terça-feira, 15 de julho de 2008

O oriente, o ocidente, o Norte e o Sul...


‘…- Ò Papá, mas afinal que história é essa de centauros, feiticeiros e fadas? – Perguntou com um ar vazio, mastigando os pedaços de pão com fiambre e queijo.
- É uma longa história de facto, filha. – Comentou ele, continuando a acarinhar o seu gato, passando a mão magra pelo pêlo áspero do felino, pensativamente.’



Fiquem pois a saber, todos os que ainda estiverem interessados no meu blog – pois, porque tem poucas visitas ultimamente – que, uma vez que tenho pensado em pôr a história da “A Lua dos meus Sonhos” num concurso de literatura que há, em Portugal, não sei se os júris me deixam publicar obras que já foram postadas no meu blog – o Grito da Verdade – portanto, não sei se continuarei a publicar a continuação da história, para além de que é muito longa (tem 376 páginas, aproximadamente). Só para vocês, planeei um resumo dum pouco da história.


Fiquem Bem …. ;-)
Annelina Sara, uma rapariga lindíssima de quinze anos e filha dum feiticeiro branco vagabundo, um andarilho famoso pelos seus grandes feitos no príncipio do século, é a única testemunha viva dum assassinato a uma importante figura da classe das Fadas, enquanto que a Princesa herdeira do trono da Atlântida, a perseverante e a poderosa viúva do Assassino do Amor, Swerdinada, se mete em sarilhos ao enviar Manuel Irmãozinho, um feiticeiro português com um grande sentido cínico de humor, investigar uma misteriosa Irmandade criminosa de terroristas perigosos, do qual, o líder, permanecendo em segredo, puxa os cordelinhos para que aconteça uma futura guerra entre Fadas e Bruxos.
Entretanto, Katharina Von Tifon, uma femme fatale e agente da Abwehr descobre que o seu ex. Namorado nazi é o responsável e agente especial dessa irmandade, que controla um atraente aprendiz de bruxo italiano de vinte e quatro anos, e possível suspeito, que vem a ser o centro das atenções dos Nazis.
Um turbilhão de intrigas, batalhas entre espadas, e desamores desencontrados, onde os Anos 30 e a Atlântida são um palco dum romance multicultural que percorre os quatro cantos do mundo, desde as florestas verdejantes mediterrânicas, até ao mundo oculto e obscuro dos Espiões, tanto ocidentais como orientais, tendo como personagens pessoas de todo o mundo, centrando-as num único espaço, que é, precisamente, o local de várias aventuras, dramas, comédias e tragédias a um estilo completamente novo, inventado por esta vossa escritora. Um trago de pimenta, cereja, azeite e chocolate para vos saciar a curiosidade, com personagens femininas e masculinas numa luta entre a igualdade e a superioridade.


Mil desculpas pelo incómodo.

domingo, 13 de julho de 2008

A última canção...


