Feitas as apresentações e conversas habituais, tivemos de nos despedir rapidamente, pois Nälden já começava a ficar farto de tanto procurar pelo estúpido e malandro do Spiegel, dentro em pouco, começaria a estranhar o facto da escondida Jessica von Tifon estar a conversar com um cyborg.
Beijando-me outra vez no rosto, o alegre rapaz sorriu mais uma vez com a sua humildade do costume.
Ao se afastar, acenou com simpatia para mim, fixando-me com aqueles olhos penetrantes, no entanto carinhosos.
- Espero voltar a ver-te sem ser nas aulas, Jessica. – Disse ele. – Nunca te esqueças de mim, não?
Só tive tempo de murmurar uma única palavra, sonante, e muito significativa, selando com selo de ouro na minha mente aquela conversa animada.
Uma palavra que normalmente dizemos quando sabemos que talvez nunca mais possamos voltar a ver-nos:
- Adeus!
Nesse preciso segundo ouviu-se um grito de fúria , clamando por vingança, que me arrepiou os cabelos todos! Vinha dos Alpes das Sereias, e a voz aterrorizadora era de um volume igual à dum trovão num tom espectral:
- Corre, cyborg imundo, apressa-te! Ao abraço de Jessica não poderás escapar!
O rapaz de braços e mãos de metal, estupefacto, não compreendendo nada, correu a sete pés, fugindo de mim e daquela estranha e misteriosa força. Que mal teria-lhe eu feito...?
O meu Padrasto devia estar mal-disposto. As minhas orelhas quase que estalaram ao escutar tal barulho estremecedor; as minhas pernas quase que não queriam mexer-se de tão assustada que estava. Na minha cabeça, continuava a dizer-me a mim própria «O Rei dos Bruxos existe, mas o meu padrasto já morreu!» inúmeras vezes, e tentava pensar em coisas boas. Coragem é coisa que não me falta, por isso, não liguei a esse bizarro fenónemo. Sempre vi filmes de terror desde os catorze. Porque razão um trovão qualquer me iria pôr a correr a sete pés dali?
Tentei assobiar e andar calmamente, inalando com um sorriso de esperança os napoleões dentro da linda caixa branca.
À medida que o Sol afastava as negras nuvens da escuridão e do terror, as fadas tinham um trabalho enorme pela frente do dia.
Por detrás dos doces com cobertura de chocolate branco e de leite às riscas havia um fundo falso, com um bilhete, escrito pela letra do alegre Pedro, mais uma fotografia dele, rindo com os seus dentes todos:
Eis algumas das coisas que o malvado de Tsesustan não nos pode tirar: o Sol; nem as flores; nem o amor; a bondade; a alegria; a compaixão; a amizade; a brincadeira!
Para sempre alegre, Pedro Dardo!
O bom do Pedro. Sempre a inventar formas de fazer com que eu me sinta melhor.
Comecei a ir à procura de Nälden a passadas largas, afinal, daí a bocado já seria uma hora, e se há coisa que o primo deteste é falta de pontualidade, uma vez que O Excelentíssimo General von Tifon em pessoa também não chega uma única vez a um sítio a horas.
Mal sabia o que iria encontrar...!
Contos, historias, textos pessoais... Short-stories, poems, personal texts....
Princesa Shamanarta
A reencarnação de uma antiga deusa Bellante da Sabeodria, sou eu... ;) LoL ...estou a brincar
The reencarnation of a ancient bellanian wisdom goddess....it's me...! ;) LoL I'm Jokking..
Many stories to tell! Now In bilingue....
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007
sábado, 20 de outubro de 2007
Um "Romeu" bem moderno

E ali está ele, aquele que eu anseio por me levar para o seu castelo de doces nuvens e outros prazeres divinos....Ou pelos menos ´como eu queria que le se parecesse , e olha que são muito parecidos!
Virei-me de rompante assustada, pensando tratar-se de uma nova luva dum sádico agente da SPV, mas em vez da medalha com o terrível símbolo da ∫φф, vi uma pequena lanterna com a cruz latina de Cristo a reluzir trémula.
Um rapaz de estatura média, cabelo escuro como o carvão e olhos penetrantes verdes como o húmido e claro musgo da noite; musculado com barba por fazer, dos seus dezassete anos cumprimentou-me, tirando do chapéu um pequeno napoleão, um pastel quentinho com creme de ovos e manteiga doce como recheio.
Sorriu, mostrando os seus dentes brancos e fortes, baixando-se para me beijar o rosto cavalheiramente.
- Olha, olha, olha! – Exclamou de bom humour. – Jessica! A minha bruxa preferida, oi!
Era Pedro, o filho do Sr. Tezcatlipoca, o cyborg pasteleiro que nos manda as melhores delícias de cozinha atlante que eu já alguma vez provei na hora do almoço. Quando tenho dinheiro, vou a casa dele para almoçar – uma vez que detesto a comida vegetariana da cantina, quse nunca almoço lá – ou quando estou rota, almoço na minha casa. O pasteleiro e gerente do restaurante de três estrelas, o pobre “Nuvem Doce” também é professor da Educaçao de Võo e de Transporte em Magia Negra.
Sempre o achei um pouco amalucado (O Pedro), mas que agora dissesse que eu era a sua bruxa preferida até era exagerado.
Olhei-o um pouco confusa, ao lhe dar um leve beijo no rosto (a forma formal como a gente se cumprimenta cá na Atlântida) e franzi a sobrancelha.
- Bom dia....Não estarás a exagerar? – Perguntei desconfiada. – Ainda há um mês dizias que eu era uma bruxa malvada....
Soltou uma gargalhada bem audível, tão bem diposta, que se pode ouvir por toda a clareira e aí, reparei como a sua voz era máscula.
