Contos, historias, textos pessoais... Short-stories, poems, personal texts....
Princesa Shamanarta
A reencarnação de uma antiga deusa Bellante da Sabeodria, sou eu... ;) LoL ...estou a brincar
The reencarnation of a ancient bellanian wisdom goddess....it's me...! ;) LoL I'm Jokking..
Many stories to tell! Now In bilingue....
________________
c.catigirl@gmail.com
domingo, 22 de julho de 2012
Tal avô, tal neta?
Saudações da vossa Tifongirl.... Agora já sabem porque é que eu pus o nome tifon como pseudónimo, há cinco anos atrás, a Jessica foi a primeira Von Tifon, e eu identificava-me um pouco com ela na altura. Nessa altura, eu gostava de fazer pinturas a aguarela, ouvia uma música muito heterogénea e tinha uma relação complicada de amor/ódio com os desenhos animados Japoneses (mais conhecidos por anime) , que ora eram passados às sete e meia da manhã, ora no horário infantil, às cinco da tarde. Tal como a maior parte das coisas que me metem medo, passei a interessar-me, e comecei a vê-los nas versões originais ora na internet ora nos canais em que os desenhos eram mais maduros. Mas a minha influência principal (ou inspiração, como quiserem) eram as sitcoms e filmes sobre a Segunda Guerra Mundial (não sobre a guerra do Pacifíco, que passei a interessar-me recentemente), mas sobre o lado alemão.
Inspirada pela minha amiga Norueguesa Lisa , começei a desenhar uns esboços das personagens mais intrigantes das minhas histórias. Gosto muito não só da manga Japonesa mais para adultos, como também as obras fantásticas de Picasso e do grande Salvador Dalí. Em relação à escrita, a inspiração...é um segredo! He, he, he :P
Aqui está um esboço que fiz recentemente sobre a Jessica (uma parte da cara dela) e o contraste entre ela e o "bruxo demoníaco do cigarro" http://princesshamanarta.blogspot.pt/2007_05_20_archive.html "Digamos apenas que eu sou o porta-voz da desgraça, minha querida..." A citação que gostei mais naquele poste, há cinco anos atrás.
É impressão minha ou eles não são assim tão diferentes ? ;)
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Um café com canela às sete da manhã...
Diário da Jessica Von Tifon
12 de Março de 2005
Um café com canela às sete
Quando penso que toda a gente vê-me como uma rapariga super simpática, amiga dos outros e com um humor muito refinado, ninguém diz: "Lá vem a neta do Duque Von Tifon..." ou "Olha, cuidado com a bruxa!" A minha família é que me conhece... É verdade é que sim, posso ser um pouco mázinha quando quero. Mas hei, a minha mãe era uma leoa com os homens, o meu avô era um pouco excêntrico (se bem que até acho que podia dar-me muito bem com ele)...Não me podem culpar por ser assim. Uma vez, um colega meu e a minha pessoa estávamos a conversar calmamente. Quando eu lhe digo que as raparigas Bellantes são simpáticas, ele diz-me assim, com toda a naturalidade do mundo, como se soubesse perfeitamente como é que são todas as mulheres bellantes, sejam elas humanas ou bruxas:
"Cá para mim as miúdas são todas umas piegas..."
Ai, valha-me santa pachorra, senão fosse a minha paciência de santa - que apesar de ser uma bruxa, ainda tenho uns nervos de aço, digo-te - eu juro que lhe dizia quem eram as piegas! Dava-lhe um murro no sítio que eu cá sei que ele perdia logo a vontade de repetir a graça. Porém, uma vez que os meus lindos olhos verdes (que nisso, são iguaizinhos aos do meu avô) não sabem mentir, o franganote lá disse, um pouco assustado:
- Sem ofensa, Jessica! Tu não és assim, tu até és muito fixe...
- Podias inventar uma desculpa qualquer para dizeres que estás com medo de mim, Thaiko! - Disse eu num tom desconfiado, muito mais amargo que o café que me fora servido.
O Thaiko, que apesar de ser mais velho que eu, com um ar de quem preferia estar à chuva do que estar a ouvir os meus comentários sinceros, tentou desviar a conversa para algo menos embaraçoso:
- Então...ouvi dizer que acabaste com o Pedro...porque é que fizeste isso? - Perguntou num tom um pouco curioso, como se tivesse pena do cyborg.
- Não foi por causa do Fixtanea ou do meu padrasto, se é isso que estás a pensar. - Bebi um pouco do café, pensativa. À noite, continuo a perguntar-me a mim mesma porque raio teria feito tal coisa, mas quando via o Pedro agarrado à Sara, muito apaixonado por ela, não conseguia ter pena dele. Dela, com certeza que tinha, aquela rapariga já nasceu ingénua! - Além disso, ele desiludiu-me e os tipos que desiludem-me não merecem o meu amor.
