No Carnaval, ninguém leva a mal, portanto, acho que vos devo, depois de tanta ausência, um post extra....Obrigado pela vossa colaboração...!
Aí, libertei-me suavemente das correntes como se fossem leves fios de teia de aranha e, num salto rápido, atirei-me a toda força qual víbora para a sua presa, e, num único momento fatal, os nossos lábios juntaram-se sem que aqueles idiotas pudessem reparar.
Beijei-o como um foguetão, levando-o lentamente à terra do prazer, e “hipnotizando-o” com os meus olhos mágicos, tirei-lhe facilmente a chave da porta mais um pequeno saco que tinha nos bolsos. Quase que o estrangulava com as minhas garras de verniz vermelhas, mas ele não se importava, pois estava a beijar uma bruxa “super podre de boa”. Agarrou-me firmemente pela cintura, sentindo-se excitado qual rato nervoso pegando no queijo antes de cair na ratoeira, a sua língua dum só caminho dividiu-se numa bifurcada e logo as nossas duas línguas estavam enroladas umas na outra!
Então aquilo é que era a primeira fase dum “beijo à bruxo”! Reparei que as pupilas dele se dilatavam e que se ganhavam a cor do sangue, não me admiraria nada que ele me pedisse para ir para a cama com Gerhard Nälden, o Cirurgião da Morte da SPV.
Por cinco minutos, o calor arrasou aquela sala gelada e, durante aqueles intermináveis cinco minutos, os meus lábios comandavam cada movimento do escanzelado tenente.
Digo-te que, de todos os rapagões que beijei, este tinha um hálito a tresandar a drogas e a tabaco, e que logo que o vi, sabia que convencê-lo a libertar-me seria uma tarefa dura. Mas consegui, não consegui?
Contudo, era um pouco largo de braços, e tirei todo o prazer em ser toda sua durante aqueles cinco minutos.
De repente, sorri sadicamente e arranquei os meus lábios e o meu corpo das suas mãos pegajosas.
Ele olhou-me aparvalhado, com o queixo caído e os olhos arregalados, completamente petrificado, sem saber o que dizer.
- Gostaste? – Perguntei aliviada com um brilho perverso nos olhos. – Se sim, é pena. Porque não vais ter mais disto!
Dizendo isto, deixei as minhas vítimas – sim, porque os outros ficaram para ali embasbacados com água na boca a imaginarem-se no papel do companheiro, espantados com a minha prática – completamente de rastos, fechando suavemente a porta à chave, mas ainda consegui ver um quarto homem, escondido nas sombras com um olhar frio e maléfico, nada espantado com o meu beijo.
Seria ele o misterioso General B...? Acho que exagerei ao contar os meus propósitos verdadeiros e do meu affair com o Pedro, não achas? Talvez usem isso contra mim....Como um grande mestre da espionagem e da magia negra uma vez disse “É mais fácil interrogar um homem na posição horizontal que na vertical” e eu, definitivamente, tinha dado, todas as informações que eles precisavam. Sou mesmo má!
Um “biquinho” seria suficiente para eles caírem redondos no chão! O que não o fizeram. Bem, nenhum homem provou ser merecedor de mais de trinta minutos da minha atenção, excepto o Pedrinho e o meu padrasto. É claro que nunca vou beijar o segundo, mas podes crer que o nosso amor entre o primeiro e eu é um completo incêndio...!
Eu explico-te porque é eu fiz um pouco de marmelada com aquele tenente de segunda, primeiro porque estava desesperada e quando eu fico desesperada, faço coisas mesmo muito estúpidas! Segundo porque tinha sido o sabor do álcool na garganta que me induziu a ver aquele palerma como um possível gato.
Contos, historias, textos pessoais... Short-stories, poems, personal texts....
Princesa Shamanarta
A reencarnação de uma antiga deusa Bellante da Sabeodria, sou eu... ;) LoL ...estou a brincar
The reencarnation of a ancient bellanian wisdom goddess....it's me...! ;) LoL I'm Jokking..
Many stories to tell! Now In bilingue....
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Interrogatório (Parte II)

Foi aí que o tenente não pôde aguentar tantos insultos numa só noite. Aproximou-se de mim e olhou-me de alto a baixo como se eu fosse uma tola cabra nua da revista semi-pornográfica do News Zone. Depois, pegou intencionalmente no frasco verde-esmeralda que eu trazia na minha coxa através de uma pulseira para as pernas, ficou com uma expressão de choque, pesou-a na mão, e, lançando-me um olhar de desprezo, atirou-a bruscamente contra a parede. Estilhaçou-se com o som de um jogo de talheres caindo por uma escada abaixo e o ar encheu-se subitamente de um odor feminino intenso e forte que deu a volta à cabeça dos dois ajudantes encapuçados.
Sorri maliciosamente e adivinhando as dúvidas dos três homens curiosos, respondi suavemente num tom provocador:
- A minha área é Magia Negra e Línguas, na qual o hipnotismo é essencial para um teste, aquela poção era o meu trabalho de casa e lamento imenso o facto de em breve se arrependerem disto. Também vão-me colher os ingredientes principais. Como já demonstrei, nem faço ideia do que se passa aqui, como também vocês estão a falhar em pontos cruciais, o meu sincero e tolo amiguinho não é perigoso.
O Tenente Gerhard endireitou a blusa de cabedal preta depois do esforço e limpou a cara, um pouco irritado. Inalando com um ar desconfiado a substância doce para os seus olhos, quase que adormecia ali, mas logo acordou com um pouco de medo, meio sobressaltado.
Estava com medo de mim, podia senti-lo nos seus olhos, e, embora fingisse, não poderia resistir aos meus lábios enganadores.
- Ouça lá, eu não me deixo hipnotizar facilmente. – Rosnou ele. – E tem razão numa coisa, o cyborg não é perigoso, mas você, Miss Jessica, é muito perigosa!
Aceitando isso como um elogio, ri-me dos quão estúpidos que aqueles três eram. Não os ia vencer pela força, mas sim com a minha inteligência.
E a diferença de sexos seria a sua perdição. Aliás, ao ter partido aquele aparentemente inócuo frasquinho, tinha assinado não só a sua, mas como também a sentença de morte dos outros.
Soprei um beijo sensual e altamente tóxico quanto à tentação para os três campangas da polícia secreta.
- Oh, sim, diz-me o quão perigosa eu sou! – Indaguei num suspiro erótico. – Ò tenentezinho, serás assim tão valente e sem coração como aparentas ou por dentro das vestes de bruxo implacável há uma florzinha de estufa mariquinhas pé-de-salsa como o teu irmão gémeo?
O estalo do chicote negro do segundo homem fez-se ouvir, interrompendo a minha tentativa de seduzir o tenente.
- Basta de disparates. – Disse ele aproximando-se de mim com o chicote ainda quente, preparado para me dar uma grande sova. – Diga-nos de uma vez por todas que colabora com a Resistência e poderá ir-se embora!
- Então? Não temos o dia todo, Frau Jessica! – Concluiu o outro pegando numa pena, pronto para me fazer cócegas. – É mentira ou não que estiveste com aquele cyborg à procura de sarilhos?
- Talvez seja mentira, talvez seja verdade. Porém, se quiseres, podes perguntar ao cadáver do cyborg, isto é se ainda não o tiveres matado. – Respondi num tom enigmático a rir-me. – E se me queres fazer rir, nem é preciso a pena, basta tu mais os teus amiguinhos da SPV.
Vendo que eu era (e sou!) uma bruxa que metia respeito, o Tenente Gerhard, sacou da sua pistola de fogo, apontando-a para mim, apenas para meter medo, mas não resultou.
Embora ele estivesse a apreciar o momento, lançou-me um olhar de zangado.
