quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Ancient Conspiracy on the Dancefloor !



O meu Padrasto, é tudo culpa dele, e ainda bem que consegui afastar-me daquela louca. Eu tentei um largo sorriso, e, indo em direcção à saída, a rir-me, disse:
- A senhora é que está com pele de galinha, não eu. Como queira.
A bruxa, fazendo uma cena com os olhos lacrimantes e juntando as mãos como se fosse conduzir-me para uma oração, olhando para o céu de uma forma piedosa (só faltava a auréola para se fingir de santa), agarrou na minha perna direita.
Que é que ela queria…? Até parecia o fim do mundo, eu só ia deixá-la por uma hora, que mal tem nisso.
Mas como na verdade a Madame é uma toxicodepente cobarde como sei lá o quê e só se sente protegida com um par de gorilas sem cérebro, burros que nem uma porta e que têm ambos a altura do Monte Evereste, lá estava eu a arrastá-la pelo chão até que chegámos à saída.
- Docinha, meu bem, não te esqueças de estar aqui à meia-noite e ponto, é uma promessa, bebé! – Implorou ela. – Mas lembra-te, lembra-te! Serás maldita se aos teus princípios de boazinha inglesa voltares, e o teu amor aqui mesmo encontrará o seu fim! Para sempre, para todo o sempre, serás do Tsesustan, e ele te dará, a ti e ao teu amado cyborg, a terrível condenação ele fará com que vocês partilhem, a tua eterna maldição! Chauzinho!
Revirei os olhos, um pouco irritada com aquela cena digna de uma comédia, e, abrindo forçosamente a porta com o peso da estúpida mulher em baixo, e suspirei em sinal de reprovação de tal peça.
- Eu sei! – Comentei sarcasticamente. – De nada, a senhora também é uma santa que ninguém poderá imaginar! Agora faça o lindo favor de largar a minha perna que só tenho duas. Até já, Chauzinho!
Acenando com a mão, fingindo que estava contente, lancei um último olhar ternurento e de amizade para com a minha nova amiga, acalmando-a. Mas…Sabia, não, pressentia que onde quer que estivesse, o meu padrasto estaria muito satisfeito por ver eu sucumbir por fim ao sentimento humano e cair na tentação; pois a sombra de um homem alto sinistro parecia estar a rir às gargalhadas, mas estranhamente não se ouvia nem um único som da sua boca…Que cambada de malucos. Eu sempre disse que a cidade não era boa para a saúde das pessoas, mas francamente. Até parece que os Bruxos citadinos não se habituaram à ideia que o isolamento é a melhor forma de aumentarmos os nossos poderes. É esquisito, sempre que penso no meu avô, lembro-me sempre de Deus, mas não é de admirar, sabia sempre o que eu queria, conhecia-me tão bem que até acho que quando era pequena, acreditava que ele era o meu anjo-da-guarda. Jamais se zangava, e a sua voz tão clara e sincera emitia um calor paternal tão amoroso…
Obviamente, quando eu fazia algo mesmo mau, ele castigava-me justamente, nunca me bateu, bastava uma semana sem televisão ou ficar sem sobremesa para eu compreender, depois, ele dava-me um beijo na cara e dizia-me na sua maneira tão bondosa «Eu não me quero zangar contigo, Jessica, mas algumas vezes é preciso.»
Ao caminhar num passo acelerado para o metro na pequena paragem na praça principal, tentei não dar nas vistas para não ser apanhada desprevenida por algum demónio ou fantasma. Respirei bem fundo e entrei no transporte público sem uma única gota de medo, mas quando me sentei confortavelmente na cadeira, pensei se seria boa ideia dormir com a Serpente de Fogo.
O meu sentido de dever falava mais alto que o meu amor e curiosidade pelo padrasto que apodrecia no Castelo Negro.
Seria boa ideia libertá-lo…? Ou era apenas uma loucura pueril criada pela minha mente jovem e ingénua, incapaz de compreender a grande e sombria conspiração que se passava na Bellanária…?
