quinta-feira, 12 de abril de 2007

19-09-05 - A Família Von Tifon inteira e em carne e osso!

Ora muito bom dia, amiga!
Para começar, querida amiga, acho que também eu estou a ser vigiada por um bruxo, mas ele que puxe o brilho à bolinha de cristal, porque com certeza que deve ter coisas mais interessantes para fazer do que ter-me debaixo de olho. E cada vez mais estou convencida que a maior parte dos Bruxos são Alemães, ou Cyborgs, não que os Portugueses sejam fracos e tenham os seus crimes de magia negra, mas é que realmente, só os Terroristas, e os senhores da Europa poderosos são os que têm energia suficiente para fazer tais maldições. Então os Americanos…
Não, não sou xenófoba nem feminista, mas…Não, os Alemães não são sempre os culpados, além disso, qualquer feiticeiro pode se tornar em Bruxo num instante.
Realmente é um caso digno de discussão, e talvez já o tenha dito ao Primo Horus e ao Tio Set. Nós, von Tifon, adoramos discutir acerca de política, e todos os almoços e jantares são derradeiros debates para descobrir quais dos governos da Dimensão Mágica estão piores. O Palácio das Reuniões é uma excepção à parte, na qual nenhum feiticeiro branco e fada ou deus e deusa está de acordo com o que diz, faz leis estapafúrdias, e quando o PR melhorou nem uma resma ou pequena dízima de décimas de Euros, toda a gente comenta «Estamos a ter progressos, continuai, meus caros deputados.»
É óbvio que isto não resolve nada, e tudo termina com a mesma rotina de sexta-feira com o tio Set a chegar do PR esgotado, sem forças nenhumas e a perguntar se tivemos um bom descanso. Por falar em família e tios, tenho a sensação que em breve, irei ver mais uns membros da minha adorada comunidade, os Von Tifon. Já me mostraram umas fotografias do Tio Águia Negra, da irmã do Tio Águia Negra, ou seja da Mamã – ou Kathy, como a Tsuna lhe chama – do Tio-avô Conde von Tifon, da Tia-avó Nefrufi do Primo Horus, do Tio Set, da Tia Ísis, da Tia Shanti, do Tio Abab, dos primos Chan e Fran, do Papá Thommy – O nosso pai; bem é uma família numerosa, a contar com o rival, cujo nome é proibido mencionar aqui em casa, e que ainda não conhecemos, mas imagina se a Mamã e o Papá estivessem vivos? E se toda a família chegasse no Natal?
Isso seria espectacular, o Château von Tifon estaria pleno de risos, cor e alegria, e esqueceríamos que estamos em tempo de guerra.
Agora falarei do Primo Willhem Couto e o Hans Couto, os irmãos mais velhos da família, o primo Willhem chegou ontem, juntamente com o primo Hans. São dois irmãos muito engraçados. O mais velhote fala um Português abominável, foi general na Grande Guerra, e o noviço tem dezanove, é mais burro que uma porta e nem acredito que aqueles dois são nossos parentes. O ex. general é um bruxo muito experiente, a sua pala colocada num rosto rígido quadrado de homem de quarenta e oito anos e barba loura “à bávaro” faria lembrar o próprio Kaiser, se não fosse a sua roupa à paisana de marca e o seu braço direito saudável. É alto que nem uma torre, e se não fosse alemão diria que este teria um problema na coluna que o fez crescer até uns espantosos metro e noventa centímetros. No entanto, as suas mãos de guerreiro e combatente, acreditando sempre em Deus não enganam ninguém: é boa pessoa, e não o pode negá-lo. Tem uns quilos a mais, mas isso não importa quando na verdade tem aspecto de lobo e é manso como um cachorro. Os olhos azuis esverdeados grandes e verdadeiros recordam um negociante portuense de vinhos honesto, como tal adora sempre um bom jogo de futebol para ver na televisão. Não parece nada um bruxo, não senhor, é muito simpático e está sempre de bom humor, escovando com os dedos um pouco gordos e calorosos o seu bigode farfalhudo e de palha, onde por cima se esconde um nariz pequeno rosado e inquilino, apontando para o optimismo.
Hans por outro lado é magricela, regra geral, um metro e setenta e oito, o cabelo espetado dourado escuro lembra um monte de espigas podres, mas prontas para serem colhidas, uma boca pequena, no entanto engraçada, olhos azuis um pouco escuros sem fundo, sem uma única ideia na cabeça, e abençoado com umas perturbantes e horríveis borbulhas com pústulas nas quais este tem de por um creme amarelo esquisito que cheira tão mal quanto a lixeira da Cidade Perdida, a sua cabeça meio oval demonstra cá uma inteligência deveras impressionante, com um QI de zero vírgula um e apesar de já me ter apresentado como Jessica, ele contínua a insistir que o meu nome é Ressica. As mãos largas, no entanto com algum volume indicam que a sua tolice não é por maldade.
O nariz largo e fino como um pelicano é bastante cómico, mas nunca me rio da família, a não ser que o episódio seja mesmo ridículo e merecedor de uma gargalhada. Conclusão, não sabe nem um único feitiço e é preciso ensiná-lo o quanto antes o que é ser um von Tifon, segundo a opinião do seu irmão mais velho.
Para além destes parentes tão coloridos e bondosos, vieram mais três personagens que me indicaram que de facto, os Alemães não são assim tão maus: Fritz Schneider, Skánvasse Weibellberg e Otto Nälden. Os dois primeiros são os inseparáveis companheiros do Primo Couto, o terceiro ouvi dizer que é um pouco maricas e é recém promovido a adido do ex. general, mas, tirando isso, ainda não o vi, nem ao seu rosto.

Na aula de Mitologia, comecei a falar com o Pedro, na verdade, foi ele que me interpelou, com curiosidade e atirando um papelzinho para o meu decote, acto que detesto que ele o faça, parece que tira prazer disso, e, vindo que estava atenta às suas palavras, esboçou um sorriso amarelo com os seus dentes todos.
- Então, como é que foi ontem o Jantar de Abertura do Ano Lectivo? – Perguntou o Pedro.
- O quê? – Perguntei eu confusa.
- Tu sabes Jessica, aquela coisa que todas as famílias de seres mágicos fazem quando é a abertura universal do Ano Escolar, e é o Chefe de Família quem discursa…A minha foi horrível! Tu imaginas 4 horas de discurso do meu tio?! O stôr Tezcatlipoca a discursar?
- Chiu! Não queres que o stôr descubra que estamos a conversar, pois não? – Disse eu com a voz baixinha. – De qualquer modo, o meu também foi uma seca. Tu sabes o Seth? Aquele tipo que tu derrotaste? Ele é aquele tio de que te falei tantas vezes. Tu podes ficar assustado com esta afirmação, mas digo-te: nada pode ser mais assustador que aquilo que te vou contar; claro, é assustador para miúdos, mas se não quiseres ouvir a história…
- Quero! Quero! – Disse o Pedro com voz também baixinha.
- Estávamos prontas para o jantar (é claro que toda a gente quis manter segredo acerca de ser especial), quando alguém tocou à campainha. «Vai atender, Tsuna. Eu e o Udjat estamos muito ocupados na cozinha.» Disse a Spectinha; a Tsuna viu na câmara de vigilância os Fuinhas e disse «Desculpe, mas não está aqui ninguém da MFC.». O Chacal Amarelo, espantado disse «Já se esqueceram do Jantar de Abertura do Ano Lectivo?»
Quando a Spectinha viu o que se estava a passar gritou «TU NÃO SABES GUARDAR UM SEGREDO, CHACAL AMARELO?» as Dark Cats, ao entrarem com uns sacos de compras, com os cabelos todos loiros alisados e com lentes de contacto azuis (poção de miúda ocidental, foi o que elas tomaram para ficarem assim, já que são tailandesas) disseram «Tu não conheces o Edd Chacal Amarelo, pois não Spectinha? Ele é um completo esquecido!»; eu curiosa, perguntei «Isso são as vossas coisas?» a Mantha respondeu «Não! A nossa bagagem está naquelas carrinhas.» Eu olhei e eram duas carrinhas grandes, uma para cada uma das Dark Cats, depois vi a limusina da Serpente de Fogo, mais bonita (convencida) do que nos jornais!
- Vocês as três no meio disso tudo?! – Perguntou o Pedro espantado.
- E ainda há mais! – Estava a divertir-me tanto a fazer as vozes daquelas 4 convencidas durante o intervalo! – A Serpente de Fogo gritou «ONDE É QUE ESTÁ O PAVÃO?», rapidamente a Spectinha perguntou «Não está contigo?» «Deve estar com o Coutinho.» Disse a Serpente de Fogo.
Eu não percebi o que elas estavam a dizer, e perguntei: «Quem é o Coutinho?» «É o nosso primo, e é a pessoa mais chata da família, foi um general nazi durante a 2ª Guerra Mundial. Era suposto ser surpresa ele estar connosco durante o jantar, mas como há pessoas que não sabem o que é um segredo.» Respondeu o Horus a apontar para o Chacal Amarelo.
«A S.F. trata dos negócios da S.P.V. A polícia que prende os membros do Movimento das Forças Cyborgs ou M.F.C. para abreviar. S.P.V. é a abreviatura de Serpente de Fogo Polícia de Vigilância.» Disse a Spectinha a armar-se em sábia.
- Nessa altura, o Seth aparece e diz: «ONDE É QUE ESTÁ O PAVÃO?» Disse o Pedro a gozar com a situação.
- Não propriamente, o Primo Coutinho tinha aterrado na forma animagus: um falcão.
O Goldteeth já irritado perguntou: «Onde é que está o pavão?»
Depois do Goldteeth ter acabado a pergunta, eu e as manas vimos dois falcões a pegarem num cadáver de pavão, quando aterraram, as patas pretas tornaram-se em botas, os estranhos olhos azuis em…Bem, olhos azuis. As cabeças achatadas em capacetes e o corpo em uniforme dos landsers[1]. Os dois soldados eram muito diferentes: o magricela era alto que nem uma torre e era esperto, o gordo era burro que nem um porta! O mais magricela disse a armar-se, num sotaque alemão: «Não foi fácil, mein general, mas consegui! Capturrei o pavão.» O Primo Coutinho no seu alemão aportuguesado disse: «Não tirraste as penas do pavão, idiota!» Pelo que o magricela respondeu: «Talvez o Herr possa tirra-lhas, mas, mais imporrtante, mein general…» «DESPACHA-TE!» Gritou o Coutinho.
O magricela tirou de dentro das asas do pavão morto um frasquinho de molho e disse: «Deixe-me oferrecerr-lhe…Isto não sai…Onde é que está?» Ele estava com dificuldades em retirar o frasco da asa, quando finalmente retirou o frasco disse: «O molho de natas, ta-dá!» Depois o Seth cumprimentou o Primo Coutinho e a Serpente de Fogo: «Sobrinho, como está a Alemanha? Serpente de Fogo, há quanto tempo, a Atlântida tem uma polícia secreta?» «Vai boa.» Responderam a S.F. e o Primo Coutinho.
- E vocês? – Perguntou o Pedro.
- O Primo Coutinho olhou para nós e disse: «Estas trrês? São as novas emprregadas?» O Horus respondeu: «Não, são aquelas miúdas que te contei ao telefone.» O Coutinho disse «Ah, daquela vez em que gastaste imensos euros na chamada daqui até Berlim.» Eu mal-humorada respondi: «Nós só estamos aqui porque o Horus pediu.» A Spectinha assustada disse: «Tem cuidado, o homem é um general nazi.» O Coutinho tentou acalmá-la e disse: «Não faz mal, eu logo vi que erra o estúpido patrriotismo inglês a falarr porr ela, então, quando é que se cozinha o pavão?» «Quando o idiota do magricela do seu cúmplice der o pavão e o molho à cozinheira.» Respondeu a Spectinha; o Coutinho mandou o magricela Fritz ir à cozinha para se fazer o pavão.
- Enquanto o jantar estava a ser pronto, o que é vocês estavam a fazer? – O Pedro está cada vez a gostar da história, porque já é a última aula do dia e ainda ele não se cansou de me ouvir.
- Nós estivemos nos nossos quartos no 2º andar da mansão, a Solaris estava a ouvir o “welcome to the candy shop”, eu estava a conversar com o Edd e com a Tsuna.
Quando o Droopy foi chamar-nos, a Tsuna tinha percebido que devia mudar, mas por mais concelhos que uma pessoa desse, nada se comparava a ter de comer o pavão com natas azedas ou ter de ouvir as histórias de guerra que o primo contava como «Deviam terr visto aqueles trrês, “Ai! von Tifon salve-se quem puderr! Eu, Digas vou prrotegerr-vos rapazes. Firrme soldados! Soldados?” E foi aí que eu apanhei o cangurru, o Fritz e o Skánvasse capturrarram o pavão e o perru, mas eu…»
- Canguru?
- Sim, canguru deve ser uma alcunha australiana militar, além disso, há muitas pessoas que se chamam Diogo por aí.
- Bem, a campainha está a tocar, tenho de ir. Adeus. – Disse o Pedro.
- Adeus. – Disse eu acenando com a mão.
Será que o Primo Coutinho tinha alguma coisa a haver com o rapto do Digas?
Talvez se eu perguntar ao Edd. Chacal Amarelo…
Não! Não deve ser nem provável.
Mas, como hoje estava mesmo curiosa, tentei procurar uma razão porque é que o Horus não me dizia o nome do homem. Tenho de encontrar a minha e a origem das minhas manas, sinto no dever como irmã mais velha, e também como daquela que toma conta dos miúdos enquanto os adultos vão à festa. Serei assim tão responsável como penso…?
Bem, pelo menos julgo, porque geralmente, nunca ouço sermões, a não ser do primo. Parece que o senhor alemão é um pouco perspicaz, e não deixa que nenhuma mancha de pó fique por limpar, se é que me percebes…E chamamos-lhe Primo Coutinho porque o verdadeiro nome dele é Willhem Couto von Tifon
E no lanche, ao chegar a casa, disse-lhe olá, pedi à cozinha a comida, e muito satisfeita, sentei-me no meu lugar. Vendo que Horus estava ao meu lado, decidi fazer-lhe a pergunta, e com um ar de curiosa, aproximei-me dele.
- Horus. – Comecei. – O rival do meu pai era assim tão mau?
Bizarramente, ele desatou a rir às gargalhadas durante pelo menos dez minutos, passado esse período de tempo, esboçou um olhar mais sério e assustado.
Num tom baixo, aproximou-se de mim mais um pouco e respondeu em segredo:
- Jessica, o rival do teu pai era um…Um…
Tentava falar, mas da boca não saía nem uma única palavra.
As suas mãos morenas começaram a suar imenso, e depois o som do seu coração batia cada vez mais depressa, arfando finalmente, mais pálido do que se tivesse visto um fantasma.
Estranhada com o comportamento de Horus, levantei-me e pondo-lhe o braço sobre o ombro de guerreiro, lancei-lhe um ar interrogativo.
- Horus…Estás doente? O que é que se passa? – Perguntei com um olhar vazio.
Ele respirou bem fundo, e abraçando-me, como se quisesse me proteger de algo ou alguém, respondeu já mais recuperado com um “Ah” de alívio.
- Foram tempos negros para a Atlântida, tempos negros. – Disse, com uma voz muito mais séria do que quando estava a tentar responder à minha pergunta. – No dia igualmente negro de 7 de Março de 1927, a Serpente de Fogo prometeu ao “Papá Neptuno” que, se a filha preferida, a Serpente Arco-íris não voltaria, a mais nova se faria regente. E assim foi, ora bem, nessa altura, chegou o rival do teu pai à Atlântida.
O rival do teu pai era um homem malvado e frio, muito poderoso, para ele o teu pai era uma mera pedra nas suas botas que facilmente removeria. Nessa altura, a Serpente de Fogo deixou-se ser seduzida pelo rival e este convenceu-a a sabotarem a família von Tifon para que ambos reinassem a Atlântida com crueldade e punho de ferro. Mas Katrine era muito corajosa e não deixou que Serpente de fogo e o rival levassem os seus planos à avante.
«Juntamente com os seus amigos Cyborgs da pastelaria em que trabalhava para ganhar dinheiro – Embora ela fosse uma von Tifon, renunciou ao dinheiro e à nacionalidade, Katrine tinha imensa vergonha de ser alemã – criaturas amigáveis da Fronteira, e outros bravo feiticeiros que sabiam bem o que faziam, estes formaram em segredo uma organização secreta, que operava nas sombras. O Movimento das Forças Cyborgs, ou a actual Resistência Atlante.»
A tremer, ele abraçou-me com mais força, e não conseguiu mais falar, como se alguma nuvem de escuridão quisesse silenciá-lo.
A sua voz parecia muito fraca, e não conseguia proferir mais uma palavra, como se algo na garganta estava a proibir-lhe duramente de dizer nem uma letra acerca daquele assunto. Estava cada vez com mais curiosidade para saber como é que a minha mãe tinha morrido, e quem era o homem que quase tinha sido seu pai.
Agarrada por ele, e muito satisfeita por ter aquele pequeno prazer, de estar ali com Horus, nos seus braços, sorri com uns olhos inocentes.
- O que aconteceu ao rival…? - Perguntei muito feliz.
Ele continuou a falar, embora tivesse dificuldade, e com um tom fraco e rouco disse como se quisesse apressar a conversa:
- Alguns feiticeiros e a maior parte dos mortais dizem que foi morto por estilhaços de uma granada enquanto andava num carro…Disparate! Não, cá entre nós, Jessica, acho que ainda está vivo, muito fraco para continuar o seu reino de terror, mas vivo. E isto foi há sessenta anos, aproximadamente. Desfeito aos pedaços, com aqueles lábios grossos a mexerem-se continuamente, num sono profundo, num Inferno qualquer, uma pequena visão do próprio Satanás quando for derrotado, apenas à espera do momento certo para disfarçar aquele corpo horroroso e metê-lo como um homem refinado, bonito, pronto para ter a tua alma. A tua, a da tua amiga Sara, a da Serpente de Fogo e a de qualquer mulher que o tivesse arruinado…
Descrente com essa história de horror, tive a ousadia de me rir, e levantada, já com a minha sede de prazer morta, sorri para ele, sem sequer ter acreditado nem uma única palavra.
- Porquê a minha alma…? Como raio ele me poderá dominar…?
Ele deu-me a mão, e num tom sério e dramático, lançou-me um ar furtivo.
- Tu és a primeira filha dele, ele quer dominar-te a ti primeiro, além disso, és muito parecida com a Katrine. – Respondeu ele. – Tu, Jessica, és a alma que ele mais deseja e mais ama na sua maneira, quanto como é que ele vai te ter…É um completo mistério, ninguém soube como a Katrine foi morta, nem ninguém sabe onde o seu corpo está.