- Miss Magnetite é sem sombra de dúvida uma pessoa influente na mente de alguém, asseguro-lhe que em toda a minha vida nunca encontrei alguém assim tão corajoso e frio, a não ser o meu superior, o General B. – Disse ele admirado. – É tão cínica como o Otto contou-me por telemóvel…Porque será?
Vendo que podia confiar nele, comecei a contar-lhe mais à vontade pelo menos os pormenores que não interessavam. Falei-lhe que era de facto neta de Thomas Magnetite, e que ao morrer, deixou-me ao cuidado do gentil e piedoso Duque Von Tifon.
Quanto a Pedro, apenas lhe disse que era só um “amigo” que eu utilizava para ganhar informações acerca dos “imundos” e para encontrar o Testamento de Neptuno para conquistar a Paz e encontrar o meu Padrasto. Com o meu poder de persuasão, consigo tudo o que quero, e parecia que ele estava com um fraquinho por mim, lá tentei convencê-lo a libertar o meu amigo.
Quando se trata dos amigos, ainda por cima amigos interessantes, eu faço tudo, mas mesmo tudo, e não digas que eu não tenho escrúpulos, porque eu utilizo os meus poderes de sensualidade apenas para o Bem dos outros.
Numa voz de bebé, fazendo beicinho, com os olhos azuis mais queridos do mundo, perguntei suspirantemente:
- Eu faço tudo que esteja ao meu alcance para ganhar as minhas bem merecidas férias vitalícias com o meu amorzinho cyborg, e se não acreditas, tenentezinho, é porque não sabes com quem estás a lidar! Tudo!
O interrogador engoliu em seco, um pouco a medo de eu me libertar.
- Bela prima que o Sr Duque foi arranjar...! A língua bifurcada é de família, ou tu és apenas uma filha dum humano sem aquele poder? – Perguntou cheio de medo.
Sorri maliciosamente e adivinhando as dúvidas dos três homens curiosos, respondi suavemente num tom provocador:
- A minha área é Magia Negra e Línguas, na qual o hipnotismo é essencial para um teste, aquela poção era o meu trabalho de casa e lamento imenso o facto de em breve se arrependerem disto. Também vão-me colher os ingredientes principais. Como já demonstrei, nem faço ideia do que se passa aqui, como também vocês estão a falhar em pontos cruciais, o meu sincero e tolo amiguinho não é perigoso.
O Tenente Gerhard endireitou a blusa de cabedal preta depois do esforço e limpou a cara, um pouco irritado. Inalando com um ar desconfiado a substância doce para os seus olhos, quase que adormecia ali, mas logo acordou com um pouco de medo, meio sobressaltado.
Estava com medo de mim, podia senti-lo nos seus olhos, e, embora fingisse, não poderia resistir aos meus lábios enganadores.
- Ouça lá, eu não me deixo hipnotizar facilmente. – Rosnou ele. – E tem razão numa coisa, o cyborg não é perigoso, mas você, Miss Jessica, é muito perigosa!
Aceitando isso como um elogio, ri-me dos quão estúpidos que aqueles três eram. Não os ia vencer pela força, mas sim com a minha inteligência.
E a diferença de sexos seria a sua perdição. Aliás, ao ter partido aquele aparentemente inócuo frasquinho, tinha assinado não só a sua, mas como também a sentença de morte dos outros.
Soprei um beijo sensual e altamente tóxico quanto à tentação para os três campangas da polícia secreta.
- Oh, sim, diz-me o quão perigosa eu sou! – Indaguei num suspiro erótico. – Ò tenentezinho, serás assim tão valente e sem coração como aparentas ou por dentro das vestes de bruxo implacável há uma florzinha de estufa mariquinhas pé-de-salsa como o teu irmão gémeo?
O estalo do chicote negro do segundo homem fez-se ouvir, interrompendo a minha tentativa de seduzir o tenente.
- Basta de disparates. – Disse ele aproximando-se de mim com o chicote ainda quente, preparado para me dar uma grande sova. – Diga-nos de uma vez por todas que colabora com a Resistência e poderá ir-se embora!
- Então? Não temos o dia todo, Frau Jessica! – Concluiu o outro pegando numa pena, pronto para me fazer cócegas. – É mentira ou não que estiveste com aquele cyborg à procura de sarilhos?
- Talvez seja mentira, talvez seja verdade. Porém, se quiseres, podes perguntar ao cadáver do cyborg, isto é se ainda não o tiveres matado. – Respondi num tom enigmático a rir-me. – E se me queres fazer rir, nem é preciso a pena, basta tu mais os teus amiguinhos da SPV.
Vendo que eu era (e sou!) uma bruxa que metia respeito, o Tenente Gerhard, sacou da sua pistola de fogo, apontando-a para mim, apenas para meter medo, mas não resultou.
Embora ele estivesse a apreciar o momento, lançou-me um olhar de zangado.
- Miss Magnetite é sem sombra de dúvida uma pessoa influente na mente de alguém, asseguro-lhe que em toda a minha vida nunca encontrei alguém assim tão corajoso e frio, a não ser o meu superior, o General B. – Disse ele admirado. – É tão cínica como o Otto contou-me por telemóvel…Porque será?
Vendo que podia confiar nele, comecei a contar-lhe mais à vontade pelo menos os pormenores que não interessavam. Falei-lhe que era de facto neta de Thomas Magnetite, e que ao morrer, deixou-me ao cuidado do gentil e piedoso Duque Von Tifon.
Quanto a Pedro, apenas lhe disse que era só um “amigo” que eu utilizava para ganhar informações acerca dos “imundos” e para encontrar o Testamento de Neptuno para conquistar a Paz e encontrar o meu Padrasto. Com o meu poder de persuasão, consigo tudo o que quero, e parecia que ele estava com um fraquinho por mim, lá tentei convencê-lo a libertar o meu amigo.
Quando se trata dos amigos, ainda por cima amigos interessantes, eu faço tudo, mas mesmo tudo, e não digas que eu não tenho escrúpulos, porque eu utilizo os meus poderes de sensualidade apenas para o Bem dos outros.
Numa voz de bebé, fazendo beicinho, com os olhos azuis mais queridos do mundo, perguntei suspirantemente:
- Eu faço tudo que esteja ao meu alcance para ganhar as minhas bem merecidas férias vitalícias com o meu amorzinho cyborg, e se não acreditas, tenentezinho, é porque não sabes com quem estás a lidar! Tudo!
O interrogador engoliu em seco, um pouco a medo de eu me libertar.
- Bela prima que o Sr Duque foi arranjar...! A língua bifurcada é de família, ou tu és apenas uma filha dum humano sem aquele poder? – Perguntou cheio de medo.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Interrogatório (parte I)

- Muito bem, Miss Magnetite: vamos dar umas respostas jeitosas e talvez ainda saia daqui viva. – Comentou ele pegando em luvas de cabedal. – Sua Excelência, o Rei, pede a sua presença para uma “festa de pijama” e não me posso atrasar com este interrogatório.
Eu ri-me dos termos usados pelo oficial alemão, apercebi-me que não ia ser enviada para a temida Fronteira , descontraí-me ligeiramente.
Mesmo que fosse, estou tão habituada a demónios, que já nem ligo aos quão assustadores ou ridículos eles possam ser.
- E foi preciso enviarem os vossos demónios e fantasmas para um metro onde ia só para me capturarem e dizerem isso? – Exclamei num tom divertido. – Francamente, vocês ficam cada vez mais incompetentes e idiotas a cada ano que passa.
Para grande espanto de dois dos três agentes, poderia, se quisesse, libertar-me facilmente das correntes com uma ajuda, e, qual grande acrobata escorregadia, dar um mortal na perfeição, levantada e sem quaisquer danos nos pés ou mãos.
Só não o fazia porque os homens eram cada um maior que o outro, armados até os dentes!
Machados, pistolas, metralhadoras, granadas, e armas eléctricas pregadas num moldura de onde outros demais instrumentos de tortura se encontravam, prontos para me fazer falar! Ali estava tudo o que era preciso para o mais duro e valente de todos os altos oficiais da Resistência se enchesse de medo e começasse gritar que nem uma menina perdida.