E quantas mais dúvidas a minha cabeça armazenava, mais tentada eu me sentia em fazer tão inocente crime. O meu avô decerto não aprovaria, muito menos a minha actual família, mas era a única maneira de saber quem era esse obscuro homem, esse tal padrasto que me torturava a mente. Ele (O meu Padrasto) chegara à minha vida de surpresa, e, sem qualquer aviso, me enchera mistérios e enigmas por resolver.
Chegara a hora do meu destino seguinte ser revelado. Iria para o caminho do Bem ou do Mal…? Escutaria as sensatas palavras do meu Avô ou iluminaria o caminho escuro para ver o rosto do meu Padrasto…?
Pondo a minha cabeça sobre as minhas mãos, deitei umas tantas lágrimas, guardando-as na minha mão, perguntei em voz alta:
- Porque espero? Que irei fazer?
Uma voz fria ecoou de súbito nos meus ouvidos:
- A decisão é sua, Menina Jessica. Se assim o desejar, eu mando abrandar a máquina caso queira telefonar ao Herr Duque Von Tifon para o prevenir. Que direcção do caminho deseja tomar? Diga-me só o caminho e deixe o resto comigo. Guiarei a sua vida, jovem Fräulein!
Virei-me assustada para a frente e vi um pequeno bruxo a conduzir o metro, com o rosto cobrido pelo chapéu, e de certa forma, eu sabia que ele estava a sorrir para mim, à espera da minha difícil escolha.
Olhei pela janela de vidro, e reparei que havia algures lá fora no caminho escuro iluminado apenas por algumas lâmpadas que deixavam a desejar, pondo uma simbólica bifurcação: a seta da esquerda era para um atalho para voltar para trás, o da direita ia direitinho para a Cidade Perdida, para a minha casinha e cama quentinha.
Se fosse para a esquerda, estaria a abrir as portas da liberdade ao Diabo na forma humana…? Mas se fosse para a direita, jamais descobriria a verdadeira natureza de todos os segredos que antes me tinham sido escondidos e negados…..!
Então, numa tentativa desesperada, fiz opção: levantando-me, com um ar jovial no olhar, ordenei ao condutor:
- Para a Cidade Perdida, mas pode ter a certeza, caro senhor, que eu não vou desistir de saber quem realmente eu sou!
O misterioso condutor de baixa estatura acenou com a cabeça:
- É valente, mas isso não chega para enfrentar o seu padrasto, minha querida. Coragem não provada, não basta para vencer o passado. E, infelizmente para si, doçura, o tempo é a única coisa que não se pode parar, mas sabe que a vontade do Mestre ultrapassa tudo….
Num tom de terror, com um olhar penetrante que arrepiaria até o mais poderoso e bravo de todos os Cyborgs, coberto por uma capa preta, acrescentou:
- Sua Excelência, o meu amo, ele consegue tudo, ele triunfa sempre…! Sabia que na vida real, o Mal ganha sempre no fim!
Ao dizer estas palavras, começou a repeti-las, fingindo bater num bombo, e na verdade, o metro começava a ganhar velocidade cada vez que ele repetia a oração “O Mal ganha sempre no fim!”, de uma forma simplesmente infernal e diabólica.
As minhas pernas tremiam como varas verdes numa implacável tempestade e já andávamos a trezentos km’s por hora, sem ele conduzir o “metro fantasma”! Parecia um autêntico pesadelo, só que desta vez era real. Terrivelmente real! Só me apetecia gritar, mas em vez disso, apertei fortemente contra o meu peito a pequena chave, tentando manter-me calma.
Desconfiada da forma sinistra como aquele homem falava, forcei-o a virar-se para mim, e vi em vez de um bruxo, um perfeito boneco feito de cera à escala real, deitando a língua de fora para mim, com sete velas a flutuar assustadoramente sobre a sua cabeça, cada uma delas pregada com treze agulhas formando um místico símbolo: um losango negro, com um florete, um k e uma rosa a atravessar o losango; o símbolo do Mal Supremo!
Aí é que não aguentei mesmo, aquilo estava a ficar igualzinho a um filme de terror.
Explodi, e, com a mostarda a subir ao nariz, dei um grito de horror à medida que tudo ia ficar escuro….

