sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Grito da Verdade (Parte II)


Aviso desde já os que andam um pouco atrasados nas notícias do meu blog que existe um novo blog, “http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/", que contém informações importantes acerca da minha história.


Por exemplo, os próximos episódios de histórias com nome próprio vêm aí.


Quanto aos mais atrasados, não se preocupam, irei pôr também os anteriores .
Para todos um grande beijo e abraço da "bruxa tifongirl", eh,eh, eh.......... (6) ;)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O Rei dos Bruxos

Esse nome veio-me à mente, sem se quer pensar nele, e curiosa, olhei para a minha sombra enquanto flutuávamos a observar a triste cena.
«Doçura, o Rei dos Bruxos é, geralmente, um homem que lidera e representa toda a classe de Bruxos e Bruxas, mais vulgarmente conhecido por Assassino do Amor.
O Rewbertan Tristan Samuel di Euncätzio era o verdadeiro Assassino do Amor, mas nós usamos esta alcunha a um feiticeiro realmente digno de o merecer.
Só um bruxo masculino com um coração de ferro pode ser elegido como possível candidato a Rei dos Bruxos. É a ele quem prestamos toda a vassalagem e fazemos todas as maldades que ele ordenar, por mais desumanas e cruéis que nos pareçam, é para o nosso Rei.»
Arregalei os olhos espantada com tal injusta hierarquia, e qual macaco atarantado por ver um grande leão, perguntei atónita à sombra:
«Isso é ditadura, não é verdade? E...Como é que se faz a eleição? Quem é o nosso Rei agora? Existem outros governantes nas outras classes?»
A sombra riu-se sadicamente.
«Oh, querida bruxinha....Agora o Rei dos Bruxos não passa de uma mera lenda, tal como o Assassino do Amor. Há para aí uns sessenta anos, talvez ainda houvesse uma eleição...Sim, foi em 1940 que se instalou o caos. Cinco foram eleitos para o possível sucessor do incrivelmente honrado e todo poderoso Kzenah Malagahti, o último Rei dos Bruxos: o teu padrasto; o respeitado General von Tifon; o maravilhoso Seth von Tifon; Tipal Netzsche, das florestas do México; e, por fim; o chinês Thau Taun!»
Nesse momento eu soltei uma fungadela pelo estranho trocadilho do bruxo chinês, mas logo deixei a minha sábia sombra continuar o seu discurso:
O coração do futuro e provável rei era pesado contra cem corpos mortos de uma forma brutal, naquele caso foi de cem corpos dum campo de concentração. Se o coração estivesse em balanço com os cem, este bruxo tem um coração minúsculo e tem algumas probabilidades de ter alguma bondade. Se o dito órgão fosse leve, então o bruxo seria uma boa pessoa. Caso contrário, esse seria o homem perfeito para governar sobre todos os Bruxos e Bruxas!
A minha sombra engoliu em seco, tal e qual uma foca do ártico, e aí me apercebi que a maior parte dos bruxos que foram nomeados para serem o possível Rei dos Bruxos eram praticamente maléficos.
«Por este meio, passaram apenas os seguintes homens: em terceiro, o Tipal Netzche; segundo, Thau Taun; e, por fim........o teu padrasto. Mas, o teu padrasto, surpreendentemente, recusou ser o Rei dos Bruxos. “Nunca aceitaria um convite para ter um fardo demasiado pesado para mim. Compreendo a vossa ansiedade e enorme trabalho que teve ao procurar-me, Vossa Suprema e Maléfica Majestade, mas eu não sou o homem que procura. Apena cumpro ordens que acho mais aceitáveis para a minha sobrevivência; Thau Taun daria um melhor rei do que eu, porventura.” Desculpou-se humildemente o impertenente. Naturalmente que o seu padrasto foi recriminado pela sua insolência e falsidade; chamado pelo próprio feiticeiro chinês por “Alemão Mentiroso”. Para horror de toda a classe de Bruxos, o Nosso Adorado Rei hindu disse num sorriso sádico “Só tens trinta e seis e atreves-te a negar a minha Suprema Verdade de quinhentos anos?!»
Sua Podridão soltou nessa altura uma gargalhada que gelou todos os nossos corações, e deu uma palmadinha nas costas ao homem. “Tens uma língua tão viperina e venenosa como a minha, meu caro rapaz. Mas será que a tua firmeza é tão espantosa quanto o teu sarcasmo?” Dizendo isto, o Rei dos Bruxos estalou os dedos, e, perante toda a corte de bruxos, apareceram lindas mulheres hindus, quer fadas, deusas, bruxas e nobres! Atiraram-se rapidamente como abelhas a mel apetitoso ao velho bruxo, cobrindo-o de beijos, massajando-o, dando todo o tipo de frutas e tesouros mais preciosos de toda a Dimensão Mágica! “Tudo – as mulheres e escravas mais belas do meu harém; os títulos; o meu palácio; todos os meus bens; as obras de arte; os meus carros preferidos; o meu exécrito particular de assassinos profissionais de todos os cantos da Dimensão Mágica; e terras – isto te darei, se te ajoelhares perante mim” Indicou o velho bruxo sorrindo. “Porém, se não quiseres nada disto, rapaz, só te darei uma escrava apenas por três noites, e uma milionésima de sétima porção dos meus poderes magnificos” Céptico como sempre, o teu padrasto decidiu ir para a 2ª opção. Pobre da pequena Amankah, a pequena fada de dezasseis anos, a escolhida para ser o entretenimento do teu padrasto.»
A História da DM tem muito que se lhe diga, principalmente acerca do meu padrasto, ai, se tem..............!

