zero desde que fez a pequena asneira de fazer marmelada com um dado cyborg infantilóide. Tínhamos combinado ir todas lanchar numa simpática espelunca japonesa dirigida por demónios chamada “Samurai dourado”, cujo único menu disponível para o nosso dinheiro era sushi com creme de limão e chocolate a ferver, juntamente com chá preto azedo. Nunca mais peço uma opinião da Junnifer quanto a sítios para irmos tomar qualquer coisinha.
Ao deitarmos a língua de fora para a lula espetada com agulhas finíssimas de tortura que os bruxos costumam usar, mergulhada num aquário parecía ser a panela para nós tirarmos os pedacinhos da lula com as agulhas, o demónio gordo com chifres de carneiro e pele vermelha sorriu muito satisfeito, esperando receber uma gorjeta. Como estava enganado.
- Comam, babes. Isto também não é a merda do “O Cavalheiro”, mas aqui pelo menos sabem que não estão a ser tramadas. – Disse num vozeirão grosso e malcriado, a limpar as mãos ao avental, e ajeitando a touca para não ficar com o cabelo castanho limpo, mas sim cheio de gordura. – São cinco euros por cada agulha tirada, sim, bebés?
Ao sair da nossa frente, o demónio afasou-se, e começou a andar em passos lentos, dirigindo-se para a cozinha obscura das portas do interior do restaurante.
Só tirámos um pedaço de lula cada uma, e contentámo-nos com esse pequeno pedaço, uma vez que o animal inteiro são cinquenta euros, e havia, senão me engano, vinte e cinco pedaços, deveriam ser dez euros por cada pedaço, mas acho que o empregado de vinte anos não resistiu a dar-nos um desconto por sermos lindas.
Quando levei à lingua a pata molhada da lula, sabeu-me a algo doce e um pouco ácido, mas simplesmente divinal. E, sorrindo, muito feliz por termos ido ao restaurante de cozinha japonesa barato, disse:
- Que tal ser eu a primeira a ler o que tem no envelope?
As outras cinco concordaram comigo, e acenaram as cabeças, também provando os seus pedaços de lulas, comendo-os até ao fim com as agulhas.
Agora é que íamos ver se aqueles eram cães que ladravam mas não mordiam, queria ver um gangzito de rapazes que não faziam mal a ninguém poderiam ser bruxos verdadeiros, daqueles que se vê nos écrâns do Cristal Visual, a preto e a branco. Algumas vezes, o Nälden traz do Cristal Visual uns dvd’s – sim, porque aquele cinema também tem um clube de aluguer de cassetes de vídeo e de discos de dvd – com filmes da altura que os galâs e os bruxos vestiam fato completo e colete, faziam risco ao lado, usavam bigode ou tinham a barba bem feita e punham muita brilhantina no cabelo. Até me lembro, de quando a mulher linda teve de deixar o soldadinho da Resistência porque era perigoso ficar ali com o assassino procurado que tinha morto o oficial nazi, que despedia dele colocando os braços no pescoço dele e beijando levemente e rápido os lábios heróicos do valente paraquedista por uns breves minutos e, nada mais, nem palavras nem choros, apenas uma promessa que ele jamais deixaria que os Alemães fariam mal á pobre da jovem. No fim, só se via a perseguição e represálias por causa da morte do alto oficial nazi e a campanha americana contra os Alemães, e, os créditos finais muito desconfortáveis com um padrão de forcas penduradas e umas letras no meio a dizer “The End”, com um violino a tocar uma melodia triste e dramática como música de fundo.
- Já não se fazem filmes como este – Diz sempre o Nälden.
A Tsuna não diz nada, mas passa o filme todo a fungar, a fungar, que mete dó por causa do tal povo oprimido pelo “Carrasco”, como é apelidado o alto oficial encarregue de organizar o terror no tal país com um nome que começa por “ch”.
Nem ela pensava que o louco vilão, baseava-se numa história real, que se ligaria brevemente com o nosso destino enquanto orfâs e sem pai nem mãe…
Depois do filme, lá estava ela a dizer em plenos pulmões:
- O homem não tem alma, não tinha alma sequer nenhuma! Tinha-a vendido ao Diabo! Se o conhecesse, certamente que escaparia daquelas garras! Ai, ó Jessica! Não me digas que o nosso padrasto era assim…
E lá a acalmo, abraçando-a, e dando palmadinhas nas costas, a dizer:
- Calma lá! O homem já morreu! Já bateu a bota, percebes? Afinal era só um filme, ora! Se não tens medo do Fantasma da Ópera e da bruxa da Branca de Neve, porquê ter medo do Carrasco?