De uma forma ou de outra, a pequena Princesa Sara substituiu aquela víbora venenosa, e cantou até melhor que ela, toda a gente a aplaudiu pela sua linda voz, inclusive a própria e única Serpente de Fogo, que resmungava entre dentes palavras como “aquela judia estúpida” ou “bastardinha duma figa”.
A inocência e timbre angelical vindo da fadinha de dezasseis anos combinado pelo som sobrenatural do Nälden ao piano era quase como um bálsamo para os ouvidos de qualquer um. A sua vozinha, meia sussurrada e suave, relaxava e fazia as delícias de todos os que a ouviam, e, por uns breves minutos, toda a Atlântida acalmou-se para escutar aquele prodígio musical.
Até o coro composto pelas fantasmas e bruxas, criadas da Serpente de Fogo, pararam as suas vozes estridentes e cómicas para ouvir aquele sonsinho espantoso.
A letra, originalmente escrita por Samiel, unida com a orquestra e o talento da jovem, dava uma divina sensação de paz e harmonia lindíssima!
Lembrava a voz da minha mãe a cantar em Alemão a famosa canção “Lili Marlene”, e num tom embalador, Sara embalava humildemente os Bruxos presentes com a sua voz de anjo a cantar a versão da melodia atlante na língua germânica quase fluentemente.
Depois dos longos aplausos, “bis”, “bravos”, e gritos de todas as classes lá na fora na rua que estavam a ver a nossa tímida menina a cantar a última canção cantada pela maravilhosa amante do Assassino do Amor, surgiu, tão misteriosamente como desapareceu, o nosso anfitrião por detrás das costas da rapariga, que o olhava muito assustada e imóvel, sem saber o que dizer. Era natural, uma pequena fada judia vinda duma zona campestre como a Floresta de Cristal não estava acostumada às luzes citadinas e tecnologias do novo milénio. Era também normal que a ingénua menina não se sentisse nada à vontade diante das câmaras e achasse um pouco incómodo aquele barulho e agitação toda da grande metrópole atlante.
Pelo contrário, o “General B” batia palmas e esboçando aquele sorriso tão característico da sua personalidade que não inspirava confiança, contente por encontrar aquela jovem “lira viva” tão bonita.
Baixando-se para ver o que o destino lhe trouxera, ele soprou o fumo da sua boquilha com uma arrogância desprezível para a rapariga, transformando-a numa pequena serpente azul a sibilar num tom interesseiro.
Via-se logo que o Goldtheeth é um mulherengo, mas agora já estava a exagerar, quando a fumarada tocou levemente qual carícia fria no rosto delicado de Sara, fazendo com que ela tossisse abruptamente.
Seria mesmo o Chefe da SPV que estaria por detrás daquela fantasia bizarra e excêntrica...?
Enfiando o pau do microfone quase perto da boca da rapariga, ele olhou para o seu amado público com ar meio terno, meio perverso.
- Sim senhor! – Exclamou ele a rir-se. – Mais uma salva de palmas para a....Oh! Claro está, hoje estou mesmo distraído: wie heiβen Sie, minha jóia? Como é que a menina se chama?
A jovem, sem saber o que fazer, corou tanto quanto um tomate mesmo vermelho, e, encolhida, conseguiu apenas gaguejar:
- Sara....
A Serpente de Fogo, já um pouco recuperada da entorse, deitada num sofá, esboçou um sorriso mesquinho.
Virando-se para ela, olhou-a de alto a baixo e lançou-lhe um olhar rancoroso, como se quisesse que aquela menina nunca mais fosse feliz.
- Oh....Se ela não é amorosa...! – Interrompeu num tom trocista. – Mas...Poderá uma judiazinha sem pimenta e triste como essa rapariguinha mal vestida cativar milhares de admiradores como eu? Acho que não, queridíssimo público.
Depois soltou uma risada diabólica digna da mais pior e ciumenta de todas as bruxas, aliás, se houvesse uma eleição para Rainha das Bruxas, a Serpente de Fogo seria a escolhida. Como se aquilo que ela é disse tivesse piada....
Aquela mulher é mesmo malvada, para tentar humilhar uma pobre rapariga de dezasseis anos e vingar-se duma coisa que aquele anjo nem sequer fez.
A pequena rapariga suspirou muito chateada e cruzando os braços, decidiu não fazer caso quanto àquela cobra, a Sara nunca foi lá grande adepta da violência, tanto física como das palavras. Ela sabe muito bem que pessoas como a venenosa da Serpente de Fogo não merecem a atenção de absolutamente ninguém, por isso, ignorou-a simplesmente.
Apetecia-me dizer umas quantas àquela...Já nem tenho adjectivos para descrever aquela horrorosa.
Ninguém se mete com os meus amigos, muito menos com a minha melhor amiga Sara que me acolheu se olhar para as diferenças sociais ou nacionais ou raciais.
Então, olhando-a com um sorriso tão sarcástico quanto anúncio a uma companhia de seguros, levantei a mão ousadamente, exibindo as minhas unhas limpinhas e pintadas de um verniz roxo.
- Já que gosta tanto de julgar as coisas, porque é que não nos fala do dinheiro que milagrosamente apareceu para a organização desta gala? – Perguntei num tom frio.
Ao que a Serpente de Fogo respondeu, mantendo o veneno na língua e com aquele sorriso falso:
- Queridíssima Sra. Duquesa Von Tifon, todos os senhores e senhoras nesta sala sabem que o dinheiro dado pelos mesmos e comida remete para os meus pobrezinhos meninos lá longe no Afeganistão...
- Sim....Vossa Alteza, disso toda a Atlântida está farta de o saber – Disse uma voz no meio dos convidados. – Mas como é que explica os impostos cobrados às nossas crianças atlantes apenas por não saberem ler nem escrever?
A mulher virou-se colericamente para todos os lados, como um cão-de-caça raivoso, nem acreditando o que aquele convidado indesejado se atrevera a dizer.
Com os olhos lacrimantes de uma forma quase demoníaca, e à beira dum ataque exaustivo de histeria, ela olha com ar incriminatório e ameaçador para as câmaras, que, felizmente para a nossa política exterior, já tinham sido desligadas pelos soldados da SPV.
- Quem disse isso? – Interrogou ela num tom penoso. – O estúpido que apareça agora, senão eu nem sei o que faço!
Com Nälden, o Primo Coutinho e Tsuna sob vigilância, todos os olhos se centraram chocados em Serpente de Fogo. Infelizmente, os dela escolheram-me a mim e eu pus as graçolas de lado, sentindo que o drama ainda não tinha acabado.
Perante vários segundos desconfortáveis, limitou-se a olhar, lembrando-se sem dúvida de que eu a vira perto do Château Von Tifon, a Rainha e Presidente da República Nacional Atlante, crédula, tola, vendida – fraca.
Para a mulher que se vê como a Madre Superiora do Anticristo do Mestre Samiel, tudo aquilo era demasiado. Chegando-se muito próximo de mim, tão perto que eu conseguia sentir o seu Channel nº5 no seu rosto maquilhado e pestanejando furiosamente, com a boca num rito de desprezo, deu-me um discreto pontapé na canela com a ponta do sapato de salto alto.
Gemi de dor, mas mantive-me imóvel, quase em sentido.
- Estragou tudo, sua londrina idiota! – Disse ela, tremendo. – Tudo. Está a ouvir?
Sorri entre dentes e gemi friamente:
- Foi apenas uma demonstração dos poderes da minha família, mais nada.
Acho que ela até era capaz de me pontapear novamente, se não fosse a oportuna intervenção do General B, ou do Capitão-Mor Goldtheeth, ou fosse lá quem fosse aquele homem.
- Posso certamente comprovar isso. – Disse ele. – Nestas circunstâncias, talvez fosse melhor guardarmos as conversas para Dezembro, mais ou menos, pelo menos, até ter oportunidade de se recompor, Vossa Majestade. A descoberta da probabilidade da irmãzinha, num grupo tão baixo da sociedade de Sua Alteza como este, é certamente um profundo choque para ela. E para todos nós, evidentemente.
Ouviu-se na sala um murmúrio de concordância a esta observação, e a Serpente de Fogo pareceu recuperado o controlo de si mesma. Corando um pouco e esboçando um sorriso, um tanto envergonhada, torceu-se e ajeitou o longo rabo-de-cavalo preto, abanando brevemente a cabeça.
- Tem toda a razão, General B. – murmurou ela. – Um choque terrível.
Virou-se novamente para o seu “queridíssimo público” e povo, e, já com as câmaras ligadas, retomou o discurso, mais calma, mas ainda com algumas lágrimas a estragar o seu rímel.
- Tenho que apresentar as minhas sinceras desculpas, meu querido povo. Não só pelo falhanço que foi esta gala, como também pelas coisas horríveis que vos fiz passar, mas...tudo isso é passado.
Dizendo isto, lançou um carinhoso beijo para o seu “querido povo” e acrescentou:
- Começaremos, tal como mandam as tradições e leis de meu pai, uma nova Atlântida, uma....Atlântida livre. Ainda bem que este dia acabou, que eu... Graças a Deus não sofri qualquer dano colateral e....vamos dormir, porque eu tenho o meu pezinho todo torcido...
Com isto, deu meia volta e andou solenemente para fora da sala, acompanhada de várias das suas damas de companhia a coxear e grunhir coisas como «Porquê?!» ou «Só a mim, só a mim!» ou até mesmo «Maldita a hora em que eu concordei beneficiar esta ideia estapafúrdia!»

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Festa do "General B" (Parte V)