domingo, 12 de agosto de 2007

Fantasmas..................Ou Fadas (Parte II)

Antes da continuação da minha história habitual vou falar-te do animal da família, o animal mais presunçoso e preguiçoso desde a criação do Garfield! Permita-me apresentar Sua Majestade, o Spiegel: um gato persa branco de olhos azuis, com umas maneiras tão arrogantes! Algumas vezes pergunto-me se ele não é algum bruxo enfeitiçado por um eterno laço que o transformou num gato, porque por um lado ele já está aqui desde que o Tetra-bisavô Herni morreu em 1800; segundo porque sempre que lhe dou festas ou colinho, dá-me um "beijinho" no rosto e passa sempre pelas pernas de mim e das minhas irmãs ou de qualquer empregada cá do Château que se atravessa no seu caminho, e até tem o seu quartinho privado no quinto andar (é o andar privado do Primo Coutinho onde só entra o Nalden, o primo e o dito cujo animal)! "Quartinho" é uma forma de dizer, porque o quarto tem dez metros de comprimento e dois metros de altura até ao tecto.



Já ia retirar sacar a pistola do seu coldre furiosamente, quando, surgiu por detrás da fonte a mulher, chorando copiosamente e a tremer dos pés à cabeça, fazendo um número de circo espantoso.
O meu primo logo sorriu pacientemente, pondo as mãos na pedra da fonte, como se preparasse para ouvir algo interessante.
Pela sua cara mais simpática e amável, aposto que ele já vira aquela falsa em algum lado, de onde é que eu não sei...
- Olha, olha....Se não é a minha amiga da faculdade, a Prinzecessin Sofia Arco-íris de Fogo, ou será: a Princesa Swerdinada Arco-íris de Fogo, a actual rainha fantoche consumista da Atlântida! – Exclamou ele num tom trocista. – Não morreu da torrturra que foi a 2ª Guerra mundial parra si?
Ela a rastejar na sua loucura sublimada, com o cigarro de haxixe na boca, implorando qual velha cobra hipnotizada, espantada por não ter comovido o cruel general em fato de civil, rasgou as suas roupas pretas, tirou de uma forma bruta as suas luvas de cetim, e atirou-se à lama, humilhada, rindo-se nervosamente. Toda a gente sabe do vício da pobre rainha em axixe, até dizem por aí que a maluca da velha bruxa fez um pacto com o Diabo.
- Não me olhe tão cruelmente, eu fumo drogas, e então? – Exclamou histericamente, e, demonstrou mais uma vez, a sua malvadez e desumanidade. – Pelo menos eu não ando com homossexuais por todo o lado!
Porém, a sua voz soou mais doce e chorosa quando se ajoelhou pura e cobardemente perante o general:
- Senhor, tenha piedade da minha pobre alma...
- Francamente, a fräulein mete dó! – Interrompeu o Primo de uma forma sarcástica. – Não tem mais nada parra fazerr, não?
Pobre princesa, eh, eh, eh...............! (6) Pareço-te cruel, mas a dura verdade é que nem mesmo entre nós – Bruxos – nunca nos demos lá muito bem, e o meu primo é como qualquer outro bruxo da sua idade: frio que nem uma pedra quando se trata de perdoar pessoas! Apesar de sermos simpáticos para com estranhos e ternos com as nossas crianças; somos sarcásticos para com pessoas de quem desconfiamos e implacáveis para com os nossos inimigos! Se houve alguém mais malvado que o meu primo ou o meu tio que exercesse o cargo de chefe dos Bruxos – ou Rei dos Bruxos – esse foi Euncätzio.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Fantasmas...............................Ou Fadas...?