Ao acabarmos a conversa, apercebi-me que Horus não estava para brincadeiras, e eu tinha mera impressão, que, quem quer que fosse esse “padrasto malvado”, deveria ter feito uma coisa mesmo má à família para eles o expulsarem e fazerem com que ele fosse esquecido, pois nem o Primo Coutinho – o mais corajoso e valente cavalheiro alemão de cá do Château von Tifon – se atreve a argumentar o assunto ao jantar. Já tentei fazê-lo duas vezes, mas nenhuma sem êxito.
O assunto é tão delicado para os alemães de cá quanto a Segunda Guerra, e aposto que o nosso padrasto desconhecido deve ter feito coisas mesmo piores nesse terrível evento.
Mas então o Primo Coutinho, não desconfia dele?
Pronto, aprovado por unanimidade que jamais voltarei a tocar nessa coisa, até é mesmo mau dizer a letra “H” cá em casa, pois ela se refere a coisas alemãs tão infernais segundo o Primo, que nenhum de nós o trata por “Willhem”. A nossa família deve ter um passado muito pitoresco, ai deve, deve..!
Talvez não possa falar com os meus parentes, mas consigo investigar por mim mesma.

Por falar em mistérios, a Sara foi abordada mais uma vez pelo tal “bruxo negro”.
Não estou a gostar daquele homem, é tão estúpido, faz-me lembrar tanto as histórias que o Horus me conta acerca do nosso padrasto. Aparecem do nada e fogem da mesma forma que surgiram: subitamente e com uma frase ameaçadora!
Se voltar a vislumbrar aquele desgraçado piolhento a tocar na minha amiga, dou cá uma sova ao palerma que ele até vê estrelas!

Estávamos a sair da cafetaria, depois de termos acabado o almoço, o grupo do costume, eu, a Sara, a Junnifer, a Nadezda, a Paty, o Pedro quando ouvimos um toque de telemóvel parecido com a música do Dartacão, só podia ser o da nossa amiga princesa, só ela é que tem um toque tão foleiro mas com a vontade de se rir à farta.
Atendeu pegando no telemóvel vermelho, com um sorriso muito convidativo.
- Sim?
Mal ia dizer quem era, quando subitamente uma voz distorcida pelo telemóvel e por mais outra coisa – não sabia que raio era – logo a fez perder o sorriso e o ar todo alegre.
Uma voz aterradora, em alemão cumprimento-a, num tom provocador e satisfeito, que se ouvia pelo menos alguns metros.

-Guten Tag, Prinzessin Sarah![2] Certamente deve estar um dia maravilhoso e romântico aí no Palácio das Reuniões, não concorda? – Exclamou a voz do bruxo muito convencido.
Isto fez com que os olhos da nossa amiga ficassem cheios de lágrimas.
Coitada, aquele tarado assassino não tem mais nada do que fazer senão fazer a vida negra à pobre da miúda?
Ela bateu com o pé no asfalto coberto de folhas de Outono, fazendo com que estas se elevassem até ao céu azul, estava mesmo irritada com aquela surpresa desagradável.
- O que é que o senhor quer de mim, seu desgraçado horroroso? – Perguntou ela com uma coragem admirável, a soluçar.
Por sua vez, este mandou um feitiço, que fez com que a mão dela ardesse naquelas chamas negras de novo.
- Pelos vistos, a menina não está feliz por ver que sou eu quem fez a chamada. Não, não meu amor. – Riu-se ele num tom escorregadio e suave. – Não lhe quero fazer mal, Princesa. E com certeza deve estar bem acompanhada, portanto, falaremos quando a menina estiver menos ocupada para aproveitar uma tarde a solo para…
A Sara olhou para as unhas suspirando chateada e empurrando o longo cabelo para o lado, parece que os seus olhos não brilhavam tanto quando estávamos a sair da cafetaria.
- Bruxo cobarde e malvado! – Comentou ela batendo impacientemente. – Quer que esteja sozinha para que me apanhe, sem eu ter ninguém em quem socorrer! Mas não se preocupe, agora nunca estou so…Hallo? Hallo? Estou, bruxo carniceiro duma figa?
Subitamente, o horrível feiticeiro tinha desligado na cara à nossa amiga, como foi tão palerma e com lata o suficiente para ligar-lhe e depois desligar-lhe da mesma forma mal educada…? Eu começo a detestá-lo, a ele e aos seus mistérios e mentiras!
Nem me aparece escrever mais, por isso, porque não te alicias com o resto das minhas aventuras, na próxima semana conto-te mais…


[1]Nome que se dava aos soldados alemães [2] Bom dia, Princesa Sara!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A aula de Educação de Vôo -18-09-2005