O café do coitado do Thaiko já estava frio de tanto ele mexer nervosamente com a colher.
- Ah...então não te importas com o que possa acontecer com ele?
- Cá por mim ele até podia ser atropelado por um carro da SPV... - Comentei enquanto sorvia calmamente o café com canela.
Eu até podia dizer isso com a maior das indiferenças, mas no fundo, sabia que estava a chorar por dentro. Também aquele palerma não merece que eu esteja a deitar ranho por tudo o que é sítio. Estava um dia de chuva, húmido como eu sei lá o quê. Tal e qual como em Londres...Não sei porquê, mas sempre que estou triste, vem-me à memória os dias cinzentos em que estava sozinha em Londres.
Numa das janelas enevoadas e turvas com a chuva gelada, vi dois olhos azuis a espreitar. O Thaiko tremeu ao ver o que eu vi, mas eu não tremi. Tinha saudades do meu avô - isto é, do meu pai - e realmente, agora que sei que o Fixtanea era realmente o meu avô (Adrian Demetrius Von Tifon) disfarçado, não consigo odiá-lo. Quando cheguei à Bellanária e ouvi falar sobre ele, não deixava de pensar: "Deve ter sido um homem incrivelmente poderoso!" Depois, tenho tantas perguntas para lhe fazer...
Estou a falar como se fosse a Sara não é? Mas isso de eu ser curiosa já é de família.
O meu avô caminhou calmamente no café um pouco...Como é que eu hei-de dizer isto de uma forma simpática? Ah sim, era um café um pouco rasca. Enfim, os amigos da Sara nunca podem ter bom gosto. O cáfé chamava-se Doçaria Madrid, e, exceptuando os bolos, o café vinha sempre queimado. Mas é um daqueles lugares em que uma pessoa vai e nem a chuva parece assim tão deprimente, com o ar velho e o cheiro a anúncios dos Anos 20 com Art Novae esparramados pela parede dourada.
Estava a usar uns sapatos italianos pretos, com um sobretudo preto, e um cachecol bem elegante. Definitivamente não estava com cara de quem estava contente por me encontrar num sítio daqueles. Ao fechar o guarda-chuva (para alívio do dono do café, que era mais supersticioso do que a nossa vizinha de Merlonogrado, uma velha mas tão velha que a canção Portuguesa "Era uma velha que morava numa ilha..." faz com que eu desate às gargalhadas sempre que a ouço) ele pediu o mesmo que eu: um café preto com canela. O dono lá acenou aos tremeliques que sim, Vossa Alteza, é para já! As pessoas com mais de setenta anos ainda se lembram do homem cuja voz na rádio lhes fazia um calafrio na espinha. E pensar que o meu avô é muito mais velho que os humanos e consegue andar àquela chuva sem soltar um único espirro!
Sentou-se à minha frente, enquanto o Thaiko retirava-se discretamente com um ar de quem não queria ser olhado de lado pelos clientes. Eu tiro o casaco e quando toda a gente vê a marca do falcão dourado com os três fogos-fátuos no meu pulso direito, é como se caísse um silêncio de cortar à faca sempre que vou a algum sítio!
Até pareciam bóis a olharem para um palácio...
Lançei um olhar um pouco carrancudo para os outros clientes.
- Que foi? Nunca viram um homem a tomar café com a neta?! - Perguntei com um ar muito indignado.
E de imediato os outros clientes pararam de olhar e retomaram ao que estavam a fazer. Revirei os olhos, aborrecida com uma das mãos na colher, brincando um pouco com a ressonância da chávena de vidro.
- Palermas... - Murmurei entre dentes.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Primavera do Sul e Inverno Nortenho

Feliz Festival das Bandeiras e Boas Festas Nacionais!
Nilampadma II Jagannhati, filha do Rei dos Dragões Jagannhata XXII com a Imperatriz Claudinitiana Xóchitl III. Mãe do Imperador Tsubasa Kleitsuitl. Nascida em 24 de Março de 1720 e morreu em 2 de Janeiro de 1769, cada com Ayumu Tokugawa.