domingo, 5 de outubro de 2008

"um mistério indecifráfel...Quem matou a minha mãe?"


Não fazia sentido: primeiro, a Serpente de Fogo comprara “O Cavalheiro”; segundo aquele bruxo alemão viera ter comigo; terceiro, seis bruxos que eu nem as minhas amigas sequer conhecíamos convidavam-nos para um baile, para logo se esfumarem que nem fumo; agora aquela malvada rainha queria que eu libertasse o meu padrasto do Limbo dos Espelhos…?! Essa conspiração cheirava mais mal do que os cozinhados do Samurai Dourado, ou eu não me chame Jessica Magnetite Von Tifon.
Mas, e se ela quisesse mesmo ajudar-me, pelo olhar piedoso e inocente, com a sua voz meiga e boa, era quase impossível recusar.
- Eis uma das muitas chaves do Castelo Negro. O Herr Finistergäse pagou mil marcos por ela há trinta anos. – Disse ela, respondendo as minhas dúvidas. – Com esta beleza poderás libertar o teu padrasto do castigo eterno. Mas as portas da liberdade e da magia no Castelo Negro têm um elevado preço.
A minha resposta automática em relação à menção do meu padrasto na conversa foi ir directamente para a saída, com um olhar de desprezo e nojo contra a mulher de magias negras proibidas. Ela sabia a minha fraqueza, mas como raio teria descoberto…? Talvez esse Finistergäse lhe tivesse dito. Mesmo assim, era preciso jogar pelo seguro em vez de confiar numa víbora falsa e, com as mãos retorcidas num gesto de recusa à tentação, tentei ir-me embora.
- Não acredito em ti, velha bruxa! – Insultei friamente. – Além disso, porque raio eu gostaria de libertar o meu padrasto?
A mulher balançou lentamente qual exímia encantadora de crianças a pequena chave num fio de ouro da espessura dum fio de cabelo, e sorriu duma forma sedutora, entregando gentilmente a chave na palma da minha mão, e com o seu “dedo mágico”, encantando o fio, tornando-o numa serpente que se enrolava na ponta dos meus dedos.
- Pensa bem, querida: ter um padrasto talvez não seja assim tão mau. – Disse ela num tom agradável ao olhar fixamente para o pequeno réptil prateado que segurava na chave com a boca. – Se bem conheço o teu padrasto (e conheço-o) ele foi injustiçado. Havia um canal mal ligado, um fungo no labirinto da sua cabeça que não funcionava bem.
Dizendo isto, fez um sinal desenhado com chamas de fogo com os seus longos dedos degenerados pelo tempo e exposta às magias de Tsesustan.
Sorrindo, no entanto a tremer, suando por todo o corpo, mostrando o quanto receosa ela estava acerca deste feitiço, acrescentou com um tom fino e irritante:
- Por mais que nós, bruxas, queiramos, minha querida…Um quadrado não pode ser um círculo.
Que estaria ela a dizer…?! Não estava a dizer coisa com coisa. De certeza que estava medo daquele “amante misterioso”. A sério, nunca a tinha visto com tanto medo, e normalmente, o motivo da sua histericamente é pura excentricidade, mas aquilo era um medo de morte! Já tinha ouvido dizer que a esquizofrenia e as drogas tinham muitas vezes príncipio dos Anos 30 levado a Serpente de Fogo à loucura e à morte, numa dança de vários corruptos e perigosos entre ela e oficiais nazis; escândalos de triângulos no começo da Guerra Civil (1936-????...+∞) nas mais poderosas esferas da Resistência; catástrofes de atentados contra a sua vida, tanto do lado dos Bruxos como dos Cyborgs.
Mas o pior de todos estes crimes foi embarrilar os Nazis, não sei o que se passou, mas o que quer que ela tivesse feito, eles não gostaram da partida. É o seu maior pesadelo, e todos aqueles que habitam na Atlântida, quer sejam deuses ou demónios, conhecem o único ponto fraco da diabólica e valente mulher, que apesar de ter só um metro e cinquenta e cinco – uma estatura considerada minúscula para alguns oficiais da SPV que têm dois ou três metros de altura, o que é simplesmente uma mulher assim tão pequena meter medo a homens tão musculados que até parecem gorilas com cérebros do tamanho de amendoins – mete respeito e medo a todos.
A razão para a sua psicótica doença mental foi ter testemunhado um homicídio de natureza tão horrível e desumana aos dezoito anos de idade (ela nasceu em 1911).
Toda a gente o diz, e toda a gente sabe cá na Atlântida que os parafusos da bela e estranha mulher de noventa e quatro anos estão a cair de ano para ano.
Qualquer dia…Adeusinho razão! Fiuuuuuu…! Estás a perceber o que eu quero dizer, que qualquer dia ela fica com os miolos tostados. Ainda ontem estava a perguntar porque raio a Serpente de Fogo é assim ao jantar. E todos me responderam que ela tinha visto alguém assassinar a minha mãe. O problema é que parecia que sempre que lhe perguntam quem era o louco que nos fizera o favorzinho de ficar sem Katharina, ela desculpa-se com uma história qualquer que o maldito tinha-a ameaçado que se algum dia ela tentasse pôr as coisas a vir ao de cima, este voltaria para fazer a sua vida negra até a enlouquecer, e conduzi-la a um estado de demência incurável! Eis o pior medo da mulher mais valente de toda a Atlântida: de ficar mais louca que é!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Chave do Túmulo da "Besta"


O Dia das Bruxas é uma noite mágica, disso, ninguém tem dúvida, mas o que eu não sabia, é que seria assim tão reveladora para o meu passado…!
Um humano que queira ser bruxo morre três vezes: na vida mortal, na vida moral, e na vida espiritual, só assim, é que se poderá aceder à pior prisão: o Castelo Negro.

A "Pura Princesa Swerdinada Arco-ìris de Fogo" também tem defeitos.