A noite já ia longa, e quando os fogos fátuos dos ponteiros do gigante relógio de pêndulo de dez metros de altura soaram as horas, todos estavam muito cansados, soltando gargalhadas de satisfação e exaustão, respirando ofegantemente com as roupas todas tiradas, muito felizes por terem caído na esparrela de irem ao melhor sítio de toda a Atlântida festejar o Dia das Magias Negras.
Nesse preciso momento, fosse lá quem fosse, o bizarro anfitrião chegou mais uma vez ao palco para apresentar uma música final que fechasse em grande essa gala.
Quando ele subiu ao palco, todos bateram palmas e assobiaram contentes, alguns talvez bêbados daquela festa de arromba.
Com uma compostura e frieza impressionante, o obscuro homem fez com um requinte inigualável um sinal com as mãos para que todos os convidados sossegassem.
E, ajeitando com delicadeza a camisola de lã negra, comentou num sorriso hipócrita:
- Meine Dämen und Herren, damas e cavalheiros: é quase meia-noite, assim sendo, estão a apenas uma hora e quarenta e sete minutos de perderem os vossos copos de champanhe que eu tão generosamente vos ofereci no início deste agradável serão...!
Mas, como muito bem disse uma vez um inglês: “Isto não é o princípio do Fim, é apenas o fim do príncipio!”
Várias gargalhadas percorreram pelo salão refinadamente decorado da maior parte de serviços, que ecoaram por todas as paredes.
Mal o dedo indicador do anfitrião “mistério” se ergueu, o silêncio pairou outra vez naquela sala, assim, o “General B mascarado” pode continuar o seu discurso:
- Em primeiro lugar, gostaria de agradecer em nome da nossa querida rainha, que autorizou que este maravilhosa...como direi...? Pérola da minha mente se tornasse realidade, e em segundo....
Subitamente, um estranho barulhinho vibrador ecoou pelas paredes da sala onde estávamos reunidos.
Quanto mais o tempo avançava, mais aquele som de nada ia-se tornando mais insuportável e distinguível, um toque polifónico da famosíssima 5ª Sinfonia de Beethoven era o nome dessa música.
Meio embaraçado, mas mantendo a compostura calma sólida de soldado, ele tossiu levemente, e apalpava com extrema cautela os bolsos, como se procurasse alguma coisa.
A maior parte das pessoas tentava em vão conter os risos perante uma cena tão ridícula e humilhante. Até eu não resistir em dar umas quantas gargalhadas à custa daquele quem toda a gente tinha alguns pesadelos pessoais. O General B é uma das figuras mais obscuras e temidas de toda a Atlântida, por isso é que a maioria desatava a rir-se naquele momento.
De todas as partes da festa, esta estava a ser, sem sombra de dúvida, a mais divertida de todas. Até podia imaginar que era o meu padrasto em lugar do General B a ter problemas na oratória.
Passados alguns segundos, já o nosso amado anfitrião estava a atender o seu telemóvel preto 3g da Motorola.
Com um ar natural, e rindo-se da sua própria figura, a olhar para cima como se imaginasse uma desculpa e com a ponta da bota direita a rodar no sentido dos ponteiros do relógio de forma indiscreta, juntou as mãos magras cobertas pelas luvas à cintura.
- Não é uma coincidência, damas e cavalheiros! – Improvisou num tom falso. – Esqueci-me completamente de desligar o telemóvel precisamente antes da gala. Um errozinho técnico compreensível, é claro. Eine moment, Dämen und Herren, esperem só um momento, que eu volto já.
Acenando para a Serpente de Fogo, ele acrescentou:
- Entretanto, fiquem com a deliciosa; a glamourosa; a elegantíssima; a talentosa; sensual; (Já para não falar que ela é uma brasa) a nossa rainha preferida, que nos honra com a sua presença, aliás, acrescento, com a sua divinal presença. Ela será a futura Frau Von Tifon, o como e o porquê será revelado no Baile de Natal do PR. Meus senhores e minhas senhoras: uma salva de palmas para Sua Majestade, a Rainha da Atlântida a cantar "Adeus, meu amor" da Deusa do Caos, Eris.
Sua Divindade ia entrar na sua gloriosa apoteose, andando elegantemente até ao palco improvisado para se cantar, até que...Caiu a última gota!
Ou melhor dizendo, o salto-alto da Serpente de Fogo era tão alto que partiu-se, e a nossa infeliz rainha desceu literalmente do seu pedestal. Melhor, torceu o pé, causando um enorme escândalo, não só diante de todos os convidados, como também diante dos milhões de seres mágicos na Atlântida que a viam através do Canal Nacional, o único canal oficial e legal atlante, já que todos os outros, ou são estrangeiros, ou são por cabo, ou são ilegais e clandestinos, transmitidos pelos Cyborgs. Sua Majestade bem tentava levantar-se, mas era em vão aqueles esforços, carregados de raiva incontida e ataques de histerismo inacreditáveis. Barraca do ano, se fosse a ela eu já estaria no cantinho mais fundo dos buraquinhos. Cinco dos seus homens brutos, logo que ouviram os gritos mimados e inconfundíveis da sua rainha, correram a socorrê-la, muito preocupados, mas com um sorriso sádico nas caras, com as armas empunhadas nas mãos quais nazis empenhados a matar judeus, a pensar se não tinha havido uma tentativa de atentado contra a vida da nossa amada rainha por parte dos Cyborgs. Abrindo as portas de rompante, gritaram em conjunto:
- ALTO LÁ! Vossa Majestade, que se passa?
A mulher odiosa, a chorar lágrimas de crocodilo por todos os cantos e a gesticular-se no chão como uma criança de seis aninhos, a bater com as unhas no mármore do chão, só respondia:
- SEUS IDIOTAS! Não vêem que estou a sofrer a sério?! Estúpidos, vão CHAMAR a ambulância antes que eu vos estrangule esses PESCOÇOS MALDITOS!
O primo nem podia acreditar no que lhe estava a acontecer, e abanava várias vezes a cabeça, tentando não olhar para a enorme peixarada que a sua amada estava a fazer, numa noite tão solene e importante como aquela.
Ele não queria perder a cabeça, oh! Como eu o entendo. Deve ser difícil ter um equivalente feminino do Hitler como companheira de cama... Estou a ser muito mazinha, e na verdade, para além do General B, eu era a única que esboçava um sorriso calmo, obviamente satisfeita por ver a minha pior inimiga a ser humilhada diante de milhões de pessoas. Contudo, havia uma grande diferença entre mim e aquele homem. À medida que a via a sofrer cada vez mais, o meu sorriso deu lugar a um olhar de dó e pena, enquanto que o frio bruxo continuava a esboçar aquele sorriso, aquele sorriso tão cínico, por detrás de tudo e todos, como se estivesse no bastidores. Intuitivamente, consegui ler-lhe os pensamentos.
Comparado com desastre do telemóvel, aquilo era uma calamidade!
Lentamente, afastou-se da sala, e, silenciosamente qual um animal predador que já conseguiu obter a sua presa, sem que ninguém desse por isso, evaporou-se, tal e qual como fumo...!

domingo, 22 de junho de 2008

A Festa do "General B" (Parte IV)