Apesar do aspecto feroz dos meus raptores, não me mostrei receosa, e esboçando um sorriso matreiro, tentei provocá-los.
- Por que razão estão todos como se estivéssemos no Carnaval? – Perguntei inocentemente mas com um toque sarcástico. – As caras daqueles dois são assim tão feias ou eu já os conheço?
- Quem faz aqui as perguntas somos nós, Miss! – Rugiu ele com a pistola a dançar por entre os seus dedos. – E se continua a armar-se em espertinha, irá desejar nunca ter gozado com a minha cara.
Os meus olhos reviraram-se e desatei a rir-me, não seria fácil eles me fazerem confessar, fosse lá o que fosse.
- És mais estúpido do que eu pensava. – Comentei calmamente. – Se me matares, então como é que poderei falar de todo?
Eu ri-me dos termos usados pelo oficial alemão, apercebi-me que não ia ser enviada para a temida Fronteira , descontraí-me ligeiramente.
Mesmo que fosse, estou tão habituada a demónios, que já nem ligo aos quão assustadores ou ridículos eles possam ser.
- E foi preciso enviarem os vossos demónios e fantasmas para um metro onde ia só para me capturarem e dizerem isso? – Exclamei num tom divertido. – Francamente, vocês ficam cada vez mais incompetentes e idiotas a cada ano que passa.
Para grande espanto de dois dos três agentes, poderia, se quisesse, libertar-me facilmente das correntes com uma ajuda, e, qual grande acrobata escorregadia, dar um mortal na perfeição, levantada e sem quaisquer danos nos pés ou mãos.
Só não o fazia porque os homens eram cada um maior que o outro, armados até os dentes!
Machados, pistolas, metralhadoras, granadas, e armas eléctricas pregadas num moldura de onde outros demais instrumentos de tortura se encontravam, prontos para me fazer falar! Ali estava tudo o que era preciso para o mais duro e valente de todos os altos oficiais da Resistência se enchesse de medo e começasse gritar que nem uma menina perdida.
Apesar do aspecto feroz dos meus raptores, não me mostrei receosa, e esboçando um sorriso matreiro, tentei provocá-los.
- Por que razão estão todos como se estivéssemos no Carnaval? – Perguntei inocentemente mas com um toque sarcástico. – As caras daqueles dois são assim tão feias ou eu já os conheço?
- Quem faz aqui as perguntas somos nós, Miss! – Rugiu ele com a pistola a dançar por entre os seus dedos. – E se continua a armar-se em espertinha, irá desejar nunca ter gozado com a minha cara.
Os meus olhos reviraram-se e desatei a rir-me, não seria fácil eles me fazerem confessar, fosse lá o que fosse.
- És mais estúpido do que eu pensava. – Comentei calmamente. – Se me matares, então como é que poderei falar de todo?
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Sonho de Burlesco (parte II)
Não consegui ver absolutamente mais nada, pois algo de familiar e negro se escondia por detrás daquele espelho. Aquilo não era o próprio Tsesustan, disso tenho a certeza, mas, qualquer dia, desvendarei esse mistério, disso vos garanto!...
Quando acordei, deparei-me com um cenário mais arrepiante do que todos os que já tinha visto nesta noite maluca. Pensei que eram demónios que me tinham raptado, pois tinha os pulsos e pés atados com pesadas correntes de fogo a uma tábua de madeira, produto de uma rústica “reciclagem” por parte dos raptores, mas como consigo dominar o fogo facilmente com a minha magia, não magoava assim tanto.
O meu indefeso corpo, com as roupas rasgadas e descalça (o patrão daquela quadrilha estava a dever-me cinquenta euros pelo vestido) a mostrar um enorme decote no meu avantajado peito com as coxas da perna à mostra, eu estava à mercê de três bruxos, os primeiros a contar da direita tinham as cabeças cobertas por peúgas, cada peúga com quatro buracos para ambos respirarem. O terceiro parecia ser o irmão gémeo do incompetente pé-de-salça do Nälden, só com olhar penetrante e um canino de ouro, com a tatuagem da SPV no braço, uma serpente a atravessar as siglas em caracteres atlantes, e, da forma como se aproximava, este tinha um particular cheiro a talho.
Mais bem parecido, este apontou com o seu dedo para os meus olhos lacrimantes por causa das visões que eu tinha tido e riu-se sadicamente.
- A Bela Adormecida já acordou, foi? – Perguntou ele com um sorriso maldoso.
Não iria permitir aquela ofensa aos meus direitos como bruxa!
Com uns reflexos dignos de uma verdadeira bruxa adulta, concentrei-me num balde de azeite bem quente com os meus olhos a brilhar com um um reflexo qual safiras do mal, fazendo-o levitar lentamente até à altura da cabeça do chefe com o canino de ouro, sorrindo satisfeita.
- Sim, e posso saber o nome do príncipe encantado? – Respondi num tom calmo.
A qualquer momento eu poderia deitar aquele balde sobre a cabeça daquele parvo, portanto, tinha todo o tempo do mundo para ouvir as suas interessantes perguntas.
O Chefe do Canino de Ouro tirou o chapéu de feltro castanho-escuro e fez uma vénia profunda ironicamente, vendo que tinha encontrado uma rapariga difícil e mais fria do que um cubo de gelo.
No entanto, com um gesto rápido, passou o seu distintivo da SPV à frente dos meus olhos e reflectiu-o contra a forte luz dum candeeiro feito especialmente para as interrogações mostrou-me que não só era arrogante, como convencido.
- Nälden, Tenente Gerhard Schweinsteiger Nälden da SPV. – Apresentou-se ele numa forma elegante e militar. – E suponho que a menina seja a Jessica Ilsa Magnetite de Inglaterra, dezassete anos, matriculada no Secundário de Magia Branca do Palácio das Reuniões, de quem o comandante do check in do Aeroporto Atlante tanto me falou.
Proferiu a palavra “Inglaterra” com uma ênfase deliberadamente sarcástica. O típico ódio de os ingleses terem ganhado a guerra estava bem presente, e confesso que pessoalmente também não gosto lá muito de alemães. Mas nunca me descreveria como «Brilhante Estudante Inglesa», tal como não me descreveria como «Ajudante de Museu Anglicana» ou «Estudante Inglesa Anti-social» ou «Estudante Ex-namorada», apesar de ser, ou ter sido a certa altura, todas essas coisas (hoje em dia, não me apanham com muita frequência na igreja).
Com um olhar áspero e sem sentimentos, pegou no meu queixo com um sorriso matreiro, fazendo com que as suas mãos de médico pálidas qual ratazana acariciassem por breves momentos a minha sedosa e suave face.
Quando acordei, deparei-me com um cenário mais arrepiante do que todos os que já tinha visto nesta noite maluca. Pensei que eram demónios que me tinham raptado, pois tinha os pulsos e pés atados com pesadas correntes de fogo a uma tábua de madeira, produto de uma rústica “reciclagem” por parte dos raptores, mas como consigo dominar o fogo facilmente com a minha magia, não magoava assim tanto.
O meu indefeso corpo, com as roupas rasgadas e descalça (o patrão daquela quadrilha estava a dever-me cinquenta euros pelo vestido) a mostrar um enorme decote no meu avantajado peito com as coxas da perna à mostra, eu estava à mercê de três bruxos, os primeiros a contar da direita tinham as cabeças cobertas por peúgas, cada peúga com quatro buracos para ambos respirarem. O terceiro parecia ser o irmão gémeo do incompetente pé-de-salça do Nälden, só com olhar penetrante e um canino de ouro, com a tatuagem da SPV no braço, uma serpente a atravessar as siglas em caracteres atlantes, e, da forma como se aproximava, este tinha um particular cheiro a talho.