Só a Princesa Sara poderia concorrer com tal beleza, excepto um pequeno pormenor que distinguia as duas gémeas: enquanto o nariz da mais nova era bonito e pequeno, o da maldita e consumista mulher era magro e pontiagudo, e conseguia-se distinguir de perto umas vulgares sardas cinzentas, minúsculas partículas de cinza perto de ambos os olhos da Serpente de Fogo. Só podia ser aquela bruxa, mas que tinha ela a ver com o meu primo, e que quereria ela com ele…?! Será que ela detestava mesmo os Cyborgs…?!
Caminhando persistenetmente contra o forte vento, o meu primo não conseguia aguentar mais. Até parecia que o Tsesustan se divertia naquele dia chuvoso a fazer-lhe a vida negra. Trovejava fortemente, e o vento soprava com uma intensidade tão grande que houve alturas em que o pobre velho bruxo até pensou desistir.
A chuva fustigava a sua cara cicatrizada por antigas batalhas, e isso mostrava o quanto corajoso ele era. Não se ia assustar com umas meras pinguinhas. Ia chegar à sua casa, nem que tivesse de lutar contra todos os demónios da Cidade Perdida.
As suas botas saltavam em passadas de gigante as enormes poças de lama, caminhando com a velocidade de um cavalo num longa viagem, os seus olhos brilhavam de coragem e fúria incontrolável enquanto o seu tronco viril se debatia com os perigosos relâmpagos que se abatiam desde o céu até ao chão.
- Hoje até as Fadas troçam de mim. – Comentou entre dentes. – Mas não deixarei que aquelas marotas que se riam à minha custa
Os retumbantes trovões caíam sobre as pobres orelhas do alemão, mas nem por um segundo vacilava! Era urgentíssimo chegar ao Château, ainda por cima com uma tempestade daquelas…
Subitamente, ouviu algo a mexer-se por entre os arbustos, um ruído fraco e indefeso, soando a gemidos de mulher sem ninguém para a proteger.
Mas como…? Ninguém, no seu perfeito juízo, iria cruzar as fortes tempestades da temível Cidade Perdida sem nenhum acompanhante, principalmente uma mulher. O velho feiticeiro conhece a nossa zona como ninguém na nossa família, e conhecia a lenda de todas as mulheres atrevidas, demónios japonesas com pescoços elásticos que devoram fígados de homens com almas fracas que por ali passam; bruxas latinas enganadoras; fadas da água,.....A maior parte de todas as mulheres e raparigas atlantes que sejam bruxas e demónios têm uma língua tão aguçada que nem cobras e escarnecem do primo, cantando a altos berros mesmo perto do Château, flutuando ou voando nas suas vassouras sorrateiramente, soltando risadas diabólicas como velhas desprezíveis que são. Ele simplesmente não tem sorte com as mulheres. Deixa-me pôr as coisas em pratos limpos: ninguém, quer bruxos, demónios, cyborgs, fadas, nobres e deuses; em toda a Atlântida, ninguém gosta dele a sério, apenas o fingem com medo de serem mortos. Apesar de não parecer, o primo precisa mesmo de alguém, e esse alguém tem de vir da família, é