Pronto, não é assim tão mau como pensei, a Sara é mesmo a Princesa Arco-íris, e segundo a Internet, a Bruxa de Fogo é irmã gémea da minha colega.
Agora aquele bruxo andar a seguir-nos, …É que não gostei nada, e porque será que aquele encantamento não passava. Tentei pesquisar no Google acerca disso, mas só obtinha feitiços de sétimo grau muito simples…E não conseguia encontrar também ninguém que soubesse maldições daquela escala…!
Ela é tão sortuda, deve ser uma espécie de super estrela, mas porque é que aquele palerma bruxo a assombra, está na hora de dar uma tampa a esse desgraçado tarado.
Chora muito, não tem lá muito aspecto de princesa, mas quando é corajosa, encaixa perfeitamente na figura de uma rainha justa com tudo e todos, quer pobres ou ricos.
A viagem por portal foi boa, exceptuar a avaria do portal, os vómitos e a choradeira da Tsuna, foi boa.
Quando chegámos ao pavilhão da 1ª aula, o Pedro disse-nos:
- Tsuna, tu vais ter Mate mágica com o João e o Afonso, Sol, vais ter História da Magia com o Maluco e Jessica, tu vais Aula de voo comigo, com o Goldteeth, o Fumador e com o Alfacinha. Grupo pode ter uma conversinha com a Jessica em privado.
O tal João deu um encontrão ao tal Afonso, e ambos riram num tom trocista. Parecia que já sabiam que eu já estava apaixonada por ele, por agora é só uma paixoneta.
- Claro, pinga-amor. – Disseram eles a rir-se às gargalhadas.
Rapazes, rapazes… Nunca hão-de aprender, que nós, raparigas, somos mais espertas que eles, bem pelo menos o único homem que encontrei
Eu fui com o Pedro sentar-me num banco, e ele disse:
- O nosso stôr na Aula de voo vai ser o Tezcatlipoca, o meu tio, ele é um bocado cabeça-dura e…tens de ter muito cuidado com os Fuinhas, eles são mafiosos
[1].
- Não te preocupes. Só são fuinhas com metralhadoras, pistolas e que tomam drogas ou tabaco. – Disse eu confiante.
- Agora vamos lá. – Disse o Pedro.
Fomos ter ao pavilhão e havia lá: os Fuinhas que tinham 17 e 18 anos, e uma data de alunos que eu não conhecia.
Quando o Goldteeth me viu, perguntou com ar trocista:
- O que é que uma “boneca de porcelana” frágil como tu anda a fazer numa aula tão dura como esta?
- Olha pinga-amor, estou aqui para tirar boas notas, uma coisa que um idiota como…
- Olá rapaziada! – Disse um condor numa das pontas mais altas do pavilhão, que pelos vistos, tinha interrompido a minha boca “especialmente” dirigida ao Goldteeth! (Ah! E o condor disse aquilo porque a maior parte dos alunos eram rapazes).
O condor rapidamente desceu, aterrou precisamente perto do local onde estava um quadro, e transformou-se no stôr Tezcatlipoca, que disse:
- Espero que tenham feito uma boa viagem.
- Posso falar em nome do meu capitão e das pessoas restantes que andaram comigo no portal, que a viagem foi deveras agitada, deviam verificar a funcionalidade daquele portal. – Disse o Alfacinha.
- E estamos cheios de sono, um intervalo maior seria bom. – Disse eu com a mão a tapar a boca.
O nosso professor esboçou um sorriso sarcástico e aproximou-se do Goldtheeth. Se calhar é a única forma que ele tem de se vingar da tirania da SPV. Ainda bem, é para aprenderem a não serem tão maus.
- Claro, vou mandar tocar a campainha…QUANDO ME CRESCEREM ASAS COR-DE-ROSA E O MEU ANIMAGUS SER UM FLAMINGO! AGORA, TOCA A PORÉM-SE DE PÉ, SEUS DORMINHOCOS! O QUE É QUE PENSAM QUE ISTO É? UMA ESPLANADA? - Gritou o stôr.
Toda a gente pôs-se de pé, mas não na direcção que o stôr queria.
- E eu que julgava que já tinha visto tudo. Nos próximos 9 meses, às Terças-feiras desde as 8:30 até às 10:30 e às Quintas-feiras desde as 12:15 até às 13:00, as vossas vidas pertencem-me, vão aprender a andar como deuses, a voar como deuses e a lutar como deuses, vou fazer de vocês deuses como deve ser, nem que isso vos mate, menos tu, tu não duras uma semana! – Disse o stôr olhando para mim, mas logo se arrependeu ao ver a pedra de armas da família como tatuagem no meu pulso direito. – Então vai ser assim, meus dodots: vocês vão entrar numa linha de boas notas e depressa, ou SOU EU MESMO QUE VOS EXPULSO DESTA ESCOLA!
- Olhe, tem graça em falar nisso, adorava ir-me embora, é que tenho uns assuntos a tratar no quartel da SPV e… – disse o Goldteeth.
- Caladinho, dentes-de-ouro! – Disse o stôr com a mostarda a subir-lhe ao nariz.
[2]
- Tenha calma stôr! Ele só…
- Bico calado, Musinha!
[3] Eu estou mais interessado em vos ver a encher 50!
Com os comprimentos aqui da vossa amiga musa.
- Oh! – Suspiraram todos
Quando tomamos banho, eu reconheci a Sara. É sem dúvida a rapariga mais ingénua, burra e sonsa da turma, e quando viu a minha tatuagem, apertou-me a mão, e com um sorriso disfarçado.
- Então, és tu a Jessica Magnetite von Tifon? Inglesa traidora neta adoptada do famoso conservador do museu “Things of Another Dimension”? – Perguntou ela olhando-me com desprezo. – Não me admirava nada que fosses inglesa, mas agora alemã?!
Abri a água, e lavando-me, sem olhar para a rapariga branca e pálida com olhos azuis, fiquei mais arrogante que um rochedo a bater nas ondas.
Como ela se atreve, deveria ter mais cuidado com a língua, se não fosse minha colega, já estaria morta. No vapor, escondi-me, e tentei dar-lhe um encontrão, mas infelizmente, esta desviou-se.
Ainda sorri confiante. Pelo que tinha visto das primeiras impressões e dias na escola, a Sara era muito respondona, e não conseguia manter a língua de tagarela calada, e seria fácil derrotar uma rapariga tão patética como ela.
É uma santa para com os professores, mas tenho cá a impressão de que quando um rapaz tenta seduzi-la com falinhas mansas, torna-se numa fera! Nem deixa sequer que se aproximem como se fossem apanhar uma cobra.
- Sarinha, estás muito enganada se pensas que esses comentários vindos de gentinha tão mal vestida como tu me afectam, não conheces porventura o provérbio “O que vem de baixo não me afecta? – Disse a rir-me com os olhos revirados e voltados para cima. Faço sempre isso, e apesar de ter lábios grossos, vêem-se muitas vezes os meus dentes branquinhos, dignos de um anúncio de pasta de dentes. – E sim, trabalhei no museu de dia e frequentava a escola de noite. Porquê, tens algum problema com isso, queridinha?
A Sara ficou arrumada com isso, ao deitar na mão pequena e fina um pouco de champô, não falou mais comigo durante dez minutos.
Ela é assim com a maior parte das pessoas, mas depois logo pisca os olhinhos e pestanas lindas e com ar de cachorrinho, diz numa voz muito inocente “Está bem, eu perdoou-te”
Por isso não me admirei quando ela dirigiu-se, passados quinze minutos, e com aquele sorriso irritante e tímido de criancinha, logo se ajoelhou perante mim.
Aí é que fartei de me rir, mas à farta, e então, levantando-a, ainda disfarçando o riso, e estranhada com o comportamento tão humilde da rapariga, logo nos sentámos nos bancos para nos secarmos.
Afinal não é má de todo, bem, depois, disse que fez isso, porque eu lhe fiz lembrar alguém, e silvando com a língua por entre os lábios médios e vermelhos, riu-se também da sua figura.
Contou-me que de facto, tinha muito jeito para as piadas, e foi essa a maneira de me caracterizar, e realmente, fiquei impressionada, quando ela disse que a sua vida tinha sido um constante jogo de brincadeiras e partidas inocentes, sem nenhum problema à vista, mas que detestava os rapazes galantes e não os convidava a lancharem ou almoçarem com ela, porque tinha medo deles.
Com medo deles, é a oração exacta, pois nunca é tão difícil que nem o mais bonzinho de todos não conseguiria conquistar o seu coração.
E curiosa com esse pequeno ponto negro da sua personalidade, aproximei-me e vi que era tão amiga, não era um rosto mau, não senhor. O seu sorriso valia mais do que mil palavras para a descrever: encantadora, tímida, divertida, honesta, sincera, receosa e linda sem maquilhagem, mesmo ao natural.
- Sara, porque é que tens tanto medo dos rapazes? – Perguntei-lhe ao dar-lhe a mão.
Ela, nem respondeu, parecia mais pálida do que um floco de neve, e certificando-se que não havia ninguém por perto, suspirou de alívio e fechando as janelas, foi para a minha beira, e tentou não chorar.
- Passei um mau bocado…Foi…Por causa de um homem…Mais velho do que eu. – Respondeu ela, com dificuldade.
Ri-me, grande coisa, também eu. Já houve rapazes de vinte anos que quiseram o meu rabo aos catorze ou quinze. São melgas, mas muito mais maduros, mas cá para mim, não importa a idade, o que importa é que se goste dele e que o ache podre de bom. Eu sou também cá uma brasa, mas não é preciso exagerar por causa dum rapaz com quatro ou cinco anos a mais do que nós, pelo menos são o que eu penso.
- Sara, o que tem diferença…
Mas ela interrompeu-me, e de cabisbaixa, disse:
- Era para aí uns quinze ou dezasseis mais velho do que eu.
Aí é que me enjoei, e calma, sem ter ouvido bem, ainda sem ligar muito à seriedade da situação. Então, mais atenta e um pouco preocupada, limpei a água dos ouvidos, para certificar-me que estava a ouvir bem.
- O que se passou para tal mafioso se apaixonar por ti? – Perguntei a rir-me. – Ao menos era bonito…
Ela abanou a cabeça tristemente e abraçou-me, um pouco chorosa, está bem, estava a fazer uma catarata na casa de banho. Bolas, como ela é uma choramingas, se não fosse tão fiteira, talvez poderia considerá-la uma amiga, mas assim…Nem vale a pena falar com uma pessoa assim.
Depois, larguei-me, odeio cenas comoventes, é um pouco de mel a mais.
Nunca choro, excepto quando morre alguém, ou estou mesmo, mesmo, mesmo, mesmo irritada, e isso é muito raro de acontecer.
- Pronto, fecha a torneira antes que gastes mais dinheiro do se que estivesses a tomar banho, já passou. A futura rainha da Atlântida deveria estar mais feliz. – Disse eu, contente a limpar-lhe as lágrimas e a emprestar-lhe um lenço. – O que interessa agora são os estudos de Humanidades e Sociologia de Feitiçaria e Divindades, para poderes subir ao trono, depois das férias de Verão.

Ela concordou comigo e ambas rimo-nos daquela figura, afinal, aquele bruxo não iria estragar a nossa linda amizade. Ainda por cima ela confessou que era Princesa, mas não queria que aquele desgraçado a encontrasse e a raptasse de novo.
O resto, ela disse que não podia contar a ninguém, e que em breve eu iria descobrir o porquê de eu não poder mencionar o nome do seu amante. Não te preocupes, que depois te contarei quem realmente a traumatizou assim tanto. As colegas que estavam com ela para a ajudar eram a Nadezda e a Junnifer, amigas da Fronteira e antigas prostitutas que tinham decidido reparar a vida. De certeza que deves saber a quem pertenciam os nomes: a Junnifer era a chinesa, a russa era Nadezda.
Outro mistério relacionado com a Sara, desde o dia da apresentação que não tinha visto o seu irmão palerma, o Digas. E cada vez mais curiosa, com um olhar desconfiado comecei a vestir-me para poder sair daquela sauna.
Olhei para todos os lados, mas não via nem um rapaz, parece que o tal bruxo ainda não tinha feito o favor de dar a cara.
- Onde é que está o Digas? Não devia estar connosco na Aula de voo? – Perguntei num tom normal de voz.

A Sara pôs o perfume, e começou igualmente a vestir-se.
- Ele ontem foi beber um ice-tea depois da abertura do ano lectivo ao Gima & Anima, mas desde que nos separámos no Metro para o Porto ainda não o vi. – Respondeu-me ela com ar de muito preocupada. – Ele era o meu irmão mais velho, sabias?
Como, ele, sozinho, em Cyborg Town…?! Não iria sobreviver nem um minuto naquele antro de bruxos, demónios, os fascistas da SPV. Mas se conseguisse saber alguns feitiços, talvez se safasse, mas, estúpido como era…Não sei.
E um pouco preocupada, calcei as meias.
- Olha, porque é que ele se separou de ti? Afinal, é perigoso andar nas ruas sozinho. Nunca se sabe que tipo de falsa bruxa anda por aqueles lados. – Aconselhei dando a mão à minha amiga.
Ela riu-se, pondo a maquilhagem e o batom enquanto se despachava a pôr a T-shirt.
- Ó Jessica, 1º: ele tem 18 anos; 2º: ele separa-se de mim no Metro para Cyborg Town todos os dias; vai ter com uns amigos que ele tem no quartel-general da MFC.

Abusei do spray do perfume e também me ri, era impossível o Digas se perder…Não! Ele perdeu-se na própria casa, era um perfeito idiota, como era possível a Sara desperdiçar os sentimentos nele, era uma estupidez pensar que ele ainda estaria vivo, mas não o disse a ela, apenas para não a deixar assustada.
- E se os Fuinhas o raptaram? – Perguntei eu, imitando a voz do Goldteeth.

Abusei do spray do perfume e também me ri, era impossível o Digas se perder…Não! Ele perdeu-se na própria casa, era um perfeito idiota, como era possível a Sara desperdiçar os sentimentos nele, era uma estupidez pensar que ele ainda estaria vivo, mas não o disse a ela, apenas para não a deixar assustada.
- E se os Fuinhas o raptaram? – Perguntei eu, imitando a voz do Goldteeth.