Mais bem parecido, este apontou com o seu dedo para os meus olhos lacrimantes por causa das visões que eu tinha tido e riu-se sadicamente.
- A Bela Adormecida já acordou, foi? – Perguntou ele com um sorriso maldoso.
Não iria permitir aquela ofensa aos meus direitos como bruxa!
Com uns reflexos dignos de uma verdadeira bruxa adulta, concentrei-me num balde de azeite bem quente com os meus olhos a brilhar com um um reflexo qual safiras do mal, fazendo-o levitar lentamente até à altura da cabeça do chefe com o canino de ouro, sorrindo satisfeita.
- Sim, e posso saber o nome do príncipe encantado? – Respondi num tom calmo.
A qualquer momento eu poderia deitar aquele balde sobre a cabeça daquele parvo, portanto, tinha todo o tempo do mundo para ouvir as suas interessantes perguntas.
O Chefe do Canino de Ouro tirou o chapéu de feltro castanho-escuro e fez uma vénia profunda ironicamente, vendo que tinha encontrado uma rapariga difícil e mais fria do que um cubo de gelo.
No entanto, com um gesto rápido, passou o seu distintivo da SPV à frente dos meus olhos e reflectiu-o contra a forte luz dum candeeiro feito especialmente para as interrogações mostrou-me que não só era arrogante, como convencido.
- Nälden, Tenente Gerhard Schweinsteiger Nälden da SPV. – Apresentou-se ele numa forma elegante e militar. – E suponho que a menina seja a Jessica Ilsa Magnetite de Inglaterra, dezassete anos, matriculada no Secundário de Magia Branca do Palácio das Reuniões, de quem o comandante do check in do Aeroporto Atlante tanto me falou.
Proferiu a palavra “Inglaterra” com uma ênfase deliberadamente sarcástica. O típico ódio de os ingleses terem ganhado a guerra estava bem presente, e confesso que pessoalmente também não gosto lá muito de alemães. Mas nunca me descreveria como «Brilhante Estudante Inglesa», tal como não me descreveria como «Ajudante de Museu Anglicana» ou «Estudante Inglesa Anti-social» ou «Estudante Ex-namorada», apesar de ser, ou ter sido a certa altura, todas essas coisas (hoje em dia, não me apanham com muita frequência na igreja).
Com um olhar áspero e sem sentimentos, pegou no meu queixo com um sorriso matreiro, fazendo com que as suas mãos de médico pálidas qual ratazana acariciassem por breves momentos a minha sedosa e suave face.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Sonho de Burlesco

Antes de passar a ficar consciente, os meus poderes escondidos deram-me outra visão, e quero confessar-te que ontem foi a noite mais aterradora de toda a minha vida! Um dos hotspots favoritos do meu padrasto no Dia da Magia Negra, quando ele pode finalmente sair da toca do Castelo Negro…pode não parecer lá grande coisa, aquela enorme vivenda vermelha situada numa rua secundária e sombria chamada Rua das Framboesas, com cerca de oitocentos e quarenta metros de comprimento, ajuntada a uma série de edifícios com mais de duzentos anos, cheia de lojas baratas e pensões de terceira categoria, onde não podem passar os carros; mas era, com certeza absoluta, o esconderijo perfeito para que a Serpente de Fogo e os seus capangas me escondessem. O ícone do clube Red Witch é uma autêntica caricatura pornográfica da Serpente de Fogo num vestido preto, e…como é que eu sei todas estas coisas…? Porque o vi!...
Meia-noite menos um quarto: as cortinas das enormes janelas estavam cobertas com cortinas verde-cinza, de modo a que as únicas formas de luz eram cinco velas de fogo vermelho a brilhar vivamente numa mesa de café ricamente decorada com flores selvagens tais como dente-de-leão; beladona; rosas; silvas; e vinhas de uvas dos campos de setenta mil anos da Cidade dos Deuses. Na penumbra, à esquerda estava um espelho de dois metros suficientemente grande para uma pessoa passar por ele partido em bocados, e à direita, uma mulher pequena, pálida como a cal, com pinturas vermelhas e pretas esquisitas na cara, seminua, permanecia deitada num espaço delimitado por um giz de mercúrio em forma de losango, com a barriga para baixo, a cheirar directamente um incenso esquisito púrpura.
Era uma espécie de cerimónia ou coisa parecida, ela pronunciava palavras incompreensíveis em Atlante Arcaico – uma versão antiga do Atlante que tem mais de cem mil anos – contorcendo-se em si própria, fazendo repetitivamente com uma facilidade incrível posições de Yoga que só um verdadeiro mestre nessa arte de relaxamento conseguiria atingir. Agora podia supor com toda a minha certeza que ela está completa e definitivamente louca!
Segundo os meus estudos em Magia Negra, ela estava a invocar um bruxo do Limbo dos Espelhos, e parecia não estar a resultar. Esta técnica de magia era utilizada pelos bruxos mais experientes e poderosos, mas nem uma bruxa com a idade de noventa e um anos conseguia atingi-lo na perfeição.
Graças a Deus que tirei um curso acerca de Atlante Arcaico para compreender o que ela continuava a murmurar entre dentes:
- Grande e Supremo Deus da Morte e do Mal Atlante, eu vos chamo, meu Mestre!
Ò Aquele que exterminava almas e corpos de imbecis fadas com um só dedo, erguei-vos das trevas e fazei sentir o vosso majestoso poder!
Grande Filho de Tsesustan, Rwebertan Samiel Tristan Euncätzio, eu vos INVOCO!
As fatais doze badaladas soaram por toda a Atlântida, e aí, nem um som de fantasma ou cheiro repugnante se fez sentir, mas sim toda a Atlântida mergulhou numa onda de um perfume de homem forte demais para se respirar, e uma brusca neblina tão espessa como uma sopa de batatas e ervilhas cobriu por completo a Lua.
Porém…Dez minutos passaram….E nem sinal do tal “Deus da Morte” que a maluca referia nos seus bizarros cânticos.
Esforços inúteis eram aqueles, não achas?
A mulher começou a ficar impaciente, batendo com o pé no tapete vermelho de fogo infernal que tinha comprado especialmente para aquela ocasião.
Não seria apenas imaginação sua ou tentativa falhada de ver o seu ex. Marido…?
Afinal, nunca se sabe o que pode dar a uma viúva…!
Levantou-se daquela posição tão desconfortável, achando estranho o bruxo estar atrasado, e ainda com os pés descalços no tapete da sua própria energia mágica derramada, os seus olhos pintados de negro começaram a arregalar-se, enquanto esperava já com a mostarda a subir-lhe ao nariz.
Pedira a solidão absoluta em todo o hotel só para ela para todos os oficiais da SPV, explicando-se que era um assunto secretíssimo de Estado, que não seria revelado a ninguém; gastara o equivalente à riqueza dum sultão ao “redecorado” o seu “cantinho”; ainda por cima passara a manhã inteira a preencher uma papelada do tamanho de não-sei-quê para ver navios….?!
Se ele não chegasse pelo menos até à meia-noite e meia, aquilo certamente não iria ficar por ali, não senhor.
Ali estava ela, a fazer figura de ursa, apenas com um biquini de ouro puro e com um manto vermelho de seda pura e uma coroa de diamantes sem mais ninguém, e com um ar de poucos amigos.
- Bebé, amorzinho…- Disse ela de forma dissimulada, mas logo mudou para um tom, digamos mais alto. – APARECE, CASO CONTRÁRIO VAIS TER A PIOR NOITE DA TUA VIDA, SEU IDIOTA!
Saltando e lançando vigorosamente um vaso de porcelana pela porta, despedaçando-o aos bocados, a irada e histérica mulher estava incontrolável!
- SEU CRETINO MENTIROSO DE UMA FIGA! APARECE, SENÃO…
De nada valeram os seus agudos gritos de ira, que ecoaram qual rugidos de uma tigre fêmea por todo o arranha-céus, ressoando o “senão…” com uma força tal que o seu querido espelho de cerimónias quase se partia.