- Qual quê, Jessica! – Riu-se. – Estava a brincar contigo e mais com alguns bruxos mariolas que só precisam de uma boa lição. E pensar que também és um deles....
Nessa altura, o seu sorriso desapareceu por completo, e começou a ficar um tanto preocupado, olhando-me de cima a baixo como se eu tivesse alguma ferida. Acabado o serviço de cinco minutos, suspirou de alívio, e sorriu ironicamente.
- Estás a passear por estes bosques sem nenhum acompanhante?! Se o nosso ilustre e velho Herr General e Duque von Tifon te apanhasse ainda te puxava as orelhas! – Exclamou num tom divertido, mas logo mudou de tom. – No entanto, não era para falar dos babuínos do Fritz e do Skánvasse que vim cá procurar-te.
Dizendo isto, entregou-me, esboçando um sorriso cúmplice, a caixa com os napoleões, e acrescentou num tom galante:
- Isto é para ti, Jessica. Certifica-te que ninguém veja o contéudo, 'tá? Há certas razões que gostariam muito de a ter.
Pisquei o olho ao Pedro com um sorriso de malícia, rindo-me de tais segredos. Claro que sabia os motivos de tal segredo, ele anda sempre metido em sarilhos com a SPV, espero que não irrite muito o primo. Há uns dias vi-o a fazer graffitis nas grades do portão do Château a gozar com o primo, juntamente com as fantasmas das amantes do tal tetrabisavô a rirem-se.
Depois, dei outro merecido e terno beijo no rosto ao rapaz das entregas.
Fazendo isto, soltei um risinho convencido, pondo a mão nos lábios com sinal de prudência.
- Sim, entendi muito muito bem. – Indaguei satisfeita. – Não te preocupes, que essas “razões” nunca encontrarão o contéudo desta pequena caixinha.
O Pedro é tão simpático, está sempre contente e de bom humour, além disso, é um verdadeiro cavalheiro como já não se encontra. Um rapaz de bom coração assim, merece uma linda menina que partilhe os seus ternurentos momentos de felicidade.
Se a minha magia e amor fossem suficientemente poderosos para o conduzir para uma linda e bondosa donzela, teria todo o prazer em fazê-lo.....e essa linda donzela seria eu!
A harmonia da amizade é fantástica, sem ela, todos os homens morariam no Reino do Caos e do Mal!
Que benção magnifica é ter amigos para nos ampararem nas dificuldades, e a luz da alegria e amizade consegue brilhar até no mais profundo dos abismos!
Mas que contéudo tão secreto ele se estaria a referir...? Ali só estavam napoleões!? Seria mais uma brincadeira das dele? Se bem conheço o Pedro - e conheço-o muito bem - ele está sempre a armar-se em palhaço. Qualquer dia acontece-lhe mesmo uma desgraça e quem paga as favas? O coitado do pai dele.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
O Grito da Verdade (Aviso)
A verdade da Dimensão Mágica toda dita da boca de Jessica Magnetite von Tifon através da sua experiência e das antigas memórias escritas por Rwebertan Samiel Di Euncatzio, o primeiro bruxo de todos os bruxos, o terrível Assassino do Amor no seu leito de morte.
Um anjo caído com a misteriosa necessidade de contar para a sua Atlântida (que tanto o desprezou e o temeu) o passado da vida e o futuro do pais que amaldiçoou com estas palavras:
Quando as princesas atingirem a maturidade, aí, agarrarei o último grito da verdade que restar deste ridículo país, que tanto amei e desprezei...!
tudo isso e as dúvidas que precisam de saber em acerca da Atlântida, da Dimensão Mágica e de tudo mais em tifon-ogritodaverdade.blogspot.com
c.catigirl@gmail.com - o meu e-mail
Fico à espera de novidades... - Famosa frase dita no "17-Jessica" (o meu diário!) e Crónicas do Tempo e da Lógica
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
O Jovem Amor Atlante (Parte II)
«O amor pode ser generoso, mas também pode ser cruel - com o Assassino do Amor, foi terrivelmente cruel!» Famosa porção dum dos raros discursos do misterioso General B. Estou a começar a ficar farta de tanto mistério! A sério que se ouvir mais uma vez esse nome, expludo de curiosidade...!
Uns lábios delicados e deliciosos tocaram no rosto do rapaz, e este sorriu muito corado, acompanhando a sua amiga, e, segurou cuidadosamente a mão da rapariga dos seus sonhos qual um lindo filhote de passarinho.
Que lindo casal que eles fazem!
Preciso desesperadamente de alguém para amar, beijar, dar carícias e dizer “amo-te” na orelha, senão ficarei para trás, e percorria qual hábil e rápido relâmpago na minha vssoura todas as árvores, chamando incessantemente o meu coraçãozinho!
O vento frio da manhã ia contra mim, mesmo assim, eu não desistia de ziguezaguear por entre o bosque, com os olhos a vasculhar por cada sombra ou penumbra (dizem que se encontra o nosso príncipe encantado se se ver primeiro a sua sombra) estranha ou que não pertecencesse à floresta ou a uma fada. Com a minha fiel mão direita adivinha, astuta e poderosa como uma cobra, consigo localizar qualquer cyborg que ande pelas redondezas, mas, o meu indicador direito parecia não ter encontrado até agora.