Voltando à realidade, ao abrir o envelope, vi logo que era um convite dirigido a todas nós as seis.
Timbrado com um selo com a porcaria da figura da Serpente de Fogo num lindo póster pronográfico, num estado deplorável amaçados com montes de restos de pastilha-elástica e cheiro a tabaco, que dizia:












Saudações de todos nós, nossas belas!

O glorioso Dia das Magias Negras está breve, e acontece que nós tivemos a congratulada sorte de receber uns bilhetes para a melhor e maior festa de toda a Atlântida em Cyborg Town.
Vai ter lugar n’O Anel da Serpente, na Praça Principal, nº 1313, sexto piso, no salão de festas com uma vista espectacular e deveras romântica para doze jovens passarem uma noite derradeira e aterradora do Dia das Magias Negras! O anfitreão é, obviamente, o fantástico Mestre Rewbertan Samuel Tristan Euncätzio, que nos deu pessoalmente a permissão de escolher seis encantadoras damas para nós a acompanharmos no Dia das Magias Negras.
Não faltem! Se recusarem, não comam a lula do Samurai Dourado, que pertence ao Mestre.

Os nossos melhores respeitos…


Aí é que ficámos de boca aberta e queixo caído, sem vontade de comermos mais, deixámos o dinheiro ao pé da conta, e saímos daquele sítio o mais depressa que pudemos, dando corda aos sapatos de salto alto, gritando histéricamente como doidas por toda a Cidade dos Deuses.
A isto é que se chama fazer uma surpresa muito desagradável, não achas? Mas…que raio é o Dia das Magias Negras…? E as nossas espinhas estavam congeladas só de terem ouvido a minha voz a dizer mais ou menos que o Assassino do Amor ainda estava vivo, e ele seria aquele bruxo que visitou o Château e dormiu ontem à ontem…?
Como é que seis rapazes da idade deles podem pregar uma partida de morrer de susto, com a pele mais branca do que cal?!
Ainda com pele de galinha no metro, e a tremer, algumas de nós completamente traumatizadas, desejando nunca terem conhecido aquele gang de bruxos aprendizes, e ao vê-las todas cheias de medo, suspirei com desdenho, e, exceptuando a Sara, que estava a rir-se, um sorriso de compaixão pelas outras quatro com os ombros encolhidos, como se dissesse “Homens!” Decidi tomar a corajosa decisão de pegar nos envelopes desprezadamente com as mãos , abrindo a janela com a outra mão sem se querer, com um sorriso sádico, e atirando-os para fora. Queria acabar com aquela fantochada daqueles rufias de terceira categoria, nem que isso significasse tomar medidas drásticas, por isso é que pensei se deitasse a papelada fora,talvez elas se reompusessem e ficassem mais…normais.
- Oops! – Comentei sarcásticamente. – Lá se foi a noite romântica do tal Dia das não-sei-das-quantas! Aqueles palermas vão-se arrepender de me terem conhecido quando eu lhes puser as unhas em cima!
Ao verem que eu tinha deitado fora os convites, as outras – excepto a Sara – olharam para mim com ares incrimnatórios, muito irritadas, como se eu tivesse recusado um convite dos Blue para irem a uma festa, e não de um grupo de rapazes ranhosos de dezoito anos!
- O que fizeste, Jessica?! – Exclamou a Junnifer a olhar desesperada para a janela com os olhos muito abertos, num tom quase a chorar, vendo os envelopes a esvoaçar no meio da estrada lá fora. – Sabes ao menos o que é a gente ter a lotaria ganha de sermos convidadas para a festa do Assassino do Amor no dia mais luxuoso e fixe de toda a Atlântida, o Dia da Magia Negra, que é o equivalente ao Dia das Bruxas aqui na Dimensão Mágica?!
Aquilo de encontrar um bruxo bonito e ser fodida por ele está a ser levado sério demais, quer dizer, há muitos outros tipos podres de bons no Palácio das Reuniões.
A Sara, encolhendo os ombros mais uma vez os ombros e lendo a sua revista cor-de-rosa, comentou:
- Ora! Não acho que devessemos estar focadas nos malvados dos Bruxos. Há homens muito mais bonitos do que gigantes louros cínicos e arrogantes com narizes curvos de falcão e perversos!