Mal ia derramar a primeira lágrima de ressentimento por ter confiado em superstições idiotas quando um surgiu vulto esguio sobre-humano: vestes negras como a cor da morte, não distinguindo completamente o rosto ou forma, ou o quer que aquele diabo fosse, de uma estatura alta, que, comparado com a Serpente de Fogo, este era um gigante escondido por entre chamas vindas do Inferno.
A sua voz poderosa e severa, com um misto diabólico de astúcia na pronúncia e sotaque atlante, disse sarcasticamente:
- Por que gritais, Majestade?
O monstro robusto apontou para os ponteiros do relógio da avenida, anunciando meia-noite e ponto.
Aí, a mulher corou de vergonha, baixando a cabeça sem saber que fazer. Tinha mandado adiantar a torre principal da Atlântida na Cidade dos Deuses meia hora para receber os convidados a tempo na festa, e com os seus compromissos, esquecera completamente de arranjá-lo pontualmente para receber um convidado ainda mais ilustre e poderoso dos que os outros à meia-noite.
É mesmo distraída, tem os genes sonhadores da Sara, que se há-de fazer?
Fez uma vénia profunda ao senhor, ajoelhando-se solenemente qual bela e educada dama que julgava ser perante o fantasmagórico espelho, e baixou os olhos como se fosse escrava do espelho, literalmente.
Não percebia nada do que estava a acontecer, mas pelos vistos, aquele devia ser o amante a que a mulher é tão dedicada. Talvez o Finistergäse trabalhe para ele…
Quando se levantou, olhou para o seu “Mestre” de uma forma quase de meter dó, e limpando inocentemente as lágrimas, e fingindo-se de mártir, soluçou numa voz suplicante:
- Bebé S…Sabes que o prazo para me levares daqui está quase a chegar ao fim e eu…
Mal ia falar a próxima palavra, o homem ou fosse o que aquela besta era, interrompeu-a friamente:
- Amanhã!
Sabendo o que aquilo significava, a desesperada e condenada rainha ajoelhou-se duma forma humilhante, fazendo uma incrível cega para não olhar directamente para o Diabo, chorou cada vez mais.
- Faça com que o prazo se prolongue um poucochinho. – Sugeriu ela sem outra alternativa, num tom graxista. – Sei lá…Mais uns meses, semanas… Por favor, tenha piedade de mim, Vossa Excelência. Sessenta e seis anos passam depressa demais para uma Nobre de vinte mil! Por amor da vossa Virtuosidade, não me conduza ao implacável Castigo Eterno!
A voz do espelho respondeu de uma forma rígida:
- Nen!
Foi então que a escorregadia e falsa bruxa esboçou um sorriso malicioso, dirigindo-se para o espelho de uma forma confiante, mostrando o seu belo corpo ondulante e sensual de um lado para o outro.
- Trago para o meu senhor uma nova vítima! – Comentou com um brilho maldoso nos olhos claros de víbora. – A minha jovem e bonita amiga de maquilhagem já está presa nas masmorras lá em baixo pelos meus homens, ela, que nunca pisou o vosso reino obscuro. É uma alma apetitosa, ainda na flor da idade, ingénua, mesmo que se diga sabida da vida.
De que pobres coitados aqueles dois estariam a falar? Achas que estavam a falar de mim? Só espero que não!
O diabo, mais interessado em saber mais acerca da rapariga, perguntou:
- E que deseja essa formosa duquesa?
A Serpente de Fogo soltou uma risada sádica, qual uma hiena que não está boa da cabeça, contente por se ter livrado de mais uma possível rival.
Limpando delicadamente as longas unhas com uma lima como se fosse uma famosa estrela de cinema, ela respondeu de uma forma irónica:
- A tola acredita mesmo que um dia irá desenterrar o misterioso passado da sua família, e por que razão os seus pobrezinhos pais a abandonaram. Uma historieta comovente como só se vê em filmes pirosos, até apetece vomitar de tão estúpida que é.
Terminada aquela resposta, passaram-se três longos minutos, até que o lúgubre homem coberto na escuridão do vidro disse enigmaticamente:
- Seis meses de fortuna, no sétimo ocorrerão uma catástrofe enganadora!
Que planos diabólicos eles estariam a tramar…?
Um sorriso maldoso e cheio de esperança apareceu logo na cara da falsa mulher.
Estaria a mentir-me quando afirmou que eu era, de uma certa forma convincente, a sua única verdadeira amiga....?
Parecia bem que sim, já que esta era uma bruxa invejosa da beleza de qualquer mulher que se atravessasse no seu caminho. Disso eu posso ter a certeza, os olhos azuis grandes dela brilhavam de triunfo.
- Querido bebé, ò Senhor da Vida e da Morte; faz com que essa estúpida encontre o seu derradeiro fim. Que o dia 6 de Junho de 2006 seja teu, das tuas mãos, transforma as suas em mãos assassinas! – Declarou sombriamente a maldita mulher. – Com elas, a desgraçada cravará nas costas do seu amado cyborg um punhal, condenando-os ao desespero; a eles e a toda a Atlântida para que só tu, meu adorado Mestre, governes com as tuas trevas este reino!
- Sim… - Murmurou a voz, num tom terminal e sinistro…Que bizarros e estranhos segredos a Cyborg Town me estava a reservar…?!
Meia-noite menos um quarto: as cortinas das enormes janelas estavam cobertas com cortinas verde-cinza, de modo a que as únicas formas de luz eram cinco velas de fogo vermelho a brilhar vivamente numa mesa de café ricamente decorada com flores selvagens tais como dente-de-leão; beladona; rosas; silvas; e vinhas de uvas dos campos de setenta mil anos da Cidade dos Deuses. Na penumbra, à esquerda estava um espelho de dois metros suficientemente grande para uma pessoa passar por ele partido em bocados, e à direita, uma mulher pequena, pálida como a cal, com pinturas vermelhas e pretas esquisitas na cara, seminua, permanecia deitada num espaço delimitado por um giz de mercúrio em forma de losango, com a barriga para baixo, a cheirar directamente um incenso esquisito púrpura.
Era uma espécie de cerimónia ou coisa parecida, ela pronunciava palavras incompreensíveis em Atlante Arcaico – uma versão antiga do Atlante que tem mais de cem mil anos – contorcendo-se em si própria, fazendo repetitivamente com uma facilidade incrível posições de Yoga que só um verdadeiro mestre nessa arte de relaxamento conseguiria atingir. Agora podia supor com toda a minha certeza que ela está completa e definitivamente louca!
Segundo os meus estudos em Magia Negra, ela estava a invocar um bruxo do Limbo dos Espelhos, e parecia não estar a resultar. Esta técnica de magia era utilizada pelos bruxos mais experientes e poderosos, mas nem uma bruxa com a idade de noventa e um anos conseguia atingi-lo na perfeição.
Graças a Deus que tirei um curso acerca de Atlante Arcaico para compreender o que ela continuava a murmurar entre dentes:
- Grande e Supremo Deus da Morte e do Mal Atlante, eu vos chamo, meu Mestre!
Ò Aquele que exterminava almas e corpos de imbecis fadas com um só dedo, erguei-vos das trevas e fazei sentir o vosso majestoso poder!
Grande Filho de Tsesustan, Rwebertan Samiel Tristan Euncätzio, eu vos INVOCO!
As fatais doze badaladas soaram por toda a Atlântida, e aí, nem um som de fantasma ou cheiro repugnante se fez sentir, mas sim toda a Atlântida mergulhou numa onda de um perfume de homem forte demais para se respirar, e uma brusca neblina tão espessa como uma sopa de batatas e ervilhas cobriu por completo a Lua.
Porém…Dez minutos passaram….E nem sinal do tal “Deus da Morte” que a maluca referia nos seus bizarros cânticos.