Dei um suspiro frágil e lugúbre, fazendo parar a vassoura de súbito, olhando para cima, e vislumbrando as monstruosas montanhas dos distantes Alpes das Sereias, uma cadeia montanhosa onde, por mais assustador que pareça, diz por aí que se ouve vozes de mulheres a cantar lindamente melodias fúnebres e tristes. Dizem que lá era a antiga morada do Rei dos Bruxos, e onde forças sinistras habitam os altos montes, aterradores a altas horas da noite se passeiam. Eu faço parte da magia negra, é por isso que sei destas coisas. Por exemplo, com a minha apurada orelha direita que consegue ouvir tudo, escutei ontem gritos terríveis e botas a ressoarem na fronteira do rio que dá para a Alemanha, os lacaios fantasma de Hitler (soldados nazis e demónios) a percorrerem os montes em busca da passagem para o Limbo dos Espelhos que há no assombrado Vale da Morte. Enfim, contam-se lendas muito estranhas de lá: homens sem cabeça; homens com cabeça de peixe; pássaros com mãos e pernas humanas; mulheres com pescoços que se esticam até os cinco metros de altura; mouras encantadas que esperam a salvação de um cristão puro para depois o devorarem inteiro com os seus dentes de morcego! Ora, em termos geográficos, por assim dizendo, a Zona Histórica e as Florestas de Cristais dão para a foz de muitos dos pequenos riachos e água que corre lá no Norte da Atlântida.
Daí, a famosa garrafa de óptima água “Sereia”, a SPV aproveita tão bem a límpida água transparente dos Alpes das Sereias que até já uma barragem. Rio-me de tais lendas disparatadas! Então os Demónios não deviam estar na Fronteira. A Deusa do Caos, Eris, não guarda com cuidadoso zelo os portais negros para se certificar que nenhum demónio ou fantasma começe a assombrar a Atlântida? Então, para quê tanta mexeriquice e boatos das gentes do Norte? É só mesmo para a SPV enriquecer cada vez mais! Nunca fui supersticiosa, e não há-de ser este ano que me vou tornar! Fantasmas e demónios nos Alpes das Sereias... Que tolice! Eu só acredito em Deus e no amor, e mesmo assim, é raro verem-me na igreja aos Domingos.
Agora a minha orelha, procurava ouvir não a magia negra, mas sim a branca, algum sinal de um cyborg que tivesse passado por lá.
- Queridinho, meu amor, onde estará o meu coração? – Comentava um pouco preocupada.
Soprei um beijo para o vento, com as mãos em oração, procurando o meu bem amado, onde é que ele estará?
Será que sonha comigo, tal como Nälden sonha com uma linda menina de cabelos pretos e olhos tão azuis quanto o céu...?
Será que anseia poder tocar nos meus lábios tão ternamente como eu anseio poder tocar nos seus...?
Ainda não encontrei o meu amor, mas ele há-de aparecer, prometo-te! «Como é que ele irá bater à porta...?» Já te digo: ouvirei um cavalgar triunfante, acompanhado por um órgão divino romântico, vou estar nas nuvens, e, depois, aparecerá, num bravo e branco corcel, um garboso e forte jovem, olhos resplandecentes e tão sinceros como as doces castanhas quentes de Outubro polvilhadas de canela; vai trazer chocolates nos bolsos, e eu saberei que ele é “O Tal” quando me pegar pelo colo e fizer rir às gargalhadas.
É meloso não é? Pois, mas sempre que penso nisso, a minha cabeça já está na Lua, e sinto-me tão feliz, tão feliz que até o vejo como uma versão mais nova do meu avô: meio ruivo, meio moreno, rosto fresco e bem comportado, um sorriso tridente, e uma voz máscula e atraente, chamando carinhosamente pelo meu nome.
Fiquei mergulhada nos meus raros e doces pensamentos – eu nunca sou romântica, só quando vejo que estou realmente só e vejo que não há problema, de outro modo, se as crianças não estiverem por perto, fico mais sarcástica e fria que uma pedra – durante minutos e minutos. Quando eu estou assim, ando pelos cantos a cantarolar, não sou nem respondona nem cínica. Pelo contrário! Sou muito mais boazinha...!
Tão aluada estava que nem reparei que uma mão metálica se depositou calmamente no meu ombro, uma mão forte de um homem....
(Continua ...)
Uns lábios delicados e deliciosos tocaram no rosto do rapaz, e este sorriu muito corado, acompanhando a sua amiga, e, segurou cuidadosamente a mão da rapariga dos seus sonhos qual um lindo filhote de passarinho.
Que lindo casal que eles fazem!
Preciso desesperadamente de alguém para amar, beijar, dar carícias e dizer “amo-te” na orelha, senão ficarei para trás, e percorria qual hábil e rápido relâmpago na minha vssoura todas as árvores, chamando incessantemente o meu coraçãozinho!
O vento frio da manhã ia contra mim, mesmo assim, eu não desistia de ziguezaguear por entre o bosque, com os olhos a vasculhar por cada sombra ou penumbra (dizem que se encontra o nosso príncipe encantado se se ver primeiro a sua sombra) estranha ou que não pertecencesse à floresta ou a uma fada. Com a minha fiel mão direita adivinha, astuta e poderosa como uma cobra, consigo localizar qualquer cyborg que ande pelas redondezas, mas, o meu indicador direito parecia não ter encontrado até agora.
Dei um suspiro frágil e lugúbre, fazendo parar a vassoura de súbito, olhando para cima, e vislumbrando as monstruosas montanhas dos distantes Alpes das Sereias, uma cadeia montanhosa onde, por mais assustador que pareça, diz por aí que se ouve vozes de mulheres a cantar lindamente melodias fúnebres e tristes. Dizem que lá era a antiga morada do Rei dos Bruxos, e onde forças sinistras habitam os altos montes, aterradores a altas horas da noite se passeiam. Eu faço parte da magia negra, é por isso que sei destas coisas. Por exemplo, com a minha apurada orelha direita que consegue ouvir tudo, escutei ontem gritos terríveis e botas a ressoarem na fronteira do rio que dá para a Alemanha, os lacaios fantasma de Hitler (soldados nazis e demónios) a percorrerem os montes em busca da passagem para o Limbo dos Espelhos que há no assombrado Vale da Morte. Enfim, contam-se lendas muito estranhas de lá: homens sem cabeça; homens com cabeça de peixe; pássaros com mãos e pernas humanas; mulheres com pescoços que se esticam até os cinco metros de altura; mouras encantadas que esperam a salvação de um cristão puro para depois o devorarem inteiro com os seus dentes de morcego! Ora, em termos geográficos, por assim dizendo, a Zona Histórica e as Florestas de Cristais dão para a foz de muitos dos pequenos riachos e água que corre lá no Norte da Atlântida.
