sábado, 29 de janeiro de 2011

Mais um dia...Sem Sara

Ninguém se lembrava de a ver tão bem-disposta de manhã, ainda a dançar com o ritmo da noite louca de Cyborg Town, enquanto se servia de um grande pedaço de bacon com ovo estrelado e salsichas alemãs gigantes molhadas em sangue de demónio com hortelã-pimenta e maionese.

Ela estava a cantarolar “Shoo, Shoo, Shoo baby”, enquanto punha os chinelinhos cor-de-rosa com laçarotes brancos às pintas verdes. Usava um roupão de noite com uma golinha verde-clara, enquanto o vestido mostrava a maior parte do seu corpo avantajado.

Nälden, que acabava de fumar um “Stella Marx” de morango e tabaco amargo com a sua cigarrilha, pôs um pouco de queijo nas orelhas, ao tirar um pouco de marmelada para pôr na sua sanduíche nutritiva de soja, atum e salada, olhou para ela um pouco admirado.

- Eh lá, Fräulein Katharina! – Exclamou ele, na sua vozinha efeminada, envergando um elegante fato castanho-escuro. – A menina vai arruinar completamente essa linha de deusa se continuar a comer dessa maneira!

A minha mãe, que não estava para meias medidas, arrancou um enorme pedaço do que havia de melhor da mesa comprida, decorada com uma toalha branca com águias douradas nas pontas e olhou para o coitado do advogado da família com um olhar de leoa esfaimada.

- E o que é que isso te interessa, ó flamingo escanzelado? – Resmungou ela, numa voz irritada, enquanto dava uma trincadela na salsicha. – O meu nutricionista disse que eu preciso de comer seiscentos e sessenta e seis quilos de carne por dia!

O Nälden nem disse palavra e continuou a beber com a palhinha o seu batido de leite com hortelã-pimenta.

- Já estou mesmo a ver que é preferível ouvir uma estação de rádio decente do que aturar as suas maravilhosas cantorias, tia. – Comentou o Primo Coutinho, ao mexer nos botões do rádio que estava na cozinha. E, apesar de ainda ter o seu strudel por comer, juntamente com uma cerveja da Baviera bem gelada, o meu primo, apenas com uns boxers azuis-escuros, continuou a procurar uma estação alemã. – Quero saber como é que está a Alemanha.

- Para que é que tu queres saber sobre a Alemanha, sobrinho? – Charlotte, a minha tia apareceu na cozinha, ainda sem o rabo-de-cavalo, com o cabelo encaracolado, negro e todo despenteado. Ela usava um robe roxo de veludo com um falcão dourado a segurar três fogos-fátuos, o símbolo da família.

A minha tia bocejou um pouco, enquanto começava por aquecer o seu leite pela caneca.

- Bom dia a todos…

Nälden e Couto disseram os bons dias, um pouco ocupados com as suas próprias coisas. O meu primo muitíssimo atento ao programa “Guten Morgen, Berlin” que estava a dar na rádio, nem sequer tocava na comida.

A luz da manhã entrava subtilmente naquele dia de Verão.

A minha mãe, como sempre, decidiu fazer pouco da minha tia, enquanto penteava o cabelo louro com as mãos compridas e longas. Deitou um olhar venenoso à irmã e perguntou, num tom trocista, inclinando-se sobre a mesa:

- Só acordaste agora, irmãzinha? – A voz da minha mãe estava mais mordaz do que o costume. Enfim, uma bruxa grávida não é problema nenhum para a nossa família. – O que é que estiveste a fazer ontem à noite? A fazer um assado de demónio?

A minha tia, que pelos vistos, também não era nenhuma santa, corou como se fosse um tomate e respondeu, um pouco aborrecida:

- Não tens nada a ver com isso, Katharina!

Havia algo muito esquisito no rosto da minha tia. Parecia que ela também tinha andado a fazer as suas traquinices durante a noite. Quanto ao meu primo Willem Couto von Tifon, esse permanecia com um ar preocupado, a ouvir as últimas que a rádio tinha para contar.

Com só quatro pessoas na cozinha – a maior parte dos criados se tinham ido embora, uma vez que eram todos de origem eslava – não se ouvia nem uma única mosca.

O palácio parecia estar desabitado, e, verdade seja dita, se eu estivesse a viver numa altura daquelas, talvez achasse que faltava algo muito importante lá…algo como um carinho familiar.

A pessoa que mais notava isso era, surpreendentemente, o mordomo e amigo inseparável do meu primo.

- O Château está tão silencioso sem a Fräulein Sara por aqui… - Repentinamente disse o mordomo da família, ao começar por acender outro cigarro. Continuava a comer, como se não fosse nada, o seu pequeno-almoço.

- E é bom que continue assim! – Respondeu Katharina, mal-humorada, que mal ouvia o nome da prima começava logo a ficar com ciúmes. – Aquela mestiça amestrada não faz cá falta nenhuma!

- Isso não é verdade, Katharina. – Disse Coutinho, finalmente sentando-se à mesa, com as sobrancelhas carregadas, pondo o guardanapo no colo. – A Sara tem sempre um lugar especial nos nossos corações. Mas se este sítio lhe traz más memórias, então é bom que ela vá descansar no Palácio das Reuniões.

Com um tom de raiva nos olhos, o meu primo continuou a remexer no bacon.

- Não consigo comer depois daquilo que disseram na rádio. Dizem que oficialmente, não há provas nenhumas que Heinrich Himmler ou Heydrich possam estar vivos! – A seguir, ouviu-se o esmagar furioso dos talheres contra o prato. O meu primo falava entre dentes enquanto os olhos dele tornavam-se vermelhos. – Como…?! COMO é que é possível que os Alemães possam ter sido tão CEGOS! Ai, mas se não fosse pelo escândalo, eu…

O meu primo estava quase a levantar-se quando escutou-se, sabe-se lá de onde, um ligeiro ronronar, quase assustado. Spiegel, o outrora gordo gato mágico da família von Tifon, tremia como varas verdes, escondido debaixo de uma das pernas de mogno escuro da mesa.