- Este assunto não tem piada nenhuma!
Quando a Sara acabou a frase, ouvimos os gritos do stôr Tezcatlipoca:
- O QUE NÃO TEM PIADA NENHUMA É AS SENHORAS DEMORAREM TANTO TEMPO NOS BALNEÁRIOS!
- Já vamos, stôr! – Disse a Sara.
Depois das aulas, eu e as manas estávamos de rastos com tudo aquilo! Bruxos assassinos e mulherengos, bravos e patriotas Cyborgs e belas misteriosas donzelas.
O eterno triângulo das fábulas, lendas e contos de fadas oriundos da Atlântida.
Certamente que teremos uma aventura assim, muito em breve, mas, por agora, não vi nenhum vilão digno de ser bruxo, a não ser uma mensagem que a Sara tinha no seu telemóvel que era assim:


Estou quase pronto, para te atacar, Princesa!
Vereemo-nos em breve,
Mas não se preocupe, Sua Alteza,
Goze da sua rejubilante neve…
Por enquanto!

Com certeza é aquele bruxo, como ele conseguiu o número de telemóvel da Sara é que não sei, mas estou ansiosa por uma nova aventura, e loa em casa também estão muito nervosos, sei lá porquê, mas tenho a impressão que a partir da próxima vez que escrever no diário, a minha vida se tornará cada vez mais confusa…!


[1] Individuo hábil e sem escrúpulos
[2] A ficar irritado
[3] Aprendiz de deusa/ deusas da música

quarta-feira, 4 de abril de 2007

17-09-2005 - O Palácio das Reuniões e a Serpente Arco-íris


Friday – Sexta-Feira Â
 Tenho de me habituar a escrever em Português, mas é tão difícil…Se calhar vou pedir ajuda ao Tio Set…Não! Uma von Tifon arranja-se sozinha, não precisa de amigos! Veremos…Eh, eh, eh…


Bom, depois de alguns dias limpar a confusão que os Fuinhas fizeram (foi a Spectinha e o Seth disseram para limparmos o café, não sei como é que eles souberam), finalmente as aulas começaram, não é que eu seja marrona, mas quero ver quais são os colegas, professores, livros, tu sabes.
Quando chegámos ao Palácio das Reuniões (que parece-se com tudo acerca de arquitectura moderna menos um palácio), tivemos a sorte de ver o Pedro e o Grupo das Setas!
Ele estava 5 metros afastados do Grupo, parecia que o Grupo estava a discutir, pois ele odeia discussões!
A primeira que ouvi foi a Sara a dizer:
- És insuportável, sabias?
O Pedro tentou acalmá-los, erguendo as mãos e intrometendo-se entre os dois, com um sorriso nervoso.
Fiquei espantada, na verdade, o Pedro não é aquele tímido que pensava que ele era, até é bem arranjado e tal, está na minha lista de meninos bem comportados.
Tem a sua opinião, e isso é uma coisa boa num rapaz. Deve ser às direitas.
- Vamos lá, não vamos começar a discutir…Oh! O velho chato do vosso tio não veio? – Perguntou o Pedro (ele sabia que eu e as manas tínhamos um tio, mas ele não sabia que era o Seth em pessoa!)
Devo-te uma explicação: nós, os bruxos von Tifon, nunca damos a nossa identidade, e esta guerra chega para nós, afinal, a nossa família está nisto há mais de vinte mil anos, e confesso que esta matéria tem-me interessado muito mais do que as novas disciplinas.
Apenas temos de trazer para este 1º dia um caderno de anotações para a marcação de exames, uma caneta – como é óbvio – e um lápis, mais uma borracha e um apara-lápis para caso venha a ser preciso. O resto, isso sabe-se na próxima semana.
Esta guerra é uma guerra de guerrilha e de espionagem, ou seja, que ambos os lados tentam adivinhar a jogada seguinte do adversário e num tiro certeiro, tentam confundi-lo para apanhar o número possível de objectos sagrados ou oficiais importantes. É como um jogo de xadrez, cada peça – Soldado, artilharia, barco, avião ou arma, neste caso em particular – tem a sua função especial e feitiços. Por exemplo, aquele general do qual te contei no dia anterior é quase tão importante quanto uma rainha no xadrez. Agora o Rei é uma Princesa perdida, se alguém um dia capturá-la, e levá-la para o seu lado, a guerra acaba, quando a encontrarmos, fazemos xeque-mate, ganhamos a guerra. O nosso trabalho de filhas dos von Tifon, como meros piões – por enquanto… – Apenas consiste em estudar o máximo que pudermos para depois tornarmos cavaleiros, ou cavalos.
O único problema é que tal Princesa é um mito, mas, segundo dizem os jornais, parece que ela se inscreveu em segredo no liceu do Palácio das Reuniões. E se os rumores são reais…? Talvez possa conhecê-la. Bom, mas isso era ser sorte demais. Era como ganhar o Euro milhões: ao todo existem cinco milhões de alunos em todo o Palácio das Reuniões, seria como encontrar uma agulha no palheiro, mas farei o melhor que puder.
A descrição da Princesa é mais ou menos assim: tem olhos azuis grandes bonitos e assustadiços que já clamaram muito pelo seu povo, pequena como uma pequena pérola no oceano, branca como a neve pura dos Alpes das Sereias (outra região diferente da Atlântida) e por fim, com cabelos pretos longos finos a fazerem uma cascata de bonitas cores escuras a cobrir o seu rosto quadrado de modelo, um nariz pequeno e franzino sem uma única borbulha e, dizem as lendas que por esta altura, ela teria a forma do corpo de uma rapariga de dezoito anos…Espera aí! A Sara encaixa perfeitamente no papel de pequena Princesa, ela é exactamente igual à rapariga do cartaz.
E porque não…?
Será que ela é mesmo a Princesa Serpente Arco-íris, que os antigos versos atlantes falam com tanta ansiedade e júbilo…? Terei de lhe perguntar, mas não directamente, senão a pobre da rapariga ainda fica com traumatismos. Ouvi dizer que uns bruxos, muito, muito maus, decidiram um dia há dois anos atrás fazer a vida negra à pobre coitada da Princesa Arco-íris e raptá-la. E não estou a falar dos bruxos da minha família, mas sim bruxos piores, que tinham conhecimento das magias antigas negras. Aqui no Palácio das Reuniões e na Atlântida essas magias não são usadas há mais de sessenta anos, durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi utilizada resmas de vezes. Sim, é horrível e triste pensar que este bonito mundo também sofreu as atrocidades provocadas por aqueles bruxos, e digo isto porque acredito mesmo que aqueles perversos malvados utilizaram magia proibida para destruir e arruinar a maior parte das paisagens naturais que restavam da Dimensão Mágica.
Perguntei hoje de manhã ao Tio Set quem é que poderia ter feito uma coisa dessas, quem foi o comandante daqueles horrores, e este, com a sua voz velha e fraca a falhar como sempre (Pobre Tio, deve ter visto tantos males durante a sua longa vida) disse num tom rouco:
- Jessica, os que provocaram tal desastre foram os Bruxos Nazis.
Eu, espantada por aqueles Alemães também fazerem das suas na Dimensão Mágica, levantei da minha cadeira, e sem querer entornando os meus cereais na saia, pus a mãos a lavar, depois, limpei o que tinha sujado com desprezo.
Malditos, como puderam ser tão maus e sádicos…?
- Mas aqueles monstros assassinos também existiram na Dimensão Mágica…? Aqueles frios perversos que personificaram o Mal em pessoa…
Sim, infelizmente eles tinham existido e pisado esta terra maravilhosa como se fosse sua, graças a Deus que perderam a guerra!
Mas o Tio ainda me avisou para não deitar os foguetes antes da festa e para não julgar as coisas só pelos olhares do preconceito, pois em breve teria uma surpresa que não estaria à espera…Que raio estaria ele a falar…? Oh! Tenho coisas mais interessantes para te falar do que contar as aranhas e répteis que aqueles bruxos mais bruxos à face de toda a Dimensão Mágica tinham!


- Eu só disse que aqueles tipos eram uns palermas. – Disse ele surpreendido.
Ela abanou a cabeça, mostrando a sua baixa estatura, no entanto, via-se que era uma rapariga forte e corajosa.
- Palermas sim, mas também eram giros. – Disse a Sara.
Outro rapaz encolheu os ombros metendo as mãos nos bolsos, conformado com a situação e contente pela pequena discussão ter acabado.
- Mulheres. – Suspirou ele.
Ri-me, eles pareciam simpáticos, mas para chegar ao Palácio das Reuniões ainda faltavam uns bons metros, por isso, teria muito tempo para conhecer os novos colegas, não achas que mudar de escola é fixe? Conhecem-se novas pessoas, e eu estava ansiosa por mudar de ares, da chuva e por coincidência, consegui tudo o que queria, sim estava mesmo tudo a correr bem. Só esperava que isto se mantivesse assim mesmo, era tão fixe que assim acontecesse, porque estou com um pressentimento que as anormalidades ainda não acabaram…Por agora!
Suspirei e muito contente, aproximei-me do grupo de amigos, e curiosa, como sempre, sorri para os conquistar, é como disse Shakespeare: “Sorri e o Mundo sorri contigo”.
- Felizmente não. – Disse eu tentando entrar na conversa. – Olha, de que é que vocês estavam a falar?
Pedro virou-se para mim e sorriu, sem saber também o motivo daquela discussão idiota, era mesmo uma briga que não fazia sentido. Só por causa de um deslize da língua…
- A Sara começou a dizer que os tipos melgas do café eram boas pessoas e… – disse ele.
Olhando para os lados, e certificando-me que ninguém estava a ouvir, lancei um ar vazio para ele, como se não soubesse de nada. Nestes tempos que correm, todo o cuidado é pouco.
- Os fuinhas? – Perguntei.
Acenou com a cabeça, vendo que eu estava atenta a ver se não havia nenhum agente das SPV por perto. Preveni-me para este primeiro dia com a melhor informação, e soube, desde manhãzinha, que iria encontrar alguns soldados da SPV a rondar a zona, por enquanto, estava tudo bem.
- Sim, esses. Depois este aqui disse que eles não a mereciam e que…
De repente, uma voz solene (e com problemas no microfone) disse:
- Hã…Isto está ligado à ficha, nicht wahr
[1]? Bem, todos os alunos e os seus acompanhantes devem dirrigirr-se às porrtas parra o ano lectivo começarr.
Quem seria o palerma do alemão que estaria a trabalhar com o sistema patético e antiquado de som…? Fosse quem fosse, eu tinha a certeza que ele não seria bom da tola, porque a sua voz de homem de vinte e sete anos combinava com o aspecto cool, no entanto era alemão. Não que eu seja xenofóbica, mas aquilo era uma torre de um metro noventa e dois centímetros. Aposto que é bruxo, só nós somos assim tão altos.
Nós fomos às portas, mas o alemão (a voz com problemas no microfone era a dele) só dizia:
- Não têm acompanhante, não podem írr à reunião.
O Pedro defendeu-nos, e com os seus olhos castanhos, e querendo ser nosso colega e amigo, decidiu pôr um olhar como se dissesse “olha lá boche, se queres tareia, é a seguir, é que é já a seguir”. Ri-me, mas vi que o meu amigo não estava com meias medidas e queria que nós fôssemos à apresentação.
- Não faz mal, eu responsabilizo-me por elas. – Disse ele.
Para mostrar que não era uma rapariga cobarde, decidi fazer frente também ao grandalhão, e ele ficou logo em sentido quando viu a minha tatuagem dos von Tifon.
- Além disso, nós temos os tickets. – Disse eu.
Ele cruzou os braços, vindo que estava derrotado por nós os dois – Um cyborg com uma aprendiz de bruxa von Tifon, não tinha hipóteses – entregou os bilhetes, olhando-nos com um ar de humilhado. Não sei porquê. Nós demos-lhe uma boca que foi demais, e era melhor não amuar.
- Está bem Pedrro Darrdinho, porrta 50, ranhurra 5. – Disse o falcão.
Quando pusemos os tickets (que mais pareciam chaves do que bilhetes) na ranhura, as portas abriam-se sozinhas e uma sala de conferência nós vimos com os nossos próprios olhos: era enorme, tinha espaço suficiente para 10.000 pessoas, um palco com uma largura de 50 metros e um comprimento de 100 metros!
O meu Pedrinho, que foi tão querido por nos defender, conduziu a mim, às manas, e aos outros amigos dele para uma fila e armado em líder com um sorriso bem disposto naquela manhã radiante, sentou-se logo e deixou que eu me sentasse ao pé dele. Estou a começar a gostar da Dimensão Mágica, ai se estou! Eu já não te disse isso antes ou é impressão minha…?
- Vamos sentar-nos na fila 30, bancos A; B; C; D; E; F; G; H e I. – disse ele.
Enquanto estávamos a contemplar aquela beleza do tecto, o Digas levantou-se, e lá foi subindo a enorme escadaria que ia para baixo e que separava o auditório do resto dos corredores.
- Tenho de ir. – Comentou ele a correr muito depressa.
Minutos depois, ainda estávamos à espera do Digas, que chato, e pensar que ele e a Sara são irmãos, ai haja paciência para tanta lentidão. Nem acreditava que meia hora, nós ainda estávamos pregados às cadeiras, sem puder fazer nada, que fixe! Estava-me a divertir à brava, nem te conto. O meu sarcasmo atingiu cá um nível que passada uma hora, o Pedro decidiu animar aquilo tudo.
E com um sorriso amarelo comentou apontando para os altifalantes (o que iria ele fazer, não iria certamente chamar o Circo Cardinali, pois não?):
- Já vão ver como é que ele usa o mi…
O Pedro foi interrompido pelo barulho que o Digas fez com o microfone:
- Hã…Desculpem lá, o Grande Lança quer dizer umas palavrinhas.
- Obrigada Digan, o que eu queria dizer é que não só teremos os enxames e testes como também teremos a visita de 3 das escolas mais famosas de magia, e elas são:

· A Secundária EB 2,3 Oriental do Grande Dragão…

Um dragão veio ter justamente aos lugares reservados, cuspiu fogo pela boca que se transformou em alunos sentados nos bancos; quanto ao dragão, ele transformou-se num senhor muito velho com um bastão em forma de dragão e disse:
- Grande Lança, meu amigo!
- Estou a ver que os teus alunos já se sentaram. – Disse o Grande Lança espantado.
- Sim, sabes que é costume lá na China as pessoas serem muito educados. - Disse o Grande Dragão.
- Vai-te sentar que eu depois conto as novas.
O velho foi sentar-se perto dum que indiano que parecia ser o stôr de matemática (eu topo os stôres de matemática a milhas), depois o Grande Lança continuou a ler a lista.



· A Secundária EB 2,3 Oriental do Grande Dragão…

Um dragão veio ter justamente aos lugares reservados, cuspiu fogo pela boca que se transformou em alunos sentados nos bancos; quanto ao dragão, ele transformou-se num senhor muito velho com um bastão em forma de dragão e disse:
- Grande Lança, meu amigo!
- Estou a ver que os teus alunos já se sentaram. – Disse o Grande Lança espantado.
- Sim, sabes que o costume lá na China as pessoas serem muito educadas. - Disse o colega chinês sorrindo muito bem disposto e apertando a mão ao seu irmão de sangue.
O Grande Dragão e o Grande Lança são irmãos de sangue e de energia mágica desde os tempos em que andavam neste mesmo palácio como aprendizes de feiticeiros brancos.
- Vai-te sentar que eu depois conto as novas.
O velho foi sentar-se perto dum que indiano que parecia ser o stôr de matemática (eu topo os stôres de matemática a milhas), depois o Grande Lança continuou a ler a lista.


· O Colégio Ortodoxo Soviético de Moscovo

Um monte de cores vermelhas seguiam uma águia de duas cabeças enquanto entravam no auditório, as cores vermelhas transformaram-se em alunos, a águia num cyborg que gritou:
- PEDRO FRANCISCO ALEJANDRO MIGUELITO KORSAKOV BOMARA QUETZACOTAL DARDO!
Um velho cyborg rabugento pelos vistos! Rodou a cadeira de rodas em direcção ao palco, dizendo palavrões em Russo, com um rosto pálido quadrado de sessenta anos enrugado. Era o Sr. Reitor Alexandre Korsakov, um santo padroeiro um pouco velho, com mais de quinhentos anos, do tempo de Pedro o Grande.
Mesmo assim, com aquela idade toda, governava o velho colégio e liceu com punho de ferro e nenhum dos alunos se queixava ou ficava sentado quando o Sr. Reitor entrava numa sala, todos lá em Moscovo deviam-lhe respeito pela idade e pelo grande conhecimento que possuía. No entanto, aqui em Portugal da Dimensão Mágica, as coisas não assim tomadas tão a sério…Talvez esta ideia de fazer os câmbios com mais três escolas seja uma má ideia.
Sim, é uma má ideia, mas mesmo assim, toda a gente levou a coisa na brincadeira, e o Grande Lança sorriu para o colega, que agora explodia de raiva, um pouco rabugento mas cómico. O nosso director sempre foi uma pessoa muito brincalhona
- Tem calma Alexandre! O Pedro só se instalou aqui por que queria estar com o pai, entretanto vai-te sentar, ok? – Disse ele.
O velho homem de cadeira de rodas moreno com uma barba castanha que chegava ao colo concordou, fazendo que “sim” com a cabeça e riu-se da figura que tinha feito.
- O.K. – disse o cyborg.
Ela muito surpreendida, perguntei:
- Quem é o resmungão?
- O meu 1º stôr, director do Colégio Ortodoxo de Moscovo e meu avô da parte da mãe. Acredita, ele tem duas personalidades! – Respondeu o Pedro com um sorriso.

· …e finalmente, mas não menos importante: A Secundária E.B. 3 e Faculdade de Artes, Letras e Magia da Califórnia!

Um grupo fanfarra entrou de rompante, eram muito pequenos os alunos: tinham 1,05 m (havia 6 que eu conhecia muito bem); depois entrou o reitor que media 1,40 m, o que fez o Grande Lança ter de se baixar para dar um abraço ao colega (o Grande Lança mede 1,80 m, portanto já estás a ver a grande salva de gargalhadas que aquele acontecimento provocou). O reitor pequenote abriu muito os olhos verdes na sua cabeça pequena triangular e fez com que todos os seniores americanos parassem de falar e de se rirem da figura dele.
- PAREM DE RIR! SUAS HIENAS DESMIOLADAS! – Disse o reitor para um grupo ao fundo do auditório.
O grupo ao fundo era o mesmo grupo do café! Temos mesmo de os aturar, são soldaditos de dezoito com miolos e do tamanho de feijões! Tão burros…! Onde a Dimensão Mágica vai parar, e estou mesmo a falar a sério.
Finalmente, depois de todos terem ido embora, tive a oportunidade de falar com a Sara acerca daquele assunto que tu sabes. Aquele acerca da Princesa Arco-íris.
Sentei-me num banco ao sair do auditório, e vendo que ela já tinha saído e estava a falar com as novas amigas – Uma chinesa mais pequena que ela, e uma rapariga loura de pele pálida, com olhos azuis, alta de um metro e noventa, com um rosto de modelo e um sorriso tridente, parecia uma modelo – chamei-a acenando com a mão, e esta veio ter com as duas raparigas. Realmente, vamos ser grandes amigas, tenho essa impressão.
Muito satisfeita com tudo aquilo, ao ver que nós as quatro estávamos juntas, comecei a falar.
- Sara, reparei que tu és muito parecida com a Princesa…
Mal tinha pronunciado o “P”, ela não quis saber e virou as costas, sentindo-se mais pálida da cal e tremendo cheia de medo.
A rapariga asiática pôs o indicador sobre os lábios vermelhos e, ajeitando a sua saia, falou baixinho para mim.
- Calada, ele pode ouvir-nos! – Disse a chinesa.
Lancei-lhe um olhar curioso, e fitando-a nos olhos, reparando que não estava nem um único agente das SPV, encolhi os ombros.
- Ele quem? – Perguntei eu, não vendo nenhum rapaz à vista. De que homem estaria elas a pensar, é que eu não via nem uma vivalma masculina pelos corredores.
Que segredo a Sara esconde…? E porque seria que tinha a impressão que estávamos a ser vigiadas…? Que assustador, nem queria pensar o que é que seria!
A russa baixou também a voz e agachando-se ao meu lado, para ser discreta, sussurrou ao meu ouvido:
- Está um bruxo muito poderoso a seguir-nos. Temos receio que seja o mesmo cujo fez esta marca à Sara.
Ela apontou para uma assinatura a arder num fogo negro na mão esquerda da Sara e com um corte enorme e profundo no seu palmo, a ficar cada vez mais fraca, tentei ver melhor de quem era a assinatura, mas ao tocá-la, vi que era magia, magia antiga, e muito gelada e a escaldar ao mesmo tempo.
Um bruxo? Era cá dos meus ou seria um Bruxo Nazi…? Tenho de dizer-te que nós, pelo menos a nossa família, pertence a uma classe de bruxos bons, não, não era nada meu ou da nossa família, aquilo era mesmo magia negra antiga proibida, ou como o Tio Set e o Primo Horus lhe chamam, a MNAP. Quem quer que tivesse feito aquela magia, devia ser um bruxo muito maléfico e perverso, sabendo que a sua fusão de caligrafia serviria para uma mistura de magnésio com a pedra sagrada magnetite, sim, o meu apelido é também o nome de uma substância. Mas esta magnetite tinha sido utilizada em alto nível, aquele feitiço tinha sido invocado com a maior das cautelas e discrição.
Que estranho encantamento seria aquele…? O que quer que fosse, eu não poderia examiná-lo com mais precisão, pois o relógio era claro, marcava as cinco e eu tinha-me que despachar para apanhar o metro.
Despedindo-me das novas amigas, e tirando o cartão que era o passe para o metro, acenei com a mão enquanto via a chinesa e a russa a ajudarem a Sara a restituir a sua energia mágica. Já que te falei da energia mágica, tenho que te explicar o que é: uma espécie de sangue prateado que corre nas minhas veias, aliás, corre em tudo o que é vivo aqui na Dimensão Mágica. Deveria ser aquilo que o nosso “bonito bruxo” queria: a energia mágica da Sara. Pensei que quando chegasse a casa, iria ver o que este feitiço realmente é, e aí saberia o que tanto perturbara a Sara, mas não seria tão simples como julgara, teria também de informar a minha família.
Bruxos Nazis, esses e os Assassinos do Amor são uma vergonha para os von Tifon, os Bruxos normais e bons, não nos damos lá muito bem com essa gente.
É verdade, nós Bruxos é que andamos às guerras, e os Feiticeiros Brancos andam a beber chá com bolinhos. Então, os Assassinos do Amor são os piores bruxos que existiram ou existem ou existirão à face da Atlântida, mas ainda não sei que tipo de feitiços ou encantamentos que eles preparam…
Pois, a Dimensão Mágica é uma caixinha de surpresas




Bem, a vida está mesmo complicada!
HELLO!!!...
Alguém não vê que este sítio é de tirar os parafusos
[2]?
[1]“ Não é? “ em alemão
[2] Expressão atlante para dizer – “de se ficar maluco!”