Daí, a famosa garrafa de óptima água “Sereia”, a SPV aproveita tão bem a límpida água transparente dos Alpes das Sereias que até já uma barragem. Rio-me de tais lendas disparatadas! Então os Demónios não deviam estar na Fronteira. A Deusa do Caos, Eris, não guarda com cuidadoso zelo os portais negros para se certificar que nenhum demónio ou fantasma começe a assombrar a Atlântida? Então, para quê tanta mexeriquice e boatos das gentes do Norte? É só mesmo para a SPV enriquecer cada vez mais! Nunca fui supersticiosa, e não há-de ser este ano que me vou tornar! Fantasmas e demónios nos Alpes das Sereias... Que tolice! Eu só acredito em Deus e no amor, e mesmo assim, é raro verem-me na igreja aos Domingos.
Agora a minha orelha, procurava ouvir não a magia negra, mas sim a branca, algum sinal de um cyborg que tivesse passado por lá.
- Queridinho, meu amor, onde estará o meu coração? – Comentava um pouco preocupada.
Soprei um beijo para o vento, com as mãos em oração, procurando o meu bem amado, onde é que ele estará?
Será que sonha comigo, tal como Nälden sonha com uma linda menina de cabelos pretos e olhos tão azuis quanto o céu...?
Será que anseia poder tocar nos meus lábios tão ternamente como eu anseio poder tocar nos seus...?
Ainda não encontrei o meu amor, mas ele há-de aparecer, prometo-te! «Como é que ele irá bater à porta...?» Já te digo: ouvirei um cavalgar triunfante, acompanhado por um órgão divino romântico, vou estar nas nuvens, e, depois, aparecerá, num bravo e branco corcel, um garboso e forte jovem, olhos resplandecentes e tão sinceros como as doces castanhas quentes de Outubro polvilhadas de canela; vai trazer chocolates nos bolsos, e eu saberei que ele é “O Tal” quando me pegar pelo colo e fizer rir às gargalhadas.
É meloso não é? Pois, mas sempre que penso nisso, a minha cabeça já está na Lua, e sinto-me tão feliz, tão feliz que até o vejo como uma versão mais nova do meu avô: meio ruivo, meio moreno, rosto fresco e bem comportado, um sorriso tridente, e uma voz máscula e atraente, chamando carinhosamente pelo meu nome.
Fiquei mergulhada nos meus raros e doces pensamentos – eu nunca sou romântica, só quando vejo que estou realmente só e vejo que não há problema, de outro modo, se as crianças não estiverem por perto, fico mais sarcástica e fria que uma pedra – durante minutos e minutos. Quando eu estou assim, ando pelos cantos a cantarolar, não sou nem respondona nem cínica. Pelo contrário! Sou muito mais boazinha...!
Tão aluada estava que nem reparei que uma mão metálica se depositou calmamente no meu ombro, uma mão forte de um homem....
(Continua ...)
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
O Jovem Amor Atlante
Mas o que interessava é que o Nälden já tinha perdido a timidez, com um sorriso carismático, voando suavemente no seu tridente negro, e o ambiente romântico era favorecido por uma linda serenata com um acordeão e um violino, uma serenata à atlante, a típica música de amor que todo o feiticeiro atlante dedica pelo menos uma vez na vida à sua amada. O amante atlante é em duas palavras aquele tipo de homem misterioso e encantador, o cavalheiro gentil que nos socorre em qualquer sarilho; mas que não é nada frio, ao contrário do inglês. Carinhoso, é a sua verdadeira alcunha. Acho que nesses dias de Outono, nem quentes, nem frios, em que as as lindas folhas caem qual leves penas nos passeios da Floresta de Cristal é que se consegue ouvir as ternas declarações de amor dos simpáticos namorados atlantes às suas amadas através da eterna voz do inocente "Sami" nas trovi tocadas pelos violinos, pequenas harpas atlantes e pelos acordeões. As trovi é um tipo de baladas tipicamente "made in Atlantis", onde o cómico intrepecta um papel indispensável. O próprio Assassino do Amor componha e dava as letras para todas as bandas sonoras das diversões de Cyborg Town. Estas baladas e serenatas têm a características de serem feitas no período em que o coração do primeiro Rei dos Bruxos ainda não estar... digamos enferrujado. Têm mais de vinte mil anos e ainda são cantadas por vários artistas de rua cyborgs, e que sabem muito bem quem compôs estas canções.
Não é irónico que canções que no Reino de Terror do Assassino do Amor tenham sido consideradas aristocrácticas e privilégio da classe dos Bruxos possam agora ser tocadas e cantadas pela plebe dos Cyborgs? Isto faz-me esquecer os meus problemas, principalmente a mais famosa de todas as trovi, dedicada a um muito dos nomes atlantes característicos - Katherine, que em atlante arcaico significa "Papoila de Verão ":
Papoila de Verão,
Da primeira vez que te vislumbrei,
Turvou-se-me a visão;
Será culpa de quem?
Faltou-me a audição!
Adivinha minha querida,
Não havia naquela noite comigo, alguém?
Dessa primeira vez,
Dessa maravilhosa vez, eu nunca esquecerei!
Da primeira vez que te dei a mão,
Senti-me enamorado;
Senti-me relaxado;
Senti-me extasiado;
Senti-me desnorteado;
Senti-me embriagado,
No doce perfume do teu amor...!