Aí vem o Avô Inverno, com o seu sotaque exótico,
Querida terra coberta do branco,
O senhor Inverno, como bom feiticeiro educado,
Querida terra coberta do branco,
O Avô Inverno
Mas é da Bellanária que ele gosta mais,
E o Senhor Inverno lhe diria:
Querida terra coberta de branco,
Quando passeei, um pouco distraída em direcção ao fundo do salão, reparei que a voz com sotaque Russo era a de Nina Malaghetyeva, a nona filha de Kasimir Malaghetyev. O rufo dos tambores era contagiante, e em breve, tanto eu, como a Sara, a Nuo, a Tsuna, e a Sumitraijin estávamos a dançar ao ritmo da canção alegre! Os Deuses estavam a envergar - só eles é que eram permitidos usar aquelas cores vistosas no Festival das Bandeiras - túnicas cobertas de plumas coloridas, que iam desde o vermelho até à opala brilhante, o verde esmeralda, o azul-escuro e o prateado. A típica música Bellante, exótica, quente, tão picante quanto o molho de piri-piri tropical das Ilhas de Shunrasen que os seus habitantes põem nas tortilhas, era maravilhosa e milenar...!
Deve ser por isso que a Senhora Bilafassabnsair (ou a própria Bellanária) é representada como uma jovem exuberante de longos cabelos negros, com um toucado de penas de quétzal verdes e perfumados de várias flores, com um xaile cor-de-rosa a cobrir-lhe dois terços dos seios avantajados e uma saia comprida, justa e dourada (como símbolo das temperaturas quentes das ilhas do Sul). No Festival das Bandeiras, ela é acompanhada pelo "Avô Inverno", o "Senhor Inverno", ou simplesmente "deus das nevadas", um homem de aspecto Japonês (ou pelo menos que se assemelha a um homem estrangeiro, de meia-idade, alto, sisudo e pálido...mais concrectamente, a um bruxo). Algumas vezes é a própria figura do Mestre Rwebertan Samiel Di Euncätzio que personifica o Norte e o Inverno. Há quase dois mil anos, a figura mais parecida com a personificação do Inverno era o antigo Itztlacoliuhqui-Ixquimilli (Ponta Curva de Obsidiana - Olho de Adaga). Com a vinda do Assassino do Amor e do Ded Moroz , este deus acabou por ser esquecido e morrer. No entanto, o Senhor Inverno carrega sempre consigo uma espada curva de obsidiana e a maior parte dos avôs nesta época tentam pôr os olhos mais penetrantes e oblíquos para se assemelharem aos olhos " em forma de adaga" do antigo deus.
Pois é, o Festival das Bandeiras tem muito que se lhe diga... As três figuras centrais são o Senhor Inverno, a Bellanária e a Imperatriz ancestral Melnjar I.
terça-feira, 20 de março de 2012
Interrogatório entre o pó-de-arroz
De repente reparei que a Rainha das Fadas, como se fosse uma senhora daquelas actrizes Chinesas que vemos nos filmes Bellantes - que, para tua informação, são a maior seca do mundo, sem contar com o facto de que eu só percebo metade do que eles dizem em Bellante do Norte - dos decadentes e poeirentos cinemas em Shunamari , estava a agarrar-me. Até parecía a que fazía de mãe da Elizabeth Montgomery no Bewitched . As únicas diferenças são: a Senhora Roshini não tem um ar nada excêntrico de mulher Americana e de bruxa muito menos! É só porque ela estava a olhar-me com uma cara de quem conseguía ler-me os pensamentos. Hey, não comeces a gozar, a dizer que eu sou cota e não sei que mais!
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Chorão dos Castigos
Para compreendermos o poema na sua totalidade: na primeira quintilha (nunca quatro, porque na tradição oriental, quatro era um número de mau-agouro, demonstrando o carácter supersticioso de feiticeiro de Samiel, cinco, tal como o pentagrama) nessa altura, folhas secas - Outono - era um sinónimo para uma mulher de meia-idade, que é exactamente o que o Assassino do Amor se assemelhava quando atingira os mil anos de idade. É uma referência ao Taoísmo e ao princípio feminino e masculino (yin-yang) a influenciar as quatro estações e a passagem da estação - envelhecer.
Na segunda quintilha, desta vez, o Mestre Samiel faz referência ao calendário lunar Bellante. Após o décimo oitavo mês do calendário lunar Bellante, apagavam-se as grandes lareiras que aqueciam as cidades bellantes num período de abstinência conhecido como Nenontemi - cinco dias de azar. Uma ironia ao comparar o número do azar Japonês com o número do azar Bellante - cinco. Mas é também uma metáfora para dizer que o ódio de Samiel pelo Império Bellante pode ser apagado na escuridão dos cinco dias azarentos. Ele está à espera que a Princesa tenha coragem para vir despedir-se dele depois do último mês como ele está prestes a morrer.