Podia muito bem ser verdade como podia ser mentira, mas o que a Serpente de Fogo estava a fazer na sala não era ficção: gritava de agonia, tentando fingir que não tinha exactamente gritado com um dos servos dum dos seus amantes mais perigosos, e, durante um quarto de hora, aquela peixaria continuou, com ela a andar constantemente à roda, como se tratasse de um pião gigante, para por fim parar meditar nos seus erros.
Estava mesmo em sarilhos não achas? Os seus olhos encheram-se rapidamente de lágrimas, e, pegando irada num vaso de porcelana, atirou-o contra a estátua do seu pai, o grande deus Neptuno.
- Odeio-te, PAPÁ! – Berrou numa voz aguda irritada. – ODEIO-TE, PAPÁ! POR CAUSA DA TUA ESTÚPIDA PREFERÊNCIA PELA MINHA TONTA IRMÃ, ESTOU AQUI A MORRER!
Subitamente, uma voz feminina indagou nas sombras do salão vazio a rir-se:
- Olha só quem está com a mostarda a subir ao nariz? Mete-me dó, Vossa Majestade!
Ela virou-se nervosamente para mim, fixou-me com olhar terrível durante uns momentos, depois soltou uma risada aguda convencida digna de uma bruxa.
Saberia ela o sofrimento e curiosidade porque eu passava…? Tinha lido os meus pensamentos…? Talvez sim.
Que estaria ela a preparar com os seus caldeirões…? Tirou habilmente da sua minúscula mala de pele de cascavel verdadeira verde-escura uma fita métrica, e começou a medir a minha cintura como se quisesse saber se eu era gordinha. A fita longa de cores quentes em vez de centímetros tinha como unidade de medida pequenos caracteres atlantes que correspondiam ao destino de cada pessoa. Já tinha ouvido falar daquelas coisas chamadas “adivinha-métricas” numa conversa com a Sara, mas nunca pensei que existisse mesmo, afinal são tão caros que só para os destinos mais inúteis é preciso desembolsar cem euros!
A Serpente de Fogo percebe mesmo desta coisa da magia negra. Ao tirar notas das medidas exactas, e do meu negro destino – a minha cintura apontava para um estranho losango com duas rosas.
Depois, esboçou um sorriso misterioso, e começou a mexer continuamente, sem razão nenhuma, com um brilho estranho nos olhos azuis claros (já te disse que ela pode mudar a cor das suas íris, umas vezes para verde, outras para azul, outra para negro, e outras para vermelho de sangue!), na sua mala. O aspecto piramidal da pequena carteira do tamanho inacreditável de uma maçã deixava-nos a pensar como é que poderia ser possível guardar tanta coisa num sítio tão pequeno.
- Olhos de sal perturbados não ficam bem a uma bruxa bonita como a nossa querida e bela Jessica Von Tifon. – Comentou ela a atirar batons, gloses, estojos de maquilhagem, frascos de perfume de todos os tamanhos e formas. – Muito menos a uma duquesa da Bellanária. Por isso é que adivinhei que ias passar a noite da Magia Negra no Castelo Negro, além disso, tenho o dom de falar com os mortos.
Só ficou satisfeita até encontrar por fim num compartimento secreto da carteira verde-escura, uma chave do tamanho de uma semente de mostarda: uma horrível serpente azul indigo estava enrolada no seus adornamentos, devorando a sua própria cauda de escamas ásperas e secas, e o
aspecto da chave de prata com ouro era horrivelmente sinistro, com uma rosa de marfim incrustada no meio.
O pequeno objecto prateado brilhava na palma da mão escorregadia e hidratada da mulher qual um pequeno diamante raro.
Isto começava a ficar interessante…Os meus olhos viraram a sua atenção para a pequena maravilha.
Com a sua longa unha de bruxa do indicador, ela apontou para o raro utensílio. Parecia reluzir a sua luz vermelha de uma forma tão atractiva como diabólica.
Agora é que eu estava a somar as parcelas, aquela estúpida e o bruxo que andava sempre atrás de mim eram meros fantoches nos fios de outra pessoa mais inteligente.
Uma pessoa que tivesse neurónios suficientes para saber que a filha da filha mais velha da mulher do grande Duque Von Tifon teria uma certa influência e conseguiria para seu próprio proveito certos documentos importantes. Enganar um homem assim seria mais difícil do que eu pensava. Seria o meu padrasto o autor daquela palhaçada toda…?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Herzogtum Von Tifon...


Depois do grande contributo que todos eram para que o Grito da Verdade continuasse a ser uma realidade, aparece um novo Blog na minha lista de blogs que escrevo: Herzogtum Von Tifon (Ducado dos Tifon), um Blog que apresenta tudo o que há para saber acerca da família de Jessica.
Desde o preguiçoso e imortalmente arrogante gato persa Spiegel, até ao lado mais oriental da família.

A excêntrica família alemã mais louca de toda a blogoesfera está de volta, neste Blog, dedicado exclusivamente à Cidade Perdida e a “Eles”…


Não percam…! Em http://herzogtumvontifon.blogspot.com/

Um abraço, de todos os Von Tifon...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Comentários precisam-se (urgente)



Há sempre algumas pessoas nesta vida que pensam que a vida é algo efémero...Não é, é imortal!...

Por favor, atenção a todos.........! O meu blog e diário pessoal foi atingido por uma crise de falta de inspiração aguda.

Peço a todos os bloggeiros que, se quiserem ajudar, façam um inventário acerca do meu blog, um comentário geral de todas as coisas que viram e que personagens gostariam que se realçasse mais no blog....Um grande obrigado e beijo a todos.