Ò papoila de Verão,
És cada noite o objecto do meu ardor,
Por quanto tempo mais terei de suportar esta dor?!
Linda papoila de Verão,
Bate cada vez mais forte o meu coração!
Termina esta enfermidade com a tua poção,
Uma vez tomada, jamais se poderá deixar,
Esse encantador vício,
Dos teus lábios provar...Linda papoila de Verão!
Ao encontrar a Sara, a palidez habitual de bruxo do Nälden mudou para uma certa felicidade e corou um pouco, fazendo que atrás das costas estivesse na sua mão um ramo de flores.
Sorriu muito contente e, flutuando no seu tridente, saiu confiante, balançando-se ao voar, e apresentou-se, fazendo um voo rasante apressado perto das árvores e desajeitado, qual insecto atraído pela bela luz do luar na fonte perto de nossa casa. Apenas a aterragem forçada perto duns arbustos correu um pouco mal, consequentemente, este caiu de cabeça certeira na lama, com o chapéu bicudo castanho de couro todo enlameado e cheio de folhas de todas as cores, mais parecía um espantalho magricela deixado na floresta.
Uns passinhos delicados de cristal familiares aproximaram-se da ordinária poça, e, numa questão de minutos, a linda princesa chegou ao sítio onde estava o bruxo todo sujo e distraído.
O jovem homem de vinte e cinco anos engoliu em seco, de cabisbaixo, como se tivesse perdido uma batalha. Que diria uma donzela tão fina e bonita quando o visse daquela forma tão desleixada...?
Contrariamente ao que ele pensava, o rosto formoso da menina esboçou um sorriso maravilhoso e tão precioso quanto um tesouro no fundo do mar; seguido de um risinho agudo tão lindo quanto um chilrear duma rola. Ele tinha-a feito rir.
Encolhi os ombros, soltando um risinho menos bonito que o da “Princesa Sara”, piscando o olho, satisfeita com os esforços infrutíferos do Nälden, a tentar ser um esplêndido e garboso bruxo da elite. Bom, ainda era um começo, mas ele já a conhecía de alguns anos. O problema é que não se viam há mais de dois anos, segundo o próprio tenente me tinha contado. O pobre rapaz alemão tem um pequeno fraquinho pela princesa, só não sabe expressá-lo.
Não é irónico que canções que no Reino de Terror do Assassino do Amor tenham sido consideradas aristocrácticas e privilégio da classe dos Bruxos possam agora ser tocadas e cantadas pela plebe dos Cyborgs? Isto faz-me esquecer os meus problemas, principalmente a mais famosa de todas as trovi, dedicada a um muito dos nomes atlantes característicos - Katherine, que em atlante arcaico significa "Papoila de Verão ":
Papoila de Verão,
Da primeira vez que te vislumbrei,
Turvou-se-me a visão;
Será culpa de quem?
Faltou-me a audição!
Adivinha minha querida,
Não havia naquela noite comigo, alguém?
Dessa primeira vez,
Dessa maravilhosa vez, eu nunca esquecerei!
Da primeira vez que te dei a mão,
Senti-me enamorado;
Senti-me relaxado;
Senti-me extasiado;
Senti-me desnorteado;
Senti-me embriagado,
No doce perfume do teu amor...!
Ò papoila de Verão,
És cada noite o objecto do meu ardor,
Por quanto tempo mais terei de suportar esta dor?!
Linda papoila de Verão,
Bate cada vez mais forte o meu coração!
Termina esta enfermidade com a tua poção,
Uma vez tomada, jamais se poderá deixar,
Esse encantador vício,
Dos teus lábios provar...Linda papoila de Verão!
Ao encontrar a Sara, a palidez habitual de bruxo do Nälden mudou para uma certa felicidade e corou um pouco, fazendo que atrás das costas estivesse na sua mão um ramo de flores.
Sorriu muito contente e, flutuando no seu tridente, saiu confiante, balançando-se ao voar, e apresentou-se, fazendo um voo rasante apressado perto das árvores e desajeitado, qual insecto atraído pela bela luz do luar na fonte perto de nossa casa. Apenas a aterragem forçada perto duns arbustos correu um pouco mal, consequentemente, este caiu de cabeça certeira na lama, com o chapéu bicudo castanho de couro todo enlameado e cheio de folhas de todas as cores, mais parecía um espantalho magricela deixado na floresta.
Uns passinhos delicados de cristal familiares aproximaram-se da ordinária poça, e, numa questão de minutos, a linda princesa chegou ao sítio onde estava o bruxo todo sujo e distraído.
O jovem homem de vinte e cinco anos engoliu em seco, de cabisbaixo, como se tivesse perdido uma batalha. Que diria uma donzela tão fina e bonita quando o visse daquela forma tão desleixada...?
Contrariamente ao que ele pensava, o rosto formoso da menina esboçou um sorriso maravilhoso e tão precioso quanto um tesouro no fundo do mar; seguido de um risinho agudo tão lindo quanto um chilrear duma rola. Ele tinha-a feito rir.
Encolhi os ombros, soltando um risinho menos bonito que o da “Princesa Sara”, piscando o olho, satisfeita com os esforços infrutíferos do Nälden, a tentar ser um esplêndido e garboso bruxo da elite. Bom, ainda era um começo, mas ele já a conhecía de alguns anos. O problema é que não se viam há mais de dois anos, segundo o próprio tenente me tinha contado. O pobre rapaz alemão tem um pequeno fraquinho pela princesa, só não sabe expressá-lo.
sábado, 29 de setembro de 2007
A Floresta de Cristal (Parte I)
Depois do que tinha acontecido há dias, era bom saber que a chuva constante e as trovoadas assustadoras tinham dado lugar a maravilhosos passeios cobertos por todas as cores alegres do Outono, qual grande e confortável manto de folhas, a brisa fresca enchia o ar de um um doce perfume a eucalipto. Algo bom e divino estava para se revelar, e o bom tempo era outra esperança. Decidi ir ver como é que estavam as coisas pela Floresta de Cristal, pois essa linda zona toda de floresta muito densa em que a gente consegue ficar calma e relaxar. Os pregões pouco atractivos trazidos pelo vendedor de castanhas misturava-se com uma estranha voz, tão linda e melodiosa quanto um rouxinol que deliciava até o mais frio e taciturno bruxo.