Estava muito magro, e o seu pelo, branquinho e quase tão fofo como lã, tinha caído quase todo. Segundo Charlotte, ele tinha passado aqueles anos todos a alimentar-se dos pássaros e dos perús que por vezes por ali andavam no jardim. Ou outras vezes, atacava a despensa do palácio, num andar abaixo do rés-do-chão: a cave.

Os olhos azuis, remelados do grande gato persa olhavam para os olhos piedosos do meu primo.

A cauda estava hirta, e cheio de medo, o gato quase que arranhou o meu primo, se não fosse o cheiro a cerveja e a óleo de máquina que o meu primo sempre trazia de quando andava de avião.

Cheirando um pouco mais com o focinho cor-de-rosa, o gato ronronou um pouco mais, até que o dono pegasse nele e desse umas gentis e leves carícias na cabeça.

- Oh, coitadinho do meu menino! O Spiegel teve saudades do Papá Coutinho? – Enquanto o meu primo dava festas ao seu animal de estimação preferido, a minha mãe começou a ficar verde de repulsa, com a mão na boca.

- Oh, por amor de Todos os Deuses, LARGA essa coisa imediatamente! – As palavras “coisa” e “larga” tinham sido pronunciadas como se fossem sibilos de uma serpente raivosa. A cara da minha mãe já estava toda vermelha por causa das alergias. – Queres pôr-me a vomitar, é isso?!

Agarrando no corpo frágil do pobre animal, o meu primo foi buscar um pouco de leite e atum em lata. Com uma precisão cirúrgica, abriu a lata, e pôs a comida numa taça especial de cristal que tinha, gravado, em ouro, a inicial S.

Enquanto tirava de uma das prateleiras uma taça de cristal, desta vez com um desenho em prata de um gato a beber leite e as iniciais “V. T. “ na base, o primo olhou com um ar reprovador para a minha mãe, que, apesar de tudo, era muito mais nova que ele.

- Não diga isso, tia, senão ele ainda fica ofendido! – Respondeu ele, ao chamar com o dedo mindinho, o gato, que, cheio de fome correu que nem um tigre em direcção ao alvo. – Lindo menino!

- É… - A minha mãe, ainda com a camisinha de noite transparente, cruzou os braços num tom irónico, ao acabar a refeição, com um ar de quem ainda estava com fome. – Bastava uns poucos centímetros a mais e o “lindo menino” até se parecia com o Tigre da Escuridão! Essa bola de pelo vai arruinar-nos!

Mas a minha mãe ainda não tinha terminado com o sermão. Apontando com as garras para a tal “bola de pelo”, ela acrescentou, num tom convicto:

- E depois não vou ser eu quem vai pagar as latas de atum!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Como eu (Jessica von Tifon) fui concebida

13-2-2005

Já imaginaram o que sentiriam quando descobrem que engravidaram a mulher mais malvada e que odeia crianças a pontos de as ver em espetadas em azeite? Bem, o meu pai sentiu isso mesmo, no pobre coração de feiticeiro checo, acabado de sair do Holocausto. Depois da guerra, em 1955… Sim, o meu pai era eslavo e então?

Vão dizer que os meus caracóis cor de carvalho vermelho e esta penca horrorosa são marcas indubitáveis da minha imundície? Pelo menos é isso o que a minha mãe não para de papaguear durante todos os almoços e jantares e pequenos-almoços.

Agora que conheço quem é que é a minha verdadeira mãe, tenho pena do meu pai, quando ele descobriu uma desgraça daquelas. Thomas Migntetiyte, da rica família dos Migntetiyte, primo afastado do grande checo Drahómir Migntetiyte.

Curiosamente parece que a única pessoa que não se importa com isso é o meu padrasto. Heydrich tem sido bastante simpático para comigo, nos últimos dias.

Mas falemos mais sobre essa história tão curiosa:

O meu pai tinha acabado de chegar de uma grande festa em honra ao facto de que o meu padrasto tinha sido descoberto e fechado no seu caixão de gelo. A verdade é que quando a maior parte dos judeus que viviam escondidos em Losjafhden durante aqueles anos todos (escondidos da Guerra e dos Nazis), quando eles descobriram que a razão que os tinha levado a atravessar um continente tinha recebido o castigo merecido, eles acordaram com os “grandes salvadores do Exército Vermelho” para fazer uma grande festa.

Foi um momento raro entre feiticeiros brancos judeus, checos, polacos e bruxos russos. Acontece que durante a festa, entre as danças, entre a galhofada, entre a alegre música tocada pelo famoso guarda ucraniano que tinha lutado contra Heydrich em pessoa, o Igor Andrysiak, houve uma grande distribuição de vodka, Frambinam e schnapps.

Igor – o tal distinto tocador de balalaica – ofereceu-se para fazer desatar a gargalhada em toda a gente e fazer uma cena de strip tease, enquanto imitava a voz falsete de Heydrich!

A festa chegou a ser tão incomodativa que até os muçulmanos que viviam na região decidiram juntar-se à ocasião. Volta e meia, eram chineses, eram italianos, eram japoneses, eram demónios, eram humanos, todo o tipo de macho que se prezasse em Cyborg Town começou por cantar, beber, e tocar instrumentos e dançar!

Até os verdadeiros bellantes, os que eram da descendência dos Astecas, decidiram entrar na pequena taverna que agora estava apinhada de gente.

Ninguém queria que um Nazi fosse o próximo Rei dos Bruxos, o governante do Norte e de toda a Cyborg Town.

Por isso, num momento único de convívio e felicidade, toda a Cyborg Town festejou a queda das forças do Mal.

Quando o meu pai saiu da festa, ele acompanhou uma belíssima senhora de cabelos louros e encaracolados até à saída. Era óbvio que ela estava muito mais bêbada que ele. E claro, vocês sabem muito bem o que acontece quando uma mulher está com a cabeça nas nuvens.

Ela nem o reconheceu. Nem ele a ela.