Voltando ao Presente, mal a música parou, o General B tirou sofisticadamente a sua máscara negra enquanto as câmaras e toda a gente olhava para outro lado, e acenou com um sorriso para que eu tirasse a minha.
Eu tirei as minhas pinturas todas, incluindo o batom, e, ao olhar para ele, reparei que estava tudo escuro e não consegui ver o seu rosto, que desilusão!
Só os seus olhos azuis-claros e penetrante brilhavam para mim naquele escuro ardente.
- Não faz mal, minha querida. – Disse o feiticeiro enigmaticamente. – Eu também fiquei com os nervos em franja quando descobri toda a verdade...
Empurrei a pessoa com grande bravura, a pensar se aquilo não era outra máscara.
Naqueles dias, eu mal sabia no terrível pesadelo que me viria a meter...! Era ingénua e jovem, achava que tudo podia se resolver com um estalar de dedos.
- Porque é que o senhor se faz passar por algo que não é? Diga-me lá! – Perguntei num tom desafio. – Eu tinha o pressentimento que só uma pessoa tão malvada e desumana poderia se esconder por detrás do brilho colorido da corrupção que há em toda a Cyborg Town, mas nunca pensei que essa pessoa fosse tão...Humana.
Ele sorriu misteriosamente e fumou mais um pouco da hortelã-pimenta, atirando o fumo azul para mim.
- Talvez a menina esteja enganada. – Insinuo o homem desconhecido. – Você própria o disse: comigo, as coisas nunca são o que parecem....
Aquele mortal desagradável agarrou em mim e tentou aproximar os meus lábios dos dele.
- De qualquer maneira, terá de me beijar, quer queira, quer não. – Comentou num tom divertido. – É que, de uma forma ou de outra, irá descobrir o que eu sou na realidade, mas não hoje.
- Sabe qual é a coisa que eu mais detesto do que pessoas falsas e arrogantes? – Perguntei irritada. – Detesto mistérios em suspenso, fazem-me vir ao de cima a fera que há em mim.
Já ia acrescentar mais algumas coisas, quando, subitamente, as luzes voltaram e toda a gente começou a abrir as garrafas de champanhe, todos felizes, por aquela parte importante da noite se ter cumprido, e mal me virei para o anfitrião, dei-me comigo própria fora do palco improvisado.
Todos – excepto o General B – tinham tirado as máscaras, e, logo todos desataram às gargalhadas, olhando para mim como se eu fosse a palhacinha de serviço.
Tenho de te dizer que a reputação dos Bruxos não é a melhor, somos tomados como hipócritas; ricos; perigosos; perversos; loucos; diabólicos; …Tudo o que tenha a ver com o Demo! Isso é só um rumor espalhado pela própria louca que há neste país. Aquela desvairada da Serpente de Fogo que deveria ir para um hospício, no entanto, tenho pena da pobre mulher. Afinal, que raio de bruxo lhe estará a fazer tanto mal…? Com certeza não será o meu primo. Ele seria incapaz de cometer tal barbaridade. À medida que cantava a sua melodia fervorosa com uma frenética quase prodigiosa e infernal, o seu corpo deixava-se ser dominado pelos avanços do meu primo, beijando-a, só para a ter como forma de distracção sem pudor algum do que estavam a fazer, porém, a sinceridade e ingenuidade com que os seus olhos o olhavam, era amor verdadeiro, e, em toda a sua embriaguez, chorava por estar a mentir ao seu amor. Ela sabia que o amava, e o dramático da situação é que parecia que outro homem tinha-a acorrentado a outras correntes. Eu sabia disso, porque via-se logo que ela mentia tão mal… Ela só se enchia de haxixe e ópio misturados, o ar de embriagada, enquanto embalada na música sonhando com loucuras de juventude, loucuras de amor, trocava de acompanhante de dança da mesma rapidez que acabava cada cigarro. O remix do Michael Jackson com Jamiroquai e Justin Timberlake até nem estava mal. A festa estava mesmo animada, todos os bruxos e bruxas andavam meio malucos com o álcool, o cheiro a hortelã-pimenta, que a Serpente de Fogo não parava constantemente de fumar. Bebiam, beijavam-se com os copos nas mãos, juntando os lábios numa intensidade que nem te conto, abraçados uns aos outros, e batendo palmas, executavam a dança típica atlante, de mãos dadas, com as taças de champanhe nas cabeças de homens, essas malucas, que estavam quase para desmaiar, com os beijos e atitudes desavergonhadas dos seus maridos mais velhos, sorrindo muito divertidos, numa colecção de expressões cúmplices e de camaradagem entre os homens e risadas típicas de bruxas da parte das mulheres, batendo os saltos altos o mais alto que pudessem, dançando cada vez mais rápido, e com os seus echarpes de seda, fazendo movimentos alusivos para os homens, que batiam palmas sentados nos inúmeros sofás que haviam na sala enorme ao ritmo da melodia exótica, cada um com o mesmo olhar amendoado e aparvalhado, apontando as suas mãos a suar de tanto calor e tentação provocados pelas ligeiras e magras mulheres com curvas, balançando como serpentes loucas, com os olhos postos nas suas concubinas preferidas, deixando-se serem molhados pelo champanhe dourado, vermelho, e verde-escuro, abrindo as bocas quais piranhas impacientes para obterem a sua carne desejada, banhada em sangue, ou seja, em álcool. Apesar disso tudo, não consegui encontrar um par perfeito para mim, e não dancei a noite toda como tinha imaginado, com o tal oficial tenebroso e sinistro vestido de preto, com risco ao lado e cabelo cheio de brilhantina, não, não aconteceu isso. Mas se foi uma festa engraçada, foi sim senhor, pois a Tsuna e a Sara dançaram a noite toda, e se elas ficaram felizes, eu também ficaria feliz por elas. Confesso que abanei o capacete, com o Pedro, ai…Que cyborg tão pateta e engraçado, ele é um dançarino excelente, cheio de genica para dar e vender, na pista de dança principalmente! Sim senhor, que maravilhosa noite de gala foi aquela, muito maluca, mas mesmo assim, uma noite de gala, que durou desde a seis até às dez da noite, a provar a gastronomia atlante nada apetitosa, a dançar, foi giro. Bom, … encontrei alguém. Um bruxo reparou que eu estava sozinha, sem nenhum par, e foi-se logo atirar. Andou cautelosamente até ao sofá onde eu estava sentada – o mais cauteloso que se pode estar quando se bebeu dois litros de álcool e se inalou três maços de hortelã-pimenta num só dia!