A quarta quintilha é um refrão, como se Samiel estivesse à espera que outros pusessem em forma musical o seu poema. O chorão na mitologia Bellante é símbolo de amor proíbido, e Samiel diz que sente-se castigado pelo Amor mas que este tem um doce aroma de paixão - o fruto da paixão - e a sexo.
Na quinta quintilha, o sujeito poético perde todas as estribeiras - como o povo diz - e confessa o desejo que sente pela pessoa amada. Na Bellanária, há uma espécie única de trevos de cor preta e que se assemelham a cabelos anelados. Mas no último verso da quintilha, ele desculpa-se num tom formal a pedir humildemente qualquer coisa....talvez seja só um beijo como diz a terceira quintilha...Ou talvez seja mais alguma coisa, ou seja, o corpo nu da princesa, uma coisa absolutamente escandalosa em pleno século catorze, não só para os Bellantes, como para os Chineses e Japoneses! Não admira que na versão Chinesa traduzida para o público e na versão Japonesa, esteja apenas - "seda pura do teu vestido" (túnica oriental) em vez de "a seda pura do vosso natural vestido" (como a princesa veio ao mundo).
Na sexta quintilha, o Assassino do Amor fala em sangue impuro - sangue que pode não ser Bellante, ou pode não ser humano (um demónio). Ele confessa que nem com a magia dele ele poderá purificar-se. Isto é uma óbvia referência à tradição hindu dos Rhakasas - demónios com olhos vermelhos. Mas Samiel diz que esses olhos azuis (azuis é uma metáfora para mortos, melancólicos, tristes) choram por ela.
Ele sofre tanto que, ao continuar para a sétima quintilha, pensa enforcar-se com a sua própria dor.
A oitava quintilha é uma repetição da quarta... E assim termina o sofrimento de Samiel com o castigo eterno...
Oh, linda princesa,
Não vedes que as folhas deste velho rosto,
Estão a secar? Se ao menos eu pudesse cumprir
A promessa,
De nunca mais vos ferir...
Se eu morrer,
Se o meu ódio se extinguir,
Como a chama do último mês,
A desaparecer de vez,
Até mim podereis vós vir?
Um beijo,
É só isso que vos peço!
Perdoai este bruxo malfazejo,
Perdoai, senão nunca mais cesso,
De chamar pelo vosso doce nome!
Porque será,
Porque será que terei de estar sempre preso,
Ao macabro chorão com perfume a maracujá?
Porque será que sempre que vos vejo,
Penso que saí de mais uma patifaria ileso?
Nos meus braços quero prender-vos,
Quero sentir a seda pura do vosso natural vestido,
Não haverá um momento em que não deixe
De me perder nos amorosos e macios trevos,
Dos vossos cabelos, acetai, minha senhora, este humilde pedido!
Este sangue impuro,
Que corre apenas por vós,
Nem com Magia Proíbida eu curo,
Estes olhos azuis rasgados, gelados,
Não vedes que o sangue que deitam já forma nós?
Nós horríveis de dor,
Que me estrangulam, apenas por amor,
Se alguma vez um inocente homem matei,
Foi apenas porque vos amo tanto,
E saiba que por vos, tudo ao Império eu perdoarei!
Porque será,
Porque será que terei de estar para sempre preso,
Ao macabro chorão com perfume a maracujá,
Porque será que sempre que vos vejo,
Penso que saí de mais uma patifaria ileso?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
O passeio com a flor de macieira

Em breve, a jovem descobriu que Kazuhiro era tão falador quanto dizia que era. Contou-lhe sobre a vila de Itshaki, que ficava a uns poucos quilómetros da fronteira do ducado. Era uma vila que ficava perto do monte Yamakutlatectli, por onde nascia o Rio Gulmin, dando um ar fresco e silencioso à estrada acidentada, desenhada como se fosse uma interminável de espirais entre as colinas da fronteira do ducado. Ali, só se escutava o cantar suave dos pássaros e o vento a murmurar por entre as ervas altas dos campos. As cerejeiras ainda estavam em flor, dando ao horizonte uma tonalidade cor de rosa, mesmo que ainda fosse meio-dia. A vila era mesmo no fundo do vale, atravessando o rio como se fosse uma cidade flutuante. Ao longe, Gretel avistou um pagode Budista que devia ter centenas de anos! Era uma torre que apesar de ser velha, ainda se mantinha de pé. O rio murmurava uma antiga canção de um idioma desconhecido e exótico aos ouvidos da jovem rapariga Austríaca, e, quando Kazuhiro parou o carro, ela reparou que este não se atreveu a passar pela ponte de madeira para Itshaki.