Esforços inúteis eram aqueles, não achas?
A mulher começou a ficar impaciente, batendo com o pé no tapete vermelho de fogo infernal que tinha comprado especialmente para aquela ocasião.
Não seria apenas imaginação sua ou tentativa falhada de ver o seu ex. Marido…?
Afinal, nunca se sabe o que pode dar a uma viúva…!
Levantou-se daquela posição tão desconfortável, achando estranho o bruxo estar atrasado, e ainda com os pés descalços no tapete da sua própria energia mágica derramada, os seus olhos pintados de negro começaram a arregalar-se, enquanto esperava já com a mostarda a subir-lhe ao nariz.
Pedira a solidão absoluta em todo o hotel só para ela para todos os oficiais da SPV, explicando-se que era um assunto secretíssimo de Estado, que não seria revelado a ninguém; gastara o equivalente à riqueza dum sultão ao “redecorado” o seu “cantinho”; ainda por cima passara a manhã inteira a preencher uma papelada do tamanho de não-sei-quê para ver navios….?!
Se ele não chegasse pelo menos até à meia-noite e meia, aquilo certamente não iria ficar por ali, não senhor.
Ali estava ela, a fazer figura de ursa, apenas com um biquini de ouro puro e com um manto vermelho de seda pura e uma coroa de diamantes sem mais ninguém, e com um ar de poucos amigos.
- Bebé, amorzinho…- Disse ela de forma dissimulada, mas logo mudou para um tom, digamos mais alto. – APARECE, CASO CONTRÁRIO VAIS TER A PIOR NOITE DA TUA VIDA, SEU IDIOTA!
Saltando e lançando vigorosamente um vaso de porcelana pela porta, despedaçando-o aos bocados, a irada e histérica mulher estava incontrolável!
- SEU CRETINO MENTIROSO DE UMA FIGA! APARECE, SENÃO…
De nada valeram os seus agudos gritos de ira, que ecoaram qual rugidos de uma tigre fêmea por todo o arranha-céus, ressoando o “senão…” com uma força tal que o seu querido espelho de cerimónias quase se partia.
Mal ia derramar a primeira lágrima de ressentimento por ter confiado em superstições idiotas quando um surgiu vulto esguio sobre-humano: vestes negras como a cor da morte, não distinguindo completamente o rosto ou forma, ou o quer que aquele diabo fosse, de uma estatura alta, que, comparado com a Serpente de Fogo, este era um gigante escondido por entre chamas vindas do Inferno.
A sua voz poderosa e severa, com um misto diabólico de astúcia na pronúncia e sotaque atlante, disse sarcasticamente:
- Por que gritais, Majestade?
O monstro robusto apontou para os ponteiros do relógio da avenida, anunciando meia-noite e ponto.
Aí, a mulher corou de vergonha, baixando a cabeça sem saber que fazer. Tinha mandado adiantar a torre principal da Atlântida na Cidade dos Deuses meia hora para receber os convidados a tempo na festa, e com os seus compromissos, esquecera completamente de arranjá-lo pontualmente para receber um convidado ainda mais ilustre e poderoso dos que os outros à meia-noite.
É mesmo distraída, tem os genes sonhadores da Sara, que se há-de fazer?
Fez uma vénia profunda ao senhor, ajoelhando-se solenemente qual bela e educada dama que julgava ser perante o fantasmagórico espelho, e baixou os olhos como se fosse escrava do espelho, literalmente.
Não percebia nada do que estava a acontecer, mas pelos vistos, aquele devia ser o amante a que a mulher é tão dedicada. Talvez o Finistergäse trabalhe para ele…
Quando se levantou, olhou para o seu “Mestre” de uma forma quase de meter dó, e limpando inocentemente as lágrimas, e fingindo-se de mártir, soluçou numa voz suplicante:
- Bebé S…Sabes que o prazo para me levares daqui está quase a chegar ao fim e eu…
Mal ia falar a próxima palavra, o homem ou fosse o que aquela besta era, interrompeu-a friamente:
- Amanhã!
Sabendo o que aquilo significava, a desesperada e condenada rainha ajoelhou-se duma forma humilhante, fazendo uma incrível cega para não olhar directamente para o Diabo, chorou cada vez mais.
- Faça com que o prazo se prolongue um poucochinho. – Sugeriu ela sem outra alternativa, num tom graxista. – Sei lá…Mais uns meses, semanas… Por favor, tenha piedade de mim, Vossa Excelência. Sessenta e seis anos passam depressa demais para uma Nobre de vinte mil! Por amor da vossa Virtuosidade, não me conduza ao implacável Castigo Eterno!
A voz do espelho respondeu de uma forma rígida:
- Nen!
Foi então que a escorregadia e falsa bruxa esboçou um sorriso malicioso, dirigindo-se para o espelho de uma forma confiante, mostrando o seu belo corpo ondulante e sensual de um lado para o outro.
- Trago para o meu senhor uma nova vítima! – Comentou com um brilho maldoso nos olhos claros de víbora. – A minha jovem e bonita amiga de maquilhagem já está presa nas masmorras lá em baixo pelos meus homens, ela, que nunca pisou o vosso reino obscuro. É uma alma apetitosa, ainda na flor da idade, ingénua, mesmo que se diga sabida da vida.
De que pobres coitados aqueles dois estariam a falar? Achas que estavam a falar de mim? Só espero que não!
O diabo, mais interessado em saber mais acerca da rapariga, perguntou:
- E que deseja essa formosa duquesa?
A Serpente de Fogo soltou uma risada sádica, qual uma hiena que não está boa da cabeça, contente por se ter livrado de mais uma possível rival.
Limpando delicadamente as longas unhas com uma lima como se fosse uma famosa estrela de cinema, ela respondeu de uma forma irónica:
- A tola acredita mesmo que um dia irá desenterrar o misterioso passado da sua família, e por que razão os seus pobrezinhos pais a abandonaram. Uma historieta comovente como só se vê em filmes pirosos, até apetece vomitar de tão estúpida que é.
Terminada aquela resposta, passaram-se três longos minutos, até que o lúgubre homem coberto na escuridão do vidro disse enigmaticamente:
- Seis meses de fortuna, no sétimo ocorrerão uma catástrofe enganadora!
Que planos diabólicos eles estariam a tramar…?
Um sorriso maldoso e cheio de esperança apareceu logo na cara da falsa mulher.
Estaria a mentir-me quando afirmou que eu era, de uma certa forma convincente, a sua única verdadeira amiga....?
Parecia bem que sim, já que esta era uma bruxa invejosa da beleza de qualquer mulher que se atravessasse no seu caminho. Disso eu posso ter a certeza, os olhos azuis grandes dela brilhavam de triunfo.
- Querido bebé, ò Senhor da Vida e da Morte; faz com que essa estúpida encontre o seu derradeiro fim. Que o dia 6 de Junho de 2006 seja teu, das tuas mãos, transforma as suas em mãos assassinas! – Declarou sombriamente a maldita mulher. – Com elas, a desgraçada cravará nas costas do seu amado cyborg um punhal, condenando-os ao desespero; a eles e a toda a Atlântida para que só tu, meu adorado Mestre, governes com as tuas trevas este reino!
- Sim… - Murmurou a voz, num tom terminal e sinistro…Que bizarros e estranhos segredos a Cyborg Town me estava a reservar…?!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Fen Li - a "Baronesa dos Demónios"

Fen Li Ning Michaela Di Euncätzio era a sobrinha mais nova do Assassino do Amor, e talvez, a seguir a Enoque Pedro Di Euncätzio, uma das figuras do Clã Di Euncätzio mais popular na Bellanária. Ela ganhou, entre a comunidade dos Demónios, o apelido de “Santa dos Alpes”, por ser muito generosa e apiedada dos mais desafortunados. Passou à história como santa e mensageira dos Deuses, tendo sido reconhecida até pela Igreja Cristã como beatificada e canonizada em 1435, dois mil anos depois da sua morte. Na Bellanária, na parte cristã, particularmente, ela é popularmente conhecida como Santa Baronesa Michaela, mudando o nome para um ar mais ocidental, e as iconografias da mulher em si não condizem com as descrições que o tio da jovem faz sobre ela na “Biografia Crónicas da Minha Vida”. O facto de ser de etnia oriental não condizia com a descriminação racial que havia no tempo dos descobrimentos.