À medida que a ouviam os poucos pássaros e pombas aproximavam-se dos seus formosos braços, e cantavam juntos com uma rapariga magra de um metro e cinquenta e cinco, alheios a tudo e todos.
E quem pensaria que esta voz sobrenatural seria da encantadora Princesa Sara a passear, sonhadora entre as florestas de cristal, andando numa calma maravilhosa, apreciando os poucos mas valiosos tesouros que a Mãe Natureza tinha para oferecer antes de chegar o longo sono de Inverno. Aquela rapariga judia de dezasseis anos é mesmo a personificação do Bem. Simpática, ingénua, bondosa, generosa, pequena, ela consegue inspirar confiança em qualquer um. Agora irei dizer-te porque lhe chamam “Princesa Sara” à Sara, ela é tão boa, bonita e tem uma bela voz. Acho que ela é mesmo uma princesa, porque de bom grado e com um sorriso o Primo Coutinho lhe dava um quarto, embora só a conheça pela cara e pelas coisas que eu digo dela ao jantar; o Nälden que já a conhece desde que ela tinha onze adora fazer duetos com ela no seu piano; o Hans cora tanto quando falamos dela que até diz num gaguejar meio incompreensível «...adorava conhecer essa fada tão bonita...»; o Fritz e o Skánvasse esperam ansiosamente no seu turno quando lhes falo da milagrosa menina; Horus e Set dizem que gostavam de a ter como amiga deles. Até acho que o meu padrasto...Não!
Esse aí é demasiado mau para ter tido o privilégio de ter conhecido uma flor tão fantástica e linda como a nossa rapariga mais querida. O seu sorriso iluminava tudo e todos enquanto dançava por entre os troncos brilhantes, antigas moradas das fadas. Dos lagos e fontes à volta das floresta, saíram outras criaturas bonitas, para ouvir o canto da Sara. Cabelos verdes feitos de musgo e de plantas fluviais ondulados enfeitavam as peles verde-clara e completamente nuas, as náiades só chegavam até aos meus seios em relação a altura, porém, os seus corpos já eram bastante desenvolvidos, para criaturas femininas.
Aquele dia estava a ser tão estranho que a minha sombra, não aguentando a luz do dia, acenou como se estivesse a fazer uma longa despedida, e desapareceu na escuridão dos bosques, para dar lugar a uma vassoura, cuja eu não me consegui habituar à primeira, e balancei algumas vezes. Mas, lá consegui habituar-me depois de várias tentativas falhadas, e continuei a ver cnuma mistura de inveja e sangue-frio as estranhas fadas aquáticas, que segundo as fantasmas, eram suas irmãs.
Oh! Como tinha ciúmes delas. Nadavam felizes na sua grande – luxuriosa e colorida, pintada pelas maravilhosas luzes da manhã – prisão de mármore e pedra, vigiadas constantemente pela aústera estátua do primeiro von Tifon: braços caídos para a frente como um grande oficial militar; tronco viril para cima nas típica vestes pretas dum bruxo poderoso com o chapéu de feltro e tudo, tapando o brilho das duas safiras que serviam de olhos ao magnifico bruxo; na mão direita, brandia um tridente de três metros, símbolo do poder negro, e na esquerda, fazia flutuar um estranho triângulo formado três linhas curvas negras sempre em movimento dos ponteiros do relógio, onde no centro, giravam como pobres objectos num redemoinho seis esferas. Sabia lá o que aquilo significava, mas se ele tinha um ar autoritário sobre as náiades, tinha.
Olhei novamente para elas, para aquelas fadas, com aquela beleza que ultrapassava qualquer feitiço meu, e, senti o instinto de bruxa a aparecer, o meu lado mau começava a aparecer, e nos meus pensamentos, surgiu uma enorme vontade de pregar um susto de morte áquelas fadinhas betinhas sem graça, com aquelas cantorias pirosas! Os meus olhos brilhavam de maldade e ódio, por que razão seriam mais bonitas que eu?
Jamais poderia ser mais linda que aquelas náiades todas juntas, as raízes que as prendiam à Natureza eram mais fortes que as minhas, elas tinham um pai de pedra pelo menos, que olhava por elas dia e noite! Eu não tenho nenhuma família! São alegres mesmo presas na água. E, para piorar a minha inveja e ódio a elas; conseguem viver com pessoas estranhas. Podes ajudar-me, sinto-me tão só.....Sniff. L Também não tenho namorado, e se continuar assim tão triste, vou acabar como aquelas fantasmas japonesas de ontem, ou mesmo como a Serpente de Fogo!
À medida que a ouviam os poucos pássaros e pombas aproximavam-se dos seus formosos braços, e cantavam juntos com uma rapariga magra de um metro e cinquenta e cinco, alheios a tudo e todos.