Até 16 de Setembro, teremos este pedido acertado em primeira mão na minha agenda, mas se não receber nada, terei de fechar os dois blogs...

mais uma vez, muito obrigada pela vossa colaboração

domingo, 24 de agosto de 2008

Dia da Magia Negra em Cyborg Town (parte I)


As luzes das lâmpadas, ténues e enfraquecidas pelo nevoeiro, pousadas de dez em dez metros seguidamente no jardim que separava o caminho do metro do dos carros, plantado com bonitas árvores de cerejeira, iluminavam a bifurcação e o grande palácio do Cavalheiro e da estação de metro, mesmo atrás do Anel da Serpente, que era o edifício por onde eu tinha saído.
De resto, só restava como companhia a escuridão das esquinas e travessas labirínticas e apertadas pelos grandes edifícios negros da velha cidade cosmopolita, com alguns datados do século dezoito, que, certamente, faziam contraste com o gigante moderno governado pela SPV. No canto direito do ringue, havia também o Quartel-General da nova rival da centenária Serpentis Politza Vigitz: os SOS, ou, os Serviços Obscuros de Segurança, como são chamados ironicamente, fundados em ’95 pelo General B. Cá para mim, apreciar a diferença entre a antiga Faculdade de Letras atlante e o Hotel Anel é como distinguir um shot moranguito de aguardente: têm os seus nomes próprios, mas o sabor e a sensação duma enorme ressaca e prováveis vómitos é semelhante.
No entanto, é fácil perceber que, ao conseguir este palácio barroco – a velha faculdade que servia anteriormente para ensinar humanidades, línguas e letras – o General B ficou muito bem servido. Talvez até bem mais servido que o seu novo patrão, o Goldtheeth, que ocupava agora os sete andares abaixo do chão do Anel da Serpente. Não havia dúvidas que o hotel centenário, agora intitulado pelo povinho como Casa SPV, era maior que o Palácio Eleonora (eles aqui têm uma estranha mania de adorar a realeza, não achas?); porém, à semelhança das pizas, o gosto é raramente uma questão de tamanho ou melhor massa.
Lá ao fundo, no caminho à esquerda depois do imponente Teatro Parisiense, havia uma antiga auto-estrada que se dirigia para Sudoeste, para a Cidade dos Deuses. Enquanto que, à direita, se estendem, por vezes, alguns bruxos a caírem de bêbados, a meio da noite.
Essa estrada, sinuosa e rodeada de árvores frondosas – tão altas quanto o próprio arranha-céus que se destacava na avenida pelos seus 600 metros de altura – tem um desvio que dá para o sinistro Vale da Morte, e também para o Castelo Negro.
Aqueles pinheiros bravos emanavam já de si uma certa aura infernal, quanto mais o próprio terreno acidentado a dois quilómetros de distância ao olho nu dum bruxo.
Apenas a Lua Cheia alumiava o céu escuro, coberto por ameaçadoras e tristes nuvens azuis-escuras.
Kalixt já ia andando, a descer apressadamente as escadas bem polidas qual porcelana fabricada na Marinha Grande da entrada do edifício, mal disposto por ter falhado a sua missão, com as mãos retorcidas qual lobo submisso que põe a cauda para baixo, com receio que o seu senhor o punisse por tão humilhante fracasso, quando viu uma grande máquina preta à sua espera, aliás, a porta sinistra do longo veículo abriu lentamente, como se a própria e temida Morte estivesse à espera do Bruxo do Fumo, para o engolir num sono eterno!
O espesso e denso nevoeiro, qual gás prateado sonífero fazia com que as pessoas, principalmente as Fadas, os Deuses, e os Feiticeiros Brancos adormecessem à medida que a noite sem estrelas caía suavemente debaixo das suas insuspeitas cabeças. Era quase impossível ver um palmo com o tempo assim tão confuso, porém o bruxo sabia muito bem por onde ia. Que planos ele estaria a tramar…?
Este encanto prodigioso era naturalmente provocado pela atmosfera de magia negra do feriado, mas havia algo mais que pairava no ar. Mas o quê é que eu não conseguia perceber. Espreitei discretamente pela janela, para ver o que se estava a passar.
Utilizando os meus poderes, consegui ver o que se passava no carro.
O bruxo conversava sozinho, parecendo bastante arrepiado e desconfortável…?
As suas mãos suavam constantemente, como se falasse com o próprio Diabo, e desta vez, não era ele quem estava a fumar, mas sim o seu patrão – o padrinho dos Bruxos, talvez – numa boquilha mais arrepiante do que a do seu servo, com um fumo mais tóxico, outra ouvi uma voz vinda do Além, dum homem vestido com preto deitado numa cama especial negra de cabedal arranjada no luxuoso automóvel, qual rajá perto das suas odaliscas, ou melhor dizendo, perto do motorista que conduzia e do ganancioso bruxo do fumo. A sua voz soou-me tão gélida – decerto que seria o General B, reconheceria aquela voz metálica e aguda em qualquer lado – quanto um movimento dum perigoso glaciar, e sua dicção ameaçadora ponha-me os cabelos em pé:
- Não faz mal, você fez o que pude para ganhar a confiança da Fräulein Jessica. Arranjarei maneiras de o recompensar, e pode ter a certeza que serão generosas.
O ignóbil servo acenou apressadamente com a cabeça, trémulo e esboçando os dentes amarelos e podres qual hiena horrorosa que era, estendeu a mão ansioso.
- Sim, meu senhor! – Exclamou ele impaciente. – Agora…Voltando aos mil marks que o senhor me deve de salário atrasado…Não podia dar-mos aqui mesmo? Vá lá, pastéis verdes é o que não falta a Vossa Excelência…Eh, eh, eh, eh…