O título de Baronesa já fora atribuído aos dezassete anos, por ser tão condolente, corajosa, com uma eloquência impressionante, dominadora de várias línguas, e inteligente.
Aos doze, fora viver com o irmão mais velho para a Bellanária, em casa do tio deles, o Assassino do Amor; na China, o pai morrera muito jovem, e a mãe já não os podia sustentar.
Assim, conheceu as gentes Bellantes e os Demónios e Fadas e outras tantas criaturas mágicas, as quais teria um amor maternal que nunca se separaria, até ao fim dos seus dias. O seu génio notara-se logo ao conseguir dominar a língua bellante, e em escrever fantásticos discursos oratórios sobre a liberdade das mulheres e o estado deplorável em que viviam os Demónios.
No entanto, a vida da jovem aspirante a Kinnary[1] – equivalente bellante na linguística para Baronesa e tipo de Fada, metade cisne, metade mulher, que era uma espécie de embaixatriz das deusas mais importantes, e que se encarregava dos assuntos de Estado como se fosse uma secretária de Estado – nunca foi um mar de rosas.
[1] Ser originalmente da mitologia tailandesa, metade cisne, metade mulher, que personificava o amor e a beleza feminina
Teve de enfrentar o seu cruel e possessivo tio, que, alguns dizem, desenvolveu uma paixão pedófila pela sobrinha quase doentia, vendo nela as qualidades necessárias para a sua “Bruxa Perfeita”. Por muito que o Assassino do Amor a quisesse afastar do mundo exterior e mágico que eram as Fadas, ela sempre arranjou maneira de escapar às suas garras, pelo menos enquanto foi, legalmente menor, que, naquela altura, era até aos vinte e quatro anos de idade para as mulheres e dezasseis para os homens. A sua inteligência, combinada com a força e determinação do irmão mais velho, Quing, deram origem a muitas histórias, das quais se conta que o primeiro encontro com Samiel, em que este os recebeu na maior pompa e luxo, oferecendo-lhes um manjar digno de Deuses, para uns dois meses depois, quando tinha a confiança ganha com os dois irmãos, ter relações sexuais com a própria sobrinha. As suas tentativas pedófilas foram muitas vezes frustradas, pelo menos com Fen Li, ela era da família dele, e isso deu origem a também muitos escritores estrangeiros escreverem sobre Quing e Fen Li, nomeadamente os irmãos Grimm, com a história de “Hansel e Gretel”, é claro que «…quem conta um conto, acrescenta um ponto, mas, neste caso, não censuro o facto de terem falado sobre a nossa família, ocidentalizando a nossa vida…» confessou anonimamente um membro da família Di Euncätzio no século dezanove, agora desaparecida para todo o sempre. Na autobiografia do Assassino do Amor, ele conta, no poema, como é que a sua monstruosidade e loucura levou ao ódio e confusão por parte da sobrinha:
O título de Baronesa já fora atribuído aos dezassete anos, por ser tão condolente, corajosa, com uma eloquência impressionante, dominadora de várias línguas, e inteligente.
Aos doze, fora viver com o irmão mais velho para a Bellanária, em casa do tio deles, o Assassino do Amor; na China, o pai morrera muito jovem, e a mãe já não os podia sustentar.
Assim, conheceu as gentes Bellantes e os Demónios e Fadas e outras tantas criaturas mágicas, as quais teria um amor maternal que nunca se separaria, até ao fim dos seus dias. O seu génio notara-se logo ao conseguir dominar a língua bellante, e em escrever fantásticos discursos oratórios sobre a liberdade das mulheres e o estado deplorável em que viviam os Demónios.
No entanto, a vida da jovem aspirante a Kinnary[1] – equivalente bellante na linguística para Baronesa e tipo de Fada, metade cisne, metade mulher, que era uma espécie de embaixatriz das deusas mais importantes, e que se encarregava dos assuntos de Estado como se fosse uma secretária de Estado – nunca foi um mar de rosas.
[1] Ser originalmente da mitologia tailandesa, metade cisne, metade mulher, que personificava o amor e a beleza feminina
Teve de enfrentar o seu cruel e possessivo tio, que, alguns dizem, desenvolveu uma paixão pedófila pela sobrinha quase doentia, vendo nela as qualidades necessárias para a sua “Bruxa Perfeita”. Por muito que o Assassino do Amor a quisesse afastar do mundo exterior e mágico que eram as Fadas, ela sempre arranjou maneira de escapar às suas garras, pelo menos enquanto foi, legalmente menor, que, naquela altura, era até aos vinte e quatro anos de idade para as mulheres e dezasseis para os homens. A sua inteligência, combinada com a força e determinação do irmão mais velho, Quing, deram origem a muitas histórias, das quais se conta que o primeiro encontro com Samiel, em que este os recebeu na maior pompa e luxo, oferecendo-lhes um manjar digno de Deuses, para uns dois meses depois, quando tinha a confiança ganha com os dois irmãos, ter relações sexuais com a própria sobrinha. As suas tentativas pedófilas foram muitas vezes frustradas, pelo menos com Fen Li, ela era da família dele, e isso deu origem a também muitos escritores estrangeiros escreverem sobre Quing e Fen Li, nomeadamente os irmãos Grimm, com a história de “Hansel e Gretel”, é claro que «…quem conta um conto, acrescenta um ponto, mas, neste caso, não censuro o facto de terem falado sobre a nossa família, ocidentalizando a nossa vida…» confessou anonimamente um membro da família Di Euncätzio no século dezanove, agora desaparecida para todo o sempre. Na autobiografia do Assassino do Amor, ele conta, no poema, como é que a sua monstruosidade e loucura levou ao ódio e confusão por parte da sobrinha:
Ai, Fen Li, de pai e de esposo,
O teu nome me faz suspirar,
Esse inocente fogo delicioso
Que primeiro nos faz palpitar!...
- Oh, não vás, donzelinha inocente,
Não te vás a esse engano entregar,
E amor que te ilude e te mente,
É amor que te há-de matar…
Só a tua visão,
Pequena inteligência
Artificial,
De papel vegetal,
És uma boneca,
Recheada com caramelos de clemência.
Atingir a tua meta,
Alcançar a tua suave e macia mão,
Que parece quase a última sílaba de um não,
Acariciar,
E deliciar,
Os meus olhos famintos com a beleza que
Estive prestes a condenar…!
Não há nada em ti que queira
Mudar,
A tua alma estremece mais
Do que uma fogueira,
E eu, feiticeiro cruel, enamorado,
Espírito nocturno que assusta os animais,
Apercebeu-me, que,
É uma maldição não mais ver-te,
Emaranhado,
Aprisionado,
Condenado,
Pago pelo crime de amar,
De te beijar,
Querida fragrância de Primavera,
Viver-te no leito da minha morte, entristecer-te,
Lágrimas de anjo caído que jamais poderá
Te apreciar,
Anjo divino,
Elegante, de tecido frágil e fino,
Oxalá que ninguém te apanhe,
Ou a minha alma jamais, ninguém,
Amará…! ´
Mais tarde falarei no Grito da Verdade sobre ela….
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
"Ancient Conspiracy on the Dancefloor !

O meu Padrasto, é tudo culpa dele, e ainda bem que consegui afastar-me daquela louca. Eu tentei um largo sorriso, e, indo em direcção à saída, a rir-me, disse:
- A senhora é que está com pele de galinha, não eu. Como queira.