E quem pensaria que esta voz sobrenatural seria da encantadora Princesa Sara a passear, sonhadora entre as florestas de cristal, andando numa calma maravilhosa, apreciando os poucos mas valiosos tesouros que a Mãe Natureza tinha para oferecer antes de chegar o longo sono de Inverno. Aquela rapariga judia de dezasseis anos é mesmo a personificação do Bem. Simpática, ingénua, bondosa, generosa, pequena, ela consegue inspirar confiança em qualquer um. Agora irei dizer-te porque lhe chamam “Princesa Sara” à Sara, ela é tão boa, bonita e tem uma bela voz. Acho que ela é mesmo uma princesa, porque de bom grado e com um sorriso o Primo Coutinho lhe dava um quarto, embora só a conheça pela cara e pelas coisas que eu digo dela ao jantar; o Nälden que já a conhece desde que ela tinha onze adora fazer duetos com ela no seu piano; o Hans cora tanto quando falamos dela que até diz num gaguejar meio incompreensível «...adorava conhecer essa fada tão bonita...»; o Fritz e o Skánvasse esperam ansiosamente no seu turno quando lhes falo da milagrosa menina; Horus e Set dizem que gostavam de a ter como amiga deles. Até acho que o meu padrasto...Não!
Esse aí é demasiado mau para ter tido o privilégio de ter conhecido uma flor tão fantástica e linda como a nossa rapariga mais querida. O seu sorriso iluminava tudo e todos enquanto dançava por entre os troncos brilhantes, antigas moradas das fadas. Dos lagos e fontes à volta das floresta, saíram outras criaturas bonitas, para ouvir o canto da Sara. Cabelos verdes feitos de musgo e de plantas fluviais ondulados enfeitavam as peles verde-clara e completamente nuas, as náiades só chegavam até aos meus seios em relação a altura, porém, os seus corpos já eram bastante desenvolvidos, para criaturas femininas.
Aquele dia estava a ser tão estranho que a minha sombra, não aguentando a luz do dia, acenou como se estivesse a fazer uma longa despedida, e desapareceu na escuridão dos bosques, para dar lugar a uma vassoura, cuja eu não me consegui habituar à primeira, e balancei algumas vezes. Mas, lá consegui habituar-me depois de várias tentativas falhadas, e continuei a ver cnuma mistura de inveja e sangue-frio as estranhas fadas aquáticas, que segundo as fantasmas, eram suas irmãs.
Oh! Como tinha ciúmes delas. Nadavam felizes na sua grande – luxuriosa e colorida, pintada pelas maravilhosas luzes da manhã – prisão de mármore e pedra, vigiadas constantemente pela aústera estátua do primeiro von Tifon: braços caídos para a frente como um grande oficial militar; tronco viril para cima nas típica vestes pretas dum bruxo poderoso com o chapéu de feltro e tudo, tapando o brilho das duas safiras que serviam de olhos ao magnifico bruxo; na mão direita, brandia um tridente de três metros, símbolo do poder negro, e na esquerda, fazia flutuar um estranho triângulo formado três linhas curvas negras sempre em movimento dos ponteiros do relógio, onde no centro, giravam como pobres objectos num redemoinho seis esferas. Sabia lá o que aquilo significava, mas se ele tinha um ar autoritário sobre as náiades, tinha.
Olhei novamente para elas, para aquelas fadas, com aquela beleza que ultrapassava qualquer feitiço meu, e, senti o instinto de bruxa a aparecer, o meu lado mau começava a aparecer, e nos meus pensamentos, surgiu uma enorme vontade de pregar um susto de morte áquelas fadinhas betinhas sem graça, com aquelas cantorias pirosas! Os meus olhos brilhavam de maldade e ódio, por que razão seriam mais bonitas que eu?
Jamais poderia ser mais linda que aquelas náiades todas juntas, as raízes que as prendiam à Natureza eram mais fortes que as minhas, elas tinham um pai de pedra pelo menos, que olhava por elas dia e noite! Eu não tenho nenhuma família! São alegres mesmo presas na água. E, para piorar a minha inveja e ódio a elas; conseguem viver com pessoas estranhas. Podes ajudar-me, sinto-me tão só.....Sniff. L Também não tenho namorado, e se continuar assim tão triste, vou acabar como aquelas fantasmas japonesas de ontem, ou mesmo como a Serpente de Fogo!
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
O quarto de Spiegel....
A luz mal entrava no espaçoso e poeirento quarto, dando um aspecto sinistro aos quadros de antigos bruxos e nazis famosos pela sua infâmia pregados na escuridão, e, pelos seus olhares penetrantres e nada simpáticos pareciam não gostar da presença do seu felpudo amigo. As paredes estavam decoradas com papel de parede com um padrão de pegadas muito adequadas para os sonhos felinos de Spiegel.
Ali estava o nosso pacifíco bichano a dormir na sua cama de dossel preferida com o seu brinquedinho, uma escovinha macia e boa para arranhar, a sofrer dos adenóides, soltando um ressonar muito cómico, que fazia com que os retractos ficassem incomodados, olhando-o com desprezo.
O tenente, olhou ternamente para o bicho pesado e acenou com o indicador, tirando do bolso uma guloseima.
É difícil agradar a este aristocrático e sempre desiludido gato com a mania de se armar em caprichoso, e Nälden sabia isso demasiado bem. Tinha uma pequena recordação na cara como prova que aquele gatão não era para brincadeiras. Uma cicatriz em forma de cruz, um pequeno arranhão como resultado das muitas formas de simpatizar com aquele convençido e preguiçoso sempre a dormir.
Fez um “bsch-bsch” a agitar a goloseima qual orgulhosa bandeira para que o gato, soltando um miado como se dissesse “Eu? Está a falar comigo?” e conseguisse chamar-lhe a atenção.
- Guten Tag, mein Herr[1] Spiegel! – Disse ele baixinho. – Venha cá, o Onkel[2] Otto tem um bela gominha de caviar e atum para um lindo bichano puro. Se Sua Excelência se portar bem e vir cá para arejarmos um pouco e perdermos o peso, o Onkel Otto dá a bela gominha de caviar e atum a mein Herr Spiegel.