A maneira como Heydrich – sim, foi ele que me contou essa história, e não digas que é mentira, porque eu desta vez sei muito bem quem é a minha mãe. Mulher inocente e honesta uma ova!

Na hora em que ambos saíram da humilde taverna, já era meia-noite. Uma bela lua cheia parecia pintar o céu de dourado.

A minha mãe, uma mulher tentadora, quase que parecia a concubina do diabo, com aquele vestido azul-escuro que abria um grande decote em forma de V nos seus seios rechonchudos e rosados.

Com o cabelo desprendido de qualquer tipo de amarras ou arames, ela beijou, como se fosse uma sanguessuga, a boca do pobre Thomas Migntetiyte

- Seria uma pena não aproveitarmos esta noite tão bonita…! – Sussurrou numa voz quase rouca e que ela pensava ser sensual, ao passear os dedos longos e afiados sobre o tronco forte e cicatrizado do meu pai.

Com um chapeuzinho preto na testa – como se estivesse de luto – ela penteou com a outra mão, os cabelos em forma de espiral.

Ela deslizava como uma cobra, acompanhando os “passos de dança” do seu bêbado parceiro na pista que era a desgastada Travessa da Bruxa Vermelha. Agarrando na cintura como se fosse uma prostituta, ela despiu (despiu não é o termo mais correcto, mais rasgou!), naquele exacto momento as cuecas pretas com lacinhos cor-de-rosa.

Mostrando aquilo que qualquer homem quereria num momento como aquele, Katharina von Tifon abanou, como uma leoa, a sua enorme juba loura de cabelo.

- Viola-me, seu grandessíssimo comunista de merda! – Respondeu ela, em voz alta. Se o agente secreto do KGB, Thomas Mignetyte estivesse com o juízo todo na cabecinha, talvez não tivesse reparado no enorme rasgão que existia no vestido, a mostrar as pernas nuas e reluzentes, como se fossem entrecostos de frango.

Se ele estivesse com os parafusos todos no lugar, ele talvez tivesse reparado que aquela mulher tinha sido ajudante de um dos homens mais maquiavélicos que existiram à face da terra.

Mas aquela festa tinha sido mais doida do que o Dia das Bruxas. E como se diz lá naquelas zonas nortenhas de Cyborg Town: “foi só mais uma noite no Red Witch!”

Thomas Migntetiyte era um jovem demónio e um bruxo, aquilo que, nos países de leste se chama um vampiro! Os seus instintos da sua espécie, classe, e sexo já não se conseguiam controlar. Talvez seja por isso que eu tenho estes dentes horrorosos e fico sempre com olhos vermelhos nas fotografias.

Rasgando igualmente a sua capa de couro negra, ele atirou-se a ela como se fosse um lobo esfaimado.

Tirou as botas, à medida que a beijava violentamente! Ela respondia com igual competência, à medida que trocavam palavrões nas suas línguas.

«Maldita bruxa de uma puta nazi, eu odeio-te!»

Mas o ódio também é um sentimento. Ele forçou-a a ficar com a cara numa fonte, a água a encher-se de sangue. Embriagado com o álcool e com o sangue, ele agarrou-a pelos cabelos e prendeu-a com a cinta.

A pobre da minha mãe – que, pelos gritos histéricos de “mais, mais! És um grande maricas, não consegues fornicar a sério?!” estava e pelos risos loucos que saíam da boca dela, o cabelo molhado em sangue, as traseiras ensanguentadas, estava a divertir-se imenso!

Depois de chegar a um verdadeiro estado de orgasmo, a minha mãe, completamente imune às mordidelas do meu pai no pescoço, era quase irreconhecível.

O meu pai, satisfeito com o facto de ter tido uma grande noite – sem saber muito bem, ou talvez sabia – deitou-se ao pé dela, ao observar as estrelas, e levou-a para a casa dele.

A minha mãe estava estafada – mesmo para ela, aquilo tinha sido um grande esforço – e o meu pai, sonhando com o facto de, na próxima noite, a ver furiosa, aos gritos, a espernear, esboçou um leve sorriso malicioso.

É preciso dizer que o meu pai era um feiticeiro jovem nessa altura, gostava de pregar as suas maldadezinhas de vez em quando. E irritar uma bruxa nazi era um prazer para ele, tal como beber vinho do porto é um deleite para mim.

Com uma força espantosa, ele carregou-a ao colo e levou-a até ao Château. O meu pai quando a deixou, ali, estendida no sofá do átrio, ficou um pouco remorsos. Aquela tinha sido uma acção vergonhosa.

Mas o que tinha sido mais humilhante era ter sido como um escravo às ordens de um simples humano durante um ano inteiro!

Era a sua espécie de vingançazinha contra Heydrich e contra as coisas que ele tinha feito ao país que Thomas Migntetiyte considerava como a sua pátria: a República Checa.

A minha mãe, quando acordou, ali, deitada, como se fosse uma vagabunda, teve um mau pressentimento.

A minha família nem perguntou nada. Eles já sabiam como é que ela era. E, naquele momento, pouco restava da nossa família e que não estivesse na prisão: só Charlotte, Couto e Nälden a olhavam, um pouco desconfiados.

Contudo, havia um estranho sorriso no rosto da mulher, ao se acarinhar no sofá. Sonhando com o tímido, doce e apaixonado Reini, havia lágrimas nos olhos dela. Lágrimas de felicidade.

Parecia que se estava a despedir dele. Ele, que durante anos e anos, tinha sido o objecto da sua paixão, agora…Apenas o queria como um amigo! Mas agora, tinha de esperar mais cinquenta anos.

A verdade é que a minha mãe tinha tido o sexo da sua vida. Deixem-me ver… É, sim, ela teve a noite de sexo da vida dela.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não sei o que hei-de publicar----

Estava a pensar em como devem sentir saudades do Assassino do Amor....a verdade é que eu tenho andado a escrever, a estudar, a viver a minha vida....enfim, muita coisa.