preciso, mais do que nunca, ficarmos juntos e contarmos os nossos problemas, porque, com estes rumoures estão a dar cabo dele. Isto não é por causa dele, muito menos as Fadas; Demónios e Bruxas são malvadas, não. A Serpente de Fogo e os seus cruéis amiguinhos da SPV é que falam dele, dizendo que ele é um bruxo aristocrata obeso, feio que sei lá o quê, o que não é verdade. O primo é a pessoas mais simpática que já alguma vez conheci. É claro que tem um mau feitio, mas isso rapidamente passa-lhe. No entanto, desde que ele chegou, tenho-me perguntado como raio ele conseguiu escapar aos Aliados.........
Suspeitando que fosse uma demónio ou uma fantasma, desembainhou a pistola de bruxo, e tornando os seus olhos vermelhos como o Inferno, espreitou habilmente qual caçador experiente de demónios que era, todos os escodnerijos e arbustos, reparando que a tempestade já tinha passado.
Apenas se ouvia um lamuriante choro de desespero e profunda tristeza, como um canto triste de um roxinol, vindo duma antiga fonte, numa praça, era a praça que dava para a nossa casa.
O primo esboçou um sorriso sádico, olhando o fraco sol com esperança, e, com a pistola de fogo carregada na mão direita e o dedo no gatilho para guardar na bala de cristal o demónio ou fantasma, aproximou-se com cautela, afinal eram ainda seis horas, e os demónios só se vão deitar às seis e meia da manhã para acordarem às onze menos um quarto.
Não tardaria muito e aquela fantasma seria a sua nova escrava, talvez servisse como embaixatriz entre os demónios e fadas da manhã.
Apesar de ser boa pessoa, o primo é ou não é um bruxo? E ele foi ou não das SS? Portanto, gostava muito de ter uma prostituta para os seus desejos, se é que o primo ainda os tivesse…
Andando como um leão esperando uma lauta refeição, este apontou a arma de caçar demónios e fantasmas para a fonte.
- Acabou-se o Herr General simpático, pequenita. – Disse ele calmamente. – Sai daí imediatamente antes que tenha de tomar medidas drásticas em relação a ti. A brincadeira foi gira enquanto durou, mas agora já chega.
Ninguém respondeu, e durante um silêncio interminável de cinco minutos que pareceu durar para o nosso querido general três horas, não se ouviu mais nada a não ser o ressonar madrugador dum galo muito velho a sofrer dos adenóides três vezes.
O meu primo não é mau, mas quando o irritam imenso, consegue parecer-se mesmo com um nazi, além disso, ele é um duque, o que, na hierarquia dos Bruxos é o equivalente a um líder de um distrito de um país.
Aquilo era um insulto digno de receber como castigo, duas balas: uma na perna direita e outra na garganta, pontos, que ao serem atingidos ao mesmo tempo, com a precisão ciurgica certa, tornam-se numa desumana e terrível tortura.
Isto apenas pode ser feito com uma pistola especial de um duque bruxo, cuja o primo guarda cuidadosamente na cintura no seu cinto de prata.