Infelizmente, o “tentador suborno” não resultou e ainda bem que a paciência do nosso amigo tenente é muita. As patas de Spiegel apenas mergulharam preguiçosamente como quatro pedras em areia movediça cada vez mais nos almofadados lençóis.
Ele miou um sonante e convencido bocejo, espreguiçando-se e refastelando-se na cama.
Na penumbra, o rapaz arriscou-se a aproximar-se mais do gato resmungão, desta vez, escondendo a sua mão treinada tanto para dar carícias, como também para ferir com uma faca atrás das costas.
Desta vez, ele iria tentar a diplomacia, e se nem isso nem a ameaça resultasse, então a magia e a violência teriam de responder por ele próprio.
Suspirou com um grande sorriso na cara, olhando para o bichano com um amor incondicional.
Ele ia pôr o gato a falar, era? Ou ia “fazê-lo falar”? Eh, eh, eh...
Baixou-se na sua altura espantosa de um metro e setenta e oito, com os seus olhos azuis um pouco falsos e demonstrando um pouco de desprezo pelo gato.
- Calma, calma, calma! – Exclamou ele entre dentes. – Acima de tudo, tenhamos calma com as nossas respostas, mein Herr Spiegel. Agora faça-me o favor de sair dessa cama antes que nos irritemos a sério!
Aí, o gato lá saiu lentamente do quarto, espreguiçando-se no chão e miando outro audível e estúpido bocejo.
Estava a ver que não, aquele maldito animal qualquer dia ainda vai tirar o pobre do coitado do Nälden do sério.
Tivemos que o levar numa caixa onde ele esperneou, arranhou, mas nem o pior dos gritos conseguiu salvar Sua Majestade de ser arrastada numa caixa negra sem protecção alguma na mala do “tanquezinho” do Nälden. Depois explico o que é essa máquina.
Pelo numa coisa este ignóbil bicho é útil: a fazer com que a nossa maldade sobressaia cada vez mais! Estou a brincar, não, o que eu queria dizer é que algumas vezes, nem nos apercebemos da sorte que temos por não termos vivido naquela altura em que a magia negra era mais forte. Sabes o porquê disso? Porque a luz consegue vencer o pesadelo que é esta guerra civil e este assunto da discriminação entre classes.
Ali estava o nosso pacifíco bichano a dormir na sua cama de dossel preferida com o seu brinquedinho, uma escovinha macia e boa para arranhar, a sofrer dos adenóides, soltando um ressonar muito cómico, que fazia com que os retractos ficassem incomodados, olhando-o com desprezo.
O tenente, olhou ternamente para o bicho pesado e acenou com o indicador, tirando do bolso uma guloseima.
É difícil agradar a este aristocrático e sempre desiludido gato com a mania de se armar em caprichoso, e Nälden sabia isso demasiado bem. Tinha uma pequena recordação na cara como prova que aquele gatão não era para brincadeiras. Uma cicatriz em forma de cruz, um pequeno arranhão como resultado das muitas formas de simpatizar com aquele convençido e preguiçoso sempre a dormir.
Fez um “bsch-bsch” a agitar a goloseima qual orgulhosa bandeira para que o gato, soltando um miado como se dissesse “Eu? Está a falar comigo?” e conseguisse chamar-lhe a atenção.
- Guten Tag, mein Herr[1] Spiegel! – Disse ele baixinho. – Venha cá, o Onkel[2] Otto tem um bela gominha de caviar e atum para um lindo bichano puro. Se Sua Excelência se portar bem e vir cá para arejarmos um pouco e perdermos o peso, o Onkel Otto dá a bela gominha de caviar e atum a mein Herr Spiegel.
Infelizmente, o “tentador suborno” não resultou e ainda bem que a paciência do nosso amigo tenente é muita. As patas de Spiegel apenas mergulharam preguiçosamente como quatro pedras em areia movediça cada vez mais nos almofadados lençóis.
Ele miou um sonante e convencido bocejo, espreguiçando-se e refastelando-se na cama.
Na penumbra, o rapaz arriscou-se a aproximar-se mais do gato resmungão, desta vez, escondendo a sua mão treinada tanto para dar carícias, como também para ferir com uma faca atrás das costas.
Desta vez, ele iria tentar a diplomacia, e se nem isso nem a ameaça resultasse, então a magia e a violência teriam de responder por ele próprio.
Suspirou com um grande sorriso na cara, olhando para o bichano com um amor incondicional.
Ele ia pôr o gato a falar, era? Ou ia “fazê-lo falar”? Eh, eh, eh...
Baixou-se na sua altura espantosa de um metro e setenta e oito, com os seus olhos azuis um pouco falsos e demonstrando um pouco de desprezo pelo gato.
- Calma, calma, calma! – Exclamou ele entre dentes. – Acima de tudo, tenhamos calma com as nossas respostas, mein Herr Spiegel. Agora faça-me o favor de sair dessa cama antes que nos irritemos a sério!
Aí, o gato lá saiu lentamente do quarto, espreguiçando-se no chão e miando outro audível e estúpido bocejo.
Estava a ver que não, aquele maldito animal qualquer dia ainda vai tirar o pobre do coitado do Nälden do sério.
Tivemos que o levar numa caixa onde ele esperneou, arranhou, mas nem o pior dos gritos conseguiu salvar Sua Majestade de ser arrastada numa caixa negra sem protecção alguma na mala do “tanquezinho” do Nälden. Depois explico o que é essa máquina.
Pelo numa coisa este ignóbil bicho é útil: a fazer com que a nossa maldade sobressaia cada vez mais! Estou a brincar, não, o que eu queria dizer é que algumas vezes, nem nos apercebemos da sorte que temos por não termos vivido naquela altura em que a magia negra era mais forte. Sabes o porquê disso? Porque a luz consegue vencer o pesadelo que é esta guerra civil e este assunto da discriminação entre classes.
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