A bruxa, fazendo uma cena com os olhos lacrimantes e juntando as mãos como se fosse conduzir-me para uma oração, olhando para o céu de uma forma piedosa (só faltava a auréola para se fingir de santa), agarrou na minha perna direita.
Que é que ela queria…? Até parecia o fim do mundo, eu só ia deixá-la por uma hora, que mal tem nisso.
Mas como na verdade a Madame é uma toxicodepente cobarde como sei lá o quê e só se sente protegida com um par de gorilas sem cérebro, burros que nem uma porta e que têm ambos a altura do Monte Evereste, lá estava eu a arrastá-la pelo chão até que chegámos à saída.
- Docinha, meu bem, não te esqueças de estar aqui à meia-noite e ponto, é uma promessa, bebé! – Implorou ela. – Mas lembra-te, lembra-te! Serás maldita se aos teus princípios de boazinha inglesa voltares, e o teu amor aqui mesmo encontrará o seu fim! Para sempre, para todo o sempre, serás do Tsesustan, e ele te dará, a ti e ao teu amado cyborg, a terrível condenação ele fará com que vocês partilhem, a tua eterna maldição! Chauzinho!
Revirei os olhos, um pouco irritada com aquela cena digna de uma comédia, e, abrindo forçosamente a porta com o peso da estúpida mulher em baixo, e suspirei em sinal de reprovação de tal peça.
- Eu sei! – Comentei sarcasticamente. – De nada, a senhora também é uma santa que ninguém poderá imaginar! Agora faça o lindo favor de largar a minha perna que só tenho duas. Até já, Chauzinho!
Acenando com a mão, fingindo que estava contente, lancei um último olhar ternurento e de amizade para com a minha nova amiga, acalmando-a. Mas…Sabia, não, pressentia que onde quer que estivesse, o meu padrasto estaria muito satisfeito por ver eu sucumbir por fim ao sentimento humano e cair na tentação; pois a sombra de um homem alto sinistro parecia estar a rir às gargalhadas, mas estranhamente não se ouvia nem um único som da sua boca…Que cambada de malucos. Eu sempre disse que a cidade não era boa para a saúde das pessoas, mas francamente. Até parece que os Bruxos citadinos não se habituaram à ideia que o isolamento é a melhor forma de aumentarmos os nossos poderes. É esquisito, sempre que penso no meu avô, lembro-me sempre de Deus, mas não é de admirar, sabia sempre o que eu queria, conhecia-me tão bem que até acho que quando era pequena, acreditava que ele era o meu anjo-da-guarda. Jamais se zangava, e a sua voz tão clara e sincera emitia um calor paternal tão amoroso…
Obviamente, quando eu fazia algo mesmo mau, ele castigava-me justamente, nunca me bateu, bastava uma semana sem televisão ou ficar sem sobremesa para eu compreender, depois, ele dava-me um beijo na cara e dizia-me na sua maneira tão bondosa «Eu não me quero zangar contigo, Jessica, mas algumas vezes é preciso.»
Ao caminhar num passo acelerado para o metro na pequena paragem na praça principal, tentei não dar nas vistas para não ser apanhada desprevenida por algum demónio ou fantasma. Respirei bem fundo e entrei no transporte público sem uma única gota de medo, mas quando me sentei confortavelmente na cadeira, pensei se seria boa ideia dormir com a Serpente de Fogo.
O meu sentido de dever falava mais alto que o meu amor e curiosidade pelo padrasto que apodrecia no Castelo Negro.
Seria boa ideia libertá-lo…? Ou era apenas uma loucura pueril criada pela minha mente jovem e ingénua, incapaz de compreender a grande e sombria conspiração que se passava na Bellanária…?
E quantas mais dúvidas a minha cabeça armazenava, mais tentada eu me sentia em fazer tão inocente crime. O meu avô decerto não aprovaria, muito menos a minha actual família, mas era a única maneira de saber quem era esse obscuro homem, esse tal padrasto que me torturava a mente. Ele (O meu Padrasto) chegara à minha vida de surpresa, e, sem qualquer aviso, me enchera mistérios e enigmas por resolver.
Chegara a hora do meu destino seguinte ser revelado. Iria para o caminho do Bem ou do Mal…? Escutaria as sensatas palavras do meu Avô ou iluminaria o caminho escuro para ver o rosto do meu Padrasto…?
Pondo a minha cabeça sobre as minhas mãos, deitei umas tantas lágrimas, guardando-as na minha mão, perguntei em voz alta:
- Porque espero? Que irei fazer?
Uma voz fria ecoou de súbito nos meus ouvidos:
- A decisão é sua, Menina Jessica. Se assim o desejar, eu mando abrandar a máquina caso queira telefonar ao Herr Duque Von Tifon para o prevenir. Que direcção do caminho deseja tomar? Diga-me só o caminho e deixe o resto comigo. Guiarei a sua vida, jovem Fräulein!
Virei-me assustada para a frente e vi um pequeno bruxo a conduzir o metro, com o rosto cobrido pelo chapéu, e de certa forma, eu sabia que ele estava a sorrir para mim, à espera da minha difícil escolha.
Olhei pela janela de vidro, e reparei que havia algures lá fora no caminho escuro iluminado apenas por algumas lâmpadas que deixavam a desejar, pondo uma simbólica bifurcação: a seta da esquerda era para um atalho para voltar para trás, o da direita ia direitinho para a Cidade Perdida, para a minha casinha e cama quentinha.
Se fosse para a esquerda, estaria a abrir as portas da liberdade ao Diabo na forma humana…? Mas se fosse para a direita, jamais descobriria a verdadeira natureza de todos os segredos que antes me tinham sido escondidos e negados…..!
Então, numa tentativa desesperada, fiz opção: levantando-me, com um ar jovial no olhar, ordenei ao condutor:
- Para a Cidade Perdida, mas pode ter a certeza, caro senhor, que eu não vou desistir de saber quem realmente eu sou!
O misterioso condutor de baixa estatura acenou com a cabeça:
- É valente, mas isso não chega para enfrentar o seu padrasto, minha querida. Coragem não provada, não basta para vencer o passado. E, infelizmente para si, doçura, o tempo é a única coisa que não se pode parar, mas sabe que a vontade do Mestre ultrapassa tudo….
Num tom de terror, com um olhar penetrante que arrepiaria até o mais poderoso e bravo de todos os Cyborgs, coberto por uma capa preta, acrescentou:
- Sua Excelência, o meu amo, ele consegue tudo, ele triunfa sempre…! Sabia que na vida real, o Mal ganha sempre no fim!
Ao dizer estas palavras, começou a repeti-las, fingindo bater num bombo, e na verdade, o metro começava a ganhar velocidade cada vez que ele repetia a oração “O Mal ganha sempre no fim!”, de uma forma simplesmente infernal e diabólica.
As minhas pernas tremiam como varas verdes numa implacável tempestade e já andávamos a trezentos km’s por hora, sem ele conduzir o “metro fantasma”! Parecia um autêntico pesadelo, só que desta vez era real. Terrivelmente real! Só me apetecia gritar, mas em vez disso, apertei fortemente contra o meu peito a pequena chave, tentando manter-me calma.
Desconfiada da forma sinistra como aquele homem falava, forcei-o a virar-se para mim, e vi em vez de um bruxo, um perfeito boneco feito de cera à escala real, deitando a língua de fora para mim, com sete velas a flutuar assustadoramente sobre a sua cabeça, cada uma delas pregada com treze agulhas formando um místico símbolo: um losango negro, com um florete, um k e uma rosa a atravessar o losango; o símbolo do Mal Supremo!
Aí é que não aguentei mesmo, aquilo estava a ficar igualzinho a um filme de terror.
Explodi, e, com a mostarda a subir ao nariz, dei um grito de horror à medida que tudo ia ficar escuro….
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