sábado, 4 de agosto de 2007

O Grito da Verdade

Olá a todos os leitores e comentadores! xD LoL Ao ver os vossos comentários, reparei que gostaram muito da minha história, mas que várias dúvidas seriam automaticamente levantadas: por exemplo, acerca de algumas personagens, o seu passado e a forma como se comportam.

Por estas razões, decidi criar para os mais novos "comentadores" um blog que explicasse um pouco melhor a história, e, haverá também - um dia depois da publicação e cada post - um resumo do próximo episódio das aventuras de Jessica e da sua excêntrica família.

O Grito da Verdade - Um pouco mais da Dimensão Mágica.........!

sábado, 28 de julho de 2007

A Bruxa Moderna Atlante - Serpente de Fogo!


Mas como…? Eu partilhava e partilho a mesma opinião do meu primo, afinal, este assunto da guerra não nos vai levar a lado nenhum, e só trará mais infelicidades ao nosso lindo país.
Porém, que armas utlizaríamos para derrotar e desmascarar o autor que enfureceu os deuses e foi castigado para o mais escuro dos infernos? Segundo objectivo: descobrir quem é que começou a Guerra Civil. E imediatamente, caso contrário, não restará nada da maravilhosa Atlântida para salvar e recuperar.
Levantou-se animadadamente qual chefe disposto a fazer um projecto bem feito, mais bem-disposto, lembrando-se de nós e da sua outra missão diplomática urgente com a feiticeira branca, o primo, decidiu ir correr até à sua casa, para pelo menos salvar a situação política dos Bruxos com as Feiticeiras Brancas. Bravo, primo!
Assim é que é! Pensei eu ao vê-lo tão concentrado e preocupado por se ter esquecido dessa visita diária. Já era meio caminho andado, creio eu. Mas… Havia algo de muito fácil, sem dificuldades, não há vitória!
Mal ele sabia que uma mulher jovem, de estatura baixa e magra qual um pequeno palito, ancas largas que saltavam à vista de qualquer bruxo mulherengo, cabelo preto escorregadio e lustroso apanhado por uma trança enorme qual serpente venenosa, marcava no seu telemóvel para um número desconhecido, com maneira muito indiscretas.
Os seus olhos azuis claros enganadores e bonitos brilhavam de manhã com uma raiva enorme, pois porventura seria a sétima vez que ela marcava o número e se não desse sinal, a prostituta numa posição provocadora não teria outro remédio senão passar-se e dar cabo do seu brinquedo de terceira geração.
Batendo com o sapato de salto alto no granito gasto, os seus lábios pintados exageradamente de marrom fizeram um gemido de desespero.
- Atende, querido! – Suplicou ela num choro lamentável e patético. – Atende! Vá lá, bebé! Não me deixes sem saldo!
Talvez um bruxo amante daquela mulher de vinte anos, mas…Não sei!
Ela girava o seu anel de aço com uma pedra de jade incrustada na bonita peça de joalharia repetidas vezes, enquanto o fazia estava atenta ao que o meu primo estava a fazer, e ao fazê-lo, ficava mais fraca.
Quase de joelhos, cinco minutos depois, com os meus poderes de audição, consegui ouvir uma voz distorcida a indagar:
- Porquê tanto barulho, Princesa? Estava a dormir tranquilamente.
Porque razão estaria ele assim tão próximo da mulher.
Seja como for, ela apressada, vendo que o meu primo já ia a correr, respondeu:
- Bebé, temos de tomar medidas drásticas, o Von Tifon anda a pensar se consegue trazer a paz para este país, sabes o que significaria?
Subitamente, uma força semelhante à intensidade de mil raios de todas as mitologias atingiu-me a mim e à minha sombra com tanto poder concentrado nessa bola de fogo que caímos num arbusto perto da esquina onde a jovem mulher estava a conversar.
Devia ter sido aquele bruxo, (o meu padrasto tem muitas amantes, hem?), e somando as parcelas, fiquei com um terrível calafrio na espinha, não poderia ser o “querido” que eu conheço. Não, esse não.
Aterrorrizou-me toda a vida em Londres por causa das terríveis atrocidades que cometeu, mas não falemos disso.
- Silêncio! – Avisou. – Tenho a sensação que uma certa bruxa anda a seguir-me. Nestes jogos, é preciso a máxima cautela, minha senhora. Devo relembrá-la, Princesa, que em caso algum deve mencionar o meu nome, muito menos em diminuitivo.