Com o copo de champanhe na mão direita e agarrando a minha mão esquerda de uma forma apressada no meio da música a altos berros, desta vez uma de metal (ouve um ano em que era doida por essa porcaria), queimando-me com o fogo azul-escuro da cigarrilha na esquerda, e sussurrou no meu ouvido:
- Querida, não quer comer nem dançar? O ambiente está tão…quentinho.
Olhei-o de frente, e levantei-me para vê-lo bem, o seu aspecto era sinistro: alto, de um metro e setenta e oito, com as botas de cabedal a ressoarem desajeitadamente no salão, com a mesma gabardina preta, desta vez de pele de urso espesso e fofo para proteger do frio terrível de Novembro, logo vi que aquele bruxo inquietante e convencido tinha de estar por aqui. O mesmo bruxo que tinha ficado uma noite como nosso hóspede e informador do meu Padrasto. Não sei o nome dele, mas pelos vistos, este também estava a usar uma máscara, mas esta era de bronze.
- Se quer mesmo ficar com um bronze elegante e atraente, pode ir para o microondas, não fará mal nenhum a tostar os poucos miolos que ainda tem. – Comentei entre dentes num tom sarcástico.
Afinal, que bruxo que se preze não vai a uma festa do Dia da Magia Negra…? Que eu saiba nenhum. Mesmo antes de o ter visto já tinha cheirado a sua inquietante presença, e a marca inconfundível do seu cigarro de hortelã-pimenta, que, por acaso não é o Encanto, mas sim uma marca barata qualquer que leva mais pimenta do que hortelã. Os seus lábios estavam manchados com uma tinta vermelha misturado com um líquido prateado qualquer, para mim parecia energia mágica de uma vítima qualquer, provavelmente de uma fada, e sem a luva direita via-se uma pálida e magra mão esquelética a sair da gabar dine. Ao retirar a sua luva negra da minha mão delicada, vi que tinha deixado uma marca com números atlantes e dizia as horas em contagem decrescente para a meia-noite marcavam três horas em fogo-fátuo. Coincidência ou maldição…? Eu apostava na maldição. Aquilo não cheirava nada bem, tal como a cigarrilha do “bruxo sorridente” com aqueles lábios secos e pequenos a segurarem no pau negro de madeira apontado aos meus seios (De novo).
- Vá lá, não me faça uma desfeita destas, Menina Jessica! – Disse agarrando-me na mão e empurrando-me para a pista de dança num tom suplicante. – Gostava tanto que dançasse para mim…
Que queria ele…? Será que não tinha percebido que eu não queria nada com ele…?! Os homens são tão estúpidos!
Ai valha-me Deus! Detesto homens melgas. Detesto, portanto era melhor ele pôr-se na alheta, senão ia levar umas poucas e boas que jamais esqueceria! Isso posso garantir-te.
Ao começar a primeira melodia uma escandalosa música árabe, onde todas as mulheres tinham de sucumbir à sedução pura e erótica dos homens, ele pegou nos meus braços, e, com uma força espantosa, descalçou a outra luva com um sorriso perverso, atirou-a para uma gueixa, uma bruxa japonesa assustadora que, mal acreditando na sua sorte, lançou um beijo de agradecimento para o admirador. As suas mãos que davam a pensar se eram os restos de um exosesqueleto de uma aranha mostravam o quão velho era, se calhar tinha assistido á extinção dos dinossauros, então, após os primeiros dois minutos da longa canção. Sem pudor algum, ainda com os meus braços apanhados sobre os dele, começou o que parecia ser uma valsa super bizarra, enquanto eu punha a minha cabeça sobre o ombro másculo.
Agora conseguia sentir o cheiro de hortelã-pimenta do seu cigarro, e os seus pequenos olhos enganadores azuis claros brilhavam de satisfação. Certamente que era um espião ou um servo daquele bruxo do meu padrasto.
- O que o seu padrasto não dava para estar no meu lugar. – Comentou ele ao agarrar com as mãos electrizadas (resultados de uma tortura no Limbo dos Espelhos, se calhar) a minha cintura. – Mas agora não pode escapar. Dentro de duas horas e cinquenta e cinco minutos, já estará com as estridentes grilhetas dos espíritos das trevas.
Ao ver os seus dentes pequenos e semelhantes a uma serrilha, apercebi-me que estava a dançar com um louco.
Eu reparei na forma como em vez da sua sombra, um homem de cabeça oval de uniforme militar e com nariz curvo aprovava a nossa dança. O meu padrasto, a Serpente de Fogo e aquele bruxo conspiravam contra mim. O olhar infernal dos seus olhos azuis olhava para mim sem que houvesse outra mulher interessado nele.
Estava a começar a ficar um bocadinho farta das irremediáveis tentativas do maldito bruxo com os seus avanços. Lancei-lhe um olhar de desconfiada, e soltei-me daquelas manápulas horrorosas. Mas não posso mentir que a música estava a começar a ficar mesmo, mesmo suave…Aquela era a altura certa para ele me pregar um beijo, porque devia estar tão embriagada do cheiro calmante de rosas, das bebidas e incenso que nem sequer distinguia um sapo de um pavão, se é que me entendes. Isto se ele tivesse coragem, mas eu nem sequer deixava-o aproximar-se da minha cara.
- O senhor é desprezível! – Disse num tom incriminatório. – Eu quero lá saber do seu patrão, deste ambiente tão escaldante, e da forma como me ia beijar, portanto: chauzinho!