Mas não é por isso que Rwebertan Samiel Di Euncätzio está "metido na gaveta", não, não...É só porque, ao conversar com umas amigas lá do Deviantart, descobri que ele é demasiado mau, até mesmo se é baseado naquele meu personagem histórico "favorito", como disse a minha amiga norueguesa. Ele não é politicamente correcto, não é, mas só vos quero agradecer por me apoiarem. Muitas vezes, até as pessoas mais compreensivas que eu conheci na rede - e não estou a falar de vocês - ficaram completamente doentes só de olharem para as coisas que ele podia fazer.

Eu ficava assim um pouco farta de lhes dizer - " Ele não é um vilão, é apenas um ser humano, como todos nós! "

É claro que não posso dar a desculpa do "conto da Bela e do Monstro" ou do "Fantasma da Ópera" , mesmo assim, eu posso assegurar-vos que o que estou a planear para Samiel é algo um pouco sangrento. Como sempre, ele dá uma lição ao leitor, e não nos esquecemos que após a suposta " heroína " (Airina, que tal como as outras, não é assim tão pura) ser salva, ele exige algo em troca. Desta vez, será o cargo dos seus alegados sobrinhos, Fen-Li (uma lindissima menina que aspira a ser uma importante fada na sociedade bellante) e Quing (um rapaz muito despachado que apesar de desconfiar do tio, não deixa de ficar fascinado e encantado pelos feitiços que o homem de trinta e tal anos sabe) .

O problema é que agora, como o Blogger não aceita que eu cole as minhas histórias do Word para aqui, eu não sei como é que hei-de fazer. A história de Airina, Fen Li e Quing tem no máximo setenta páginas e eu não estou com muita paciência para a passar para aqui.

Está a ser difícil eu escrever alguma coisa de jeito para o Assassino do Amor, e ele realmente não me está a dar inspiração nenhuma. Tenho saudades dos vossos comentários...Ainda por cima, a Sara não é assim uma boa "princesa aos tempos do Assassino do Amor" e o Heydrich também não desepenha bem o papel de anti-herói. Que posso dizer, ele não um herói, não é um vilão, não é um anti-herói?

Não sei mesmo como é que hei-de fazer: se postar coisas da Jessica, da Sara (os textos são um pouco mais curtos porque agora eu sei o que significa escrever online) ou do Mestre Samiel.


Que é que vos parece:

  • - Continuar as histórias do Assassino do Amor (sugestões, por favor!)

  • - Publicar uma pequena história sobre a Sara.... (não é assim lá grande coisa, mas pronto...)

  • - Ou, terceira opção, posso-vos apresentar o Ansgar Totensteger (um oficial Nazi que eu criei que trabalha para a divisão do Oculto e daquelas coisas "mágicas" nas SS )

  • Queria falar mais sobre a Katharina von Tifon , porque acho que é uma das poucas personagens que dou menos atenção.

  • A Jessica von Tifon........

  • A SPV (Polícia Secreta de Vigilância) e o sistema hierárquico dos Bruxos na Bellanária - há coisas que eu podia dizer dos bruxos que encheriam uma página no minimo!


Muitas coisas .......a escolha é vossa!

domingo, 10 de outubro de 2010

O Dia de Todos os Deuses (special Feriado Nacional)

Queria postar isto no feriado, mas não deu...... é claro que isto é para dizer que eu acho que feriados, é só para descansar, não para ouvir discursos estúpidos e demagógicos, que a maior parte de todos nós sabemos que nunca se vão realizar, ou que são mais ameaças!

Diário da Jessica, 10-10-2010


Por mais que "puxe pela cachimónia" - usar a massa cinzenta, pensar profundamente num assunto - não sei que hei-de falar, ou se de um dia nacional para a Bellanária. Cá para mim, os Bellantes têm demasiados feriados. Mas....isso deve ser mais cá do Norte do que lá do Sul, porque os homens Tienenses (os rapazes de Cyborg Town) são mais perversos do que os da região Sul da ilha principal. Mesmo que estejamos apenas a umas semanas longas do Dia da Magia Negra, já estou a ver aqueles pósteres sujos das mulheres metade nuas, metade pouca-vergonhas. Claro, as pessoas podiam dizer: "...mas...quem tem mal uma pessoa se divertir de vez em quando?..." Claro, eu não me importo nada com a festa do Dia da Magia Negra, mas quando vemos que, antes do Dia da Magia Negra, vem o Dia de Todos os Deuses, ou mais propriamente, o Dia de Bilafassabnsair, que por vezes, coincide com o Dia de Todos os Deuses ou com o Dia da Magia Negra. O Dia de Todos os Deuses é o dia - de acordo com o antigo calendário azteca, de meses com vinte e um dias, - em que os deuses se juntam aos humanos e festejam o facto de os terem conduzido às Ilhas Bellantes.

Os Deuses - ou bruxos e senhores da Magia vestidos como eles - dão prendas às crianças naquele dia, enquanto que as mulheres solteiras tentam convidar os deuses masculinos para passar uma noite de alegria com eles. A maior parte dos homens bellantes que não sabem magia limpam as ruas antes dos deuses chegarem às cidades e às vilas. Os rapazes e as raparigas, a partir dos.....deixa-me cá ver se me lembro - treze anos, têm de jejuar, ou seja, a gente só pode comer 1 tortilha durante o Dia de todos os Deuses. A nossa família, como antiga imigrante alemã, surpreendentemente, liga imenso a esta tradição, e hoje não foi excepção. A Serpente de Fogo lá teve que fazer um esforço "hérculeo" para não comer mais do que era permitido, enquanto que o Nälden, o Primo Coutinho, o Hans, o Fritz e o Skánvasse limpavam o Palácio a pente fino, e isso significa que limpavam mesmo. Arrumavam as coisas, não deixavam uma única mancha de pó, enfim...! As mulheres mais velhas - as fantasmas das minhas avós - queriam que eu fizesse o obséquio de ver se havia algum camponês, servo dos Duques von Tifon, que se dispusesse a oferecer o seu sangue quando os Deuses chegassem. Pelos vistos, ninguém quis.