Logo, mudou para um tom mais aberto e trocista:
- Carina; minha Princesa; tesoro; mon amour; baby, feines lieb: continua a usar o anel que lhe ofereci? Amanhã quero-o bem polido no seu dedo para levá-la a almoçar em minha casa.
A atrevida rapariga mudou de expressão ao som destas cruéis palavras, que lhe atravessaram o anelar esquerdo qual veneno espetado por uma terrível serpente, cujo estava posta a linda jóia, e este começou a faíscar, brilhando em tons de pequenas chamas prateadas, saídas do pequeno membro delicado, fazendo com que a mulher soltasse gritos de agonia, caíndo com os joelhos no chão a sangrar de energia mágica muito poderosa.
Desta vez , a voz do bruxo tomou um tom mais cínico, rindo-se:
- Lamento imenso o seu sofrimento, Princesa! Talvez três dias suavizassem mais o seu ardor e paixão que tem por mim. Então, no Dia da Magia Negra está bem para si? Não se esqueça de tentar seduzir o General von Tifon. Ele é um homem fraco de mente, tal como todos os outros, deixa-se levar pelas emoções e pelas suas visões paranóicas em vez de utilizar a razão e o racciocínio para resolver os seus problemas. Será fácil conquistar o coração mole do velho tolo! O pobre diabo está cada vez a ficar mais transtornado, anda solteiro há mais de cem anos, os seus órgãos sexuais provavelmente já devem estar a dar as últimas.
Aí é que a rapariga soltou uma gargalhada sádica, e ao arrumar com falsa delicadeza o seu baton marrom comprado especialmente em Nova Iorque na sua pirosa e desumana mala de pele de lince ibérico, concordou com o seu frio admirador:
- Estou chocada, chocadíssima das coisas que dizes acerca do nosso amado duque. Mas se assim o desejas, irei consolar o coitadinho. Xauzinho, amor!
Dizendo estas últimas duas palavras, ela beijou o telemóvel numa forma sensual e, abanando os seus exagerados seios, carregou com as longas unhas pintadas no botão vermelho para acabar a chamada. Infelizmente, o homem interrompeu-a (que poder de sedução e vocabulário sensual fantástico que o meu padrasto tem!):
- Calma, não vai certamente apressar as coisas, doce Princesa? Só
gostaria de lhe dizer que a amo como nunca amei uma mulher em toda a minha vida, minha querida. Vereemo-nos em breve, minha pombinha!
Aí, a conversa melada terminou, sem perceber lá muito o que se passava, fui levada subitamente para mais longe, onde é que não fazia a mínima ideia. Era interessante, a voz meiga, ondulada, fina e doce da mulher era idêntica à de Sara, porém esta tinha um toque de malicía e vaidade na pronúncia atlante. Quem seria aquela estranha, no entanto bizarra bruxa…?
Então era assim que se parecía uma bruxa adulta, nunca tinha visto uma em carne e osso, para além da Spectinha.
As bruxas não se parecem nada com o que se diz nos contos de fadas. E esta era tinha uma beleza rara: pálida como um inofensivo floco de neve, cabelos louros como a palha mal tratada – pintados é claro – abundantes a voar sobre uma calma brisa que trazia gentilmente consigo as folhas de Outono. Olhos azuis tão claros como duas raras safiras da mais longínqua montanha, as pequenas maçãs do rosto cobertas por um invulgar pó-de-arroz branco de cal com um pouco de rosa púdico. Lábios pequenos e carnudos num rosto triangular que comportava bem o lindo rosto da deusa da noite suave e de baixa estatura, vestida com um lindo vestido preto com um um perigoso decote decorado rendas vermelhas de seda, e asas de uma linda borboleta venenosa cresciam nas suas costas frágeis e nos ombros direito e esquerdo descobertos usava duas tatuagens com um pentágono no esquerdo e o símbolo do signo zodiacal Leão. No pescoço tinha um brilhante colar de grandes diamantes e rubis do tamanho de cerejas, mais para baixo, as suas mãos e braços delicados estavam “tapados” com luvas de brilhante cetim de cor-de-vinho. Por baixo do apertado vestido sem alças que ajustava perfeitamente às curvas da jovem mulher de vinte e oito anos, só se viam os sapatos de salto alto vermelho lustroso, e a cada passo que esta dava, exibia uma das suas pernas torneadas e finas como a de uma gazela.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Desespero de um Bruxo....