O dono do carro soprou propositadamente uma espessa nuvem de fumo azul-escuro mesmo à cara do outro bruxo. Pensando bem, até aposto que aqueles três eram de um sindicato de criminosos alemães qualquer que tinha vindo fazer uma “visita turística” para fazer um servicinho a um cliente que não lhes agradava nada. E o de voz de trovão com eco gelado seria o chefe. O manda-chuva, estás a entender?
Era o mais discreto, e o fumo misturado com a neblina era surpreendente doce e muito forte, qual…óregãos misturados com hortelã-pimenta.
- Paciência, meu útil escudeiro. – Interrompeu o de voz arrepiante. – Com o câmbio monetário e o passar dos anos esqueci-me completamente…
Subitamente, a feia carantonha quadrada do bruxo perdeu o seu característico sorriso sádico e funesto do costume e foi substituída
- Mas…Senhor, Vossa Excelência sabe muito bem que não tenho dinheiro nenhum para pagar a Liberdade Condicional. Os rapazes israelitas do Palácio das Reuniões já estão a desconfiar de eu estar a ser tão lindo menino e por ter pagado com as minhas despesas o seu bilhete para ir ter com as suas meninas sem que uma data de fadas lhe venha fazer a vida negra! – Explicou-se com ar preocupado.
Misterioso e cruel, o chefe da quadrilha soltou uma gargalhada sarcástica qual bode novo acabando por terminar uma batalha, refastelado no sofá, fumando satisfatoriamente o seu cigarrito “ocasional” preso pela boquilha como se nada fosse, e, ao estalar os dedos, para depois o frio motorista fazer levitar um saco de couro verdadeiro, a tilintar de moedas sonantes, eram tantas quanto o milho, e, pousaram no colo do homem, que logo as fez balançar num movimento como se fosse um pêndulo à frente do bruxo desesperado.
- O que são dois mil euros entre amigos, não é verdade? – Comentou cinicamente, rindo-se ao ver o quão desesperado o outro estava. – Não fique com essa expressão, o dinheiro não é tudo.
O outro bruxo começou a contar minuciosamente as moedas no saco com as suas mãos pequenas e afiadas, qual garras nojentas e amanteigadas de energia mágica pastosa de mulheres demónio, para caso o diabo viesse a tecê-las. Tinha razão, não ficando contente com a quantia, atirou a massa para fora do carro com as suas mãos oleosas.
- 500 Marks?! – Perguntou abismado. – Onde está o resto? Há trinta anos tínhamos combinado que se eu lhe safasse de todos os problemas públicos e privados acerca daquela coisa-horrível-que-não-se-deve-pronunciar-senão-morremos-todos, me daria mil marcos em moedas, e o que é que eu vejo? Metade! Metade das minhas poupanças para os meus filhos!
O da voz arrepiante apenas pôs as luvas ensanguentadas de cabedal áspero nas costas do outro, dando vigorosas palmadinhas nos ombros como forma de camaradagem, e soprou qual cobra cuspideira uma estranha seta de fumo que indicava para o arranha-céus. Havia algo de inquietante naquele bruxo que não inspirava confiança a nenhum dos outros dois, subordinados pessoais, mais novos que o chefão.
E, sinceramente, digo-te que eu também não gostei lá muito do ar arrogante e cínico dele quando o ouvi e vi, pelo menos a sua silhueta (estava tão escuro que nem dava para ver a cara). Aquilo cheirava muito mal, e posso-te dizer que não era do fumo do tabaco que os dois do bancos de trás inalavam, mas sim que havia qualquer tramóia ou conspiração contra a Atlântida, eu sentia-o nos meus braços com pele de galinha
- Digamos que os outros quinhentos marks só serão devolvidos quando você terminar uma… “tarefa facílima” que foi concebida especialmente para si. – Indagou o chefe dos três bruxos, fumando mais um pouco. – Seja complacente, em breve, daqui exactamente a quatro meses, terá o seu dinheiro de volta. Já para não falar nos extras que lhe darei finda a tarefa.
Estalando novamente os dedos, dirigiu-se para o motorista que estava nos lugares da frente, e apontou a boquilha negra a arder qual ponto de referência azul assustador para o próximo destino.
- Walter, podes ter a gentileza de acompanhar o nosso “convidado” até minha casa? – Ordenou o frio e estranho bruxo. – Certamente que ele deve estar exausto depois deste grande dia. Já agora, abre-me a porta para eu poder entrar neste edifício…
O bruxo do meio, espantado, apontou com um olhar vazio para o Anel da Serpente.
- Senhor, não quero ser mal-educado, nem desrespeitar a sua autoridade, mas esse hotel, a partir da meia-noite só recebe o General B ou o Capitão-mor. Com essas excepções, só mesmo o Presidente do PR é que pode entrar lá. Além disso, Vossa Excelência ainda está muito fraco para poder revelar-se....
Mas era tarde demais para outras conversas, e mal o bruxo do Fumo Sinistro ia acabar a frase, já o tal “Walter” pregara a fundo e deixara o seu amo a passear por entre a neblina, e desapareceu por completo, tal como o seu carro negro, deixando ambos um rasto de inúmeras perguntas, das quais o grau de dificuldade para mim era areia a mais para o camião. De que estariam eles a falar…? Com certeza o dinheiro envolvido era a maneira de ambos negociarem os termos para conseguirem os seus objectivos…E teria aquele bruxo alguma coisa a ver com o meu padrasto…?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tsuna Miyu Franziska Von Tifon