sábado, 31 de março de 2007

Um novo encontro com o destino

Bem! O dia não podia correr pior! - (
Conheci um rapaz da minha idade bem parecido (chama-se Pedro) e é lindo de morrer!
Vou contar-te como é que o conheci:
O tal grupo que andava com ele andava um bocado abatido e ele propôs irem ao Gima & Anima, um que fica perto da estação Central; a estação onde temos de apanhar o Metro para a escola que vamos frequentar (estou ansiosa pelo 1º dia de aulas), o verdadeiro “problem” é que eu e as manas estávamos de ir buscar uma cerveja para o tio – «sem álcool, egípcia, não é destas mixórdias portuguesas que lá bebem!» – e decidimos ir (por coincidência) ao mesmo café eles iam!
Depois ela armou-se em convencida, começou a caçoar
[1] a dizer que nunca tinha visto um grupo de pessoas tão miseráveis como aqueles 3, o Digas, um que estava quase a fazer 18 anos disse que esses 3 que ela tinha troçado eram os que tinham derrotado o Seta Negra e que era melhor “ a Sra. Loirinha com olhinhos azuis” meter-se nos assuntos dela; e ela irritada com a mão na mesa disse:
- E então? Não podem existir pessoas loiras?
O tal rapaz de dezoito anos penteou o cabelo, já cortado e espetado para a direita, tipo punk e esticou o mindinho com ar de convencido.
- A menina ainda não entendeu a minha língua, não é portuguesa? - Disse o Digas sarcasticamente.
- Claro que não! Se fosse portuguesa, suicidava-me.
- Oh! Minha Sra! Tenha maneiras! - Disse o Digas formalmente.
Eu afastei-me da discussão e disse ao empregado:
- Um Earl Grey·, se faz favor.
- Um Earl Grey e uma Coca-Cola, eu pago. - Disse um rapaz muito moreno, com a barba a crescer que, também por coincidência, tinha-se afastado da discussão, e tinha ido para a mesma mesa que eu; ele ao receber a Coca-Cola dele sorriu contente por me ver.
- Como te chamas?
Também sorri para a sua carinha linda de moreno português, parecia que tinha saído do Algarve e naturalmente, demonstrei sem querer uma auto estima fantástica. O segredo para conquistar qualquer rapaz giro é reparar nele e sem querer, deixar cair um sorriso ou uma pequena frase simples como “como te chamas”. Felizmente, para mim, é fácil não a ser eu a meter conversa, porque são eles que logo começam a falar. Mas é bom começar uma conversa, demonstra modernidade e independência, uma coisa que os rapazes adoram.
- Jessica Magmatite, de Londres. – Respondi eu ao beber o meu chá.
Ao beber a sua Coca-Cola, viu logo que eu era de confiança. Já está no papo.
- Pedro Dardo, da cidade de México ao seu dispor. - Disse-me ele sorrindo – Então, é 1ª vez que estás na Estação Manuelina?
Cocei a cabeça, com um olhar vazio para o Pedro.
- O quê? Mas pensei que… – perguntei eu confusa.
Riu-se, e pondo a mão atrás das costas, quase que entornou a sua bebida na cabeça, mas não fez mal, porque gosto dele na mesma. Pelo menos como futuro amigo.
Sim, acho que vamos ser grandes amigos. Tenho qualquer coisa que me diz isso, chama intuição feminina ou apenas destino, mas cá para mim e com os olhos pequenos castanhos de avelã que me apetece comer que o Pedro deve ser um rapaz engraçado, talvez me dê muitas gargalhadas.
- Desculpa lá. Quando me referi «estás na Estação Manuelina», não estava a dizer que estás na Estação mas sim na zona perto da Estação. - Explicou ele.
Então, corei, e ao limpar-me ao papel, e, pela primeira vez, acho que no fundo, gostava de um rapaz. Mas acho que não, não pode ser. Mas inspira masculinidade por todo o lado, e não consigo parar de olhar para ele sem um sorriso para ele.
Ri-me pela minha nova estranha timidez, nunca me tinha acontecido isto antes.
- É assim tão óbvio que é a minha 1ª vez?
Ele aproximou-me de mim, e ao deixar cair o papel, tentei apanhá-lo, mas eu também quis fazê-lo, no entanto, as nossas mãos cruzaram-se, e vi que íamos ser grandes amigos, e nada poderia destruir isso. Será amor…?
Riu-se, e um pouco embaraçado também, pagou a conta ao empregado.
- Bem, nota-se um bocado. – Respondeu-me a olhar para mim (há química)
[1] Depois acordou para o mundo real, e olhou-me preocupado – Quer dizer…Tu não sabes o quanto este país é perigosa, há fantasmas; grifos; demónios…
De repente, um monte de soldados da SPV apareceu de rompante, abrindo a porta à força, e um deles, tocou uma corneta que soou desafinadamente mal.
Estragaram o momento todo, que brutos estes polícias. Já percebo porque é que os Cyborgs e o povo estão descontentes com aqueles malvados, a violar raparigas indefesas e a pilhar se calhar cafés suspeitos.
Um deles, marchando, e pondo um tapete vermelho, pôs uma estaca com uma bandeira vermelha dourada e azul com uma Serpente em chamas sobre um dos guarda-sóis e em sentido, juntou os calcanhares, num tom muito frio e activo anunciou:
- Passagem de Sua Senhoria, o ServentinViesfPoiritiChief Edwvarditied Goldtheeth.
- Toda a gente que é da MFC não se mexa! Temos suspeitas que este café seja uma base de operações cyborg. – Disse uma voz irritante e aguda.
O Pedro retirou da capa que usava vestido um canudo e demonstrou uma pequena tatuagem, e eu vi que ele ligava o modo de batalha no seu olho electrónico, e agarrou-me e pôs-me debaixo da mesa, como se fosse outra pessoa.
- E depois há os “Fuinhas”. – Disse o Pedro com um tom irónico. – Fica aqui, Jessica. As coisas podem ficar feias.
Debaixo da mesa, curiosa com aquilo tudo, ainda tentei guardar o pão para depois, e reparei que as cervejas estavam na frente de batalha. O Tio Set ia matar-nos de certeza, mas o que importava naquele momento era tentarmos permanecer vivas para as entregar e regressar a casa.
- Quem são os “Fuinhas”? – Perguntei eu.
A rapariga que estava ao pé dos outros rapazes ao tremer foi levada com outros rapazes Cyborgs, com um pouco de medo e a voz fina.
Uma cena de guerra tipicamente atlante, mas… Que estariam eles a fazer num café particularmente popular e inócuo por aquelas paragens…?
- Só são os altos oficiais mais chatos e melgas de toda a Atlântida
! – Disse a jovem atlante a baixar-se também para outra mesa. – Vês aquele pequenote à frente de todos os outros?
Ela apontou para um rapaz de dezoito anos de estatura baixa, pelo menos mais baixo que ela, com uns olhos pretos enormes para um rosto triangular, um nariz anormalmente pequeno e um pouco curvo, como se fosse uma coruja e uma boca pequena, com a barba já feita, pelos vistos muito bem, com uma gabardina preta de cabedal, que nas costas dizia “Glória à Grande Serpente”, pegando habilmente com ambas as mãos duas adagas curvas bastante afiadas. A princípio não parecera intimidativo, mas agora que penso nisso, a qualidade sobrepõe-se à quantidade.
Sim senhor, esta nova vida cada vez mais me espanta. Ela, a ver se não olhava para nós, um meio a medo acrescentou:
- É o Chefe da Polícia da Serpente Vigilante, ou SPV. O que o Dentes de Ouro estará a fazer num bairro como este é que eu não sei.
Bom, queria saber mais sobre ela, então, puxei pela conversa, e desviando-me de possíveis ataques, tentei esboçar um sorriso no meio da confusão.
- E tu? De que lado é que estás, a propósito, como te chamas? – Perguntei-lhe em segredo, para não ser vista.
Ela riu-se e encolheu os ombros. O seu cabelo longo no chão varreu-se, e penteando-se melhor, respondeu um pouco convencida:
- De nenhum. Chamo-me Sara.
Tentei apertar-lhe a mão, mas apenas lhe dei o resto da Coca-Cola que sobrava. Definitivamente uma guerra não é a melhor maneira para se conhecerem pessoas!
- Jessica. – Disse eu meio atarantada com aquilo tudo. – Esta confusão é todos os dias?!
E eu que pensava que a Atlântida era um local pacifico.
A Sara deu uma risada de uma menina perfeita com os seus dentes perfeitos e fixou os seus olhos azuis em mim, tomando a coisa pelo cómico.
- Se chamas a constantes tiroteios; mísseis; bombardeamentos; civis inocentes em prisões políticas cruéis; todo o tipo de luxúria e fuzilamentos da madrugada até às altas horas da noite pacífico, sim, somos pessoas de uma paz incrível e inatingível! – Comentou ela num tom sarcástico. – Baixa-te mais, porque o Dentes de Ouro vai fazer uma pequena entrevista ao pobre do gerente, um dos gémeos Anima.
Ao reparar que o alto oficial apontava a sua adaga para o gerente, ou seja, o gémeo Anima mais velho, vi que o homem de vinte e seis estava um pouco chateado com as mãos no ar pelo Capitão (Segundo a Sara, era a tradução da patente de Ed. Goldtheeth) ter entrado no seu café e ter perturbado o seu ambiente calmo – Já para não falar do meu ambiente calmo com o Pedro!
- Não assustai a clientela! – Disse um dos 2 gémeos que estavam do lado da banca das pessoas responsável pelo funcionamento do café.
O Capitão riu-se sadicamente, e apontou a adaga em chamas de vulcão contra o coitado do gerente.
- Anima, tell me just one thing:
[2] onde está o Dark Sword? – Perguntou o líder do esquadrão, que tinha um sotaque americano americano. – I’m waiting. O.K. É assim: eu vou contar até dez, e se tu não me disseres onde é que está o Dark Sword até lá, é goodbye para o café.
O irmão do ameaçado colocou-se logo em frente do seu irmão para o proteger. Pois, pois, zelando pela segurança, estou a ver mas é zelando pela tirania daquela bruxa da Serpente de Fogo, não pelos interesses do povo esfomeado.
- Não se atreveria! – Disse o outro mas logo um dos soldados disse-lhe para se calar ao colar uma mordaça na boca.

- 1…2…3…Está tentar a minha paciência, Gima. – Disse o capitão quase dando sinal para os outros fuinhas dispararem, mas…
Subitamente, uma rosa azul com um espinho negro interpelou-se entre uma das primeiras balas e surgiu um homem ágil empoleirado no telhado da casa, com uma capa roxa e umas luvas de sangue, desembainhando uma espada negra.
De quem seria…? Bom, esse deveria ter um sentido romântico para as coisas, não achas? Devia ser o Robin Hood da Atlântida. O misterioso homem riu-se e num tom trocista, lançou uma das rosas azuis e uma das lâminas arrancou o nariz de Goldtheeth, muito furioso, fogo, aquelas coisas eram afiadas.
- Deveria ter escolhido um sítio melhor para arranjar os dentes caídos de cima, não acha, meu caro Capitão? – Comentou o homem a beber com o mindinho esticado uma chávena de café.
O Capitão ficou muito chateado e apontando para o chão, desembainhou as suas adagas com água.
- Venhais cá e lutai como um homem, General Dark Sword! – Ordenou o Goldteeth, e todo o esquadrão de polícias secretos estava pronto para disparar.
Quem seria aquele benfeitor que protegia o café…?
O homem soltou uma gargalhada, e encolhendo os ombros, ficou lá no telhado, sem mexer num único músculo.
- E para quê, posso saber a razão? – Comentou ele atirando uma rosa, desta que não era afiada, para mim, e agarrei-a, levantando-me, muito agradecida. – Estão aqui damas, terá a sua batalha, sim, mas não aqui nem hoje. Quando certas belas senhoras tiverem dispersado, talvez poderemos lutar.
Ao ter dito estas palavras, ele levantou-se e com uma perícia tal, aterrou junto a mim, e beijando a minha mão sorrindo com um protocolo enorme, vi que era bastante robusto, com uma espada negra embainhada e sibilando ferozmente, no entanto, a espada ao me ver, desembainhou-se por si própria, e, ao subir ao meu colo, senti um frio terrível, tipo uma rajada de Janeiro no meu pescoço.
- Tenha calma, querida e bela senhora. O meu florete não lhe fará mal, General Dark Sword, James Dark Sword, chefe do Movimento das Forças Cyborgs, a Resistência, a Resistência é o lado dos bons. Um seu humilde servo ao seu dispor. – Disse ele por detrás da máscara de porcelana, com os olhos verdes de esmeralda a brilhar, tirando o chapéu de feltro. – E posso ter o conhecimento a bênção com que os seus pais lhe deram, linda menina?
Que cavalheiro, bem, parece que os von Tifon estão do lado errado, porque nós devíamos apoiar os Cyborgs, e não aquela bruxa mais os seus impiedosos lacaios.
Ia-me logo apresentar, quando reparei que umas balas iam, directamente em direcção a Dark Sword, já o ia avisar, quando este deu um triplo mortal murmurando primeiro na minha orelha “com licença, menina” e agarrando no meu corpo com as luvas, senti uma sensação muito estranha, ao ver tudo de pernas para o ar, e durante sessenta segundos, pensei que ia morrer, mas de repente, aterrei juntamente com o meu protector. Salvou-me de ser morta, que homem…! Sim senhor, que homem! Estávamos lá fora, em segurança, num beco, e parece que ele deve ter utilizado para nos transportar até aqui.
Depois, ajoelhou-se, beijou as minhas pernas, os meus joelhos, os meus ombros, e até ia pensar que ia beijar os meus seios, mas isso não fez, porque depois beijou os meus braços e as mãos, e com um sorriso misterioso, explicou-se:
- Queria certificar-me que não havia nem um ossinho ou músculo ou a sua carinha bonita não se tinha deformado, mas pelos vistos, está tudo a funcionar em ordem no seu corpinho sagrado de deusa, nada estragado.
Bom, que atrevimento! Pelo menos, preocupou-se comigo…Não! Aquele general deve ter para aí trinta anos, mas mesmo assim…Bom, pronto! Gosto de ousados.
Já disse, mas aprecio tímidos, é como dá, para mim tanto faz.
Muito irritada, pus as mãos nas ancas e sem saber o que ia dizer, apontei-lhe para a capa roxa, quando se ouviu uma voz aguda:
- DARK SWORD, NÃO ESCAPAI À NOSSA BATALHA!
O general riu-se, e trazendo uma bola de cristal azul, atirou uma rosa para a cara do chefe da polícia atrevidamente a poucos metros de distância.
- É isso mesmo que farei…! – Dizendo isto, Dark Sword deixou suavemente a bola a rodar, espalhando um gás azul.
Ao se emancipar por todo o beco escuro e pintado de grafites a favor da ditadura, ouviu-se uma gargalhada que congelou todos os corações malvados dos malfeitores e os fez a correr a sete pés daquele sítio.
Quando todos tinham fugido, o Goldtheeth bateu com a mão numa das paredes, e olhando para o céu coberto pelos prédios.
- Isto ainda não acabou, Dark Sword! Vamos embora, rapazes. – Disse isto, mas, ao ver que todos tinham desaparecido, esboçou um olhar de muito maldisposto, cerrando os punhos e resmungando à medida que se ia embora. – Idiotas incompetentes, têm medo de uma risada qualquer, aquele imundo é só um cyborg mulherengo maricas, não o Assassino do Amor em pessoa.
Que estranha tarde, e eu não acredito que deuses; grifos; sereias; fantasmas; cyborgs e cidades perdidas existem!
É impressão minha ou isto mais parece um sonho do que a VIDA REAL!!!...
Meu, deve ter havido uma fuga de gás enorme em casa para eu estar a ter um sonho tão esquisito.