Voámos um pouco mais, até que chegámos a uma pequena praça onde estava escondido o meu primo, sozinho, suspirando de manhã solitário quanto uma minhoca presa a um anzol, e, triste pela amante o ter deixado. O meu primo é um daqueles homens muito especiais, que só se encontra uma vez na vida: um místico; um idealista; sempre no mundo dos mitos, e se há coisa em que ele fica mesmo triste é uma mulher enganadora.
Aí ele começa a ter um estado de depressão terrível que demora aproximadamente cinco dias, depois, grita com toda a gente, até se descobrir um bruxo romântico, sensível, um coraçãozinho de ouro tão terno e fofo como mais nenhum! Embora seja orgulhoso, arrogante, e simplesmente passional, ele nunca será complacente. Tentará sempre ter a coragem e a valentia do seu lado, mas algumas vezes, até o cavaleiro de armadura mais reluzente acaba por ficar indefeso e ter medo ou receio de alguém. Seria culpa dele que a pobrezinha tinha fugido a chorar completamente destroçada.
Bruto, devia ter mais maneiras e ter sangue frio em vez de disparar, cheio de ciúmes, para o cyborg guarda-costas com ares de galego da representante do intrépido e valente Povo Unido Cyborg Atlante, o partido comunista ilegal e uma das associações ligadas a activades muito perigosas com a Resistência.
Agora estes também tinham-lhe declarado guerra, a embaixadora escapando perante o alvoroço do troco de tiros e feitiçoa entre o guarda-costas e o primo, muito agitada quase sem folgo para gritar por ajuda enquanto um dos seus subordinados lhe puxava a cauda do vestido de gala.
Tinha feito uma enorme asneira, agora pagava as favas, o pobre velho de alma e fé fraca e só, sem nenhuma companhia, para lhe curar as feridas, uma pequena irmãzinha para lhe beijar um calo feito durante uma marcha, a sua tiazinha preferida, a linda Katrine, ou como ele preferia dizer “Catarrina”. Ele sempre pensa nela, a sua madrinha, onde quer que esteja, a nossa querida mamã nunca foi esquecida, e jamais o será!
Para ele era mais do que uma irmã, era o seu único amor e verdadeira amizade. E só de relembrar o terno e doce quadro duma rapariga de vinte e sete anos com calções verdes, a pôr os delicados pés num lípido riacho qual água vinda dos Céus que corria ao pé do Château von Tifon, enquanto ele deitado na relva fresca delicisiava-se com a visão da sua mãe a brincar com o jovem bebé Hans, e Águia Negra conversava animadamente com o venerável Duque von Tifon. Enquanto o seu melhor amigo Fritz tocava uma melodia calma no seu acordeão, Skánvasse comia pretzels sem que nenhum cyborg o perturbasse, sem que o rival do meu pai com os seus caprichos os torturassem.
Schanti, a nossa tia mais nova, com cinco anos carregava qual empregada concentradíssima no seu trabalho um boião de água para a sua mãe, a estafada Nefrufi, a duquesa morena atlante com nariz pequeno e lindo, apenas com um aspecto de uma mulher de cinquenta e nove quando tinha na realidade quarenta cinco mil anos!
A descer o riacho num pequeno barco a remos, havia um travesso rapaz ruivo de vinte e quatro anos, loucamente apaixonado pela rapariga independente mais velha do que ele, e porque não havia de estar? Os cabelos soltos pretos ondulavam à suave brisa de Verão juntamente com as madeixas vermelhas, os olhos grandes verdes quais olhos da mais selvagem e solitária pantera nas densas florestas do Amazonas, nariz franzino e um pouco achatado, no entanto tão belo quanto o bico da misteriosa coruja das torres, lábios cor-de-vinho tão apetitosos como pequenas framboesas frescas e prontas para colher.
Mas isso era agora vãs memórias, uma imagem do passado, do longínquo e ilusivo passado: duma antiga e mágica Atlântida, da sua amada Atlântida, da sua apaixonada e alegre Atlântida. Também relembrava da sorridente Alemanha, os seus dois países mais amigos e fantásticos. Agora tudo o que restava das suas lindas amigas era um pedaço de cascalho queimado do ressequido e podre banco do parque, e pó, pó vindo das corruptas fábricas de Cyborg Town! «Que terra mais amaldiçoada!» Pensou ele ao deixar caír desajeitadamente a areia por entre os seus dedos gordurosos. O meu primo fungou tristemente, e olhou com o seu olho esperançoso para os Céus deitando uma rara lágrima do seu olho saudável, pondo as suas mãos em forma de oração, fechando-as forsosamente, com uma expressão de longa depressão qual um vagabundo ou filho perdido numa tempestade de areia, á procura do seu pai. «Desculpe-me por todos os meus erros, Meu Pai. Diga-me: que deverei fazer, que horrores prenunciam as próximas desgraças que acontecerão a este pobre país? Sinto-me perdido numa terra perdida que já não é minha.» Ao acabar de rezar e meditar, derramou mais uma gota de água cristalina, sobre o seco e infértil chão.
Agora que os deuses tinham-nos castigado pela nossa ganância e egoísmo, teríamos de ser nós, os Bruxos e Cyborgs, aqueles que tinham começado todos estes problemas, teríamos que trabalhar em conjunto, acabar em primeiro lugar a Guerra Civil, deixar que a boa e sensata Princesa Sara tomasse o poder, para que todos nós vivêssemos em paz e harmonia, e evitar que este desastre repetisse…