A minha meia-irmã, que é filha legítima do meu padrasto – tentar matar a própria filha, se há burrice maior do que esta, então não sei se ele estava mesmo bêbado ou muito furioso!
Até acho que o poço de virtudes dela é tão grande, tão grande, que ela já se deve teve afogado nele…!
Uma santinha do tamanho do meu polegar (e pensar que o meu Padrasto é um bruxo gigante), a Tsuna Franziska, com uma vozinha fininha, de rouxinol, com uns olhinhos oblíquos, bonitos, com, um nariz pequeno e pontiagudo, aquilino. Atrás das costas, carrega um aroma lindo, feminino, ondulado a pêssego, um néctar precioso no qual a saia cor-de-laranja fica-lhe perfeitamente bem, e, sob uma linda camisola amarela, ela voa, dum lado para o outro, arrumando as suas coisas para ir para a escola. É claro que a cinderela chinesa – isto digo eu na brincadeira com a minha queria maninha mais nova – não foi como na história do conto de fadas, e a madrasta bruxa Katharina adorou ter uma rapariguinha tão linda como enteada. Foi a mãe da Tsuna que pediu à Sra. Duquesa misericórdia, e para que salvasse a pequenita das garras do meu Padrasto, que não queria que a coitadinha crescesse nas mãos dum bruxo que sofre de priapismo – nem queiras saber o que é que é.
Contudo, ainda estou para perceber as razões (porque devem ser muitas) que levaram a minha mãe e a Serpente de Fogo a quererem fazer-se de Fadas Madrinhas de todas as infelizes que encontram pelo caminho. Pior que elas, só a nossa família a recolher cães de guarda.
Primeiro foi a mulher demónio Yokai, mas essa, essa, eu nem sequer tinha nascido e a Katharina era pequena demais para dar por isso, além disso, ainda estava em Londres. Depois a prima Solaris. Depois a Sara. Agora esta. Tsuna. Minha Nossa Senhora dos Mais Arrependidos, onde é que terão desencantado esse nome?! E dizer que eu já fico furiosa quando alguém me chama de Jessicazinha. O Hans um dia deu em chamar-me Janeca, mas as consequências foram tais que perdeu logo a vontade de repetir a graça. Porque eu cá refilo, faço cara de má, resmungo, dou caneladas, respondo torto só como eu sei. Mas esta não. Esta lê as Manhãs do Campo Atlante, tem noivo escolhido desde o berço e acha que o casamento é a melhor coisa do mundo.
Da Yokai, como acima referi, não me lembro lá muito bem dela, muito menos a minha mãe. De resto, a Serpente de Fogo também não gosta de grandes conversas sobre ela: passa a vida a chamar-lhe de mal-educada, malcriada e ingrata, e até tirou a fotografia dela, que estava em cima da cómoda do quarto privado da nossa respeitada Rainha, e substitui-a por uma pose horrorosa da minha Tia-Bisavó Rokorubi quando foi de excursão a Hiroshima.
A Sara, enfim, tirando as suas paixões diárias e sonhos de fadinha ingénua, e estes últimos tempos em que o Paulo lhe deu a volta à cabeça, segundo a família, não era má de aturar. Na escola, diz sempre que ela é a minha irmã mais velha. Acho mesmo que, se fôssemos da mesma família, até nos podíamos divertir imenso.
Mas esta. Que necessidade tinha a minha mãe de a trazer, uma vez mais, para cá? Tem pai, mãe, irmão (Xaninho, que horror! Como é que alguém pode ser irmã de um Xaninho e não morrer de vergonha?!), noivo escolhido (Meu Deus, como é que uma pessoa com treze anos pode pensar em casamento e não morrer de susto?!), casa imensa lá nas Índias, ou nos Chinos, onde moram, criados à volta, que ajudam a fazer e a desfazer as malas – enfim, aqui, também é assim, aparte do Xaninho e de noivo escolhido, excluídos, perfeitamente.