A meio da noite, os deuses chegaram. Os homens mais velhos - que pelos vistos, eram só o meu primo Coutinho, o Tio Honestoffmann e o Tio Maximilian - dançaram a Dança dos Homens mais velhos, ao velho estilo bellante, cantaram e tocaram...Enfim....uma coisa muito hilariante. As crianças receberam e comeram os doces que quiseram à meia-noite.

E quanto à Swerdinada Serpente de Fogo e ao Primo Coutinho? Tiveram que dormir separados! Só por isso adorei este feriado. Pelo que vi, o Dia dos Deuses é para os casais: jejum, rezar, jejum, respeito, rezar, jejum, repeito! Por todos os Deuses, eu fiquei um pouco sozinha sem o Pedro também. Mas isso não importa. Vou vê-lo no Dia da Magia Negra daqui a umas semanas!


O meu padrasto não apareceu...talvez ficou com medo dos deuses...! :D

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma manhã atribulada - Ledi Jessica, a Bruxa do gelo


Estava à espera há muito tempo, e isso punha-me nervosa. Se queres que te diga, aquelas pinturas bellantes tinham-me assustado mais do que os acontecimentos da noite anterior. E, no entanto, estava tudo muito calmo - se ao menos, o quarto fosse frio, vazio e sombrio, sem janelas, poderia-se compreender que eu estivesse com medo. Mas estávamos num quarto luxuoso, cujas lâmpadas e cortinas conseguiam muito bem reflectir a luz diurna que vinha de lá fora. As minhas orelhas conseguiam captar o barulho cristalino de água a correr pelas altas montanhas que cercavam o Vale da Morte.


No chão de mármore verde-claro, estavam ilustradas lindas ninfas, de corpos elegantes, quer verdes cintilantes, quer azuis de safira, quer de ouro, a passearem por entre aveleiras, carvalhos e castanheiros antigos, já de séculos passados. Elas voavam, tal como a minha imaginação, e deixavam que os seus cabelos morenos, ruivos e aloirados, se prolongassem como espirais encaracoladas e fios ricamente esculpidos nas paredes, como pequenas decorações da perfumada suite.


Fadas...Há milénios que elas têm sido as musas e os tesouros perdidos da Bellanária para muitos feiticeiros. Extremamente femininas, elas fazem com que o mais duro e implacável de todos os Bruxos se torne num ser delicado e doce para com as mulheres comuns. Alguns Kolmanatries - os feiticeiros poetas do Norte da Bellanária - dizem que a "Mulher Bellante" é como uma fada: recatada, ela esconde-se atrás de uns arbustos dos matos da Floresta de Cristal, os seus longos cabelos negros a pender deliciosamente, tal como as vinhas no tempo da colheita, sobre as árvores, com um sorriso infantil e inocente. De pele morena, a "...Bilafassabnsair, a Representação da Mãe Bellante..." era igualmente acariciada na barriga e nas traseiras por um feiticeiro com um espelho de obsidiana como escudo e uma lança de safira como arma. A Lua de Mel do Senhor Tezcatlipoca - o tal feiticeiro, de botas pesadas, negras e tão brilhantes como a noite com estrelas - e da Senhora Bilafassabnsair era o tema principal da decoração daquele maravilhoso quarto. O sorriso apaixonado, quase voluptuoso do homem ao pegar nas partes proibidas da mulher, ela a ceder cegamente aos desejos dele com um ar um tanto tímido, mas ao mesmo tempo, encantado, era de meter-me um pouco nojo. Quer dizer, a deusa praticamente se oferecia, com o corpo nu de Vénus renascentista, ocultado pelas aveleiras, pelas vinhas de maracujá e de uvas, rodeada de flores. O homem, com um ar sombrio e impulsionado por uma luxúria impressionante, com os olhos verdes a brilhar, parecia querer ir ainda mais longe do que aquelas brincadeiras. A sua túnica verde-escura, o seu aspecto bélico e masculino contrastavam bastante com a fragilidade e pureza da natureza que rodeava as duas divindades. Enfim, os bruxos têm cá umas manias de pintarem a sua supremacia sobre a natureza. O deus do Destino, que vê e pune todos os Seres Humanos, aquele que simboliza a dualidade e a crueldade humana, a babar-se pela personificação da Mãe Bellanária, pela natureza e pelo amor...!


A suite era ampla, e, no canto esquerdo, a rodearem as portas brancas que davam para o quarto-de-banho, existia uma grande escultura dedicada à deusa Bilafassabnsair e às suas irmãs, Arundahti, Shamanarta, Swertyhina e....e já não me lembro de outras deusas bellantes que possa enunciar. Será a beleza feminina bellante assim tão eterna?... Franzi o sobrolho, céptica, ao pôr os braços cruzados. Eu achava que não.


De um violino e de um piano, saía uma melodia perfumada em pêssego e a cerejas frescas. E como é que um piano e um violino podiam estar a tocar, se não existiam mãos humanas que os suportassem, digam-me lá...? Bem, isso é que eu também não sabia muito bem como havia de o explicar, mas de uma coisa, eu tinha a certeza: o inferno não era!


Senti-me ensonada pela belíssima música, mas tentei resistir à tentação de ouvir mais uma nota... O meu padrasto nunca gostara de mim, porque se daria ao trabalho de me instalar numa câmara como aquela...?


Ao percorrer as portas de cristal da varanda, reparei que estavam fechadas à chave. Tentei fazer um feitiço para as abrir, mas em vão...Aquelas portas estavam mesmo cerradas por um cadeado mágico de ouro. Porquê?! Porque é que me tinham fechado num confortável quarto sem ventilação nas melhores condições?!


Fiquei um pouco curiosa; afinal de contas, lá estava eu num quarto digno de uma suite de hotel, porém, era como se fosse uma prisioneira! Um quarto verde-claro, iluminado, com música ambiente, e um perfume estranho, que me dava uma grande vontade de cair para o lado, sem razão. Ao bater contra as janelas de vidro, vi que também estavam reforçadas com um feitiço. De certeza que lá fora, ninguém me ouviria!


Subitamente, escutei uma risada sinistra:


- Não te preocupes, minha querida Jessica...tudo irá acabar numa questão de minutos!