POEMA:

Somehow the world is upside down!
New adventures all around!
Somehow I’m bracking the spell!
No more hidding in a shell!

Then I ask:

- Is that true or false?
[1] Há qualquer coisa/ há amor no ar
[2]“ Conta-me só uma coisa” em inglês

sexta-feira, 30 de março de 2007

O Tio Set e os nossos quartinhos

Quando acabámos a álgebra, um senhor muito simpático veio ter connosco e disse:
- O jantar está pronto.
- Obrigado, nós já vamos ter. – Disse a Solaris – Eu conheço muito bem esta forma de viver, sabiam?
- Sim. – Murmurei eu, que CONVENCIDA!
A sala de jantar era enorme, mais parecia o interior de uma catedral gótica
[1] do que o interior de uma casa.
Havia uma mesa vertical (afinal isto é uma refeição normal ou um copo-d’água
[2]?), um montão de hieróglifos e pinturas egípcias nas paredes (aquilo mais parecia um alfa pendular[3], pá!).
Enquanto estávamos a maravilhar aquelas obras de arte nas paredes, uma voz solene disse:
- Eh! VOCÊS AS TRÊS! SENTEM-SE!
-Quem é o senhor? - Perguntei eu descaradamente.
- A pergunta é: QUEM SÃO VOCÊS? Por favor, sentem-se ao meu lado. – Disse sabiamente a “tal”pessoa.
De repente, via-se muito bem o dono da voz solene (que é que queres? A culpa não foi minha por terem feito a sala de jantar comprida como uma salsicha!), no entanto, assustadora como uma manhã de Inverno.
Era tão estranho, parecia que tinha 60 anos, mas já devia ter uns 6000 anos! Tinha uma cabeça de chacal e tinha imensas rugas – o homem está preso por arames! UNS OLHOS DE SANGUE! - Ou o homem gosta de lentes de contacto coloridas, ou tem um SÉRIO problema de sangue na íris!
A minha irmã mais nova teve de vomitar para aí um milhão de vezes por causa dos estranhos “convidados” do tio Set.
A luz do salão de jantares era claro, e tudo parecia que Set era um pouco resmungão, com a aparência de um homem egípcio que não cortara a barba, e uns lábios secos.
Curiosa, tentei fazer-lhe algumas perguntas, como era a casa, como era a família.
- Então, você é chefe da família? – Perguntei ao beber a água do meu copo.
O tio exibiu os dentes estragados e amarelos na pequena boca, em algo que parecia escorbuto e, tirando o turbante, viu-se uma cabeça loura rapada, quase só com uns pontinhos brancos como prata.
Escovando a sua barba, tossiu repetidamente seguido de um som parecido com o arranhar de um vidro meio rouco.
- Era. – Respondeu ele semicerrando os olhos manchados de sangue por detrás dos óculos de bronze com armadura decorada com hieróglifos. – Antes de Águia Negra e a seguir do grande Conde von Tifon, sim, eu fui o terceiro chefe da família von Tifon.
Tsuna, respirando bem fundo e aproximando-se do velho tio, mas com grande dificuldade, e com uma bravura nada sua, deu um beijo ao rosto de Set e perante tal acto, ele respondeu com uma vénia profunda.
- No Japão, respeitamos os mais velhos e eles merecem uma grande aceitação e apreciação nossa. – Comentou ela com virtuosa compostura.
O velho tio, com lágrimas nos olhos e muito satisfeito, deu um abraço à sua sobrinha mais nova, muito feliz.
- Minha sábia e boa criança, nem o mais inteligente de todos os homens desta casa, com o dobro da tua idade, souberam escutar as preces de um velho senil como eu, mas tu…Cuida bem de ti, pois serás a mais bondosa e generosa mulher von Tifon que esta família alguma vez conheceu!
Realmente, Set é um homem muito sábio, e apesar de ser muito velho, disse coisas muito interessantes, cão me conhecer, contou que já tinha visto o meu espírito infiel e perverso e poderoso em muitos homens da família, principalmente quando o próprio era do dobro da minha idade, ou seja aos trinta anos, tinha uma voz de homem maravilhosa, no entanto era arrogante, bonito e julgava-se o dono de tudo, mas isso é habitual nos chefes de família von Tifon: pensam que têm toda a magia da Dimensão Mágica, e são bruxos. Disse que era aos quinze que a maldade e ambição se notava e se desenvolvia. Conhece tão bem a magia negra como a palma da sua mão, e intitulado em jovem (150 anos ou mais de cem é equivalente a trinta anos na vida dos mortais) Senhor da Força com um forte sentido de dever para com a família, tem umas mãos que conseguem ainda manejar e invocar os feitiços e encantamentos que exigem a mais rígida disciplina e fria concentração; esta eficiência em quase tudo o que faz também se aplica no amor e prazer. Contou-nos que num das suas invocações, perguntou ao homem mortal quando é que poderia aguentar com uma mulher numa só noite. O homem respondeu que ficaria logo duro, e Set respondeu-lhe enquanto que o seu pénis ficara mole por causa de uma só, já ele ainda estaria rígido para os seus milhares de noivas e concubinas. Eloquente, bem-educado, é daqueles homens que sabem do mundo e já o viram girar mais de setenta vezes sete milhões de vezes. Não admira, tem cinco mil anos e é tão experiente e simpático. Gostei imenso da sua companhia ao jantar. Já ia contar que talvez eu fosse o próximo chefe da família. A isto respondi-lhe que seria impossível, pois eu não era assim tão fria e má, nunca iria ser bruxa. Bom…Achas…? Sou assim tão…Sabes…Mazinha, maluca, malvada…?
Depois do jantar, fomos conhecer o palácio: tem 6 andares, a contar com o sótão, o rés-do-chão as masmorras, cada andar tem quatro quartos, três casas de banho, e um salão para fazermos o que quisermos. O primeiro andar é onde os empregados dormem; o segundo é de hóspedes, mas raramente é usado por causa do barulho que há com os demónios e fantasmas que lá vivem e nas masmorras, apenas três podem ser usadas; o terceiro é, obviamente, o nosso, e eu durmo no segundo quarto, enquanto que a Solaris dorme no terceiro e a Tsuna no primeiro. Finalmente o Tio Set dorme no quarto; enquanto o Horus dorme no quarto andar, mesmo em cima de nós e o resto dos quartos e andares…? Também não sei para que é que serve, o Horus disse-nos para jamais, jamais, dos jamais irmos para o quinto andar, e ele disse uma nova proibição especialmente para mim: nunca, mas mesmo nunca, olhar para a enorme moldura de um retracto de um homem qualquer juntamente com uma mulher, nem abrir a porta ou ligar a energia que a liga luz do “lado obscuro” do meu quarto.
Quando chegámos ao meu quarto, fiquei espantada por haver tanto pó do outro lado e no meu estar tudo limpo.
Horus suspirou e muito satisfeito por finalmente acabado a visita guiada.
- Aqui estamos. – Disse ele dando-me um saco com um pó esquisito. – Basta espalhar este pozinho para que tu consigas decorar o quarto à tua maneira. Pode parecer um bocado vazio e sem tons de cores nenhumas, mas entro de minutos, ficará impregnado do teu estilo. A mesma coisa para vocês as duas, Tsuna e Sol.
Tentei soprar o pó, pensando nas melhores coisas que gostaria de ter no meu quarto.
Resultou, poster de revistas preferidas, a minha cama puff cor-de-rosa super fixe já feita, e um tom muito animador de laranja cinza com umas cortinas azuis clarinhas de seda, sim, perfeito.
Sorrindo muito contente, e reparando que as minhas roupas preferidas já estavam no armário e as coisas de higiene na casa de banho mais próxima, deitei-me refastelada a rir-me, muito confortável com a nova vida.
- Mal estou na Dimensão Mágica há horas e já estou a começar a adorar este novo mundo! – Comentei muito bem-disposta.
Horus sentou-se ao pé de mim, contente por eu me sentir à-vontade em casa.
- Ainda bem, pois vais ter de esboçar um sorriso para o teu último grau na escola do Palácio das Reuniões. – Disse ele a ir andando. – Como hoje é o vosso primeiro dia, podem ir deitarem-se tarde para fazermos serão com as outras pessoas convidadas, mas amanhã vamos acordar cedo. Tenho a impressão que a tua magia está muito avançada, mesmo assim, irás à escola do PR como as outras. Vais divertir-te imenso. O Palácio das Reuniões é gargalhadas garantidas, e no Verão, sentir-te-ás outra.
Depois, encostou a porta à minha espera, deixando-me nos meus pensamentos. “Outra pessoa”…
Sim, sem dúvida, em Junho de 2006, sentir-me-ei outra pessoa, certamente uma bruxa, espero que não, eu só quero ser boa, e espero que esta guerra acabe, sim, no fundo, sou boa, e nada nem ninguém irá mudar isso! Ou vai…
[1] Estilo de arte proveniente do séc.XIV
[2] Refeição formal depois do casamento
[3] Tipo de comboio português

A Francesa- Grrrrrr

Nem acredito! Temos de estudar um mês antes das aulas!
Tudo por causa da convencida da Solaris.
Tínhamos chegado à casa do tio quando uma empregada que estava com uma T-shirt disse que podíamos ir para os nossos quartos; aquela loira oxigenada pôs o meu primo nas NUVENS!
L



QUE RAIVA!!!!!!!!!!!!!!...
REVENGE!


A Solaris ficou um bocado raivosa, e disse de uma forma (gritou):
- Ò sua víbora, ninguém se atira a um pintainho (especialmente o meu primo) se NÃO EU!!!
- NÃO GRITES comigo, menina. DUAS HORAS DE ÁLGEBRA! VOCÊS AS TRÊS!
Não sei porquê mas duas horas depois, estamos aqui no átrio, enquanto que aquela fuinha da Spectinha (é assim como ela se chama) está algures num hotel qualquer a curtir o nosso primo!
QUE NOJO!!!

Aquela deslavada não se vai safar com esta.