domingo, 8 de junho de 2008

A Festa do "General B" (Parte III)


Após todos ficarem à vontade – o que não durou muito – o “General B” (ou quem quer que fosse) começou a fazer as honras de nos apresentar as criadas e oficiais encarregados de nos “servir” como ele disse.
- Agora, uma grande dose de gargalhadas e para os homens e para as meninas más cá do Departamento de Segurança! – Anunciou num convidativo.
Pelas portas da esquerda, saíram cinco raparigas cyborgs e dez rapazes da classe dos Bruxos. Elas vinham da mesma forma que a que nos tinha recebido e acompanhado até à sala de espera, e absolutamente todas tinham (apesar das suas diferenças de nacionalidades e culturais) na coxa direita uma estrela negra com as iniciais do seu excêntrico “senhor”.
Os bruxos mais importantes dentro do departamento do General B vestiam todos o uniforme oficial da SPV, com blusão vermelho de cabedal e ombros pintados de preto, com um distintivo e botas militares com calças de jeans amarelos-escuros. Admito que o estilista que tinha desenhado aqueles uniformes não tinha lá muito bom gosto.
Tanto os bruxos como as Cyborgs tinham as caras pintadas conforme a sua classe para não se verem os seus traços faciais verdadeiros.
Aquela noite de gala era o Carnaval de Veneza ou quê? Nessa altura, fiquei ciente duma coisa que não tinha reparado: toda a gente estava vestido duma maneira estrambólica e quase cómica. E todos ou usavam máscara, ou tinham a cara pintada para não os reconhecerem na televisão. Era uma sensação completamente assustadora, aquelas mil caras de papel e tinta estarem a olhar para mim, e só nessa altura, vi que a nossa classe leva mesmo a sério a tradição do Dia das Magias Negras de pintarem as caras com as mais variadas cores ou se mascararem com a mais estranha e divertida carantonha possível. Assim, espantei-me de ver por detrás dum bruxo nazi morto-vivo o Pedro a sorrir com um ar galante. Como raio ele tinha entrado aqui?!
Não importava, o que interessava realmente era que podia dançar com ele...Se ao menos me reconhecesse por detrás da fantasia de Eris!
Tentei chamá-lo pelo seu nome várias vezes, mas o som ensurdecedor dos altifalantes e da voz horrível de cana rachada do General B abafava os meus gritos vãos, e, assim, empurrada pela multidão de caretas, saltimbancos e outras coisas fantásticas, perdi-o naquele mar de luxúria e inúmeras loucuras.....Para ser empurrada precisamente para o palco onde o nosso honrado anfitrião iria apresentar a primeira canção da noite.
Depois de terem soado o rufo das caixas de rufo da orquestra composta por Fadas, o General B sorriu para todos os convidados, com um ar de estar a se divertir muito.
Deu um valente sopro do seu cigarro elegantemente, e, olhando-os, falou num tom insinuo:
- Meine Dämen und Herren, minhas senhoras e meus senhores: chega a altura de cada ano nesta véspera em que se tem de retomar a antiga tradição de sacrificar a nossa formosa Eris para as chamas da paixão do louco amor.....Para mais uma vez, comermos a sua carne e derrotarmos o terrível espectro de Samiel, o grande Rei dos Bruxos, para assim, termos um “ano bruxal” cheio de paz e boa energia a rodear as nossas casas.
«Assim sendo, quem será a corajosa e jovem donzela que se atreve a “despir o seu corpo” diante de toda a Atlântida e ser consumida pelas chamas simbólicas do prazer da música?»
Olhou para todas as mulheres presentes naquela sala, mas nenhuma teve a ousadia de subir as escadas para vir cantar o trágico dueto entre Samiel – o General B em pessoa ia fazer do Assassino do Amor – e entre Eris – uma bruxa qualquer, em que, no final da canção, ambos tiram as máscaras discretamente sem que os outros convidados vejam e beijam-se num longo e delicioso beijo enquanto esta desfalece nos braços do Rei dos Bruxos, “queimada” pela ardente paixão do amor. Esta tradição atlante simboliza a entrada dum novo círculo anual de boa sorte e paz.
Seguiu-se um arrepiante silêncio de cortar à faca, e, automaticamente, todos se voltaram para ver uma rapariga tímida de dezassete anos a tentar escapar ao fatal destino.
Até que, os olhos cinzentos-azulados do General B fixaram os meus, e, nesse momento, a sua voz de xarroco e estranha, soo-me nos ouvidos como um lúgubre sino a anunciar a minha condenação:
- A menina Jessica quer dançar?
Para o meu espanto, escutei a minha própria voz a responder, naturalmente, enquanto pegava na mão ossuda coberta pela luva negra do misterioso oficial:
- Pois não, meu senhor.
Quando a música começou, eu e o “General B” dançámos ao som dum invulgar dueto entre um demónio e bela mulher ruiva, a mais trágica e sinistra de todas as trovi que se possa imaginar!
A sua letra, chegada oralmente até aos nossos dias, é dançada mais ou menos assim:



Livre, sempre livre, nos areais
Andava uma velida garça dourada
Ao cair noite mostrava a sua plumagem
E todos os caçadores ficavam enfeitiçados por tal miragem

Ò velida garça dourada!