Mas não. A boa da Sra. Dona Duquesa Katharina Von Tifon teve logo de oferecer cama, mesa e roupa lavada assim que soube que lá nessas lonjuras e ásias por aí fora podia haver criados em terracota, mas não havia escola secundária para as mulheres. Preparatória, e toca a casar-se com o primeiro mancebo de olhos rasgados e a estudar o livro do Mao-Tse-Tung, ou lá como aquele comunista chinoca se chama, com muito tostãozinho e casinha quente para oferecer. Então a minha mãe lembrou, com tremidinhos na voz e lágrimas ao canto do olho o tempo em que ela e a mãe da Tsuna (Tsuna, que nome, como é que uma pessoa pode acordar todas as manhãs com este peso na alma?!) Eram amigas, e, por mor dessas antigas recordações (a infância, seja de quem for, comovia sempre muito a minha falecida mãe, quanto mais a sua própria, o meu Padrasto até foi forçado a dar uma fotocopia de quando ele era pequeno, pousando para a câmara com uns dez aninhos, “…um anjinho loiro com umas bochechas que a tua mãezinha era capaz de as comer todas…”, nas palavras da Serpente de Fogo). Aí vem a criatura de avião comigo até à Cidade dos Deuses, acabando por aterrar no quarto à minha esquerda, onde há-de permanecer por todos os séculos, até que se forme na Faculdade dos Bruxos e das Bruxas, em Cyborg Town.
A Sara também começou assim. Mas, segundo o primo Horus, ela tinha ficado órfã quando a mãe morreu mal a minha amiga tinha dez anos. Além disso, era afilhada do meu avô, havia «responsabilidades», como diz o Honestoffmann.
Começou assim – e acabou por encontrar o Paulo, sabe-se lá em que galáxia, com as suas borbulhas e o seu 5 em Poções na Universidade dos Feiticeiros.
Se isto não tivesse acontecido, se calhar ainda estava a viver em casa e eu não tinha agora de aturar esta convencida com um Lao de quarenta anos à sua espera lá na terra das Chinesices, e com um nome de peluche. Coisa que, por acaso, me faz uma urticária dos diabos. A mim e ao meu Padrasto, que, por acaso, ficou com receio que a sua filhinha ficasse em mau cargo dum dragão chinês de quarenta anos que mora no palácio celestial de jade, ou lá como aquilo se chama.
Estranho às vezes como coisas tão graves podem acontecer devido a pequenas coincidências, pormenores aparentemente sem importância. Se a minha mãe tivesse ficado em Londres quando tinha dezasseis anos, ela não teria perdido a virgindade com o meu Padrasto em Berlim, e, depois não se teriam conhecido. Se a Sara tivesse ficado na sua Floresta de Cristal de asilo e não tivesse ido trabalhar nesse dia, não teria encontrado o Giovanni, ou o Paulo, ou lá como ele se chama, não teria casado com um feiticeiro branco, o quarto ao lado do meu não estaria vago, a Tsuna não teria vindo.
A quantidade de «ses» que eu não podia agora inventar! Afinal, o Galileu está redondamente enganado: a Terra não gira em torno do Sol, a terra gira em torno dos «ses». Se os Portugueses não tivessem partido em busca de novas terras, não teriam descoberto, nem o Brasil, nem a Atlântida, nem a China, e muito menos o Japão, e não estaria-te eu a mandar estas coisas para o Blog. Se o meu pai se tivesse atrasado no emprego no dia em que esbarrou com a minha mãe na Avenida do Volta-a trás, eles não se teriam conhecido, eu não seria eu, seria outra qualquer. Se o parvo do Himmler não tivesse insistido em ver a Atlântida, provavelmente, nunca teria a Princesa Swerdinada, e, já estaríamos numa república democrática a esta altura do campeonato. Se Samiel não tivesse aberto uma pastelaria na Atlântida…bom, aqui é que eu já não estou muito certa do que é que teria acontecido – mas teriam acontecido coisas muito más, porque o professor de História está sempre a falar nisso. Mas é tudo muito complicado e no dia em que ele explicou melhor, eu estava com uma dor de dentes que nem via, e ralava-me lá bem com a pastelaria do Assassino do amor, ou com o nariz de quem quer que fosse.
Mas pronto, como diz o meu Padrasto, «as coisas são como são», e não há nada a fazer senão aguentar a rica prenda que me coube em sorte.