A Maria lançou-lhe um olhar cúmplice, e rindo-se baixinho, disse num tom trocista:
- Não te estás a referir ao…Ao… Ao…Àquele-que-não-pudemos-dizer-o-nome-senão- tu-ficas-com-pele-de-galinha-e-a-dizer-“ele-era-o-meu-anjo”-repetidamente-numa- espécie-de-transe, não é?
Ora, o Nälden, está sempre a dizer-me «O seu padrasto é um anjo, fofura de menina, … um anjo…», com aquele ar de estar a olhar para a Virgem Maria ou coisas do além, com aquela voz fininha de maricas idiota, com os olhos azuis a brilharem de êxtase, ou algo do género, quando lhe falo em segredo acerca do bruxo que me anda a perseguir, e ele fica tão babado quando fala acerca disso! Que estúpido, deve ser o bronco dos broncos à face de toda a Alemanha! Mais burro do que ele só o Hans, esse é que o verdadeiro protótipo do idiota alemão: dentes de cima tortos, olhos azuis ingénuos e muitos risonhos, tipo palhaço, ri-se com uma voz ainda não mudada aos dezanove anos, o que faz o primo sempre lhe chamar “Mein kleine Schwester” , porque o Hans pode não ser amaricado, mas a sua voz é simplesmente de uma menina quando grita.
De repente, a nossa colega ficou tão vermelha quanto um tomate, depois, na última paragem, foi-se embora a correr, sem saber o que dizer daquela indirecta, e, com as lágrimas no rosto, disse, com a carteira no braço:
- Desculpem, meninas. Não quero falar desse…Desse…Desse…Desse bruxo! Não contem comigo na festa. Vou-me embora.
Compreendo-a, afinal, ter um homem que nos estragou o passado durante vários anos é algo terrível, e ninguém sabe-o melhor do que eu. Não ter família é igualmente uma coisa que eu conheco muito bem. Pobre Sara, porque é que os Bruxos estão sempre a complicar-nos a vida…? Porquê…? Sempre que conseguimos apagar da memória o meu padrasto, ele aparece para nos assombrar mais uma vez, e lá estamos nós, mulheres a chorar, por causa dos bruxos insensíveis!
Na verdade, até nos divertimos imenso no Samurai Dourado, e se não fossem aquelas cartas envenenadas, aquelas lulas tinham outro sabor. Um dia, ele terá de dar a cara, e nesse dia, vou dar-lhe das poucas e boas àquele horrorroso! Ai se vou!
Sabes que mais…? Se fosse possível, até rasgava as cartas aos pedacinhos, queimava-as, e lançava-as para o fim do mundo, para que jamais as descobrisse. Tentamos permanecer de cabeça erguida e com um sorriso no rosto, mas aqueles bruxos com língua viperina continuam a deitar-nos por terra! Estou farta!
Ao chegar a casa, a tempo de ainda fazer os TPC’s, e ir ajudar a Spectinha a fazer o jantar, vi o Coutinho, o Horus, o Fritz e o Skánvasse, o Hans e o Nälden muito espantados com a minha fúria e frieza quando lhes olhei com desprezo ao abrir a porta do meu quarto.
É claro que eles não têm culpa, são bons bruxos, agora aquele nojento…Se o apanhar nem sei o que lhe faço!
Magoou-me a mim, à Sara, e por fim à minha mãe, já não quero ouvir mais falar dele! Que fique enterrado para todo o sempre no “Limbo dos Espelhos”, e que se torne em pó que lhe cobre as botas!
Na hora de deitar, em vez de me cruzar com Nälden no corredor, foi o Primo Coutinho que encontrei, e com olhos ternos, baixou a sua cabeça para falar comigo.
- Então, Jessica? – Perguntou-me. – Que mau aspecto é esse?! Devias estarr contente e feliz porr irres ao baile de um brruxo tão conceituado e respeitado como…
Mas não respondi, apenas acelarei o passo, com lágrimas no rosto, lábios secos, e cabelo despenteado, para o meu refúgio, para o meu quarto, não queria saber da preocupação do meu primo nem de ninguém para nada. Atirei-me à cama, chorando copiosamente, com os colchões cor-de-rosa sobre a cara, e, pondo a cara completamente no estado de “deprimida”, virei-me para de barriga para cima, e liguei o leitor de cd’s para o máximo, para ouvir música religiosa super deprimente.
Já fiz isto mais de mil vezes, e sempre que estou triste, ponho a música no máximo, e nucna se queixaram.