Era uma bela criatura alada
Sempre livre, a passear pelas margens do Bênção,
Ave louvada, onde estará o caçador que te irar ferir...?

Ò velida garça dourada

O meu sentinela ei!
Está a me depenar
A depenar-me para em alva
Nas suas brasas de amor me assar

Ò meu corpo fremoso,
É tão mimoso...

Era uma velida e fremosa alminha perdida
Agora já não tens penas para te guardar
Ò pobre e consumida garça dourada...


A princípio, a linguagem é um pouco complicada de compreender, mas depois, percebe-se logo quem é o caçador e a garça.
Este diálogo entre um grupo de caçadores e uma garça lendária de penas de ouro faz referência à antiga fábula da “Garça Dourada”, uma garça muito vaidosa, que ao ser cortejada por um caçador astuto, acredita que vai se deitar com este, quando ele vai na verdade, comê-la. Samiel, com a sua língua viperina, adorava este conto cómico e escarnecido, e aproveitou a fábula para escrever este pequeno poema cantado quase tão famoso na Atlântida quanto o “Parabéns a Você”.
O astuto caçador era Samiel, que se sentia satisfeito por ter matado Eris, ou melhor, a “depenado”.

Nos braços fortes do General B, senti o calor que me vinha à cabeça , e o porquê de que se diz que quando um bruxo e uma bruxa se tocam, o calor dos seus corpos é mais abrasador que uma fornalha a mil graus centígrados. Tal como nós – os Bruxos – somos muito fortes no campo de batalha, o sexo e o amor é, para nós, uma coisa sagrada. Havia algo naquele homem de inquietante, «…este homem tem o poder de se tornar muito perigoso…» pensei cá para os meus botões. Ao encostar-me ao tronco forte coberto pelo casaco preto do general, quase que estremeci, que feiticeiro poderoso, e, à medida que os nossos corpos dançavam ao som dum estranho tango com oboés oscilantes e acordeões e violinos sensuais, quase que poderia jurar que estava presa por fios, os quais só o general poderia controlar!... O meu peito espevitou-se de repente, e, em instantes, já não me interessavam os outros convidados, que igualmente dançavam ao som da música tentadora e voluptuosa. Estava num estado de êxtase tal, que até corei, de tão perto que o meu corpo estava entrelaçado ao do feiticeiro mais velho. Quem me dera saber o que é que estava por detrás da máscara de porcelana preta que o enigmático General B usava…

domingo, 1 de junho de 2008

A Festa do "General B" (Parte II)




Passadas duas horas, ouvimos por toda a sala com um efeito de eco qualquer uma voz jovem de homem na casa dos vinte anos, e pelo leve sotaque italiano refinado, calculei que fosse do Capitão-Mor Eddward Goldtheeth:
- Minhas senhoras e meus senhores, miúdos e graúdos de todas as classes e nacionalidades, fantasmas, vampiros e assombrações de todas as espécies e folclore! Um forte e grande aplauso para o nosso caro anfitrião e representante da SPV, o estimado “General B”!
Mal ele acabou aquela frase, as portas no nosso canto direito superior abriram-se por si próprias e um bruxo muito experiente atendeu-nos. Com um sorriso falso e cínico com os dentes brancos no buraco escuro para a boca, no rosto glabro e coberto pela escuridão da máscara negra que usava onde apenas se via um olho arrepiante azul-acinzentado, penetrante e obscuro, no anormal nariz preto adunco e fino feito de porcelana haviam dois buracos feitos de madrepérola que respirava pequenas ondas de fumo, ele usava sapatos de salto altos brancos de que chegavam aos joelhos, uma gabardina de pele preta, um chapéu de feltro e uma boquilha a deitar um fumo azul-escuro muito estranho era o aspecto do anfitrião da festa de gala. «...o verdadeiro Bruxo dos Bruxos, o terrível e Rei Kzenah Malagheti em pessoa teria decerto fugido a sete pés desta visão bizarra!» Conclui, um pouco assustada. Pessoalmente acho que Kzenah Malagheti ficou como Rei dos Bruxos por causa do seu grande humor, é claro que aquele homem não era nem o Mestre Samiel, nem o Rei dos Bruxos, nem o Capitão-Mor Goldtheeth....Era pior! A anormalidade daquele convencido não tem limites! Embora eu só o conheça pela profissão, não me apetece saber os podres daquele idiota. Não sou uma pessoa que tenha sentido de humor agradável, e quando o exponho, as pessoas perguntam-me se não estarei a ser demasiado aborrecida ou sarcástica. Os homens gostam de me ouvir falar, mas quando exagero, eles afastam-se. Detesto isso, portanto, nunca tive um namorado que fosse de fiar. Prefiro ficar solteira a ter de ouvir um rapazito estúpido qualquer a queixar-se de eu ser uma chata cínica e imprevisível.
No entanto, o seu discurso claro e formal em várias línguas fluentes era agradável de se ouvir:
- Meine Dämen und Herren; mes dames et messieurs; ladys and gentlemen; minhas senhores e meus senhores, damas e cavalheiros! Guten abend; bonsoir; good evening; boa noite. Wie geht’s? Ça va? Do you feel good? Estão a ter um aterrador Dia das Bruxas? Aposto que sim... sou o vosso anfitrião, Príncipe das Trevas, o futuro Rei dos Bruxos.
O meu primo desculpou-se com uma pequena vénia ao seu “amigo”, contendo as gargalhadas maldosas, e, tirando o chapéu de feltro preto de bruxo, com uma expressão meio séria, meio a sorrir, respondeu:
- Lamentamos imenso, meu senhor. A razão da nossa demorra é a seguinte: tivemos de nos arranjarr, eu e o meu fiel tenente Nälden tivemos igualmente outrros comprromissos ultrra-secrretos com a guerra, é porr isso que chegámos tarrde, e…
Ele acenou para nós as duas, a Tsuna, eu, como se fôssemos mercadoria de prostituição, e empurrando-me para mais perto do anfitrião, dando um encontrão no meu rabo com a sua mão dura, quase que esbarrei contra o bruxo de um metro e oitenta e cinco.
Sorrindo simpaticamente, o meu primo tirou a pala e limpou-a de pó, enquanto juntava as mãos muito contente.
- Estas as minhas priminhas de que tanto lhe falei, crreio que serrão grrandes amigos daqui em diante, não é? – Perguntou o Primo Coutinho num tom orgulhoso para mim.
O Primo estava tão vidrado no fato mais sexy da Serpente de Fogo, com um decote que se podia ver pelo menos 2 terços do peito, que nem reparou que o anfitrião prestou atenção especial a mim, a Tsuna e a Sara, que tremiam juntas, agarradas uma à outra, ao virem os olhos pequenos do bruxo a brilharem de perversidade e malvadez na íris, baixando-se discretamente para nos ver melhor.
- Então, minhas pequenas: deixai-me adivinhar quais é que serão os vossos lindos e adoráveis nomes.
E, apontando a boquilha para a mais pequena de nós, sorriu ternamente, fumando mais um pouco, acariciou o rosto da minha irmã.
- Tu deves ser a bonita Tsuna, não é, meu amor? – Perguntou ele num tom doce, e beijando-a no rosto, os seus lábios invulgarmente pintados de vermelho esconderam a língua réptil cheia de veneno, que enfeitiçaram completamente a pobre da jovem chinesa. – Estava-me a lembrar duma rapariga que conheci. Ela chamava-se Sakura.
Gostas de cerejas? Ela sim.
Suspirei e abanei a cabeça friamente. Que piada tão seca. Aquele homem deve pensar que é um ás nas anedotas, não?
Tsuna apenas abanou a cabeça, um pouco tonta, sem ninguém ver, com os olhos fora das órbitas, a babar-se toda pelo homem, nos seus braços, e, em apenas dois segundos, vendo apenas ele, ficando num estado de transe.
Eu tirei-a do estado em que estava, e, muito irritada por dentro, um pouco com ciúmes, peguei na mão da minha irmã e aproximei-me dele com um olhar sarcástico.
Francamente, o tio tinha razão em dizer que ir a esta festa era má-ideia
- Que par tão engraçado! – Comentei a rir-me com desdenho. – Só porque o senhor é o “publicitário” deste baile, não tem direito nenhum de se fazer a qualquer uma que lhe aparece!
A sonoridade da minha voz foi tão sarcástica e insensível que até a Serpente de Fogo se apercebeu do quanto irritadiça eu era em relação aos homens tentarem enganar-me, e, espantada, pensou um pouco acerca daquilo.
- Aí é que está muito enganada, minha querida! Até era capaz de lhe dar uma sapatada....se fosse seu pai. – Acenou para o seu público, divertido. – De qualquer maneira, a Fräulein Jessica Von Tifon podia ser filha de qualquer bruxo de toda a Cyborg Town. Portanto cavalheiros, se ela for uma menina muito mal comportada convosco, dêem-lhe uma bolachada, porque ela deve ser muito, muito, muito, muito má!
Dizem que ele fez um pacto com o Tsesustan, e a suas tentações não devem ser escutadas. A escuridão e mal que o rodeava e, bom…Não é como os bruxos normais, tem um aspecto de louco, nem me apetece pensar o que seria se seguisse os seus conselhos, o General B tinha uma bizarra e vermelha língua bifurcada, e segurava a boquilha não só com a luva negra, mas também com a própria língua, o que o tornava ainda mais sinistro e diabólico.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A "Festa do General B"... (Parte I)