De imediato, reconheci aquela voz, vinda de não sei onde: o meu Padrasto! Tinha-me atraído para uma armadilha! Aquele homem, do qual eu só tinha ouvido a voz, já me metia medo até à porta dos cabelos ruivos encaracolados! Mesmo assim, tentei ficar calma, não sabendo o que iria acontecer. Entretanto, o violino e o piano começavam a tocar num ritmo alucinante! E a cada nota, mais estranha eu começava a sentir-me. Apercebendo-me do perigo que corria, tentei ver aonde e como é que aquele psicopata me iria matar. Sim, porque ele só poderia estar a falar de morte quando pronunciou o verbo "acabar". Apesar daquilo me dar arrepios na espinha, tentei ver aonde é que vinha aquela sensação. Ao me aproximar do violino e do piano, tudo se tornou mais turvo. Da minha boca, começou a sair uma série de tosses compulsivas e horríveis, secas.


Arregalei os olhos, paralisada de nervos. Gás?! Ele queria matar-me com gás?! Parecia um daqueles filmes de terror horrorosos que normalmente, eu evito a todo o custo. Porque é que aquilo não me espantava...? Que tipo de homem põe cristais de gás no seu violino? O meu padrasto dever ser um desses homens! Pálida de terror, tentei concentrar toda a minha força para criar uma bola de água. Sabia que tinha de ser gelada, senão, os cristais derreteriam facilmente. Tinha de saber a que ponto aquele gás se transformava em gelo, o que seria muito fácil, se ao menos eu soubesse o nome do maldito elemento. Com a minha energia, formei uma bola de gelo para atingir o violino. Com um ar extremamente preocupado, fiz pontaria e atirei a primeira. Após umas três simples bolas de gelo, o gás congelou, formando pequenos flocos brancos a cairem em toda a sala. Parando-os com a minha magia, e arrumando-os com o bloco de gelo, susti a respiração, para formar uma bola de gelo para quebrar as janelas.


Contudo, não conseguia fazê-lo! Estava demasiado fraca. Felizmente, o gás estava concentrafdo numa só massa de gelo, e demorariam alguns minutos para que derretesse. De olhos arregaladeos, ao levantar bem alto o cristal, quase que pronunciava um palavrão. Maldito padrasto! Agora é que ele me tinha deixado furiosa! Como é que alguém poderia armazenar tanto ódio num coração?! Tentei pensar porque raio ele me quereria matar. Porque razão um homem como ele - um homem, já de si poderoso - queria que eu morresse.... Para me silenciar, talvez...Ou se calhar, por puro sadismo! E aquele gás...aquele ambiente....porque diabo teria ele escolhido um ambiente tão agradável...? Quanto mais pensava nisso, mais a ideia que o meu padrasto é um louco persistia na minha cabeça.


De lábios retorcidos, atirei a porcaria da bola para bem longe, causando uma explosão de fumo cor-de-rosa, com manchas amarelas e verdes. Nessa altura, pensei que ia desmaiar, mas o meu corpo era muito mais forte do que eu pensava! Aliviada, descansei a cabeça sobre o corredor da varanda, apreciando as últimas cenas pintadas de cores castanhas e vivas do Outono, que se despedia como um amante se despede da sua amada quando parte para a guerra. Respirando o ar puro da montanha, eu vi que a perversa nuvem de gás tinha igualmente desaparecido com o vento. Nessa altura, fiquei ciente do meu próprio poder. Ajeitei a longa cabeleira ruiva e encaracolada, à medida que punha o meu casaco de malha com um ar decente. Tinha encontrado as minhas roupas, e, agora, os meus olhos verdes brilhavam como se tivessem uma ligeira tonalidade de azul. Com as pernas esticadas e pousadas mesmo na beira da varanda, eu reparei que dois soldados apreciavam a figura das minhas curvas...já para não falar dos meus caracóis. Assim protegida contra o vento, eu assemelhava a uma figura mais nova da minha mãe, embora eu a sempre ache um pouco coquette demais nas poucas fotografias que tenho dela.


Muitas pessoas dizem que sou a cara-chapada da minha mãe, e pelos vistos, aqueles guardas até me confundiram com ela, ao se ajoelharem, num tom muito respeitoso, mas um pouco cobarde. Tirando os chapéus, eles beijaram a terra suja e enlameada, à medida que olhavam para a varanda, assaltados por um estranho nervosismo.


- Prosti nas, prosti nas, Ledi! - Ora mas que incómodo! Revirei os olhos, aborrecida. É que no Vale da Morte, parece que a maior parte das pessoas só fala Russo! Não podiam ao menos aprender um pouco de Bellante?!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O "Lúcifer" da História da Bellanária



http://www.4shared.com/audio/F37qC9au/Tchaikovsky_-_Marche_Slave.html



Na Bellanária, há quatro línguas principais: uma versão antiga do mandarim misturada com o japonês, o Nahuatl Bellante, o Russo e o Alemão coloniais. A quinta língua, o Grego, quase não se fala, de modo que as Crónicas da Lógica e do Tempo tenham versões muito diferentes. Na versão russa, o Assassino do Amor é conhecido como o "Mestre de todos os Feiticeiros", enquanto que no alemão, o Mestre Samiel é apenas um vilão sádico e que consegue fazer magias impressionantes e quase terríveis. Na versão original, ou seja, no mandarim-japonês, a personagem continua a ser um anti-herói, combatendo tanto mulheres como homens, não descriminando deuses de demónios. Alguns conhecedores afirmam que Rwebertan Samiel Di Euncätzio pudesse ser budista - uma vez que foi ele que trouxe a imagem de um deus único como Tsesustan, um asceta guerreiro - mas isso seria impossível, uma vez que na versão original, Samiel diz que toda a religião é um produto da mente fraca e humana. "É verdade que o fenómeno do Karma - o destino que nos pode influenciar em vidas futuras, passadas e presentes - existe, realmente para mim, mas isso não significa que adore deuses. A única coisa em que acredito é na aspereza do homem e, com a sua inteligência, este pode vencer qualquer obstáculo! Não precisa de nenhum deus para o fazer, a lógica e os seus instintos são a única coisa que o verdadeiramente guia. "



Deve ter sido por causa disso que os europeus consideram Rwebertan Samiel Di Euncätzio como "diabólico" ao desafiar a própria autoridade divina. Mas quem é que já não a desafiou?...