A VINGANÇA VAI SER TERRÍVEL!

terça-feira, 27 de março de 2007

O Primo Horus

Ora bem, nós estávamos à espera dum táxi que nos levasse à casa do tio, a Solaris estava a ouvir mp3, eu a ler um de mitologia, e a Tsuna a vomitar num saco de plástico por causa do voo.
Primeiro uma pequena coisa que tens de saber: eu estava muito triste, por causa de ter perdido o meu avô adoptivo, tinha sido vítima de um acidente no Egipto, e não tinham descoberto o corpo dele. Ele era arqueólogo, e durante a 2ª Grande Guerra Mundial tinha sido piloto, depois espião, e um dos melhores.
Então, ao me despedir dos amigos do museu onde ele trabalhava, também fiz uma oração e eu, à noite, no museu, disse numa voz média:
- Avô, onde quer que esteja, quero que saiba que foi como meu pai para mim, se o perdi, podia mandar alguém ao meu encontro para ser como meu pai e para me dar as coisas que o senhor nunca foi possível dar-me através do seu trabalho. Meu papá, quero dizer papá por uma vez…Quero sentir que está aqui, que não o inventei, eu sei que um dia voltarás para mim, me encherás de beijos, por favor ouve-me! OUVE-ME!
Eu coitada, estava tão triste, que nem reparei que alguém me abraçou, e que um homem muito estranho, me abraçava, dizendo em Alemão:
- Sente-se bem, menina?
- O meu avô morreu! – Respondi eu a chorar muito triste. – Não tenho família, não tenho papá, nem mamã! Não tenho família para chorar a morte do meu avô!
- Oh, pronto, pronto, pronto, pronto. – Disse o homem em Alemão a abraçar-me como se me conhecesse muito bem, como se fosse o meu pai! – Cheguei, amor, e nada nem ninguém nos vai separar, Princesinha!
- Muito obrigado, agradeceu-o muito por me consolar, é tão bom, senhor. – Respondi eu ainda com lágrimas. – Ninguém, nem o meu avô me compreendeu tão bem!
- Minha vida, aqui estou eu para enxugar essas lágrimas. Vá, menina, não chore.
Ao falar com o homem, descobri que ele era um grande amigo do meu avô, e que me queria ajudar, então quando falámos no café, ele me contou que o acidente tinha realmente sido uma «…catastrófica tragédia…», e que se eu quisesse, era só assinar no papel de adopção, mas eu recusei dizendo:
- Não, meu senhor, por mais simpático, bondoso e com bom coração que o senhor seja, não vou voltar as costas a uma promessa que fiz à minha família do lado da mãe. Descobri-a ontem e não vou faltar a essa promessa! Onde já se viu uma inglesa faltar ao combinado?!
- Eu compreendo a situação menina, mas, se não gostar da sua família, aqui tem o meu número de telefone, escritório e telemóvel. – Disse o homem dando o número de telefone dele no papel.
O número dele era um pouco estranho para ser inglês, então eu perguntei um pouco confusa e sem saber o que fazer no café:
- Olhe, senhor…Quem é você?
Mas antes mesmo de ver bem a cara dele, aquele homem desapareceu sem deixar rasto, então tentei ligar para o número de telefone que estava no cartão, mas nada…!
Muito estranho, mas voltemos à minha história…
A minha irmã é alta, loura com um cabelo aos caracóis solto – Como nós as duas restantes, só que eu sou ruiva e a Tsuna tem um longo e bonito cabelo negro alisado para a frente, e terminado em dois rabos-de-cavalo encaracolados, ela deve ser a única pequena de nós as três, apenas um metro e quarenta e cinco. Já agora, vou aproveitar para falar um pouco de mim: tal como a minha irmã do meio, eu sou alta, mas nada se compara àquela torre magricela da Califórnia de um metro e setenta e oito, e eu com dez centímetros de diferença a menos que ela. Mas eu sou muito mais bonita que ela, tenho lábios um pouco grossos, a comparar com os médios pequenos, não são nada, e depois aqueles seios de plástico comprados numa lojinha não convencem ninguém! O meu cabelo ruivo tem em cima alisado com gel, depois à medida que vai descendo, fica cada vez mais selvagem e encaracolado. A única coisa de que não gosto no meu corpo danone tão perfeito é o meu nariz pequeno demais, as minhas sobrancelhas finas ruivas!
Ela deitou a pastilha fora num ar convencido, como se fosse alguém importante.
- Eu não percebo porque é que vim a esta terrinha de ninguém. – Comentou a Sol com o mindinho esticado. Nem sequer eram cinco horas.
Abanei a cabeça em sinal de desprezo. Pelos vistos, que ricas irmãs que vou ter, uma chorona coitadinha e uma arrogante como sei lá o quê!
Sem olhar para ela, comentei:
- Ninguém te pediu para vires, Mc. Viper.
Então ela ficou com um ar de espantada e indignada.
- Ò mineral, eu só vim por causa da school, OK? – Retorquiu a Sol chateada. – Julguei que era uma transferência, não uma visita ao Jardim Zoológico.
Enquanto nós estávamos a discutir, apareceu um jovem de 20 anos SUPER lindo!
Musculado, pele morena, no entanto com um nariz pequeno e achatado, parecia o Orlando Bloom acabado de chegar das filmagens do Tróia, com um metro e setenta e sete, apertou-nos ambas as mãos, e deu-nos um beijo no rosto de cada uma. Que sorte que nós temos, que sorte!
Era o tal primo que nos tinha enviado uma carta a cada uma, e ela dizia:


Querida prima:
Sei que não me conheces, mas era só para dizer que passámos ANOS em busca de informações tuas, e ao final de uma década de buscas e fracassos, encontrámos a tua família adoptiva, eles não acreditaram quando fomos a tua casa dizer a nossa identidade (tu estavas a dormir nessa altura), mas tudo ficou resolvido quando mostrámos o símbolo de família (sabes essa tatuagem; não é por acaso que a tens, cada membro da família tem). Se aceitares vem ter ao aeroporto do Cairo. Cumprimentos, HÓRUS TIFON

E não era só o rapaz, era também o carrinho, dinheiro…Estou no paraíso, acorda-me, que devo estar no paraíso! Diz-me se isto não é o sonho de qualquer rapariga: dinheiro; rapazes musculados e super bons; família; amor; estou mesmo a sonhar! Vou atacar, vou atacar e é já aquele primo gatinho! Se os olhos matassem…E sabem que já reparei que na nossa família, os olhos não passam do tamanho médio, por exemplo, eu tenho olhos azuis-claros pequenos, um pouco assustadores e penetrantes, mas muito bonitos. A minha irmã mais nova tem olhos castanhos com a forma asiática típica de amêndoas, e a “convencida do meio” tem azuis médios.
Eu e as manas passámos dez minutos a contemplar aquele sonho lindo, ele olhava para nós a passar as mãos por baixo dos nossos olhos. Que querido! Preocupa-se connosco…Ai…
-Não leram a carta? Hello? Primas, nunca viram um jaguar? – Comentou ele a rir-se.
Eu logo tentei meter conversa com ele, sabes, para ligar mais os calos familiares, só isso, mais nada, eh, eh, eh…
Não podia perder tempo a ficar calada. Por isso acenei e dei-lhe a mão, sorrindo muito contente.
- Oh! Pois… vamos? – Disse eu agarradinha a ele.
Oh não! Aqueles olhinhos tão queridos! Fiquei com um sorriso malicioso durante a viagem toda na limusina, junto a ele.
Dentro do confortável e grande carro, havia espaço para nós todos, por isso, sentei-me logo perto dele, no sofá onde se podia ver a paisagem deserta e completamente destruída da Cidade Perdida, uma antiga região, completamente devastada pela guerra, mas não importava, desde que estivesse com aquele borracho, tudo poderia correr optimamente!
No meio da viagem, quando estávamos quase a seguir para o desvio que seguia até à nossa nova casinha, afastei-me mais dele, de modo que pudesse estar à-vontade comigo.
Não o queria assustar, nem fazê-lo fugir a sete pés dali, que é geralmente a reacção que alguns dos rapazes mais tímidos têm quando me vêem.
- Então, aonde é que trabalhas, e és mesmo o Horus, o deus egípcio governante do Egipto? – Perguntei-lhe com um sorriso normal e simpático. – Estou tão curiosa, e aposto que as minhas irmãs também.
O primo fez um sorriso forçado, estou a ver que é dos tímidos, ou dos comprometidos, não vai ser fácil, posso esquecer, se calhar assustou-se.
Depois, suspirou aliviado, soltando um “Fu!”, como se sentisse que o perigo já tinha passado, eu não mordo…Muito!
- Bom! – Exclamou ele a rir-se. – Já sei aonde é que foste buscar esses olhos assustadores e esses lábios grossos. Eu trabalho no Palácio das Reuniões, fica em Portugal, que não é muito longe da Estação Manuelina, outra região atlante, mas que por estes lados não é fácil de se chegar, tem-se de conduzir para aí uns trinta e cinco quilómetros para lá chegar e mesmo assim…
Carregou num botão, onde saiu uma garrafa de água, saciou a sede, e ligou o ar condicionado, é verdade, estes dias estão muito calor, mesmo em Agosto.
Respirou bem fundo, depois acrescentou:
- …Não se consegue conduzir com esta onda de calor! Estão vinte e sete graus à sombra, mas com o fresquinho do carro ainda vá. Graças a Deus que as férias começam em Junho, senão…E nesses dias prefiro ir ao Palácio das Reuniões de metro, e aconselho vocês a fazerem o mesmo nos dias de calor. O cabedal dos assentos e o plástico do carro aquece que é o Inferno aqui quando não ligamos o sistema anti-aquecimento. Uma vez fizemos um piquenique no Verão com toda a família, a vossa mãe, os primos todos, o vosso pai, o rival do pai. Toda a gente veio prevenida, excepto o vosso pad…
Nesse momento, Horus engasgou-se, cuspiu a água num recipiente adequado, e durante dez minutos cuspiu para lá. Parece que “pad” não era bem o que ele queria dizer, seja lá o que ele nos queria dizer. É um fala-barato, realmente. Não se consegue calar durante uns minutos. Deve estar na família, porque todas nós somos umas tagarelas.
Depois corrigiu-se ao limpar-se com um papel higiénico:
- …Excepto o rival do vosso pai. Deviam tê-lo visto a dizer «Oh Céus! Arde tanto, paixão da minha vida, Katrine, cuida de mim, por Amor de Deus!»
Desatou a rir às gargalhadas, enquanto nós não sabíamos nada do que ele estava a falar, escutámos as suas palavras, com um olhar vazio, quem era a Katrine…? E esse tal rival do nosso verdadeiro pai, devia ser mesmo mau, um vilão, para o Horus dramatizar tanto a situação.
E limpando as lágrimas da felicidade, já mais calmo, continuou a falar, com um sorriso de orelha a orelha:
- Claro que não disse isso numa forma assim tão trágica, mas podia-se ver que a sua cabeça de ovo estava a escaldar de tanto estar na praia, e nós a dizermos ao rival do vosso pai…
Eu, farta daquela situação, tentei conversar com o nosso querido priminho Horus, a ver se ele nos tentava responder correctamente, e pondo a mão sobre a sua perna, sorri.
- Primo, mas…Quem era o rival do nosso pai? – Perguntei desconfiada, carregando o sobrolho, a ver se ele não enrolava mais. – Por falar nisso, a nossa mãe e nosso pai, estão vivos?
O primo Horus, a ver que tinha de contar a verdade, de cabisbaixo, tirou a minha mão da sua perna um pouco chateado e mais sério.
- Sabem, primas. A vossa mãe morreu de doença, há muito, muito tempo. – Confessou ele, bebendo outra garrafa de água. – O vosso pai suicidou-se há uns meses, morto num acidente no Egipto. Infelizmente, o rival do vosso pai conseguiu o que queria, e obteve o amor e a aliança da vossa mãe.
Espantadas com a história, nós julgámos que as mortes do nosso pai e mãe tivessem a ver com o tal rival do Pai.
E à medida que abanava com o leque da Tsuna a cabeça, Horus bebeu mais um gole de água, só de contar a história, tinha ficado com mais suor. Que segredos obscuros guardava a nossa família.
Subitamente, o vento começara a soprar forte lá fora, e algo estranho estava a acontecer, há minutos o céu que estava limpo e bonito, agora cobria-se de ameaçadora nuvens que prenunciavam uma possível tempestade.
Ao vê-la, Horus começou a tremer, mas logo se recompôs, afinal era um homem ou um rato, e ele optou por um homem, continuando a história.
- A nossa família era muito unida e feliz, estava tudo combinado para o casamento entre a Tia Katrine (a vossa mãe) e o vosso pai. O vosso pai era bom, muito bonito, e o chefe da família o Águia Negra, logo concordou com o matrimónio. – Disse Horus com um sorriso, mas logo desapareceu. – Tudo era perfeito e bom nessa altura, a Atlântida era próspera e era governada pelo bom e sábio Deus Neptuno, um Nobre da mais alta elite atlante. Até aquele negro dia…
Curiosas com aquela história, ambas pregadas aos nossos assentos, aproximámos de Horus, para saber que raio tinha acontecido à Atlântida e à nossa família. Tal como a tempestade que se ouvia de longe os trovões, haveria uma razão para que os nossos pais tivessem morrido, não, por velhice é que não deve ter sido.
- Que dia?! – Perguntámos ao mesmo tempo em conjunto. – O que é que aconteceu com esse tal paraíso que tu falas, que raio de homem ou mulher pode ter feito tanto mal a…
Mal Horus ia responder, quando reparámos num castelo amarelo enorme datado do século XVI, fortificado com uma forte grade de três metros pintada a verde cinza (não a minha cor preferida, de passagem), cujos portões imponentes tinham nas maçanetas do tamanho de cabeças duas iniciais: V.T. Outra vez a inicial von Tifon?! A nossa família será assim tão importante…? Atrás do palácio era possível vislumbrar um pinhal escuro e apenas iluminado pelas luzes que entravam agora do Sol, que tinha afastado as nuvens da tempestade, embora um nevoeiro miudinho cobria inteiramente toda a extensão da propriedade. Que conspirações ambiciosas e sedentas de sangue estarão por detrás das suas grades…?