- É uma ponte muito antiga, e o rio aqui é forte. - Ajudou-a a sair do carro com uma mão, enquanto que pegava na espada embainhada e a punha de novo a tiracolo na cintura. - Tem a certeza que fica bem com esses botins? O caminho até ao monte ainda é um pouco acidentado, não é?
Kazuhiro era um homem muito amável, mas ele estava sempre a fazer perguntas. Fazia com que ela se perguntasse a si própria se ele tivesse sido mesmo educado numa cidade Alemã. Porém, o certo é que ao ver o quão alto o monte era, Gretel ficou um pouco amedrontada com a sua saia longa e comprida.
Ele começou a tirar o fato e de um momento para o outro, já estava com uma túnica da mesma cor verde-escura e húmida, mas que o fazia mais masculino. Só aí é que ela reparou que ele estava a usar umas sandálias de madeira.
Esboçou um leve sorriso enquanto lhe dava a mão. Disse que este sítio era o preferido dele quando era um rapaz.
- O meu pai levava-me para aqui quando queria que treinássemos a sós. Isto em pleno Inverno, consegue imaginar o monte todo coberto de neve?
- Como nas montanhas em Viena? Sim. - Respondeu a jovem de longos cabelos louros, ao ajeitar o longo vestido cor de cereja.
Ao ouvir o nome da cidade de onde Gretel era, o jovem bruxo ficou um pouco surpreso.
- É de Viena? Que coincidência... Eu gostaria muito de ir até lá! Deve ser uma cidade lindíssima...
Ela sorriu meigamente, tão doce quanto uma amora acabada de apanhar. Não sabía o que havia de dizer. O sotaque crioulo daquele jovem homem era como um acorde desconhecido de um violino, suave e romântico que se espalhava no ar como uma fragrância floral, vindo ter às orelhas da jovem Gretel, acariciando-a suavemente.
Chegando à brisa quente da vila, ela reparou como todas as pessoas olhavam-na de soslaio, desconfiadas. Talvez porque a maior parte deles apenas tinham vistos pessoas de cabelos louros há centenas de anos, e essas últimas pessoas quase tinham destruído a vila de Itshaki. Estou a falar da invasão de Itshaki que tinha causado, há uma centena de anos atrás, um grande número de mortes, não só do lado dos Japoneses, como também dos Russos. Embora fosse difícil que o mais comum dos Humanos chegasse aos setenta anos naquela altura, os habitantes daquela vila ainda se lembravam do que tinha acontecido.
Obviamente, Gretel não tinha culpa nenhuma disso, mas as mulheres não deixavam de cochichar entre si quando ela passava de mão dada com o jovem filho varão do Duque Von Tifon.
Mas ela não ligou muito a isso. Sentia-se segura perto daquele homem atlético e alto.
Como se o seu longo cabelo de ouro fosse uma extensão dos campos de trigo lá no vale, Gretel tocava com as suas avelãs - incrustadas como jóias no rosto de anjo - a montanha, com as maçãs do rosto coradas.
Kazuhiro pensou que ela se assemelhava a uma flor de macieira, mais do que nunca, com o vestido cor das rosas, e o cabelo e a pele eram como a própria maçã - deliciosos e apetitosos, enquanto que ela se agasalhava com o lenço da cor das açucenas.
Ela acompanhava-o o melhor que podia nos seus botins, delicadamente, sempre com uma pose de senhora, enquanto o bruxo lhe contava mais sobre a vila de Itshaki.
- Dizem que ainda se consegue ouvir o trote dos cavalos dos já mortos senhores da Magia Negra, no topo do monte, em noites de Verão como a próxima. O brilho metálico das espadas a se encontrarem com os sabres dos guerreiros Russos, os tambores da Guerra Russo-Japonesa parecem ecoar perto das rochas no caminho para o topo deste monte... Mas é claro, a senhora não acredita em fantasmas, pois não? - Perguntou o feiticeiro Japonês enquanto a ajudava a subir o primeiro degrau ressequido pelo tempo.
Gretel estremeceu. Tinha sido educada num meio muito marcado por aquilo que é sagrado e católico, e raramente gostava de ouvir histórias macabras sobre sítios onde as corujas crocitavam e onde os morcegos tinham os seus ninhos.
Abanou fortemente a cabeça.
- Claro que não, credo! Se acreditasse, como é que acha que ficaria se visse o seu pai, mein Herr?
Para sua grande surpresa, Kazuhiro soltou uma grande e compreensível gargalhada, um pouco embaraçado.
- Pois, lá isso é verdade.
Não pensaram muito nisso, ao subirem as intermináveis escadas de pedra do monte de quatrocentos e cinquenta metros de altura.