Só queria mostrar através da minha experiência nesta personagem que ele não é diabólico, nem ateu, nem budista, nem que acredita em outros deuses. Ele é apenas uma mistura do pior lado do ser humano com um toque do fantástico, um homem capaz de desafiar até os mais hipócritas, os mais poderosos, e tentá-los até a um poço de escuridão e de humilhação. Digo-vos, se o Assassino do Amor realmente existisse no mundo actual, tenho a certeza que muitos políticos e criminosos e outros capangas já estariam por detrás das grades, ou, pior ainda, mortos, mortos por uma força misteriosa e sinistra. A verdade é que seria ele quem governaria o mundo, porque, na minha visão de ser, seriam preciso mesmo "criaturas divinas" para parar aquela força da natureza fantástica, aquele cálice de vinho envenenado!



O que eu quero dizer com isto é que, quando criei pela primeira vez, o Assassino do Amor, pensei nele como um Heydrich do mundo antigo...O resultado é sempre um banho de sangue, tanto bons como maus a estremecer, um pouco aterrorizados ou pela morte, ou pela vida. É verdade que ele salva muitas vezes criaturas desprotegidas como Claudinitiana, mas também exige algo para si. Ele não é uma personagem muito hipócrita, diga-se de passagem. Se o compararmos com outras pessoas reais ou outros personagens, ele quase age tão naturalmente quanto um furacão ou uma onda gigante. Apanha tudo e todos...! Para mim, ele não é a pura fonte do Mal, mas sim , a fonte daquilo que o ser humano tem de mais cruel e rude e gélido.



Como ele provavelmente diria: "A hipocrisia é uma bondade polida com cera de vela estragada", e ele jamais seria bondoso...isto se o convisse.



E agora, para terminar, quero dizer que vao haver novas histórias dele. Provavelmente no Grito da Verdade, mas desta vez, não tem só a ver com uma princesa ou com uma sereia perdida, mas sim com a família dele.



A mãe de Quing e de Fen-Li, uma pobre mulher assolada pelo cancro, envia os seus queridos filhos para longe da corrupta e grande China, aos cuidados de um estranho samurai de nome Rafael. (Vocês já o conhecem, é o Rafael Ishikawa, das histórias do Assassino do Amor) Ao cuidar durante meses e anos dos rebentos, o velho japonês começa a ganhar uma grande afeição pelos pequenos, e à medida que se aproxima a altura de os entregar a um longínquo tio afastado, ele apercebe-se que as crianças são muito dotadas - um rapaz que tem uma serpente como animal de estimação e melhor amigo, uma menina que consegue voar através de umas asas douradas nas costas - e pergunta-se se estas crianças não serão filhas de uma bruxa.



Fen-Li, uma beleza impressionante, é uma menina muito curiosa dos seus nove, oito anos, mas que, sabe-se lá como, consegue encantar qualquer homem. Quing é um rapaz muito rebelde dos seus treze anos, resmungão, violento que, em cada terra, tem uma estranha solidão e não consegue arranjar amigos rapazes. Contudo, é talentoso em manejar uma espada e utiliza as artes marciais como nenhum outro rapaz da sua idade.



Embora Rafael tente manter a calma, ele atinge o ponto em que desiste da sua missão de proteger as crianças, quando descobre que o tal tio deles é Rwebertan Samiel Di Euncätzio, nada mais, nada menos que o Assassino do Amor.



Mas este velho samurai terá uma surpresa e começará a perceber a compaixão humana precisamente através de uma princesa filha de demónios, chamada Airina.



Tudo isto, em breve, no Grito da Verdade. Esta é uma das histórias que me deu mais prazer a mim escrever. Antes mesmo de vocês pedirem para mais histórias sobre o Assassino do Amor, ela já estava pronta - a história. A caneta quase descia ao sabor dos meus pensamentos, e, o fim, embora que dramático e sanguinário, mostra, uma vez mais , o horror e a beleza da natureza humana.



Deixar-vos-ei com uma imagem de um "típico vilão mal-feito" (só espero que não seja esse o meu caso) e com os dois vilões reais da História da Segunda Guerra Mundial, dois dos protagonistas do Holocausto, Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, mais uma vez arte de Phobs . phobs.deviantart.com e com uma música que me dá sempre inspiração, uma marcha de Tchaikovsky.



Auf-wiedersehen, goodbye, so soon, adeus e um abraço, au revoir, Do Svidanya! ;)





P.S.: Eu sempre indico as fontes das coisas em que me inspiro, não roubo, imagem de PrinzessinHeinrike, artista alemã do deviantart. Roubar é crime, e se não querem que o Assassino do Amor apareça em vossa casa e vos saúde com uma salva de tiros, é bom que não o irritem e o roubem para o vosso proveito!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os Filhos dos Três Deuses....




Segundo vários pergaminhos e lendas bellantes, as crianças de segundos casamentos da Trindade Bellante - Tsesustan, Tezcatlipoca e Jetwas - são consideradas como as provocadoras de todo o Mal, os tentadores. Mas também são eles os heróis de muitas histórias e aventuras fantásticas.






O Castelo Negro estava recheado de pinturas nas paredes a referir a muitas dessas peripécias, as várias Guerras dos Dragões, dos treze filhos de Jetwas, metade dragões, metade humanos, dos dois filhos ilegítimos de Tezcatlipoca, de Lefnig - a Sombra, filha ilegítima de Tsesustan - e de Baladeva, o Poderoso Deus, filho de Tsesustan e de Swertyhina, que se conseguia transformar num cisne branco e esmagava demónios com as suas próprias mãos.