Todos nós, um grupo particularmente grande que representava a família Von Tifon para a Gala Oficial da Noite da Magia Negra (o nome oficial para o maior baile desta noite tão especial, patrocinada, é claro, pelo nosso estimado e honrado General B, que confessou à imprensa no dia anterior estar bastante entusiasmado com a facilidade que os cidadãos atlantes aderiram à sua genial iniciativa, esperando demonstrar assim ao mundo que nada na Atlântida mudou desde o começo da Guerra Civil) fomos introduzidos a um agente da SPV vestido a rigor com gabardina de cabedal com as runas atlantes azuis a brilharem no braço direito, com chapéu de feltro a cobrir os olhos. Era o Primo Coutinho com o cabelo comicamente espetado, o Hans também de preto, aliás, a maior parte dos homens que se dirigiam para a festa vinham com a cor preta. Até parecia que íamos a um funeral ou a um velório, não a uma festa espectacular e mexida! Mas as três coisas que interessam realmente para mim numa party são: boa comida, cerveja da melhor, e companhia também hot – se é que me entendes! A Sara e a sua irmã gémea tremiam como varas verdes, e a malvada bruxa estava com o braço dado ao primo, enquanto que a Sara estava de braço dado a um rapaz bem parecido, louro, com a idade dela, e que sorria gentilmente para a linda e rara rapariga. Também queria, se não fosse tão santinha já o teria roubado à inocentinha…Eh, eh, eh…Estou só a reinar.
Oh, como faziam um par inspirador, mas ele não parecia ser atlante, tinha um ar estrangeiro: olhos grandes e vivos amarelos-escuros sempre atentos, nariz pequeno e fino dava um ar de confiança e coragem digna de um leão que protege a sua leoa, e cabelo espetado puxado para a esquerda doirado como o precioso metal que os homens tanto ambicionam, rosto redondo, no entanto com uma ponta de desenvoltura, e, media aproximadamente um metro e setenta e cinco de altura. O seu casaco preto de jeans combinava perfeitamente com o seu pendente de fio de couro com uma cruz de templário prateada, e o cabelo tão bem cuidado espreitava numa por detrás de uma boina cor-de-vinho de veludo suave, andando de forma estilosa, nos seus ténis nike com acolchoação confortáveis. Sim senhor, era um rapaz muito atraente, parecia mesmo que atraia todas as miúdas para o seu lado, mas na verdade era um pouco tímido. Se não fosse aquele aparato todo, desconfiaria logo que aquele janota seria o Nälden todo enfarpelado como a lata dum cão.
Enquanto isso, eu ia de um fato lustroso amarelos-escuros – da Mamã Katharina – com gola alta presa por uns fios de couro, mas com um decote super sensual que quase se viam os meus seios, que se ajustava ás curvas completamente, mostrando um corte intencional para se ver a minha perna magra e linda calçada por sapatos de salto alto azuis-escuros, cabelo alisado e pintado de preto com madeixas vermelhas, caindo com generosidade no ombro direito nu, e lábios pintados de marron brilhante. Os meus olhos vítreos podiam se ver como lasers perfurando a mente de qualquer homem que me visse naquele conjunto tão explosivo!
Aquilo era mesmo pedindo para que o bruxo mais perigoso e poderoso daquela cidade me convidasse para abanar o meu rabinho e ancas a dizer “Tenta apanhar-me!”, escondidos no ritmo quase hipnótico da minha maneira elegante de andar.
Posso admitir que nunca usei e nunca mais usarei uma roupa tão linda e cheia de moda como aquela também confesso que ser um pouco ou tanto snobe é um dos meus piores defeitos.
Por isso, era naquela noite ou jamais algum rapaz me iria apanhar naquele estado mais selvagem!
Era verdade, não tinha acompanhante, mas que interessava…? Com certeza que ele iria aparecer, senão…Chauzinho, bruxo idiota de dezanove anos!
Tsuna também estava de arrasar, com um fato asiático chinês vermelho forte, com um corte de ambos os lados da cintura para se ver um pouco das suas pernas pequenas e igualmente bonitas, penteada com ganchos e agulhas douradas verdadeiras com pequenas bolas de jade adornadas com baixo-relevo, fazendo com o seu longo cabelo caísse todo para trás, e que só restassem duas faixas, e uma franja com um ziguezague engraçado preto, uns lábios pequenos e cor-de-rosa realçavam a ideia inocente da minha jovem irmã, afinal ainda quis vir, ao contrário da Solaris que ficou em casa com o tio Seth, eh, eh, eh…Eu sabia que ela não iria perder a oportunidade para conhecer o seu 1º bruxo, eu sabia que o seu lado negro iria aparecer. Não duvidei nem por um segundo que por detrás daquela carinha de anjo chinesa houvesse uma endiabrada que estava pronta para o seu primeiro beijo sensual, com linguado, marmelada e tudo. Pirralha apressada, a Tsuna!
Bom, o aspecto dos outros não interessa, por agora continuemos com a história, é para isso que estou aqui a escrever-te, não é? Depois de termos aguardado durante trinta fastidiosos minutos na rua para os burocratas da SPV confirmarem os nossos convites para a festa, uma mulher-cyborg abriu as portas transparentes e olhou-nos com ar de estar hipnotizada ou controlada por alguém. Obviamente ela não estava ali por se ter voluntariado ou por conseguir ganhar uns cobres. Os bruxos da SPV devem tê-la posto em transe, e a sua respiração ofegante e olhos sem expressão notavam que estava a ser controlada por um superior.
Envergando um fato de banho preto que segurava com uma fita vermelha os seus seios triangulares e bem comportados, a pobre rapariga de cabelos encaracolados cinzentos volumosos que mais parecia uma juba era demasiado superficial calçava sapatinhos de cristal. Numa das coxas nuas e reluzentes de metal, tinha uma sinistra tatuagem: uma estrela negra de cinco pontas fina, que segurava duas iniciais pintadas com uma letra estilizada e apressada, G.B. A assinatura oficial do General B. Contudo, se olhássemos com mais atenção, poderíamos ver que aquela marca não era um defeito de fabrico, mas sim um chip-controlador de cérebros.
Por isso é que fiquei espantada por uma coisa tão maquiavélica e lunática ser permitida numa festa tão fina! O meu sentido de justiça estava oficialmente ofendido. E no entanto, tinha a ligeira impressão que os truques sujos do General B não ficariam por ali...Esta possível e impensável deportação de todos os criminosos para um lugar onde fossem supostamente reabilitados e saíssem de lá como novas pessoas era-me familiar, só não me lembrava de onde!
Aquele sorriso de lábios tão vermelhos e pequena como duas cerejas sugeriam uma boneca de porcelana controlada pelos fios dum titereiro escondido nas sombras que manejava com habilidade e requinte mais quarenta e nove meninas checas tão perfeitas e louras como ela. Tudo era tão bizarro e arrepiante....!
- O Sr. General pede-vos para aguardar mais uns momentos na sala de espera juntamente com os outros convidados. – Disse a voz de criança e quase sem emoção no que dizia. – Por favor, acompanhem-me.
Andámos longos corredores com quadros sombrios que nos pareciam observar com desconfiança até uma sala enorme de espera muito bizarra com papel de parede com baixo-relevo, expostos nas paredes de pedra e mármore bem esculpidos bruxos e bruxas a divertirem-se, a dançar prodigiosamente, fazer acrobacias espantosas com os seus corpos lindos e perfeitos, cuspir fogo e mais outros elementos desconhecidos que não percebi o que eram. Uma sala sem janelas, apenas com duas portas de madeira de mogno onde à direita dessas portas estava instalado um bar com prateleiras mostrando bebidas de todos os tipos, e que por detrás de um balcão iluminado por umas brilhantes luzes vermelhas, azuis e cor-de-laranja, um agente da SPV encarregado de trazer as bebidas agitava com precisão e um freneticidade impressionante um cocktail bem forte com uma taça de cerejas à sua disposição para decorar os copos enormes. Em altifalantes, ouvia-se música de fundo um pouco fora de tom, notava-se que era a afinação da orquestra.
Antes de abrir as duas portas ao de leve apenas por uns meros momentos, a criada de serviço fez uma pequena vénia muito solene e, com um sorriso forçado, indicou para o bar á nossa esquerda.
- Bem vindos ao Anel da Serpente, estimados espectadores. – Disse ela respeitosamente na sua vozinha robótica. – Se desejarem tomar uma bebida ou um aperitivo, sirvam-se à vontade no bar que está à vossa esquerda. O General B deseja um agradável serão para todos vós.
A sala de espera escassamente mobilada, mas com mais trinta pessoas mais a nossa família, era realmente “agradável” e, limando as mãos com o meu canivete suíço multi-usos que mantenho sempre na minha carteira cor-de-rosa em pele, assobiei baixinho, satisfeita. Lá, era tudo fino e elegante, incluindo as carpetes, e começei a pensar se aquilo não era um esquema bem planeado para convencer os mass-media – representados por dois únicos canais e quatro jornalistas – e os atlantes que os grandes bruxos poderosos da Atlântida não eram um monte de bárbaros selvagens e desonestos, como diz a imprensa estrangeira.
Estavam naquela sala toda a “coqueluche” da sociedade atlante: políticos importantes do único partido atlante; industriais importantes; militares; aristocratas; na sua maioria eram bruxos, e, pelos ares de pedante e falsidade, todos eles não inspiravam confiança, tantos os homens, como as mulheres.
Suspirei aborrecida, e sentei-me num confortável sofá verde-mar de couro a beber, sem me fazer rogada, um tentador trago de vinho do Porto com uma estranha coloração cor-de-rosa. Estava nervosa depois de ter visto tanto aparato na Cyborg Town, e também muito desconfiada. Comecei a pensar se teria sido realmente boa ideia ter ido a essa noite de gala. Nunca tinha ido a nenhuma, mas suspeitei que esta seria tão aborrecida e queque como todas as outras que vi em toda a minha vida de ingénua rapariga reservada inglesa. Também perguntei-me a mim mesma porque razão o General B teria se dado ao trabalho de organizar aquela festa tão faustosa e elegante quando tinha coisas mais importantes com que se preocupar. Com ele, as coisas nunca são o que parecem, embora eu não descartasse nem por um momento que a possibilidade de embaraçar a Serpente de Fogo lhe agradaria muito. Para ele, seria a sobremesa que culminaria um óptimo jantar, cujo prato principal consistia no despedimento de Goldtheeth e dos outros conspiradores anti-General B dentro da SPV. Toda a Atlântida sabia que, mais tarde ou mais cedo, aquela víbora que é o chefe do sub-departamento de Segurança arranjaria um pretexto qualquer para eliminar um dos seus inimigos mais novos de estimação.
Segundo alguns agentes da SPV, ele nunca gostara dos seus novos patrões, e, pela maneira como o Chacal Amarelo tratou o meu Padrasto, chegou-me à cabeça o terrível pensamento se o meu Padrasto e o General B seriam a mesma pessoa. Era possível, mas também, sabe-se tão pouco acerca de ambos que era quase impossível.