Eu nunca fui lá muito fã desses deuses. Primeiro, porque são histórias muito assustadoras, segundo porque o Pedro é sobrinho de Tezcatlipoca, e que eu saiba, ele nunca me disse que sabia voar ou levantar coisas que tinham cem vezes o seu peso! O Pedro é só um rapazinho que, no meio da Bellanária actual, vende doces e outros pastéis.



Mas é claro, as minhas colegas têm sempre de ficar caidinhas por homens fortalhaços, aqueles guerreiros que se pavoneiam pela Cidade dos Deuses a marcharem, de tronco nu, com os apretechos todos dos antigos "uniformes aztecas" do tempo em que a gente ainda falava Nahuatl. Eu estou a falar dos soldados da SPV, a Polícia de Vigilância da Serpente, aqueles bruxos horrorosos que se acham ser filhos dos Naga - os tal treze filhos de Jetwas, que produziram essa raça maldita e "suprema"!



É só haver uma marcha em Cyborg Town, que as minhas amigas começam a derreter todas. Já ouvi dizer que a farda faz o homem, que o poder é um potente afrodísiaco e tudo isso, mas aquilo é demais!



Enfim, eles que se entretenham com os tais carnavais, eu não sou dessas. Eu estou aqui para estudar magia, (ter de aturar mais uma vez algum professor) e, é claro, ver se o meu padrasto anda à coca.



Mas cá estou eu a divagar, divagar e divagar, quando vos devia contar o que é que aconteceu comigo no Castelo Negro,...ou se calhar não devo...Bom, se quiserem saber, eu não vos censuro.





Respirei bem-fundo, à medida que conseguia livrar do empecilho daquele feiticeiro novinho de túnica e branca, vi que o meu quarto estava decorado com várias histórias sobre os Filhos do Deus do Perto e do Longe [Tezcatlipoca] e uma delas passava-se naquilo que é agora o Districto mais a sudoeste da ilha principal Bellanária, a Zona Manuelina. Este districto chama-se assim porque foi consquitado pelos Portugueses em 1500, e logo foi recuperado pelos filhos de Tezcatlipoca em 1600. Cem anos de cultura portuguesa fizeram com que os portugueses tentassem fazer o mesmo que os Espanhóis fizeram aos Aztecas no actual México. Mas, desta vez, falharam. Acontece que as gentes daquelas pequenas costas bellantes eram muitissimo devotas à fé e ao Império Bellante, e assim, com ferro e fogo, conseguiram, com tudo o que tinham, expulsar os portugueses.



Em 20 de Setembro, comemora-se esta independência da província da Zona Manuelina, mas que ficará para sempre com este nome. É uma pena, porque o antigo nome também era muito bonito: Costa dos Montes de Bronze. Como se pode calcular - e aí, eu fiquei muito espantada ao ler aquilo tudo que estava escrito nas paredes bellantes, pois aquilo que vos estou a contar foi aquilo que li através dos códices pintados nas paredes daquele maravilhoso quarto - os bellantes daquela região tinham uma terra fértil em esmeralda, jade, bronze, obsidiana e cristal. Por isso mesmo, aquela terra atraía tanto a cobiça alheia. Os Portugueses diziam que era para espalhar a fé cristã, mas a verdade é que só queriam encher os bolsos e destruir a linda cultura bellante.



Dizia a lenda que o filho de Tezcatlipoca - já não me lembro do nome do filho - tinha, com a sua flauta de bronze, expulsado os portugueses várias vezes das terras da Costa dos Montes de Bronze.



Uma história muito épica, sim senhor. Parecia mais uma versão da época dos Descobrimentos da Batalha de Stalinegrado ou da Batalha de Little Big Horn: contra uma força desconhecida, os portugueses avançaram que nem vespas furiosas, desconhecendo as estratégias fabulosas do exército bellante. E não, não houveram nenhuns prisioneiros nem mortos por parte dos portugueses. A verdade é que os Bellantes tinham uma técnica: assustavam com as suas armas mágicas e os vários estratagemas que tinham aprendido dos japoneses e dos vikings. Contudo, nenhum deles queria matar um único português sequer. Segundo as pinturas que eu lia, muito perplexa com tudo aquilo, os portugueses "não tinham corações demasiado puros para serem sacrificados". Eles preferiam cortar as cabeças, para ver se os portugueses "tinham juízo suficiente no coração." Um acto de mera piedade, ou uma mera diversão pueril para os guerreiros bellantes, que, com os seus tambores, gargalhadas agudas e graves e cânticos espantosos e poéticos, conseguiam assustar o enorme exército Português.



Os portugueses, por seu lado, tentavam atirar o maior número possível de balas, mas era quase impossível acertar nos esquivos bellantes, que mais se pareciam com acrobatas do que guerreiros e que feriam, de um só salto, cavaleiros, um a um, numa questão de segundos. Penas voavam, cabeças eram atiradas para o chão. A frota portuguesa lá tentou ajudar, mas não valeu de nada. Umas quantas flechas explosivas neutralizaram por completo os sofisticadissimos canhões portugueses.



Em terra, um ambiente cinzento e desolado vivia-se nas tropas portuguesas, que, aterrorizadas de medo, decidiram fugir. E havia uma frase em português que dizia: "Fomos Expulsos pelo Diabo deste inferno, e Se Deus tivesse piedade de nós, Nunca teria permitido tantos Feridos!"



Fiquei parva perante esta narração sangrenta. Os bellantes não mataram ninguém, apenas deixaram os portugueses feridos, aí, sem mais nada, sem cura. Isto é pior que matar alguém. Mas não sei, julguem vocês. Talvez eles pensassem que os portugueses não mereciam ser escravizados, muito menos mortos.



A única coisa que fiquei admirada é como o Pedro pode ser sobrinho de um tio como aqueles. Não sei...sinceramente...não sei.



Fiquei tão emocionada que, depois de ler aquilo, voltei a deitar-me na cama. Segundo as testemunhas portuguesas, muitos soldados portugueses desapareceram. Na opinião dos bellantes, os portugueses tentaram deitar fogo aos templos, mas não conseguiram. E a verdade é que os templos ainda estão ali....!